Os Estados Unidos deram mais um passo importante na Copa do Mundo de 2026 e transformaram a força de jogar em casa em vantagem real no mata-mata. Diante de um estádio tomado pelas cores americanas, a seleção comandada por Pochettino venceu a Bósnia e Herzegovina por 2 a 0, em Santa Clara, pela fase de 16 avos de final, e confirmou vaga nas oitavas de final do Mundial.
A classificação teve todos os ingredientes de uma partida de mata-mata: pressão da torcida, domínio territorial, gol anulado, gol confirmado pelo mesmo atacante, expulsão, sofrimento com um jogador a menos e um segundo gol que serviu como alívio definitivo. Folarin Balogun abriu o placar no fim do primeiro tempo, foi expulso na etapa final e está fora do próximo jogo. Malik Tillman, em cobrança de falta, fechou a vitória americana.
O resultado levou os Estados Unidos às oitavas de final contra a Bélgica. O confronto será disputado na segunda-feira, 6 de julho, às 21h de Brasília, no Lumen Field, em Seattle. A partida também carrega peso histórico: será uma reedição do duelo de 2014, quando os belgas eliminaram os americanos na prorrogação.
A força de jogar em casa
A vitória americana começou antes mesmo dos gols. Em Santa Clara, o ambiente foi de Copa em casa: arquibancada barulhenta, clima de decisão e um apoio constante para empurrar a seleção em cada disputa de bola. Esse cenário ajudou os Estados Unidos a sustentarem intensidade, sobretudo em um primeiro tempo em que a Bósnia tentou competir fisicamente e fechar espaços com uma linha defensiva numerosa.
A equipe de Pochettino entrou em campo com uma mecânica clara. O time teve paciência para construir, mas acelerou quando encontrou corredores. Sergiño Dest e Antonee Robinson deram profundidade pelos lados, Christian Pulisic buscou movimentos por dentro, Weston McKennie atacou espaços entre linhas, e Tillman funcionou como peça de ligação e chegada.
A Bósnia, comandada por Sergej Barbarez, tentou se proteger com uma estrutura mais fechada e saída direta para Edin Dzeko e Ermedin Demirovic. Nos primeiros minutos, ainda levou perigo e obrigou Matt Freese a trabalhar. Mas, conforme o jogo avançou, os Estados Unidos passaram a recuperar bolas no campo ofensivo e empurrar o adversário para perto da própria área.
Balogun tem gol anulado e depois marca
Folarin Balogun foi o grande personagem da partida. Antes de abrir o placar, o atacante chegou a balançar a rede em lance invalidado por impedimento. A jogada nasceu justamente de uma das marcas do time de Pochettino: pressão imediata depois da perda da bola, recuperação rápida e tentativa de acionar o centroavante atacando as costas da defesa.
O gol anulado não diminuiu o impacto de Balogun no jogo. O atacante seguiu oferecendo profundidade e se posicionando para receber entre os zagueiros. Aos 45 minutos do primeiro tempo, a insistência foi recompensada. Tillman participou da construção, a bola chegou em Balogun, que ganhou a disputa, bateu rasteiro e colocou os Estados Unidos em vantagem.
O gol mudou o peso emocional da partida. A Bósnia, que já tinha dificuldade para criar jogadas, passou a precisar sair mais. Ainda assim, não conseguiu transformar posse ou bolas longas em pressão consistente. Os Estados Unidos foram para o intervalo com a sensação de controle e com a torcida ainda mais conectada ao time.
Expulsão muda o cenário
O jogo ganhou outro roteiro no segundo tempo. Balogun, que havia sido o autor do gol, acabou expulso após revisão do VAR por entrada em Tarik Muharemovic. O lance deixou os Estados Unidos com um jogador a menos a partir dos 64 minutos e criou o momento de maior tensão da partida.
Na prática, a Bósnia teve cerca de meia hora, contando o tempo regulamentar restante e os acréscimos, para jogar com vantagem numérica. Era a janela ideal para pressionar, empurrar os donos da casa para trás e transformar o jogo em abafa. Mas a reação não veio na mesma proporção do cenário favorável.
A seleção bósnia passou a ter mais presença no campo de ataque, mas faltou qualidade no último passe, repertório para desmontar o bloco americano e precisão nas finalizações.Demirovic não conseguiu ser acionado com vantagem, e as jogadas pelos lados pararam muitas vezes em cruzamentos previsíveis ou disputas vencidas pela defesa dos Estados Unidos.
Pochettino reorganiza e Tillman decide
A expulsão obrigou o técnico argentino a ajustar o plano. Sem Balogun, os Estados Unidos reduziram riscos, compactaram linhas e passaram a escolher melhor os momentos de acelerar. O time não simplesmente se defendeu: seguiu tentando atacar quando havia espaço, especialmente com Tillman e Pulisic.
Aos 82 minutos, veio o lance que matou o jogo. Malik Tillman cobrou falta com categoria, superou a barreira e marcou o segundo gol americano. O chute ainda teve o peso simbólico de colocar fim ao período de incerteza após a expulsão. Com 2 a 0 no placar, a Bósnia ficou sem força emocional para uma reação tardia.
Tillman terminou a partida como um dos nomes centrais da classificação. Além da assistência indireta no contexto do primeiro gol e da participação constante na criação, foi dele o golpe final. Em um jogo de mata-mata, no qual a equipe precisou lidar com superioridade, controle, adversidade e inferioridade numérica, o meia representou bem a maturidade coletiva dos Estados Unidos.
Balogun fora das oitavas
A classificação teve um custo alto. Expulso contra a Bósnia, Balogun não poderá enfrentar a Bélgica nas oitavas de final. A ausência pesa porque o atacante vinha sendo uma das principais armas ofensivas dos Estados Unidos na Copa, com gols, profundidade e capacidade de atacar espaços entre os zagueiros.
A tendência é que Pochettino precise redesenhar o comando de ataque. Ricardo Pepi aparece como alternativa natural para ocupar a função de centroavante, enquanto outras possibilidades passam por mudanças de característica no setor ofensivo. Sem Balogun, os Estados Unidos perdem explosão e presença em ruptura, mas mantêm uma estrutura coletiva que já mostrou capacidade de competir em diferentes contextos.
O que a classificação representa
A vitória sobre a Bósnia tem valor histórico para o futebol americano. Foi apenas a segunda vitória dos Estados Unidos em mata-mata de Copa do Mundo na era moderna, repetindo um feito que não acontecia desde 2002, quando a seleção venceu o México por 2 a 0 nas oitavas de final.
O resultado também reforça o peso simbólico da campanha em casa. Em uma Copa expandida, a seleção americana precisava transformar o apoio local em desempenho. Contra a Bósnia, conseguiu fazer isso com autoridade e resiliência.
Outro dado importante é o crescimento competitivo do time. A equipe de Pochettino não venceu apenas por empolgação ou ambiente. Venceu porque teve plano, circulação, pressão pós-perda, ocupação de espaços e maturidade para resistir quando a partida ficou desconfortável.
Agora é contra a Bélgica
A seleção belga avançou depois de uma virada dramática sobre Senegal, em um jogo que também teve cara de mata-mata de Copa. O duelo coloca frente a frente dois times em momentos diferentes: os Estados Unidos embalados pelo fator casa e pela vitória de resistência; a Bélgica tentando sustentar sua tradição recente em grandes torneios.
Estados Unidos x Bélgica
- Data: segunda-feira, 6 de julho de 2026
- Horário: 21h de Brasília
- Local: Lumen Field, Seattle, Estados Unidos
- Fase: oitavas de final da Copa do Mundo de 2026
O confronto também conversa diretamente com a memória da Copa de 2014. Naquela edição, a Bélgica eliminou os Estados Unidos por 2 a 1 na prorrogação, em partida marcada pela atuação histórica do goleiro Tim Howard. Agora, jogando em casa, os americanos terão a chance de escrever outro capítulo contra o mesmo adversário.
A vitória belga sobre Senegal, inclusive, já havia colocado esse possível encontro no radar e ampliado a expectativa sobre o chaveamento, como mostrado na cobertura da classificação da Bélgica às oitavas da Copa do Mundo.
Uma classificação com cara de afirmação
Mais do que avançar, os Estados Unidos passaram pela Bósnia deixando uma imagem forte. O time dominou enquanto teve igualdade numérica, encontrou o gol com seu atacante mais agressivo, não perdeu a cabeça após a expulsão e ainda ampliou quando o jogo parecia pedir apenas sobrevivência.
A Bósnia, por outro lado, saiu com a sensação de oportunidade desperdiçada. Jogou boa parte do segundo tempo com um homem a mais, mas não mostrou a reação necessária para mudar o destino da partida. Faltou criatividade, faltou contundência e faltou transformar vantagem numérica em ameaça real.
Para os americanos, a noite em Santa Clara fica como um marco da campanha. Foi uma vitória de estádio, de identidade e de resistência. Em casa, com a torcida empurrando e com Pochettino dando forma a uma seleção mais madura, os Estados Unidos chegaram às oitavas com confiança, mas também com um desafio claro: enfrentar a Bélgica sem Balogun e provar que a campanha pode ir além do embalo nacional.