O Fiji Pro presented by Corona Cero 2026 entregou uma combinação no segundo dia que ajuda a explicar a fama de Cloudbreak dentro do Circuito Mundial de Surfe: pressão competitiva, ondas que exigem leitura precisa e baterias decididas por margens pequenas. Com o Round 2 masculino sendo concluído, a etapa definiu os 16 surfistas que seguiram na disputa e reduziu consideravelmente a presença brasileira no evento.
As baterias foram realizadas em ondas apontadas na faixa de quatro a seis pés. O mar estava menor do que na abertura da competição e ofereceu menos tubos, mas ainda permitiu notas altas. Connor O’Leary produziu o maior somatório do dia ao superar Filipe Toledo em uma das baterias mais fortes do Round 2.
Ao fim da rodada masculina, Yago Dora, Italo Ferreira, Samuel Pupo, Miguel Pupo e Gabriel Medina formavam o grupo brasileiro classificado para o Round 3. Yago havia garantido sua vaga ainda na abertura da etapa, ao vencer Mateus Herdy por 15,40 a 13,67, em um dia marcado também pela nota máxima de Erin Brooks.
Italo Ferreira supera acidente e avança
Líder do ranking mundial na chegada a Fiji, Italo teve uma estreia cercada de expectativa. Um dia antes de competir, o brasileiro sofreu um acidente durante um treino, bateu o rosto na prancha e precisou levar cinco pontos no nariz. Mesmo assim, entrou normalmente na bateria contra Matthew McGillivray.
Dentro d’água, Italo abriu sua campanha com vitória por 12,70 a 10,56. O brasileiro largou com uma onda de 6,50, combinando manobras com uma passagem pelo tubo. Depois de administrar a vantagem durante boa parte do confronto, encontrou nos minutos finais uma onda avaliada em 6,20, suficiente para fechar seu somatório vencedor.
O resultado manteve Italo vivo em uma etapa importante para sua campanha na temporada. O potiguar já havia ocupado a liderança do circuito após uma campanha de destaque na etapa da WSL na Nova Zelândia, e chegou a Cloudbreak novamente na primeira posição da classificação mundial.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
João Chianca tira nota quase excelente mas não consegue a classificação
João abriu a sequência do segundo dia entre os brasileiros, enfrentando Morgan Cibilic. Chumbinho conseguiu a melhor nota individual da bateria, um 8,67, mas não encontrou uma segunda pontuação suficiente para construir o somatório necessário.
Cibilic aproveitou melhor o conjunto das duas ondas válidas e fechou a disputa com 14,34 pontos. João terminou com 13,17 e foi eliminado do Fiji Pro no Round 2. A diferença de apenas 1,17 ponto mostra como uma única oportunidade adicional poderia ter alterado o confronto.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Filipe Toledo é eliminado em grande bateria
Entre todas as derrotas brasileiras da rodada, a de Filipinho foi a mais apertada e uma das mais marcantes tecnicamente. O bicampeão mundial produziu um somatório de 16,00 pontos, marca que normalmente coloca qualquer surfista em posição confortável para avançar.
Connor O’Leary, porém, foi ainda melhor. Filipe começou o duelo com uma excelente nota 8,50, enquanto Connor respondeu com 8,17. O japonês conseguiu construir outro resultado forte e terminou com 16,40 pontos, apenas 0,40 à frente do brasileiro. Filipe teve 8,50 e 7,50 como suas duas notas contabilizadas.
A bateria acabou se tornando um retrato particular da dificuldade de Cloudbreak: não bastou a Filipe atingir a faixa da excelência. O adversário conseguiu transformar duas oportunidades em um somatório ainda maior e garantiu passagem para a fase seguinte.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Samuel Pupo vence duelo brasileiro
Samuca e Alejo Muniz protagonizaram a única bateria totalmente brasileira do segundo dia. O duelo foi equilibrado e terminou com vitória de Samuel por 13,50 a 12,73.
Samuel construiu seu resultado com notas 6,83 e 6,67. Alejo chegou a conseguir a maior nota individual do confronto, um 7,23, complementada por 5,50. Os dois surfaram 14 ondas ao longo dos 35 minutos, mas Samuel terminou com o melhor conjunto e garantiu a vaga.
Com a derrota, Alejo encerrou sua última participação em Fiji, já que anunciou a aposentadoria no final da temporada.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Miguel Pupo elimina Ramzi Boukhiam
O outro integrante da família Pupo também conseguiu transformar sua estreia em classificação. Diante do marroquino Ramzi, o paulista venceu por 12,26 a 10,70 e colocou seu nome entre os 16 sobreviventes da chave masculina.
A classificação manteve Miguel em uma temporada na qual ele chegou a Fiji entre os brasileiros mais bem colocados no ranking. O próximo obstáculo, porém, ganhou peso: nas oitavas, Miguel terá pela frente Kauli Vaast, que avançou no Round 2 com um expressivo 16,17 contra Crosby Colapinto.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Gabriel Medina fecha o Round 2
A última bateria masculina colocou o brasileiro contra o australiano Joel Vaughan. O tricampeão mundial confirmou a classificação ao vencer por 13,94 a 9,83.
A vitória colocou Medina nas oitavas e completou o grupo de cinco brasileiros que permaneceu na chave masculina depois do Round 2. O próximo confronto reserva outro teste em Cloudbreak: Medina enfrentará Barron Mamiya, que eliminou Jack Robinson por 13,87 a 10,50.
Para Medina, avançar em Fiji tem um significado esportivo particular pela própria natureza de Cloudbreak. A esquerda exige controle em alta velocidade, leitura de seções e capacidade de atacar uma parede poderosa, características que tornam o local um dos testes técnicos mais reconhecidos do calendário.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
Como ficaram as oitavas de final masculinas:
- Seth Moniz x Cole Houshmand
- Yago Dora x Kanoa Igarashi
- Morgan Cibilic x Leonardo Fioravanti
- Callum Robson x Jake Marshall
- Italo Ferreira x Connor O’Leary
- Samuel Pupo x Griffin Colapinto
- Miguel Pupo x Kauli Vaast
- Barron Mamiya x Gabriel Medina
Carissa Moore vence na única bateria feminina do dia
Depois da conclusão do Round 2 masculino, a WSL conseguiu realizar apenas a primeira bateria da segunda rodada feminina. Carissa Moore superou Sally Fitzgibbons por 12,13 a 11,50.
Moore abriu vantagem com uma onda de 8,33 e completou o somatório com 3,80. A margem foi suficiente para eliminar a australiana e colocar a havaiana na fase seguinte. As sete baterias restantes do Round 2 feminino ficaram pendentes, incluindo a estreia de Luana Silva contra Bettylou Sakura Johnson.
Próxima chamada do Fiji Pro 2026
Está marcada para sexta-feira, 28 de agosto, às 7h no horário local de Fiji. Para o público brasileiro, por causa da diferença de 15 horas em relação ao horário de Brasília, a chamada acontece às 16h desta quinta-feira, 27 de agosto. A organização avaliará as condições de Cloudbreak antes de decidir se haverá competição e qual será o horário de início das baterias.
Caso o evento seja retomado, a programação ainda tem sete baterias do Round 2 feminino antes da continuidade das fases seguintes. Entre elas está Luana Silva contra Bettylou Sakura Johnson. No masculino, o Round 3 já está definido.
A transmissão do Fiji Pro pode ser acompanhada pelas plataformas oficiais da World Surf League, pelo YouTube e site oficial que disponibiliza a cobertura ao vivo do Championship Tour, inclusive em português. A etapa também tem transmissão pelo Sportv.
Previsão das ondas em Cloudbreak
A previsão oficial para o Fiji Pro indica que deve continuar com condições competitivas na sexta-feira, 28 de agosto. Depois do swell mais forte que atingiu a bancada nos dias anteriores, a expectativa é de ondas com faces entre 5 e 8 pés — aproximadamente 1,5 a 2,4 metros de face — durante a manhã, com uma pequena redução ao longo da tarde.
Um novo reforço de swell de sudoeste deve se combinar com a ondulação anterior. A previsão não aponta aumento expressivo de tamanho, mas indica um pouco mais de energia em relação ao fim da quinta-feira e leve aumento do período do swell. Os ventos de sudeste a leste-sudeste devem continuar soprando de lado para offshore, cenário considerado favorável para manter as ondas organizadas em Cloudbreak.
O cenário, portanto, mantém aberta uma boa possibilidade de competição. A sexta-feira aparece na previsão como um possível dia de disputas, enquanto o sábado, 29 de agosto, tende a registrar uma queda mais perceptível, com ondas previstas na faixa de 4 a 6 pés de face. Isso aumenta a importância da avaliação das 7h em Fiji para a WSL decidir quanto da chave poderá colocar na água antes da redução do swell.
Segundo dia consolida o peso de Cloudbreak no Fiji Pro
Mesmo sem repetir o volume de tubos e o tamanho apresentados na abertura, mostrou por que Cloudbreak é capaz de alterar rapidamente uma competição. Filipe Toledo fez 16 pontos e foi eliminado; João Chianca conseguiu um 8,67 e também caiu. Em sentido contrário, Italo Ferreira administrou uma bateria complicada, Samuel Pupo venceu um confronto equilibrado, Miguel Pupo avançou com segurança no placar e Gabriel Medina confirmou presença entre os 16 melhores.
O cenário brasileiro, portanto, permaneceu forte, mas mais enxuto. Dos nomes que chegaram ao Round 2, cinco seguiram para as oitavas: Yago Dora, Italo Ferreira, Samuel Pupo, Miguel Pupo e Gabriel Medina. A partir dali, cada bateria passou a ter peso ainda maior não apenas na disputa pelo título em Fiji, mas também na construção da temporada de 2026 do Championship Tour.
Em uma etapa realizada numa das ondas mais exigentes do planeta, o segundo dia não precisou de condições gigantes para produzir consequências importantes. Cloudbreak ofereceu oportunidades suficientes para separar quem conseguiu reunir duas boas notas de quem, mesmo surfando em alto nível, ficou pelo caminho. Essa combinação de técnica, escolha de onda e pressão competitiva é justamente o que mantém o Fiji Pro como uma das provas mais emblemáticas do calendário mundial.