O Brasil teve um dia forte em Gold Coast e colocou seis surfistas nas oitavas de final da terceira etapa do Championship Tour da WSL. Em Snapper Rocks, na Austrália, Italo Ferreira, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Samuel Pupo, Miguel Pupo e Mateus Herdy venceram suas baterias no Round 2 masculino e mantiveram a Brazilian Storm com presença pesada na sequência da competição.
O saldo foi positivo, mas não perfeito. Yago Dora, atual campeão mundial, acabou eliminado logo em sua estreia na etapa. João Chianca também caiu, derrotado por Samuel Pupo em duelo brasileiro, enquanto Alejo Muniz foi superado por George Pittar. Mesmo com as baixas, a presença de seis nomes entre os 16 melhores reforça a força do Brasil em mais uma parada da perna australiana.
A etapa de Gold Coast já chegava cercada de expectativa pela fase forte dos brasileiros no circuito ecom as baterias definidas. Depois de bons resultados nas primeiras etapas da temporada, o país voltou a mostrar volume competitivo em um palco tradicional, técnico e de alta exigência.
Filipe Toledo dá show e faz melhor atuação brasileira
O principal desempenho brasileiro do dia foi de Filipe Toledo. O bicampeão mundial venceu Cole Houshmand com uma somatória de 18.00 pontos, construída com ondas de 9.50 e 8.50. Foi uma apresentação de alto nível, com velocidade, pressão nas manobras e domínio completo da bateria.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
O resultado tem peso também pelo histórico de Filipe em Gold Coast. Em uma onda que favorece surfistas rápidos, técnicos e criativos, Filipinho mostrou por que costuma ser um dos nomes mais perigosos quando encontra paredes longas e limpas para atacar. A vitória ainda prepara um confronto de enorme apelo nas oitavas: Gabriel Medina x Filipe Toledo.
Gabriel Medina também avançou com autoridade
Competindo com a lycra amarela de líder do ranking, o tricampeão mundial superou Morgan Cibilic por 15.56 a 10.17. A atuação não teve o mesmo impacto numérico de Filipe, mas foi sólida, controlada e suficiente para manter Medina vivo em uma etapa importante para consolidar sua liderança na temporada, em mais um capítulo de uma carreira consolidada no surfe mundial.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Mateus Herdy ganha destaque entre os brasileiros
Outro nome importante do dia foi Mateus Herdy. Estreante na elite em 2026, o brasileiro venceu Griffin Colapinto em uma das baterias mais fortes da rodada e chegou pela primeira vez às oitavas de final de uma etapa do CT. A vitória por 15.33 a 11.66 mostrou maturidade competitiva diante de um adversário de peso.
Mateus encaixou uma onda 8.33, sustentou boa leitura do pico e confirmou uma classificação que tem valor simbólico para sua afirmação no circuito. Em uma geração brasileira já marcada por campeões mundiais, a presença de novos nomes avançando em etapas grandes ajuda a renovar a força da Brazilian Storm.
Italo Ferreira também passou de fase. O campeão olímpico venceu Luke Thompson por 12.50 a 10.66 em uma bateria de reação, depois de ver o adversário começar melhor. Italo cresceu no confronto, encontrou as notas necessárias e garantiu vaga para enfrentar Ethan Ewing nas oitavas.
Irmãos Pupo avançam e vão se enfrentar
A rodada também confirmou um duelo brasileiro nas oitavas. Samuel Pupo venceu João Chianca por 12.54 a 9.00 e eliminou Chumbinho da etapa. Pouco depois, Miguel Pupo superou Eli Hanneman por 11.60 a 6.77 e também avançou.
O confronto entre irmãos garante pelo menos um brasileiro nas quartas de final, mas também elimina um nome do país em uma chave que já ficou marcada por duelos diretos entre atletas brasileiros.
Esse tipo de cenário mostra a profundidade atual do surfe nacional. O Brasil não depende apenas de um ou dois favoritos. A força coletiva aparece na quantidade de atletas e no nível das baterias, na capacidade de ocupar diferentes partes do chaveamento, algo que se conecta diretamente ao peso da Brazilian Storm dentro do circuito mundial da WSL.
Yago Dora cai e Brasil perde o campeão mundial
A principal baixa brasileira foi Yago Dora. Atual campeão mundial, o catarinense perdeu para Callum Robson por 14.60 a 11.50 e se despediu cedo de Gold Coast. A eliminação pesa porque Yago chegava como um dos nomes mais fortes da temporada e carregava expectativa natural por ser o campeão vigente.
Alejo Muniz também parou no Round 2, derrotado por George Pittar por 14.47 a 9.00. João Chianca, por sua vez, caiu no duelo brasileiro contra Samuel Pupo. As eliminações reduzem o número total de representantes do país, mas não mudam o saldo geral positivo da rodada.
Com seis classificados, o Brasil segue muito presente na briga pelo título da etapa. A diferença é que a chave agora ficará ainda mais exigente, com confrontos diretos entre brasileiros e duelos contra nomes fortes da Austrália, dos Estados Unidos e da Europa.
Luana Silva mantém o Brasil vivo no feminino
No feminino, Luana Silva segue como a grande representante brasileira em Gold Coast. A surfista está nas oitavas de final e tem pela frente a australiana Tyler Wright, bicampeã mundial e adversária experiente em condições australianas.
Luana chega em um momento importante da temporada. Ela é a única brasileira na elite feminina em 2026 e aparece entre as primeiras colocadas do ranking depois de uma campanha forte em Margaret River, onde ficou com o vice-campeonato. O resultado recente aumentou o peso de sua participação em Gold Coast, especialmente porque uma nova boa campanha pode consolidar ainda mais sua posição entre as principais surfistas do circuito.
A bateria contra Tyler Wright tem cara de teste grande. Além da qualidade da adversária, Luana precisa lidar com a pressão de carregar sozinha a presença brasileira na chave feminina. Ainda assim, o contexto é positivo: a brasileira vem mostrando regularidade, leitura de bateria e capacidade de competir contra nomes campeões do mundo.
Com seis homens nas oitavas e Luana ainda viva no feminino, o Brasil termina a rodada com presença forte em Gold Coast. O próximo passo será transformar volume em campanha decisiva, especialmente em uma etapa que pode mexer no ranking e reforçar ainda mais o protagonismo brasileiro na temporada da WSL.