Cloudbreak entregou o cenário esperado para a abertura do Fiji Pro 2026. A competição entrou na água nesta terça-feira, 26 de agosto, e completou a primeira rodada masculina, toda a primeira rodada feminina e as quatro primeiras baterias da segunda fase dos homens. O grande momento ficou com Erin Brooks, que conseguiu a primeira nota 10 da etapa e fechou sua bateria com 18,00 pontos, o maior somatório do dia.
No lado brasileiro, Yago Dora teve uma estreia de peso. O campeão mundial de 2025 voltou ao mesmo pico onde conquistou seu título e derrotou Mateus Herdy na segunda rodada. Herdy havia passado pela rodada inicial poucas horas antes, mas acabou sendo o primeiro brasileiro eliminado do evento.
O Fiji Pro é a oitava etapa do Championship Tour de 2026 e tem janela de competição entre 25 de agosto e 4 de setembro. A passagem por Cloudbreak acontece em um momento importante da temporada: Italo Ferreira chegou a Fiji como líder do ranking masculino, enquanto Gabriela Bryan iniciou a etapa no topo da classificação feminina.
A etapa faz parte de uma temporada longa e com diferentes tipos de ondas, cenário que ajuda a valorizar a versatilidade dos principais nomes do circuito.
Fiji ganha peso na corrida pelo título
A etapa de Cloudbreak não vale o título mundial de maneira isolada, mas tem importância direta na construção da classificação para a parte decisiva da temporada.
A WSL mudou novamente seu sistema em 2026. O formato do Finals, que entre 2021 e 2025 decidiu o campeão em um mata-mata concentrado, foi abandonado. O circuito voltou a definir o campeão pelo ranking acumulado ao longo da temporada. O calendário tem 12 etapas, sendo nove da temporada regular, duas da pós-temporada e o Pipe Masters fechando o ano em dezembro. Os sete melhores resultados obtidos nas nove primeiras etapas contam para o avanço à pós-temporada, enquanto a classificação final e os títulos mundiais serão definidos pelos nove melhores resultados de cada atleta nas 12 paradas. Pipeline ainda terá peso extra, oferecendo 15.000 pontos ao vencedor.
Isso torna Fiji especialmente importante. Cloudbreak é a oitava das nove etapas da temporada regular. Depois dela, resta Lower Trestles antes da redução do elenco para 24 homens e 16 mulheres que seguem para os eventos da pós-temporada.
Italo Ferreira chegou a Fiji com a cobiçada lycra amarela. O campeão mundial de 2019 liderava a classificação masculina com 39.930 pontos, 5.000 à frente do italiano Leonardo Fioravanti, segundo colocado. Yago Dora aparecia em terceiro; Miguel Pupo era o quarto, e Gabriel Medina, o quinto. Ou seja: quatro brasileiros ocupavam cinco das primeiras posições antes do início da etapa, mostrando a força da Brazilian Storm.
A liderança de Italo ganhou ainda mais relevância depois de Teahupo'o. Mesmo lidando com dores lombares, o potiguar chegou à semifinal no Taiti e retomou a primeira posição do ranking após a eliminação precoce de Fioravanti. A vantagem construída no Taiti permitiu que ele desembarcasse em Fiji controlando a corrida pelo título.
Para Italo, Cloudbreak também representa uma oportunidade particular. O brasileiro já venceu etapas em ondas de enorme prestígio como Pipeline e Teahupo'o, mas ainda não conquistou o Fiji Pro. Antes da competição, o próprio surfista tratou uma eventual vitória em Cloudbreak como uma peça que ainda falta em seu currículo nas grandes ondas do circuito.
Yago Dora volta ao lugar onde se tornou campeão mundial
Se Italo chega como líder de 2026, Yago carrega a lembrança mais recente e importante de um brasileiro em Cloudbreak.
Em 2025, Fiji recebeu o WSL Finals, competição que naquela temporada definia os campeões mundiais. Ele entrou na decisão como número 1 do ranking e precisou de apenas uma vitória no confronto decisivo contra Griffin Colapinto.
O brasileiro venceu por 15,66 a 12,33 e conquistou seu primeiro título mundial. Sua melhor onda recebeu 8,33, complementando um 7,33. Foi em Cloudbreak, portanto, que Yago se tornou o quinto brasileiro campeão mundial da elite.
Há uma distinção histórica importante: o título mundial de Yago em 2025 não conta como uma vitória no Fiji Pro. O evento daquele ano foi o WSL Finals, uma competição específica para decidir o campeonato. Assim, Yago é campeão mundial em Cloudbreak, mas ainda busca seu primeiro título da etapa tradicional de Fiji.
A Primeira nota 10 do evento
Nenhum desempenho chamou mais atenção no primeiro dia do que o de Erin Brooks. A canadense de apenas 19 anos encontrou uma das maiores ondas da rodada feminina, entrou fundo no tubo e conseguiu atravessar diferentes seções antes de sair para o canal. A apresentação recebeu nota 10 dos juízes.
Brooks ainda tinha um 8,00 em seu placar. Com isso, terminou a bateria com 18,00 de 20 possíveis e derrotou Sophie McCulloch, que somou 3,06.
p>Veja os melhores momentos da bateria abaixo:O resultado ampliou uma conexão já especial entre Brooks e Fiji. Em 2024, ainda como wildcard e aos 17 anos, ela venceu justamente o Fiji Pro em sua primeira participação na etapa. Antes de chegar a Cloudbreak em 2026, a canadense também havia conquistado o Tahiti Pro, em Teahupo'o.
A sequência entre Teahupo'o e Cloudbreak reforçou uma de suas principais características: o desempenho em ondas de recife potentes e com espaço para tubos.
Além de Brooks, Vahine Fierro foi outro grande nome da rodada feminina. A taitiana derrotou Alyssa Spencer com 14,17 pontos, segundo maior somatório entre as mulheres na abertura.
Francisca elimina Tyler Wright em bateria apertada
Uma das baterias mais equilibradas do dia colocou frente a frente Francisca Veselko e Tyler Wright. A portuguesa venceu por apenas 0,17 ponto: 12,17 contra 12,00 da bicampeã mundial australiana.
Sally Fitzgibbons também avançou em um confronto de enorme peso histórico contra Stephanie Gilmore. Fitzgibbons marcou 9,97, enquanto Gilmore terminou com 8,37.
Resultados da primeira rodada feminina
- Yolanda Hopkins 9,77 x 9,57 Tya Zebrowski
- Sally Fitzgibbons 9,97 x 8,37 Stephanie Gilmore
- Vahine Fierro 14,17 x 6,66 Alyssa Spencer
- Brisa Hennessy 10,66 x 4,60 Anat Lelior
- Bettylou Sakura Johnson 9,73 x 8,50 Bella Kenworthy
- Francisca Veselko 12,17 x 12,00 Tyler Wright
- Erin Brooks 18,00 x 3,06 Sophie McCulloch
- Isabella Nichols 9,33 x 3,80 Ulukilupetea Kurop
Apesar da derrota para Isabella Nichols, Ulukilupetea “Tea” Kurop deixou uma marca importante na abertura da competição. A surfista local se tornou a primeira mulher de Fiji a competir em nível de Championship Tour.
Kurop entrou como convidada após vencer a seletiva local, mas encontrou dificuldades para completar suas ondas diante de Nichols.
O resultado esportivo encerrou rapidamente sua participação, mas a presença de uma surfista fijiana no CT em Cloudbreak ampliou a importância local de uma etapa disputada em um dos picos mais simbólicos do tour.
Mateus Herdy vence na primeira rodada mas cai para Yago Dora
O brasileiro superou o australiano Jarvis Earle por 12,16 a 11,23 na terceira bateria da rodada inicial.
O resultado colocou Herdy imediatamente diante do atual campeão mundial na fase seguinte.
Yago entrou na água em um lugar carregado de significado para sua carreira. Foi em Cloudbreak que o brasileiro conquistou o título mundial de 2025. Na volta ao pico em competição, conseguiu uma nota 8,67 e acrescentou 6,73 para totalizar 15,40.
Herdy respondeu com 7,67 e 6,00, somando 13,67, mas não conseguiu virar a bateria. Assim, Yago avançou e Mateus encerrou sua campanha.
A vitória também teve peso esportivo para Dora na temporada. O brasileiro chegou a Fiji em terceiro lugar no ranking e, como atual campeão mundial, tentando diminuir a diferença para Italo Ferreira e Leonardo Fioravanti na corrida pelo primeiro lugar.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Cole Houshmand elimina Ethan Ewing
Outro resultado de destaque na segunda rodada masculina foi a vitória Houshmand sobre Ewing.
O norte-americano combinou tubos e manobras fortes para chegar a 15,17 pontos. Ewing terminou com 12,70 e foi eliminado.
Seth Moniz, campeão da etapa anterior no Taiti, também manteve o bom momento. O havaiano derrotou Marco Mignot por 12,67 a 11,80, diferença de apenas 0,87.
Resultados masculinos do primeiro dia
Primeira rodada
- Matthew McGillivray 5,33 x 1,43 Luke Thompson
- Eli Hanneman 12,00 x 8,33 Teo Degei
- Mateus Herdy 12,16 x 11,23 Jarvis Earle
- Ramzi Boukhiam 11,50 x 6,10 Oscar Berry
Segunda rodada
- Seth Moniz 12,67 x 11,80 Marco Mignot
- Cole Houshmand 15,17 x 12,70 Ethan Ewing
- Yago Dora 15,40 x 13,67 Mateus Herdy
- Kanoa Igarashi 13,27 x 11,66 Alan Cleland
Brazilian Storm ainda tem fortes nomes no Fiji Pro
O Brasil começou o evento com dez representantes entre masculino e feminino. Ao término da abertura, Mateus Herdy era o único brasileiro eliminado.
Próximas baterias dos brasileiros:
- João Chianca x Morgan Cibilic — bateria 5 da segunda rodada
- Italo Ferreira x Matthew McGillivray — bateria 9 da segunda rodada
- Connor O’Leary x Filipe Toledo — bateria 10 da segunda rodada
- Samuel Pupo x Alejo Muniz — bateria 11 da segunda rodada
- Miguel Pupo x Ramzi Boukhiam — bateria 13 da segunda rodada
- Gabriel Medina x Joel Vaughan — bateria 16 da segunda rodada
- Luana Silva x Bettylou Sakura Johnson — bateria 2 da segunda rodada
Onde assistir e horário da próxima chamada
Está marcada para esta quarta-feira, 26 de agosto, às 16h, no horário de Brasília. Em Fiji, onde o fuso está 15 horas à frente, serão 7h de quinta-feira, 27. A direção de prova avaliará as condições de Cloudbreak antes de confirmar a entrada dos surfistas na água. A previsão mantém ondas de bom tamanho e vento favorável, deixando aberta a possibilidade de mais um dia cheio de competição.
No Brasil, o Fiji Pro pode ser acompanhado pelo site oficial da World Surf League e pelo canal oficial da WSL no YouTube, que disponibiliza a transmissão ao vivo do Championship Tour. A etapa também tem transmissão anunciada pelo SporTV para o público brasileiro. Como acontece normalmente nas etapas do circuito, o horário efetivo do início das baterias pode mudar após a chamada, de acordo com swell, vento, maré e qualidade das ondas em Cloudbreak.
Fiji tem história ligada ao nascimento do Dream Tour moderno
Cloudbreak não é apenas mais uma parada da temporada. A onda localizada próxima à ilha de Tavarua é considerada pela própria WSL uma das mais emblemáticas do planeta: uma esquerda rápida, tubular e quebrando sobre recife raso, capaz de funcionar desde ondas relativamente pequenas até grandes swells do Pacífico Sul.
A primeira competição do Championship Tour em Cloudbreak foi realizada em 1999. Mark Occhilupo venceu aquela edição e terminou o mesmo ano conquistando o título mundial. A coincidência ajudou a construir imediatamente o peso de Fiji dentro daquilo que ficou conhecido como “Dream Tour”, conceito de levar os melhores surfistas do planeta para algumas das melhores ondas disponíveis.
A etapa teve diferentes períodos no calendário. Depois dos primeiros anos, houve uma interrupção até o retorno em 2012. O Fiji Pro foi realizado regularmente entre 2012 e 2017, ficou fora do CT a partir de 2018 e retornou somente em 2024. Em 2025, Cloudbreak recebeu o WSL Finals, antes de o Fiji Pro voltar a integrar a temporada regular em 2026.
O maior campeão da etapa
Quando o assunto é domínio em Cloudbreak, nenhum nome aparece acima deKelly Slater.
O 11 vezes campeão mundial venceu o Fiji Pro quatro vezes: 2005, 2008, 2012 e 2013. É o recordista masculino de títulos da etapa. A vitória de 2012, por exemplo, veio em uma final contra um Gabriel Medina quando tinha apenas 19 anos, que logo depois conquistou dois em títulos em 2014 e 2016.
Entre as mulheres, o recorde histórico é compartilhado. Melanie Redman-Carr, Sofía Mulánovich e Sally Fitzgibbons conquistaram duas edições cada. Fitzgibbons venceu consecutivamente em 2014 e 2015.
Na edição mais recente do Fiji Pro antes de 2026, disputada em 2024, Griffin Colapinto venceu entre os homens ao derrotar Rio Waida. Entre as mulheres, Erin Brooks surpreendeu como wildcard e venceu a brasileira Tatiana Weston-Webb.
O único brasileiro campeão do Fiji Pro
A história brasileira na etapa tem um protagonista muito claro: Gabriel Medina.
Medina venceu o Fiji Pro pela primeira vez em 2014, justamente na temporada em que conquistaria seu primeiro título mundial. A vitória teve importância na consolidação do paulista como um surfista completo, capaz de competir em ondas pesadas e tubulares e não apenas em condições voltadas para manobras aéreas. A própria WSL relembra o triunfo em Fiji como um dos momentos que desmontaram essa leitura limitada sobre o estilo do brasileiro.
Dois anos depois, Medina repetiu o feito. Em 2016, derrotou Kelly Slater na semifinal e Matt Wilkinson na decisão para conquistar seu segundo título em Cloudbreak.
Entre as mulheres, o Brasil ainda busca a primeira vitória na etapa. Tatiana Weston-Webb chegou perto duas vezes: foi vice-campeã em 2017, derrotada por Courtney Conlogue, e repetiu o segundo lugar em 2024, quando perdeu a final para Erin Brooks.
Yago Dora ocupa uma posição diferente nessa história. Ele não venceu o Fiji Pro, mas conquistou algo ainda maior em Cloudbreak: o título mundial de 2025 no WSL Finals. Essa distinção coloca Fiji no centro de dois capítulos importantes da Brazilian Storm — os dois títulos de etapa de Medina e o primeiro campeonato mundial de Yago.
Previsão do mar mantém boas condições
A previsão para Cloudbreak indica que a WSL ainda deve encontrar boas condições para avançar a competição nos próximos dias. Como Fiji está à frente do Brasil no fuso horário, as datas abaixo consideram sempre o calendário local da etapa.
Para quinta-feira, 27 de agosto, a previsão oficial aponta uma redução em relação ao pico da abertura, mas ainda com ondas boas e vento favorável. O boletim classifica o dia como provável para competição.
Na sexta-feira, 28 de agosto, Cloudbreak deve continuar recebendo ondas limpas com vento favorável e possibilidade de mais um dia de competição. A previsão mantém aberta a chance de a WSL avançar significativamente o chaveamento antes da queda mais clara do swell.
No sábado, 29 de agosto, a tendência é de redução. A energia do swell deve perder força e as condições aparecem menos consistentes do que nos dois dias anteriores.
Para domingo, 30 de agosto, e segunda-feira, 31, o cenário tem menor grau de definição. Os modelos acompanham a possibilidade de novos pulsos no Pacífico Sul, mas não há base suficiente para tratar um novo grande swell nesses dias como confirmado.
A projeção de longo prazo também monitora a possibilidade de uma nova sequência de energia mais forte nos últimos dias da janela do Fiji Pro, que termina em 4 de setembro.
Assim, o cenário mais sólido coloca 27 e 28 de agosto como as melhores oportunidades imediatas para a continuação do campeonato. O sábado tende a apresentar uma redução mais significativa, enquanto a parte final da janela permanece em observação.
Cloudbreak volta a exigir tubo, leitura e técnica
O primeiro dia deixou clara a dificuldade da onda de Fiji. A famosa esquerda de recife oferece longas paredes, tubos extensos e grande potencial de pontuação, mas também cobra posicionamento e compromisso nas ondas maiores.
Foi justamente essa combinação que separou os principais desempenhos da abertura. Erin Brooks aproveitou a oportunidade mais valiosa do dia para conseguir a nota perfeita.
O contexto do campeonato transforma cada uma dessas baterias em algo maior. Italo Ferreira não está apenas buscando avançar em Fiji: ele defende a lycra amarela e tenta ampliar a vantagem na temporada em que persegue seu segundo título mundial. Yago Dora volta como campeão mundial ao lugar onde viveu o maior momento da carreira e tenta aproximar-se novamente do número 1. Miguel Pupo e Gabriel Medina também chegaram a Fiji dentro do top 5, mantendo a Brazilian Storm fortemente posicionada na disputa.
Cloudbreak ainda carrega toda a própria história. É a onda de quatro títulos de Kelly Slater, das duas conquistas de Gabriel Medina, dos desempenhos perfeitos de Owen Wright, do retorno histórico de 2024 e do título mundial de Yago Dora em 2025.
Por isso, o Fiji Pro 2026 começou valendo muito mais do que um troféu de etapa. Entre a nota 10 de Erin Brooks, a vitória de Yago Dora, a lycra amarela de Italo Ferreira e uma corrida pelo título ainda aberta, Cloudbreak volta a ocupar exatamente o espaço que construiu ao longo das últimas décadas: o de uma onda capaz de definir reputações, mudar campeonatos e produzir alguns dos capítulos mais marcantes do surfe profissional.