Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Tahiti Pro 2026 em Teahupo’o: campeões, resultados dos brasileiros e ranking após a etapa

Seth Moniz e Erin Brooks conquistaram Teahupo’o em um Finals Day de tubos e viradas. Ítalo Ferreira foi o melhor brasileiro, chegou à semifinal e deixou o Taiti como líder do ranking mundial, enquanto Luana Silva caiu cedo e passou a ocupar a 5ª posição entre as mulheres.

Por Corte dos Esportes · 14/08/2026 · Categoria: Surf

O Tahiti Pro 2026 terminou com dois campeões que transformaram Teahupo’o no ponto de virada de suas temporadas. O havaiano Seth Moniz venceu Griffin Colapinto na final masculina e conquistou sua primeira vitória no Championship Tour. Entre as mulheres, Erin Brooks reagiu diante de Anat Lelior para ganhar a etapa.

Para o Brasil, o principal resultado veio com Ítalo Ferreira. Campeão em Teahupo’o em 2024, o potiguar avançou até a semifinal, perdeu justamente para o campeão e somou pontos suficientes para assumir a liderança do circuito. Yago Dora, Miguel Pupo e Gabriel Medina, mesmo eliminados mais cedo no Taiti, permaneceram entre os cinco primeiros do mundo.

A etapa também reforçou o peso de Teahupo’o dentro do novo formato do Championship Tour da WSL em 2026. A passagem pelo Taiti veio depois de uma etapa importante para a Brazilian Storm em Saquarema, onde Yago Dora conquistou o Rio Pro 2026. A temporada voltou ao sistema de classificação acumulada, sem o WSL Finals decidindo o título em uma única etapa, o que aumenta o peso de cada resultado na corrida pelo campeonato mundial.

Slater voltou a competir como convidado

Outro elemento que tornou o Tahiti Pro 2026 especialmente marcante foi a presença de Kelly Slater. Aos 54 anos e afastado do circuito em tempo integral desde 2024, o 11 vezes campeão mundial recebeu um wildcard para competir em Teahupo’o, uma das ondas com as quais construiu uma relação mais histórica ao longo da carreira. Slater chegou à etapa com cinco títulos no Taiti e 20 participações anteriores no evento.

A participação não foi apenas simbólica. Logo em sua primeira bateria, Slater encarou ondas grandes e difíceis e avançou com 16,23 pontos, a maior soma do dia de abertura. A atuação preparou um dos confrontos mais aguardados da competição: Kelly Slater contra Gabriel Medina no Round 2.

O encontro reuniu dois dos maiores nomes da história recente do surfe mundial e terminou com uma das performances mais marcantes de toda a etapa. Slater conseguiu notas 9,73 e 9,33, somou 19,06 pontos e eliminou Medina, que terminou a bateria com 16,10. O americano avançou às oitavas de final mesmo competindo como convidado.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

O resultado teve peso ainda maior pelo contexto. Slater havia passado por cirurgia no quadril e já não disputava regularmente o Championship Tour. Sua entrada por wildcard chegou a gerar discussão sobre a presença de um surfista fora da elite em uma etapa decisiva, mas dentro d’água o veterano respondeu com uma das maiores somas de Teahupo’o em 2026.

A campanha terminou no Round 3, mas a passagem de Slater pelo evento se tornou um dos acontecimentos centrais da edição. Mais do que uma aparição de despedida ou homenagem, o 11 vezes campeão mundial mostrou capacidade para vencer baterias contra a elite e voltou a ser protagonista justamente em Teahupo’o, palco de alguns dos momentos mais importantes de sua carreira.

Ítalo Ferreira cai na semifinal mas sai líder do tour

A campanha do brasileiro ganhou importância não apenas pelo terceiro lugar na etapa, mas pelo que aconteceu ao redor dele. Leonardo Fioravanti, que chegou ao Taiti à frente do brasileiro na classificação, foi eliminado por Ramzi Boukhiam no Round 2. Ítalo venceu Luke Thompson e retomou a primeira colocação antes mesmo das fases finais.

Nas oitavas, o brasileiro passou por Connor O'Leary em uma bateria apertada. Ítalo construiu 11,66 pontos, com notas 6,33 e 5,33, contra 10,33 do japonês. O resultado colocou o potiguar entre os oito melhores da etapa.

Nas quartas de final, veio uma das atuações mais fortes de Ítalo no evento. Diante do australiano Ethan Ewing, o brasileiro venceu por 15,50 a 11,94 e garantiu presença no Finals Day entre os quatro semifinalistas.

A semifinal colocou Ítalo diante de Seth Moniz. O havaiano confirmou a excelente relação que vinha tendo com os tubos de Teahupo’o, venceu por 15,76 a 13,83 e encerrou a tentativa do brasileiro de conquistar novamente a etapa.

Veja os melhores momentos da bateria abaixo:

A liderança no Taiti devolveu Ítalo ao posto que já havia ocupado depois de sua vitória na etapa da Nova Zelândia da WSL 2026. Desta vez, porém, ele deixou Teahupo’o com uma vantagem de exatamente 5.000 pontos sobre Fioravanti, aumentando o peso de cada resultado na reta seguinte da temporada.

Uma final de alto nível

A final masculina confirmou Seth Moniz como o grande nome do Tahiti Pro. Griffin Colapinto também chegou ao confronto decisivo em alta e apresentou notas competitivas, mas Moniz encontrou os tubos que definiram o título.

O havaiano marcou 9,07 em um tubo profundo e, já no encerramento da bateria, ainda recebeu 9,10. Com as duas melhores ondas, fechou 18,17 pontos. Colapinto terminou com 14,67. Foi a primeira vitória de Seth Moniz no Championship Tour.

O resultado foi ainda mais expressivo pelo contexto da temporada. Moniz chegou a Teahupo’o sem ter avançado além do segundo round nas etapas anteriores de 2026. No Taiti, mudou completamente sua campanha e derrotou, ao longo do caminho, surfistas como Yago Dora, Barron Mamiya, Alan Cleland, Ítalo Ferreira e Griffin Colapinto. A conquista também provocou uma grande recuperação no ranking, colocando o havaiano na 19ª posição.

Veja os melhores momentos da final abaixo:

Erin Brooks vira final feminina e conquista Teahupo’o

A decisão feminina teve um roteiro diferente. Anat Lelior largou melhor e construiu 16,33 pontos ainda na primeira metade da bateria. A israelense colocou pressão sobre Erin Brooks depois de conseguir duas ondas na casa dos oito pontos.

Brooks respondeu primeiro com 8,27. Depois, já na reta final, encontrou a onda que precisava, atravessou o tubo e recebeu 8,93. A soma chegou a 17,20, suficiente para virar a decisão e superar os 16,33 de Lelior.

Foi a primeira vitória de Brooks como integrante em tempo integral do Championship Tour. A canadense já havia vencido em Fiji em 2024 competindo como wildcard. Em Teahupo’o, além do título, saltou para o 11º lugar do ranking de 2026, com 20.000 pontos. Anat Lelior, finalista pela primeira vez no CT, apareceu em 14º após a etapa.

Antes da final, Brooks eliminou Isabella Nichols na semifinal. Lelior chegou à decisão vencendo Yolanda Hopkins. Nas quartas, Brooks já havia derrubado Molly Picklum, enquanto Lelior passou pela jovem taitiana Kelia Gallina.

Veja os melhores momentos da final abaixo:

Como foram todos os brasileiros no Tahiti Pro 2026

O Brasil começou a etapa masculina com uma delegação numerosa, mas Teahupo’o cobrou caro já nas primeiras baterias. Samuel Pupo foi eliminado por Alan Cleland. Yago Dora fez uma bateria de alto nível, mas caiu justamente diante do futuro campeão Seth Moniz. Filipe Toledo teve poucas oportunidades e perdeu para Connor O'Leary por 4,06 a 1,63.

Gabriel Medina protagonizou uma das baterias mais aguardadas do campeonato contra Kelly Slater. O encontro reuniu 14 títulos mundiais e terminou com vitória do americano por 19,06 a 16,10. Slater conseguiu 9,73 e 9,33; Medina chegou a encontrar boas ondas, mas não conseguiu completar a virada.

Mateus Herdy também parou no Round 2, em confronto brasileiro contra Miguel Pupo. Na mesma fase, João Chianca brilhou com 17,83 contra os 15,90 de Morgan Cibilic, e Alejo Muniz bateu Kanoa Igarashi por 7,07 a 4,00.

Nas oitavas, três brasileiros foram eliminados em sequência. Ramzi Boukhiam venceu João Chianca. George Pittar passou por Alejo Muniz. Miguel Pupo esteve perto de avançar em uma bateria forte contra Griffin Colapinto, mas o americano venceu por 16,67 a 15,17. Apenas Ítalo seguiu para as quartas.

No feminino, Luana Silva era a única brasileira da elite. Ela estreou no Round 2 contra Yolanda Hopkins e perdeu por 10,17 a 3,97. A eliminação custou uma posição na classificação: Luana, que havia chegado ao evento em quarto, saiu do Taiti ocupando o quinto lugar.

Colocação dos brasileiros no Tahiti Pro 2026

Além do impacto no ranking mundial, a etapa de Teahupo’o terminou com Ítalo Ferreira como o brasileiro mais bem colocado. O potiguar alcançou as semifinais e dividiu a terceira colocação do evento.

Classificação dos brasileiros no masculino:

  1. 3º — Ítalo Ferreira — semifinalista
  2. 9º — Miguel Pupo — eliminado no Round 3
  3. 9º — João Chianca — eliminado no Round 3
  4. 9º — Alejo Muniz — eliminado no Round 3
  5. 17º — Yago Dora — eliminado no Round 2
  6. 17º — Samuel Pupo — eliminado no Round 2
  7. 17º — Filipe Toledo — eliminado no Round 2
  8. 17º — Gabriel Medina — eliminado no Round 2
  9. 17º — Mateus Herdy — eliminado no Round 2

No feminino, Luana Silva foi a única representante brasileira. Luana encerrou Teahupo’o empatada na 9ª colocação.

Ranking masculino da WSL após Teahupo’o

O resultado do Tahiti Pro deixou o Brasil em situação especialmente forte no campeonato masculino. Quatro brasileiros ocupavam as cinco primeiras posições, com Ítalo Ferreira na liderança e uma diferença pequena entre vários concorrentes diretos.

  1. 1. Ítalo Ferreira — Brasil — 39.930 pontos
  2. 2. Leonardo Fioravanti — Itália — 34.930
  3. 3. Yago Dora — Brasil — 33.950
  4. 4. Miguel Pupo — Brasil — 30.450
  5. 5. Gabriel Medina — Brasil — 28.610
  6. 6. Ethan Ewing — Austrália — 28.575
  7. 7. George Pittar — Austrália — 26.705
  8. 8. Griffin Colapinto — Estados Unidos — 26.290
  9. 9. Samuel Pupo — Brasil — 25.640
  10. 10. Liam O'Brien — Austrália — 23.185

A combinação é importante porque não existe mais uma decisão de título no antigo formato do WSL Finals. Em 2026, o campeão mundial volta a ser definido pela classificação acumulada, considerando os resultados previstos pelo regulamento da temporada e com Pipeline tendo peso ampliado no encerramento.

Ranking feminino após o Tahiti Pro

No feminino, Gabriela Bryan permaneceu na liderança mesmo depois de uma eliminação precoce em Teahupo’o. Carissa Moore e Sawyer Lindblad continuaram próximas, enquanto Molly Picklum avançou para o quarto lugar e ultrapassou Luana Silva. Erin Brooks foi a maior beneficiada pela vitória e chegou à 11ª posição.

  1. 1. Gabriela Bryan — Havaí — 37.065 pontos
  2. 2. Carissa Moore — Havaí — 35.490
  3. 3. Sawyer Lindblad — Estados Unidos — 34.970
  4. 4. Molly Picklum — Austrália — 34.865
  5. 5. Luana Silva — Brasil — 33.835
  6. 6. Caitlin Simmers — Estados Unidos — 31.810
  7. 7. Lakey Peterson — Estados Unidos — 27.490
  8. 8. Caroline Marks — Estados Unidos — 26.320
  9. 9. Nadia Erostarbe — Espanha — 22.915
  10. 10. Isabella Nichols — Austrália — 21.170

O que Teahupo’o mudou na corrida pelo título mundial

O Tahiti Pro mexeu muito mais no campeonato masculino do que a vitória isolada de Seth Moniz pode sugerir. Fioravanti perdeu a liderança, Ítalo abriu vantagem na ponta, Yago Dora continuou em terceiro e Miguel Pupo e Gabriel Medina completaram um bloco de quatro brasileiros entre os cinco primeiros. Griffin Colapinto, com o vice-campeonato, também avançou para o oitavo lugar e voltou a se aproximar do grupo da frente.

Entre as mulheres, a etapa mostrou como uma eliminação precoce pode mudar rapidamente a ordem da classificação. As então três primeiras colocadas também caíram cedo em Teahupo’o, mas Molly Picklum aproveitou melhor a oportunidade e subiu para quarto, deixando Luana Silva em quinto. Brooks, por sua vez, transformou uma temporada de eliminações precoces em uma vitória que a colocou novamente na disputa por posições mais altas.

A sequência do Championship Tour leva os melhores surfistas do mundo a Cloudbreak, em Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. Depois de Teahupo’o, Ítalo chega com a lycra amarela, mas ainda em uma temporada aberta: a classificação acumulada continua sujeita a grandes mudanças, e Pipeline, no encerramento do calendário, distribuirá 1,5 vez a pontuação de uma etapa regular.

Teahupo’o, portanto, deixou duas imagens fortes para a temporada de 2026. A primeira é a de Seth Moniz e Erin Brooks transformando tubos decisivos em títulos que mudaram suas campanhas. A segunda é a de Ítalo Ferreira deixando o Taiti sem a vitória na etapa, mas com algo fundamental na corrida pelo campeonato: a liderança mundial.