O Athletico-PR transformou a força como mandante em uma vantagem importante nas oitavas de final. Nessa segunda-feira a noite, 3 de agosto, o time paranaense venceu o Vitória por 2 a 0, na Arena da Baixada, em Curitiba, e deu um passo significativo na direção das quartas de final do principal torneio eliminatório do futebol brasileiro.
João Cruz abriu o placar ainda nos minutos iniciais do primeiro tempo. Na etapa final, Dudu saiu do banco para marcar o segundo gol e ampliar a diferença. O Vitória ainda terminou a partida com um jogador a menos após a expulsão de Emmanuel Martínez por receber o segundo cartão amarelo.
O resultado não encerrou o confronto, mas mudou de maneira clara o cenário da eliminatória. O Athletico poderá perder a partida de volta por um gol de diferença e, ainda assim, avançará. Já o time de Jair Ventura precisará vencer por dois gols para levar a decisão aos pênaltis ou por três ou mais gols para conseguir a classificação no tempo regulamentar.
Início de partida agitado
O jogo começou em ritmo intenso e teve uma chance importante do Vitória logo aos três minutos. Renê recebeu depois de um contra-ataque e finalizou de pé esquerdo, acertando a trave defendida por Santos. O lance mostrou que o time baiano poderia criar perigo atacando os espaços deixados pelo adversário.
A resposta do Athletico foi imediata e decisiva. Aos nove minutos, João Cruz arriscou uma finalização de fora da área com o pé esquerdo e marcou o primeiro gol da partida. O placar deu ao Furacão a possibilidade de controlar melhor o confronto, sem abandonar a postura ofensiva.
A vantagem também fortaleceu a estratégia do time comandado por Odair Hellmann. Com mais presença no campo adversário, o Athletico passou a circular a bola e procurar os lados do gramado, especialmente com as movimentações de Leozinho e Steven Mendoza. Kevin Viveros funcionava como referência dentro e nas proximidades da área.
O Vitória tentou responder com Renê e Matheuzinho, mas encontrou dificuldades para transformar as transições em finalizações claras. O time de Jair Ventura tinha como prioridade manter o confronto aberto para o segundo jogo, porém passou boa parte do primeiro tempo trabalhando sem a bola.
Mesmo em desvantagem, o Vitória contou novamente com a segurança de Lucas Arcanjo. O goleiro fez intervenções importantes, incluindo uma defesa em finalização de Mendoza dentro da área e outra após tentativa de Viveros na pequena área.
O Athletico também criou por meio de bolas paradas e cruzamentos. Benavídez teve oportunidade de cabeça, enquanto Leozinho e João Cruz arriscaram finalizações de média distância. O Furacão terminou o primeiro tempo com a sensação de que poderia ter construído uma diferença maior, mas o 1 a 0 já representava uma vantagem relevante dentro de um confronto de 180 minutos.
A partida integrou o fechamento dos jogos de ida das oitavas de final, ampliando o panorama apresentado nos jogos e resultados disputados no domingo. A rodada havia começado com equilíbrio, especialmente no sábado de três empates por 0x0, mas o Athletico conseguiu construir uma das vantagens mais significativas do período.
Expulsão muda o segundo tempo
O Vitória retornou para a etapa final com Erick no lugar de Fabiano Souza, alteração que procurava aumentar a presença ofensiva e oferecer mais velocidade no ataque. O time baiano conseguiu permanecer por alguns minutos no campo do Athletico, mas continuou sem obrigar Santos a realizar uma defesa.
A situação ficou mais complicada aos 22 minutos do segundo tempo. Emmanuel Martínez, que já havia recebido cartão amarelo na etapa inicial, cometeu falta em Léo Derik e foi advertido novamente. Com a expulsão, o Vitória passou a atuar com dez jogadores e precisou reorganizar o meio-campo.
O cartão vermelho ampliou o controle athleticano. O Furacão passou a ter mais espaço para trocar passes, acelerar pelos lados e atacar uma defesa que precisava compensar a inferioridade numérica. Odair Hellmann aproveitou o cenário para renovar o time, promovendo as entradas de Léo Derik, Dudu, Kerwin Vargas, Bruno Zapelli e Jorge Rivaldo.
E uma das substituições teve efeito direto no placar. Aos 33 minutos do segundo tempo, Dudu recebeu o passe de Viveros dentro da área e finalizou com o pé esquerdo para marcar o segundo gol do Athletico.
Dudu havia entrado no lugar de João Cruz, autor do primeiro gol, poucos minutos antes. A participação dos dois jogadores simbolizou a força coletiva e das categorias de base do time paranaense: um titular abriu o caminho, enquanto um atleta acionado durante o jogo consolidou a vantagem.
O Vitória ainda teve uma oportunidade com Renê após uma bola parada, mas a finalização saiu sem direção. O time baiano encerrou a partida sem acertar o gol de Santos. O Athletico, por outro lado, registrou cinco finalizações no alvo e teve 55% de posse de bola, números que reforçam o controle exercido pelos mandantes durante boa parte do confronto.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Vantagem importante
O 2 a 0 coloca o Athletico em uma posição confortável, porém ainda exige concentração no Barradão. A Copa do Brasil é historicamente marcada por mudanças de cenário entre os jogos de ida e volta, principalmente quando a equipe em desvantagem decide a classificação diante de sua torcida.
O Vitória terá de adotar uma postura mais agressiva em Salvador. O primeiro objetivo será marcar cedo, reduzir a diferença e transformar o ambiente do estádio em um elemento de pressão. Ao mesmo tempo, precisará evitar que o Athletico encontre espaços para contra-atacar com jogadores rápidos como Mendoza, Leozinho, Kerwin Vargas e Viveros.
O Furacão, por sua vez, não precisa atuar apenas para defender o resultado. Um gol fora de casa obrigaria o Vitória a marcar pelo menos quatro vezes para avançar diretamente, tornando a eficiência ofensiva uma arma importante na estratégia paranaense.
Como os times chegaram às oitavas
Os dois clubes começaram a Copa do Brasil de 2026 diretamente na quinta fase. O Athletico eliminou o Atlético-GO depois de uma disputa de pênaltis no Antônio Accioly. O Vitória protagonizou uma das classificações mais relevantes da fase anterior ao superar o Flamengo por 3 a 2 no placar agregado.
Essas campanhas já demonstravam a capacidade das duas equipes de lidar com confrontos equilibrados. Na Arena da Baixada, porém, o Athletico conseguiu unir controle territorial, eficiência nas finalizações e aproveitamento da superioridade numérica para construir uma vantagem que pode ser decisiva.
Decisão será no Barradão
Equipes voltam a se enfrentar em 6 de agosto de 2026, às 20h, no Barradão, em Salvador. O duelo definirá um dos classificados às quartas de final da Copa do Brasil. Em caso de empate no placar agregado, a vaga será decidida nas cobranças de pênaltis.
A vitória em Curitiba deu ao Athletico o controle da eliminatória. O Furacão foi eficiente nos dois tempos, não sofreu finalizações no alvo e soube aproveitar a expulsão de Martínez. O Vitória ainda tem 90 minutos para reagir, mas precisará produzir no Barradão aquilo que não conseguiu na Arena da Baixada: transformar posse, intensidade e pressão em gols.