A Inglaterra conquistou o terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026 ao vencer a França por 6 a 4 em uma partida eletrizante no Miami Stadium, em Miami Gardens, nos Estados Unidos. Disputado em 18 de julho de 2026, o encontro ficou marcado pelo hat-trick de Bukayo Saka, pela reação francesa no segundo tempo e por recordes individuais de Kylian Mbappé e Jude Bellingham.
Declan Rice, Ezri Konsa, Saka, três vezes, e Bellingham marcaram os gols ingleses. Mbappé balançou as redes duas vezes pela França, enquanto Bradley Barcola e Ousmane Dembélé completaram o placar francês. Com dez gols, o confronto tornou-se a disputa de terceiro lugar mais movimentada da história da Copa do Mundo.
O resultado colocou a Inglaterra no pódio pela primeira vez desde a conquista do Mundial de 1966. A seleção inglesa já havia disputado a decisão pelo bronze em 1990 e 2018, mas perdeu para Itália e Bélgica, respectivamente. Em 2026, os ingleses encerraram o torneio com a segunda melhor colocação de sua história.
Vantagem de quatro gols
Thomas Tuchel promoveu sete mudanças em relação à equipe que havia sido derrotada por 2 a 1 pela Argentina na semifinal. Harry Kane e Jude Bellingham começaram no banco, Dean Henderson assumiu o gol e Declan Rice recebeu a braçadeira de capitão.
A resposta inglesa apareceu imediatamente. Aos 3 minutos, Désiré Doué errou na saída de bola, Rice recuperou a posse e finalizou da entrada da área. O chute passou por Mike Maignan e abriu o placar em Miami.
A Inglaterra continuou pressionando e chegou a marcar novamente com Saka, mas o gol foi anulado por impedimento. O segundo tento válido saiu aos 18 minutos. Rice cobrou escanteio pela esquerda e Ezri Konsa ganhou a disputa pelo alto para cabecear sem chances para Maignan.
A França até ameaçou em uma finalização de Mbappé, defendida por Dean Henderson, mas apresentava grandes dificuldades para controlar os contra-ataques ingleses. Marcus Rashford, Morgan Rogers, Eberechi Eze e Saka encontravam espaços com facilidade entre o meio-campo e a defesa francesa.
Aos 37 minutos, uma transição rápida terminou em uma sequência de tentativas dentro da área. Rashford e Saka foram inicialmente bloqueados, mas a bola voltou para o atacante do Arsenal, que recebeu novo passe e concluiu para fazer 3 a 0.
O quarto gol saiu aos 45 minutos. Eze lançou Saka pelo lado direito, o atacante superou Malo Gusto e bateu cruzado, de pé esquerdo. A bola entrou no canto de Maignan, levando a Inglaterra para o intervalo com uma vantagem que parecia definitiva.
Mudanças no segundo tempo
Didier Deschamps realizou quatro substituições no intervalo, lançando uma equipe muito mais agressiva. Bradley Barcola e Ousmane Dembélé foram algumas das peças utilizadas para aumentar a velocidade pelos lados e aproximar os atacantes de Mbappé.
A reação começou aos 48 minutos. Michael Olise encontrou Mbappé dentro da área, e o camisa 10 concluiu para diminuir a diferença. Apenas seis minutos depois, Mbappé avançou pela esquerda e serviu Barcola, que superou Jarell Quansah antes de finalizar diante de Henderson.
Aos 66 minutos, Mbappé tabelou com Olise na entrada da área e marcou o terceiro gol francês. Em pouco mais de 20 minutos, a vantagem inglesa caiu de quatro para apenas um gol.
A virada parecia possível. Olise teve uma boa oportunidade para empatar, mas finalizou para fora. Tuchel reagiu com a entrada de Bellingham e Elliot Anderson, tentando recuperar o controle do meio-campo e diminuir a pressão francesa.
Hat-trick e Bellingham fecha o placar
Quando a França buscava o empate, a Inglaterra encontrou o lance que mudou novamente a direção da partida. Aos 87 minutos, Djed Spence foi derrubado por Malo Gusto dentro da área. Saka assumiu a cobrança, deslocou Maignan e completou seu hat-trick, colocando o placar em 5 a 3.
O gol não encerrou a emoção. Aos 90 minutos e seis de acréscimo, Dembélé aproveitou uma recuperação de bola de Dayot Upamecano, cortou a marcação e finalizou cruzado para marcar o quarto gol francês.
Dois minutos depois, Bellingham recebeu em velocidade, avançou pelo campo ofensivo e concluiu com força para definir o resultado em 6 a 4. O meio-campista terminou a competição com sete gols, estabelecendo um novo recorde de um jogador inglês em uma única edição da Copa do Mundo.
Marca histórica em Copas
Apesar da derrota, Mbappé deixou o campo com uma marca expressiva. O atacante chegou a dez gols na Copa do Mundo de 2026 e a 22 em sua carreira na competição. Naquele momento, antes da realização da final entre Argentina e Espanha, o francês assumiu a liderança da lista de maiores artilheiros da história dos Mundiais masculinos.
O desempenho individual reforçou a capacidade de Mbappé em partidas decisivas. Mesmo com a França perdendo por 4 a 0, o capitão participou diretamente dos três primeiros gols da reação: marcou dois e deu a assistência para Barcola.
A partida também representou o encerramento do ciclo de Didier Deschamps no comando da seleção francesa. Depois de 14 anos, o treinador deixou o cargo com um título mundial, em em 2018, um vice-campeonato, em 2022, e uma trajetória que recolocou a França entre as principais potências do futebol internacional.
A medalha de bronze não apagou a frustração da eliminação diante da Argentina, mas ofereceu um fechamento relevante para a campanha inglesa. O time de Thomas Tuchel mostrou força ofensiva, aproveitou os erros franceses e teve personalidade para reagir quando a vantagem construída no primeiro tempo esteve ameaçada.
O placar de 6 a 4 também deu à disputa de terceiro lugar um lugar especial na história da competição. O confronto superou as partidas anteriores mais movimentadas desta fase e apresentou dois tempos completamente distintos: domínio absoluto da Inglaterra antes do intervalo e pressão intensa da França depois dele.
Mais do que uma vitória de consolação, o resultado confirmou a Inglaterra entre as três melhores seleções da Copa do Mundo de 2026. Sessenta anos depois de levantar sua única taça mundial, o país voltou ao pódio com uma atuação ofensiva, dramática e histórica diante de um dos adversários mais fortes de sua geração.
A despedida e o caminho até 2030
A partida em Miami encerrou a participação de Inglaterra e França na Copa do Mundo de 2026, mas também abriu imediatamente um novo ciclo. As duas seleções deixam o torneio entre as quatro melhores, com elencos competitivos e objetivos históricos para 2030. Para os franceses, a missão será buscar o tricampeonato mundial depois dos títulos de 1998 e 2018. Para os ingleses, o desafio será ainda mais simbólico: acabar com uma espera que chegará a 64 anos desde a conquista de 1966.
Apesar do quarto lugar, a França possui uma base capaz de atravessar mais um ciclo completo. O elenco convocado para o Mundial de 2026 tinha média de idade próxima dos 26,5 anos, o que permite imaginar a permanência de vários titulares e reservas importantes até 2030. Kylian Mbappé, principal referência técnica e capitão da equipe, disputou esta Copa aos 27 anos e chegará ao próximo Mundial com 31, ainda dentro de uma faixa competitiva para um atacante de elite.
Ao redor de Mbappé, nomes como William Saliba, Michael Olise, Bradley Barcola, Eduardo Camavinga, Aurélien Tchouaméni e outros jogadores formados por uma das estruturas mais produtivas do futebol mundial podem sustentar a renovação francesa. A tendência não é de reconstrução completa, mas de ajustes em setores específicos, especialmente na defesa e no equilíbrio coletivo demonstrado nos momentos de maior pressão.
A principal mudança estará no banco de reservas. Didier Deschamps encerrou diante da Inglaterra uma trajetória de 14 anos no comando da seleção, marcada pelo título mundial de 2018, pelo vice-campeonato de 2022 e pela presença constante da França nas fases decisivas das grandes competições. Zinédine Zidane é o nome encaminhado para assumir o cargo, com início de trabalho previsto para 1º de setembro de 2026, embora a Federação Francesa ainda não tivesse oficializado publicamente a contratação no momento da despedida de Deschamps. O primeiro desafio do novo ciclo será a Nations League.
A Inglaterra também chega ao caminho para 2030 cercada por possibilidades e dúvidas. Bukayo Saka, Jude Bellingham, Declan Rice, Morgan Rogers e outros jogadores estarão em idade favorável no próximo Mundial. A maior incerteza envolve Harry Kane. O capitão inglês disputou a competição de 2026 aos 32 anos e chegará ao ano da Copa de 2030 com 36, completando 37 em julho. Sua presença dependerá da condição física, do rendimento nos clubes e da capacidade de adaptar seu jogo a uma fase mais avançada da carreira.
Thomas Tuchel, por sua vez, deixa o Mundial pressionado, mas não ameaçado de saída imediata. A postura excessivamente defensiva na derrota por 2 a 1 para a Argentina, quando a Inglaterra recuou depois de abrir o placar e sofreu a virada, provocou críticas de torcedores, ex-jogadores e parte da imprensa. O terceiro lugar e os seis gols marcados contra a França diminuem a tensão, mas não eliminam as cobranças sobre a identidade e a capacidade de controlar partidas decisivas.
Tuchel tem contrato para conduzir a seleção até o encerramento da Eurocopa de 2028. A competição será disputada de 9 de junho a 9 de julho, com a final em Wembley, e funcionará como o grande teste antes da preparação específica para o Mundial seguinte. Até lá, o treinador terá de renovar algumas posições, definir o futuro de Kane e transformar uma geração talentosa em uma equipe capaz de controlar os momentos mais pesados do mata-mata.
França e Inglaterra ainda podem voltar a se encontrar antes de 2030. Um novo confronto entre as duas potências será possível nas fases eliminatórias da competição. A Eurocopa de 2028 também poderá colocar os rivais frente a frente, dependendo do sorteio e do avanço de cada um no torneio.
A Copa de 2026 termina com sentimentos distintos, mas com a mesma contagem regressiva. A França se despede pensando em renovar sua identidade com Zidane e conduzir Mbappé à busca pelo terceiro título. A Inglaterra leva o bronze, mas sabe que apenas uma nova taça encerrará definitivamente o peso de 1966. Em 2030, no Mundial que celebrará os cem anos da competição, os franceses tentarão voltar ao topo e os ingleses terão outra oportunidade de sair de uma fila que, então, já terá atravessado 64 anos.