O Atlético-MG está na final da Copa Sul-Americana de 2026. A classificação veio em uma semifinal marcada por tensão, resistência e uma reta final dramática diante do City Torque. Nesta quarta-feira, 21 de outubro, o Galo perdeu por 2 a 0 no Estádio Centenário, em Montevidéu, mas conseguiu preservar a vantagem construída na vitória por 3 a 0 no primeiro confronto, disputado na Arena MRV.
O resultado colocou a equipe comandada por Eduardo Domínguez em sua segunda decisão consecutiva da Copa Sul-Americana e na terceira final continental em três temporadas. Depois de disputar a decisão da Libertadores em 2024 e da Sul-Americana em 2025, o Atlético voltou a alcançar o último jogo de uma competição internacional.
A vaga, entretanto, esteve longe de ser tranquila. O time uruguaio dominou boa parte da partida, criou inúmeras oportunidades e encontrou dois gols nos minutos finais, com Kevin Silva e Gary Kagelmacher. A expulsão de Alan Franco, aos 30 minutos do segundo tempo, aumentou a pressão sobre os brasileiros.
O principal personagem atleticano foi o goleiro Gabriel Delfim, responsável por intervenções fundamentais que impediram uma reação ainda mais contundente dos uruguaios.
Como foi a semifinal
O jogo de volta aconteceu sob chuva, com o gramado do Estádio Centenário bastante molhado. As condições dificultaram a circulação da bola e contribuíram para uma partida de muita disputa.
Precisando reverter uma desvantagem de três gols, o Montevideo City Torque assumiu uma postura ofensiva desde os primeiros minutos. A equipe uruguaia buscou ocupar o campo adversário, pressionou a defesa atleticana e obrigou Gabriel Delfim a trabalhar repetidamente.
O Atlético, por outro lado, encontrou dificuldades para manter a posse de bola e construir ataques. A vantagem do primeiro jogo permitia uma estratégia mais cautelosa, mas a pressão constante do adversário transformou a defesa em protagonista.
Ainda no primeiro tempo, Delfim fez defesas importantes em finalizações de Esteban Obregón e Facundo Silvera. O goleiro também precisou se recuperar de uma falha de controle de bola diante de Salomón Rodríguez.
Mesmo com as oportunidades criadas pelo Torque, o intervalo chegou com empate sem gols. Para o Atlético, cada minuto sem sofrer gols aproximava a equipe da classificação.
Reinier acerta o travessão e Atlético perde oportunidade
O segundo tempo começou com uma das melhores chances do Atlético-MG em toda a partida.
Aos cinco minutos, Alan Franco participou da construção da jogada que terminou com Cuello avançando pela direita. O atacante cruzou para a área, Victor Hugo fez o corta-luz e Reinier finalizou com força.
A bola acertou o travessão de Franco Torgnascioli.
O lance representou uma oportunidade importante para o Galo. Um gol naquele momento ampliaria a diferença no placar agregado e obrigaria o Montevideo City Torque a buscar uma reação ainda maior.
Sem conseguir aproveitar a chance, o Atlético voltou a enfrentar dificuldades para controlar o jogo. O adversário manteve a pressão, enquanto Eduardo Domínguez procurou reorganizar a equipe com substituições.
Aos 19 minutos, o treinador colocou Vitor Hugo, Mamady Cissé e Natanael nas vagas de Reinier, Victor Hugo e Kevin Castaño. Posteriormente, Alexsander e Igor Gomes também entraram.
Alan Franco é expulso e Torque marca duas vezes no fim
O momento que mudou o panorama da partida aconteceu aos 30 minutos do segundo tempo. Alan Franco, que já havia recebido cartão amarelo, cometeu nova infração e acabou expulso após receber a segunda advertência.
Com um jogador a mais, o Montevideo City Torque intensificou a pressão ofensiva. O Atlético passou a enfrentar dificuldades ainda maiores para sair de seu campo defensivo.
Aos 43 minutos, Kevin Silva aproveitou uma assistência de bicicleta de Juan Quintana e marcou o primeiro gol uruguaio. O resultado reduziu a vantagem atleticana no confronto para dois gols.
A situação ficou ainda mais dramática aos 48 minutos, quando Gary Kagelmacher marcou de cabeça e ampliou para 2 a 0.
Naquele momento, mais um gol do Torque levaria a decisão para os pênaltis. Entretanto, o Atlético resistiu até o apito final e confirmou a classificação, apesar da derrota.
O cartão vermelho também deixou uma consequência importante: Alan Franco ficou suspenso para a final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Destaque decisivo para a classificação
A atuação de Gabriel Delfim foi um dos principais fatores para a classificação atleticana.
O goleiro enfrentou um adversário que terminou a partida com 31 finalizações, contra apenas quatro do Atlético-MG. O Montevideo também teve aproximadamente 66% da posse de bola.
Esses números ajudam a dimensionar a pressão sofrida pelos brasileiros no Estádio Centenário.
Delfim impediu que o Torque abrisse o placar ainda no primeiro tempo e teve papel fundamental para manter a vantagem construída em Belo Horizonte. Mesmo sofrendo dois gols na reta final, o goleiro terminou como um dos protagonistas da classificação.
Seu desempenho no Uruguai também deu continuidade a uma trajetória importante na campanha continental de 2026.
Nas quartas de final contra o Santos, Delfim já havia sido determinante ao defender três cobranças na disputa de pênaltis, depois de o Atlético vencer por 4 a 2 na Arena MRV e igualar o placar agregado em 4 a 4.
O goleiro defendeu as cobranças de Gabigol, João Schmidt e Arthur Melo, garantindo a classificação por 3 a 1 nos pênaltis.
A participação de Delfim nos confrontos eliminatórios tornou-se um dos elementos mais marcantes da trajetória do Galo na Sul-Americana.
A vitória na Arena MRV decidiu a semifinal
Embora o Atlético tenha sofrido no Uruguai, a classificação foi construída principalmente no primeiro encontro.
O Galo venceu o Montevideo City Torque por 3 a 0 na Arena MRV, em Belo Horizonte.
Reinier abriu o placar aos 36 minutos do primeiro tempo, depois de uma jogada iniciada por Cuello e construída com participação de Victor Hugo.
Aos 41 minutos, Bernard ampliou a vantagem após uma combinação ofensiva com Reinier.
No segundo tempo, Thiago Borbas marcou o terceiro gol aos 34 minutos, aproveitando cruzamento rasteiro de Renan Lodi.
Aquela atuação deu ao Atlético uma vantagem que se mostrou decisiva. Mesmo com os dois gols sofridos no Estádio Centenário, o clube mineiro terminou o confronto com um gol de diferença no agregado.
Segunda final consecutiva da Sul-Americana
A classificação diante do Montevideo City Torque colocou o Atlético-MG em uma posição histórica da competição.
O clube tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar duas finais consecutivas da competição, depois de disputar a decisão de 2025.
Antes do Atlético, o Boca Juniors havia sido o único clube a conseguir essa sequência, com participações nas finais de 2004 e 2005.
O feito também representa a terceira decisão continental seguida do Galo, considerando a Libertadores de 2024 e as Sul-Americanas de 2025 e 2026.
Na edição de 2025, o Atlético enfrentou o Lanús na decisão, disputada em Assunção, no Paraguai. Depois de um empate sem gols durante os 120 minutos, o time mineiro perdeu nos pênaltis por 5 a 4.
A nova classificação devolveu ao clube a oportunidade de conquistar pela primeira vez o título da Copa Sul-Americana.
Atlético-MG x Boca Juniors: a final da Copa Sul-Americana 2026
O adversário do Atlético-MG na decisão será o Boca Juniors, da Argentina, que eliminou o Vasco da Gama na outra semifinal.
O clube argentino perdeu a partida de ida por 1 a 0, em La Bombonera, mas reverteu o confronto ao vencer o Vasco por 3 a 1 no Maracanã, garantindo a classificação para a final.
A decisão será realizada em partida única, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, na Colômbia.
O confronto reúne dois clubes de forte tradição internacional, mas em situações diferentes na história da Sul-Americana.
O Boca Juniors conquistou o torneio em 2004 e 2005. O Atlético, por sua vez, ainda busca o primeiro título da competição.
A classificação também apresenta desafios para Eduardo Domínguez, especialmente pela ausência de Alan Franco e pelas dificuldades defensivas evidenciadas no confronto de volta contra o Torque.