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Seleção masculina do Brasil fecha primeira etapa da VNL invicto

Brasil venceu Irã, Bélgica, Sérvia e Argentina em Brasília, terminou a primeira semana da Liga das Nações com 100% de aproveitamento e mostrou força coletiva em uma virada de cinco sets no clássico sul-americano.

Por Corte dos Esportes · 15/06/2026 · Categoria: Vôlei

O Brasil fechou a primeira etapa da Liga das Nações Masculina de Vôlei com quatro vitórias em quatro jogos e um recado importante para a sequência da competição: a seleção de Bernardinho começou a VNL 2026 com resultado, reação e elenco participativo.

Em Brasília, no Ginásio Nilson Nelson, a campanha teve jogos de controle, momentos de oscilação e terminou com chave de ouro em um clássico sul-americano de cinco sets, no qual o Brasil saiu perdendo por 2 a 0, reagiu e virou sobre os argentinos por 3 sets a 2.

A leitura da semana não deve ser apenas de placar. A primeira etapa serviu para testar nomes, recuperar ritmo de seleção, medir respostas sob pressão e mostrar que o Brasil tem alternativas além dos titulares. Foi uma largada forte em uma competição longa, de 12 jogos na fase classificatória.

O roteiro lembra o início da seleção feminina na mesma competição. Assim como as mulheres fecharam a etapa de Brasília invictas e ganharam força com uma nova geração, a equipe masculina também saiu da capital com confiança ampliada, elenco em movimento e resultados que sustentam o começo do projeto.

Quatro jogos, quatro vitórias

A campanha brasileira em Brasília foi construída com consistência. O Brasil estreou batendo o Irã por 3 sets a 1, repetiu o placar contra a Bélgica, passou pela Sérvia por 3 sets a 0 e fechou a semana com uma virada enorme contra a Argentina.

Resultados na primeira etapa da VNL masculina:

• Brasil 3 x 1 Irã — 25/21, 23/25, 25/15 e 25/23

• Brasil 3 x 1 Bélgica — 25/19, 23/25, 25/15 e 25/20

• Brasil 3 x 0 Sérvia — 25/22, 25/18 e 25/22

• Brasil 3 x 2 Argentina — 18/25, 24/26, 25/19, 25/23 e 15/9

O dado mais importante é o conjunto. A seleção venceu jogos diferentes entre si. Contra Irã e Bélgica, precisou absorver sets perdidos e retomar o controle. Contra a Sérvia, teve atuação mais limpa e impôs autoridade. Contra a Argentina, mostrou o tipo de reação que costuma valer muito em uma competição curta e acumulativa.

A primeira semana termina, portanto, com uma base positiva: invencibilidade, liderança entre os principais candidatos, 11 pontos somados e uma sensação de que o grupo respondeu bem ao primeiro teste da temporada.

A virada contra a Argentina foi o ponto alto

O clássico contra os argentinos foi o jogo mais marcante da semana. A seleção brasileira perdeu os dois primeiros sets, viu o rival crescer, encarou pressão e precisou buscar soluções durante a partida.

A Argentina abriu 25/18 e 26/24. O Brasil parecia desconfortável, especialmente na relação entre passe, distribuição e definição de ataque. O cenário era perigoso: último jogo da etapa, ginásio cheio, rival sul-americano e risco de fechar a semana com uma derrota depois de três vitórias seguidas.

Foi aí que o banco virou parte central da história. Bernardinho mexeu, a seleção ganhou energia e a reação veio ponto a ponto. O Brasil venceu o terceiro set por 25/19, levou o quarto por 25/23 e dominou o tie-break por 15/9.

Mais do que o resultado, a virada mostrou recurso competitivo. A competição é longa, desgastante e feita para testar elenco. Ganhar quando tudo flui é uma coisa. Ganhar quando o jogo ameaça escapar é outra.

Judson cresceu no jogo grande

O central pontuou em todos os fundamentos e terminou como maior pontuador brasileiro do clássico, com 15 pontos.

Esse tipo de atuação tem peso porque mostra que o Brasil não depende apenas dos nomes mais óbvios do ataque. Em uma competição de três semanas, com viagens, trocas, desgaste físico e adversários diferentes, ter centrais produtivos muda o patamar da equipe.

Judson já vinha aparecendo bem na etapa. Contra a Sérvia, também teve destaque em uma partida de imposição brasileira. Ao terminar a semana como peça importante, reforça a disputa interna e dá a Bernardinho mais alternativas.

Darlan, Lucarelli, Adriano e Douglas mantêm o ataque vivo

A semana também foi importante para o ataque brasileiro. Darlan começou a VNL como referência ofensiva, foi o maior pontuador contra o Irã, com 18 pontos, e voltou a aparecer forte contra a Bélgica.

Lucarelli também teve papel relevante. Experiente, ajudou na leitura de jogo, no ataque e no equilíbrio da equipe. Em uma seleção que mistura jogadores rodados e nomes em afirmação, esse tipo de presença ajuda a dar estabilidade.

Adriano foi outro nome importante no início da campanha. Ele apareceu bem na estreia e reforçou a ideia de que o Brasil precisa construir ritmo coletivo sem depender de uma única solução.

Douglas Souza também entrou no recorte da semana. Sua presença amplia o repertório da seleção, dá mais opções nas pontas e reforça uma disputa saudável por espaço. Em ano de VNL, esse tipo de profundidade é essencial.

Bernardinho testou e ganhou respostas

Mais do que vencer quatro jogos, o treinador conseguiu observar respostas em cenários diferentes.

O Brasil foi testado em jogos com sets perdidos, em duelo de controle contra a Sérvia e em uma virada emocional contra a Argentina. Isso dá material para análise. Não é apenas treino, nem amistoso. É competição oficial, com pontos, tabela, pressão e adversários tentando se afirmar.

A vitória sobre a Argentina, principalmente, reforça a importância do banco. Quando a seleção precisou mudar o rumo da partida, as trocas funcionaram. Esse é um dado forte para o restante da VNL.

Em uma competição com 12 partidas na fase classificatória, ninguém sustenta alto nível usando sempre o mesmo grupo. O Brasil vai precisar rodar elenco, manter intensidade e encontrar formações diferentes. Brasília mostrou que esse caminho começou bem.

A Liga das Nações virou uma competição central no calendário do vôlei. Ela não serve apenas para levantar taça. Serve para testar elenco, somar ranking, dar rodagem internacional e preparar seleções para torneios maiores.

Por isso, a largada do Brasil masculino tem valor além da invencibilidade. A equipe saiu de Brasília com pontos, confiança e informações importantes para o ciclo.

O Brasil ainda terá jogos duros pela frente. A primeira semana foi positiva, mas não define a competição. A VNL cobra regularidade. Uma seleção pode começar bem e cair se não sustentar nível nas próximas etapas. Também pode crescer durante o torneio, ajustar peças e chegar mais forte à fase final.

O ponto positivo é que o Brasil começou com margem. Quatro vitórias dão tranquilidade, mas também aumentam a expectativa.

Brasília fortaleceu o ambiente da seleção

Jogar em casa ajudou. A etapa no Ginásio Nilson Nelson deu energia ao Brasil, aproximou a seleção da torcida e criou um ambiente de pressão favorável.

Isso apareceu especialmente contra a Argentina. Quando a equipe saiu perdendo por 2 sets a 0, a reação não veio apenas da quadra. O ginásio também entrou no jogo. A virada em clássico, diante da torcida, tem impacto emocional maior do que uma vitória comum.

A seleção masculina vinha buscando reconstruir confiança e ritmo em um novo momento do ciclo. Fechar a primeira etapa invicta, em casa, com uma virada contra a Argentina, é um pacote forte para sustentar o discurso interno.

Também há um valor simbólico. O vôlei brasileiro sempre teve ligação forte com grandes jogos em casa, ginásios cheios e rivalidades continentais. Ganhar da Argentina dessa forma ajuda a reacender essa energia.

A seleção masculina saiu de Brasília com uma campanha que conversa diretamente com o que a equipe feminina já havia feito na mesma competição. Assim como o Brasil feminino fechou a etapa da VNL invicto, o time de Bernardinho também usou a primeira semana para somar vitórias, testar alternativas e criar confiança para a sequência da Liga das Nações.

No masculino, o tom é parecido, mas com outro desenho. A equipe de Bernardinho mostrou experiência, força de banco e capacidade de reação. A virada sobre a Argentina funcionou como o equivalente emocional da etapa: o jogo que dá identidade à campanha.

O Brasil não teve apenas uma boa semana isolada no feminino ou no masculino. Teve duas seleções usando a VNL para ganhar corpo, testar alternativas e reforçar a presença do país no cenário internacional.

A conexão também reforça o tamanho do vôlei brasileiro. A modalidade segue como uma das principais forças esportivas do país, com tradição olímpica, base forte e capacidade de competir nos dois naipes.

O que vem agora para o Brasil

Depois da etapa de Brasília, a seleção masculina segue para a segunda semana da VNL em Liubliana, na Eslovênia.

Próximos jogos do Brasil na VNL masculina:

• 24 de junho — Brasil x Ucrânia — 11h30

• 26 de junho — Brasil x Itália — 15h

• 27 de junho — Brasil x Eslovênia — 15h30

• 28 de junho — Brasil x Canadá — 11h30

A segunda etapa deve elevar o nível de cobrança. Itália e Eslovênia são testes fortes, enquanto Ucrânia e Canadá também exigem atenção. A invencibilidade dá confiança, mas não permite relaxamento.

A meta agora é transformar a boa largada em regularidade. Na VNL, cada vitória conta para a classificação, mas o desempenho também conta para entender até onde a equipe pode chegar.

Uma semana para dar confiança

O Brasil masculino fechou a primeira etapa da Liga das Nações com o melhor roteiro possível: quatro jogos, quatro vitórias, liderança, torcida mobilizada e uma virada marcante contra a Argentina.

Não foi uma semana perfeita em todos os fundamentos, nem precisa ser tratada assim. Houve oscilações, sets perdidos e momentos de pressão. Mas justamente por isso a campanha ganha valor. A seleção venceu quando controlou e venceu quando precisou reagir.

A VNL ainda está no começo. Mas a seleção masculina saiu de Brasília com uma base sólida para seguir competindo, crescer na segunda etapa e mirar a fase final com autoridade.