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Elite16 de Gstaad do vôlei de praia termina com bronze do Brasil

Evandro e Arthur subiram ao pódio, Ana Patrícia e Duda foram às quartas no feminino, e etapa reforçou a tradição de Gstaad como uma das paradas mais fortes do vôlei de praia mundial.

Por Corte dos Esportes · 06/07/2026 · Categoria: Volei de Praia

O Elite16 de Gstaad, na Suíça, terminou com o Brasil no pódio masculino e com resultados importantes para entender o momento das principais duplas brasileiras no Circuito Mundial de vôlei de praia. Em uma etapa tradicional, disputada entre 1º e 5 de julho de 2026, Evandro/Arthur conquistaram a medalha de bronze, enquanto Ana Patrícia/Duda foram a melhor dupla brasileira no feminino, com a 5ª colocação. A competição reuniu 32 duplas masculinas de 18 países e 32 duplas femininas de 13 países, confirmando o peso internacional da parada suíça no Beach Pro Tour.

Gstaad não é apenas mais uma etapa do calendário. O torneio suíço é disputado em um cenário raro para o vôlei de praia: uma arena de areia cercada pelos Alpes, longe do litoral, mas com uma das atmosferas mais reconhecidas da modalidade. A etapa faz parte da elite do circuito, com chave forte, pontos relevantes para o ranking e premiação total de US$ 400 mil nos eventos Elite em 2026, com igualdade de valores entre homens e mulheres.

O resultado também dá sequência à temporada europeia do circuito. Depois de Ostrava, Gstaad serviu como novo teste de consistência para as duplas brasileiras contra rivais de alto nível, especialmente norte-americanos, holandeses, suecos, austríacos, suíços e letões.

Pódio brasileiro com bronze

O principal resultado do Brasil em Gstaad veio no masculino. Evandro/Arthur terminaram em 3º lugar após vencerem os austríacos Philipp Waller/Moritz Pristauz por 2 sets a 0, com parciais de 22/20 e 21/16, na disputa do bronze. Foi uma resposta forte depois da derrota na semifinal para os holandeses Stefan Boermans/Alexander Brouwer, em jogo decidido no tie-break: 25/27, 21/16 e 10/15.

A campanha teve peso especial porque Evandro e Arthur chegaram ao pódio mesmo depois de duas derrotas na fase de grupos. A dupla brasileira avançou ao mata-mata, cresceu na fase eliminatória e fechou a etapa com a primeira medalha da parceria na temporada 2026 do Beach Pro Tour. Foi também o 10º pódio da dupla desde que os dois passaram a jogar juntos, em 2023.

O bronze ainda tem um componente histórico para Evandro. O brasileiro já tinha subido ao pódio em Gstaad antes, com ouro em 2016 e bronze em 2019. A medalha de 2026 reforça a relação do jogador com uma das arenas mais tradicionais do circuito mundial.

O ouro no masculino

O título masculino ficou com os holandeses Boermans/Brouwer, que venceram Trevor Crabb/Chase Budinger, dos Estados Unidos, por 2 sets a 1 na final, com parciais de 26/28, 21/17 e 15/11. A campanha dos campeões teve um roteiro marcante: eles perderam o primeiro jogo em Gstaad, mas depois emendaram seis vitórias consecutivas até o título.

Boermans foi decisivo na final, com 31 pontos, incluindo 10 bloqueios e dois aces. Brouwer somou 22 pontos e marcou a bola do título. Para Brouwer, foi o primeiro ouro em Gstaad. Para Boermans, o segundo título na etapa suíça.

Ranking final masculino do Elite16 de Gstaad

  1. Boermans/Brouwer, Holanda
  2. Trevor Crabb/Chase Budinger, Estados Unidos
  3. Evandro/Arthur Lanci, Brasil
  4. Waller/Pristauz, Áustria

André e Renato caem nas oitavas

A outra dupla brasileira no masculino, terminou em 9º lugar. A parceria venceu Vercauteren/Van Langendonck, da Bélgica, por 2 sets a 0 na fase de grupos, com parciais de 24/22 e 21/16, mas foi eliminada nas oitavas de final pelos suecos Hölting Nilsson/Andersson, também por 2 a 0, com 21/15 e 21/14.

A classificação final mostra que André/Renato ficaram no bloco das duplas eliminadas nas oitavas. Mesmo sem chegar às quartas, a presença no top 10 da etapa mantém o time em zona competitiva dentro de um Elite16 que teve uma chave masculina pesada e vários favoritos caindo antes das semifinais.

Ana Patrícia e Duda são o melhor Brasil no feminino

No torneio feminino, foram a melhor dupla brasileira em Gstaad, terminando na 5ª colocação. As campeãs olímpicas venceram Tina/Ēbere, da Letônia, nas oitavas de final, por 2 sets a 1, com parciais de 18/21, 21/14 e 15/12. Nas quartas, porém, caíram diante das norte-americanas Megan Kraft/Kelly Cheng por 2 a 0, com 21/18 e 21/13.

A campanha teve ainda um duelo brasileiro na fase de grupos. Carol e Rebecca venceram Ana Patrícia e Duda por 2 sets a 0, com parciais de 21/19 e 21/16, resultado que confirmou a liderança de Carol/Rebecca no Grupo B.

Carol e Rebecca ficam em 9º lugar

A dupla começou bem e lideraram o Grupo B com três vitórias em três jogos, seis pontos, seis sets vencidos e apenas um perdido. Apesar da boa primeira fase, as brasileiras caíram nas oitavas para Stam/Schoon, dos Países Baixos, em jogo duro: 21/16, 19/21 e 15/8 para as holandesas.

O resultado colocou Carol/Rebecca na 9ª posição final. Foi uma campanha de bom início, mas interrompida cedo no mata-mata, justamente contra uma dupla que terminaria no pódio com o bronze.

Thamela e Victoria terminam em 19º

A dupla ficou em 4º lugar no Grupo D, com três derrotas, dois sets vencidos e seis perdidos. Foi uma etapa abaixo do potencial da parceria, especialmente considerando que Thamela/Victoria chegaram a Gstaad entre as duplas brasileiras de maior expectativa na temporada.

Ranking final feminino do Elite16 de Gstaad:

  1. Cruz/Brasher, Estados Unidos
  2. Kraft/Cheng, Estados Unidos
  3. Stam/Schoon, Países Baixos
  4. Donlin/Denaburg, Estados Unidos

Cruz e Brasher fazem história no feminino

O título feminino ficou com a dupla dos Estados Unidos. Venceram Kraft/Cheng na final por 2 sets a 0, com parciais de 21/19 e 21/15, fechando uma campanha perfeita: sete vitórias em sete jogos e apenas um set perdido em toda a etapa.

O dado histórico é forte: Cruz e Brasher conquistaram o terceiro título consecutivo em Gstaad. A dupla também chegou ao terceiro ouro em quatro participações no Beach Pro Tour em 2026, depois de já ter vencido os Elite de João Pessoa e Saquarema. No total da carreira no Tour, elas somam 14 medalhas de ouro, quatro pratas e dois bronzes.

O bronze feminino ficou com Stam e Schoon, dos Países Baixos, que venceram Donlin/Denaburg por 2 sets a 0, com 21/19 e 21/11. Foi o segundo pódio consecutivo das holandesas, depois da prata em Ostrava, e a 13ª medalha da dupla no Beach Pro Tour.

Números e destaques individuais

No masculino, o espanhol Alejandro Huerta foi o maior pontuador da etapa, com 68 pontos. Entre os brasileiros, André terminou com 25 pontos, Arthur Lanci e Evandro somaram 19 cada, e Renato apareceu com 14.

No feminino, a maior pontuadora foi Ēbere, da Letônia, com 69 pontos. Carol foi a brasileira mais produtiva no fundamento, com 47 pontos, sendo 32 de ataque, sete de bloqueio e oito de saque. Duda marcou 41 pontos, Rebecca fez 33, Ana Patrícia somou 22, Thamela terminou com 20 e Victoria com 16.

A estatística de Carol chama atenção porque ela terminou entre as maiores pontuadoras do torneio mesmo sendo eliminada nas oitavas.

Formato e premiação

O Elite16 de Gstaad teve 24 duplas no quadro principal de cada naipe, distribuídas em seis grupos de quatro. Os campeões de grupo, os vice-líderes e os dois melhores terceiros avançaram diretamente às oitavas. Os outros terceiros colocados disputaram uma fase extra, chamada de lucky loser, para completar o mata-mata. Depois vieram oitavas, quartas, semifinais, disputa de bronze e final.

Na temporada 2026, os eventos Elite do Beach Pro Tour passaram a ter premiação total de US$ 400 mil, com igualdade de pagamento entre homens e mulheres. Em Gstaad, isso representa uma bolsa de US$ 200 mil por naipe, reforçando o peso esportivo e financeiro da etapa no calendário mundial.

Por que Gstaad segue especial no circuito

A etapa suíça distribui pontos importantes, atrai duplas de elite e preserva uma tradição única no vôlei de praia. A organização local destaca que o torneio acontece desde 2000 e que 294 cowbells, os tradicionais sinos entregues aos medalhistas, já foram distribuídos ao longo da história do evento.

A edição de 2026 reforçou essa mística. No feminino, Cruz/Brasher transformaram Gstaad em território de domínio, com três títulos seguidos. No masculino, Brouwer realizou o sonho de conquistar o ouro em uma arena onde havia jogado ainda em 2010, enquanto Evandro voltou ao pódio suíço e manteve o Brasil entre os protagonistas.

O que vem agora no Beach Pro Tour

A próxima etapa será no Rio de Janeiro, entre 29 de julho e 2 de agosto. Para o Brasil, a parada carioca ganha ainda mais importância depois de Gstaad: Evandro/Arthur chegam embalados pelo bronze, Ana Patrícia/Duda tentam retomar presença em semifinal, Carol/Rebecca buscam transformar boa fase de grupos em campanha mais profunda, e Thamela/Victoria precisam reagir após uma etapa difícil na Suíça.

Gstaad mostrou que o Brasil continua competitivo, mas também deixou claro o nível de exigência do circuito. Uma boa fase de grupos não garante pódio, favoritos caem cedo e duplas que sobrevivem aos detalhes ganham espaço. Para uma modalidade decidida em margens curtas, a etapa suíça entregou exatamente o que se espera de um Elite16: tradição, pressão, grandes nomes, ranking pesado e jogos que ajudam a medir quem realmente está pronto para brigar por títulos grandes.