Chapecoense e Cruzeiro iniciam neste domingo, 2 de agosto de 2026, a disputa por uma vaga nas quartas de final da Copa do Brasil. A partida começa às 18h30, pelo horário de Brasília, na Arena Condá, em Chapecó, com transmissão do SporTV e do Premiere.
O confronto de volta está marcado para quarta-feira, 5 de agosto, às 19h, no Mineirão, em Belo Horizonte. Caso o placar agregado termine empatado após os dois jogos, a classificação será decidida nos pênaltis.
A eliminatória coloca frente a frente equipes com pesos históricos distintos no torneio. O Cruzeiro é o maior campeão da Copa do Brasil, com seis títulos, e possui uma relação profunda com as grandes decisões da competição. A Chapecoense tenta usar o mando de campo e a atmosfera da Arena Condá para surpreender um dos adversários mais tradicionais do mata-mata nacional.
A concentração dos jogos também chama a atenção nesta fase. As partidas de ida das oitavas foram programadas para o fim de semana e para a segunda-feira, enquanto os encontros de volta acontecem já entre terça e quinta-feira. Assim, os clubes não terão compromissos de outras competições entre os dois jogos, cenário diferente do encontrado em muitas edições anteriores da Copa do Brasil.
Para os dois times, serão apenas três dias entre a partida em Santa Catarina e a decisão em Minas Gerais. O intervalo reduzido aumenta a importância do resultado na Arena Condá e deixa pouco tempo para recuperação física ou alterações profundas na estratégia.
O momento das equipes
A Chapecoense chega às oitavas vivendo uma temporada de dificuldades no Campeonato Brasileiro, ocupando a lanterna da competição.
O empate diante do Santos, na Vila Belmiro, em seu compromisso mais recente pelo Brasileirão, mostrou uma equipe disposta a competir mesmo fora de casa. Agora, a Chape retorna à Arena Condá, palco de sua classificação na fase anterior e principal ponto de apoio para tentar superar o favoritismo cruzeirense.
A equipe comandada por Rafael Lacerda passou por mudanças no elenco durante as últimas semanas. A diretoria anunciou reforços para ampliar as opções, especialmente nos corredores laterais, no meio-campo e no setor ofensivo.
Fernando, Bruno Tubarão, Max Alves e Túlio Eduardo foram inscritos para a Copa do Brasil e podem participar da eliminatória. O atacante uruguaio Franco Rossi também foi contratado, mas vinha de período no departamento médico e passava pelo processo de transição física.
O goleiro Anderson, um dos protagonistas da classificação sobre o Botafogo, recuperou-se de lesão e voltou a ficar à disposição. Ele disputa posição com Matheus Aurélio, aumentando uma das principais dúvidas para a escalação inicial.
As campanhas até as oitavas
A Chapecoense entrou diretamente na quinta fase da Copa do Brasil e enfrentou o Botafogo. O primeiro jogo foi disputado no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, e terminou com vitória alvinegra por 1 a 0.
Alex Telles marcou o único gol da partida nos minutos finais. Apesar da derrota, o placar manteve a eliminatória aberta e permitiu que a equipe catarinense levasse uma diferença mínima para Chapecó.
Na volta, a Chape apresentou uma atuação mais agressiva e venceu por 2 a 0 na Arena Condá. Marcinho e Bolasie marcaram os gols que garantiram a classificação por 2 a 1 no placar agregado.
Diante do Cruzeiro, a situação inicial é diferente, pois a Chapecoense começa a eliminatória em casa. O objetivo será conquistar uma vantagem sem se expor excessivamente, já que a decisão acontecerá no Mineirão.
Já o clube mineiro entra no confronto como favorito pela qualidade e pela profundidade do elenco. A equipe comandada por Artur Jorge atravessou uma sequência recente com vitórias sobre Internacional e Coritiba, além de uma derrota por 1 a 0 para o Botafogo.
O revés diante do clube carioca interrompeu uma série de nove partidas sem perder, mas não alterou o peso do time mineiro na eliminatória. A Raposa possui jogadores experientes, qualidade técnica no meio-campo e um ataque capaz de decidir partidas em poucos lances.
Matheus Pereira continua sendo uma das principais referências na criação. O meia pode atuar centralizado, aproximar-se dos volantes para iniciar as jogadas ou aparecer perto da área para oferecer o último passe.
Gerson amplia a capacidade de condução e chegada ao ataque, enquanto Lucas Romero representa intensidade, marcação e cobertura. Na frente, Kaio Jorge é a principal referência para atacar a área e aproveitar cruzamentos ou passes entre os defensores.
As lesões, porém, reduziram as alternativas ofensivas. Gabriel Pec sofreu uma fratura na tíbia e passou por cirurgia. Sinisterra também enfrenta um período prolongado de recuperação, enquanto Néiser Villarreal ficou fora da viagem após apresentar um incômodo muscular.
Wanderson e Chico da Costa não foram relacionados por decisão da comissão técnica. Com isso, jogadores como Felipe Morais, Bruno Rodrigues e Keny Arroyo ganham importância para completar o ataque.
Assim como a Chapecoense, o Cruzeiro entrou na Copa do Brasil na quinta fase. O adversário foi o Goiás, em um confronto que exigiu atenção até os minutos finais dos dois jogos.
Na ida, disputada em Goiânia, as equipes empataram por 2 a 2. O Cruzeiro chegou a virar a partida e esteve perto de sair com a vitória, mas o Goiás empatou nos acréscimos com uma finalização de Esli García.
O resultado deixou a classificação completamente aberta para a volta no Mineirão. Em Belo Horizonte, o Cruzeiro venceu por 1 a 0 e confirmou a vaga nas oitavas.
A classificação sem grande diferença no placar serviu como alerta. Mesmo sendo tecnicamente superior, a Raposa precisou administrar momentos de pressão e teve trabalho para eliminar o adversário.
Rafael Lacerda possui reforços mas enfrenta baixas
A Chapecoense terá desfalques importantes para o jogo de ida. Rafael Carvalheira, João Paulo, Maurício Garcez, Victor Caetano e Robert permanecem entregues ao departamento médico.
Rafael Carvalheira é uma ausência especialmente relevante. O jogador divide com Marcinho a artilharia da equipe na temporada e oferece capacidade para participar da construção e chegar à área.
Sem ele, Giovanni Augusto e Max Alves podem ganhar maior responsabilidade na criação. Camilo também surge como uma peça importante para organizar o meio-campo e melhorar a qualidade das bolas paradas.
No ataque, Bolasie deve funcionar como referência. O jogador oferece força física, experiência e capacidade de disputar a bola contra os zagueiros. Marcinho tende a atuar com maior mobilidade, tentando explorar os espaços ao redor do centroavante.
Bruno Tubarão e Fernando aparecem como opções para as laterais. O comportamento dos dois será importante, pois a Chapecoense precisará equilibrar apoio ofensivo e proteção contra as pontas do Cruzeiro.
Retorno de Fagner
O lateral não participou do compromisso diante do Coritiba por estar suspenso pelo terceiro cartão amarelo no Campeonato Brasileiro, mas pode começar como titular na Arena Condá.
William também é uma alternativa para a posição. A escolha pode depender do plano adotado por Artur Jorge, especialmente da necessidade de oferecer maior equilíbrio defensivo ou mais profundidade pelo corredor direito.
Cássio segue fora, deixando Otávio como provável titular no gol. Fabrício Bruno e Jonathan Jesus devem formar a dupla de zaga, com Gabriel Rojas pelo lado esquerdo.
No meio, a tendência é de Lucas Romero, Gerson e Matheus Pereira. O trio oferece características complementares: proteção defensiva, força na condução e criatividade no último terço do campo.
Felipe Morais disputa posição com Bruno Rodrigues no setor ofensivo. Keny Arroyo deve ocupar o outro lado, deixando Kaio Jorge como referência central.
Prováveis escalações
- Chapecoense: Matheus Aurélio ou Anderson; Bruno Tubarão, Rafael Thyere, Eduardo Doma e Fernando; Camilo, David, Max Alves e Giovanni Augusto; Marcinho e Bolasie. Técnico: Rafael Lacerda.
- Cruzeiro: Otávio; Fagner, Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Gabriel Rojas; Lucas Romero, Gerson e Matheus Pereira; Felipe Morais ou Bruno Rodrigues, Keny Arroyo e Kaio Jorge. Técnico: Artur Jorge.
- Árbitro: Raphael Claus
- Assistente 1: Danilo Ricardo Manis
- Assistente 2: Alex Sandro Thomé
- VAR: Rodrigo Guarizol
O retrospecto do confronto
Chapecoense e Cruzeiro haviam disputado 22 partidas oficiais antes deste reencontro. A vantagem histórica pertence ao clube mineiro, que soma dez vitórias, contra seis triunfos catarinenses e seis empates.
A Raposa marcou 30 gols nesses confrontos, enquanto a Chape balançou a rede 20 vezes. O encontro mais recente aconteceu em 24 de maio de 2026, pelo Campeonato Brasileiro. No Mineirão, o Cruzeiro venceu por 2 a 1.
O retrospecto na Copa do Brasil é ainda mais favorável à equipe mineira. Os clubes já se enfrentaram em duas edições, com duas classificações do Cruzeiro, duas vitórias celestes e dois empates.
O primeiro confronto aconteceu em 2012, pela segunda fase. O jogo de ida, em Chapecó, terminou empatado por 1 a 1. Na volta, o Cruzeiro venceu por 4 a 1 em Belo Horizonte e avançou.
Cinco anos depois, as equipes voltaram a se encontrar, desta vez pelas oitavas de final de 2017. O Cruzeiro venceu o primeiro jogo por 1 a 0 no Mineirão e segurou o empate por 0 a 0 na Arena Condá.
O fator de desequilíbrio
A atmosfera da Arena Condá é um dos pontos que podem reduzir a diferença técnica entre os elencos. A Chapecoense mostrou contra o Botafogo que consegue crescer quando atua diante de sua torcida, especialmente em partidas eliminatórias.
A equipe de Rafael Lacerda deve tentar pressionar nos minutos iniciais, acelerar pelos lados e aproveitar bolas paradas. Rafael Thyere e Eduardo Doma podem ser importantes nos escanteios, enquanto Camilo oferece qualidade nas cobranças.
O Cruzeiro precisará controlar a intensidade inicial e evitar perdas de bola próximas à própria área. Lucas Romero terá papel central para proteger os zagueiros e fechar os espaços utilizados por Marcinho e Giovanni Augusto.
Onde o jogo pode ser decidido
A disputa pelo meio-campo tende a determinar o ritmo. A Chapecoense precisa impedir que Matheus Pereira receba de frente para a defesa. Permitir liberdade ao camisa de criação pode obrigar os zagueiros a abandonar suas posições, abrindo espaços para Kaio Jorge e os pontas.
Para isso, Camilo e David deverão manter as linhas compactas e oferecer cobertura aos laterais. Giovanni Augusto também poderá recuar para ajudar na circulação e evitar que a equipe fique presa em seu campo.
Pelo lado cruzeirense, a atenção estará nas transições da Chape. Marcinho possui mobilidade para atacar as costas dos laterais, enquanto Bolasie pode segurar a bola e permitir a aproximação dos companheiros.
A bola aérea representa outra possibilidade. O Cruzeiro possui defensores fortes nesse tipo de lance, mas a Chapecoense também conta com jogadores de boa estatura. Em um confronto equilibrado, uma cobrança de falta ou escanteio pode mudar todo o roteiro.
O confronto tem a necessidade de reação do clube catarinense e a tradição da equipe mineira. A Chape encontra na Copa do Brasil uma possibilidade de mudar o ambiente da temporada e conquistar uma classificação de grande repercussão.
O Cruzeiro entra com favoritismo, maior investimento e uma história incomparável na competição. No entanto, os confrontos anteriores da edição mostraram que a camisa e a qualidade individual não eliminam os riscos de um mata-mata.
O calendário e os demais jogos estão reunidos na matéria sobre as oitavas de final da Copa do Brasil de 2026.
Para a Chapecoense, vencer na Arena Condá significa chegar ao Mineirão com uma vantagem capaz de aumentar a pressão sobre o adversário. Para o Cruzeiro, conquistar um resultado positivo fora de casa permite decidir a vaga em um ambiente favorável.
Com apenas três dias entre ida e volta, o primeiro jogo terá efeito imediato sobre a decisão. Não haverá rodada do Brasileirão entre os encontros nem tempo para mudanças profundas. Cada gol em Chapecó poderá definir a estratégia, o nível de risco e o peso emocional da partida de quarta-feira em Belo Horizonte.