A 50ª edição do tradicional Memorial Van Damme recebe a grande final da temporada, com os campeões das 32 disciplinas sendo definidos ao longo de duas noites. Não se trata de uma simples continuação da classificação: depois de garantirem vaga por meio dos pontos acumulados nas etapas regulares, os atletas entram na final em uma disputa decisiva pelo título.
O cenário ganha ainda mais peso em 2026 porque a temporada não tem Jogos Olímpicos nem Campeonato Mundial outdoor. Assim, o Diamond Trophy se transforma em um dos principais títulos globais disponíveis no ano. Além da taça, os campeões da série garantem classificação automática para o World Athletics Ultimate Championship, aumentando ainda mais o valor esportivo da decisão de Bruxelas.
PÍu chega à final no ponto mais alto da carreira
Se havia dúvidas sobre quem seria o homem a ser batido nos 400M com barreiras, Alison dos Santos tratou de mudar completamente a hierarquia da prova na última etapa antes da final. Em Zurique, em 27 de agosto, o brasileiro venceu com 45s80 e estabeleceu um novo recorde mundial. A marca derrubou os 45s94 de Karsten Warholm, registrados na histórica final olímpica de Tóquio em 2021. A atuação colocou a etapa suiça entre as noites mais importantes da carreira do brasileiro.
Foi o ápice de uma campanha praticamente impecável de Alison na Diamond League. Ele venceu em Xiamen com 46s72, Estocolmo com 47s11, Oslo com 46s89, Silésia com 46s43 e Zurique com o recorde mundial de 45s80. São cinco vitórias em cinco aparições na disciplina ao longo do circuito de 2026.
A rivalidade com Warholm é um dos grandes atrativos da decisão. Antes mesmo do recorde mundial em Zurique, Alison já havia vencido o norueguês em diferentes encontros da temporada, incluindo os 300 metros com barreiras na etapa chinesa e os 400 metros com barreiras em Xiamen e Oslo. Os dois já estavam matematicamente classificados para Bruxelas, com Warholm buscando seu quarto Diamond Trophy e Alison o terceiro.
A final, porém, não premia a regularidade anterior com vantagem de tempo ou pontos. Alison chega como principal referência da temporada e novo recordista mundial, mas precisará vencer novamente em Bruxelas para ser campeão da Diamond League.
Como funciona a Final
Durante a fase classificatória, cada vitória em uma disciplina da Diamond League vale oito pontos. O segundo colocado recebe sete, o terceiro seis, e assim sucessivamente até o oitavo, que soma um ponto.
As vagas para a final variam conforme o tipo de prova. Nos eventos de campo avançam os seis melhores da classificação; nas provas de pista entre 100 e 800 metros, os oito melhores; e nas provas de 1.500 metros e distâncias superiores, dez atletas. Wildcards nacionais ou globais também podem completar determinadas provas.
Os pontos, entretanto, servem para chegar a Bruxelas. Na decisão, o formato é direto: quem vencer sua prova fica com o Diamond Trophy. Por isso, um atleta que dominou todas as etapas regulares ainda pode terminar a temporada sem o título da série.
Provas da Final da Diamond League 2026
A decisão em Bruxelas terá 32 provas valendo o Diamond Trophy, sendo 16 masculinas e 16 femininas.
Provas masculinas:
- 100 metros
- 200 metros
- 400 metros
- 800 metros
- 1.500 metros
- 5.000 metros
- 3.000 metros com obstáculos
- 110 metros com barreiras
- 400 metros com barreiras
- Salto em altura
- Salto com vara
- Salto em distância
- Salto triplo
- Arremesso de peso
- Lançamento de disco
- Lançamento de dardo
Provas femininas:
- 100 metros
- 200 metros
- 400 metros
- 800 metros
- 1.500 metros
- 5.000 metros
- 3.000 metros com obstáculos
- 100 metros com barreiras
- 400 metros com barreiras
- Salto em altura
- Salto com vara
- Salto em distância
- Salto triplo
- Arremesso de peso
- Lançamento de disco
- Lançamento de dardo
As 32 finais serão distribuídas entre os dias 4 e 5 de setembro, no Estádio Rei Baudouin, em Bruxelas. Cada uma definirá diretamente o campeão da Diamond League 2026 em sua respectiva disciplina.
Os atletas com mais vitórias no ano
A temporada produziu alguns domínios impressionantes. Entre os nomes com maior número de vitórias confirmadas nas etapas da Diamond League antes da final, Masai Russell aparece com uma das campanhas mais fortes.
Masai Russell — 6 vitórias nos 100m com barreiras
A norte-americana ganhou em Keqiao, Xiamen, Eugene, Mônaco, Lausanne e Zurique. A última vitória foi histórica: 12s09, novo recorde mundial dos 100 metros com barreiras. A antiga marca era 12s12, de Tobi Amusan.
Alison dos Santos — 5 vitórias nos 400m com barreiras
O brasileiro venceu Xiamen, Estocolmo, Oslo, Silésia e Zurique. Terminou a fase regular invicto em suas cinco aparições nos 400 metros com barreiras e fechou a sequência com o recorde mundial.
Audrey Werro — 5 vitórias nos 800m
A suíça ganhou em Rabat, Estocolmo, Paris, Lausanne e Zurique. Na última etapa marcou 1min53s70, melhorando novamente o recorde da Diamond League e assumindo uma das posições mais altas da história da prova.
Emma Zapletalová — 5 vitórias nos 400m com barreiras
A eslovaca dominou boa parte da temporada feminina da prova, vencendo Rabat, Roma, Oslo, Doha e Lausanne. Em Doha marcou 52s30, então a melhor marca mundial da temporada. Sua sequência de triunfos terminou em Zurique, onde Anna Cockrell venceu com 52s13.
Julien Alfred — 5 vitórias entre 100m e 200m
A campeã olímpica de Santa Lúcia mostrou versatilidade ao longo da temporada. Venceu os 200 metros em Roma, Mônaco e Londres e os 100 metros em Oslo e Zurique. Seu 21s51 nos 200 metros em Mônaco aparece como uma das grandes marcas do ano.
Esses números ajudam a explicar por que a Final da Diamond League não é apenas uma reunião de estrelas. Em várias provas, Bruxelas coloca frente a frente atletas que passaram meses vencendo e quebrando recordes em diferentes continentes.
Duplantis continua sendo o homem a bater no salto com vara
Mesmo em uma temporada em que sofreu derrotas pontuais, Mondo Duplantis chega novamente como grande favorito ao salto com vara. O sueco busca o sexto título consecutivo da Diamond League.
Ele estabeleceu em março um recorde mundial de 6,31M em Uppsala e voltou a mostrar nível extraordinário durante a temporada. Em Lausanne, por exemplo, saltou 6,21M em uma competição de altíssimo nível contra Emmanouil Karalis. Para a final, o grego, Kurtis Marschall e Sam Kendricks estão entre os principais desafiantes.
O sueco também persegue uma marca histórica dentro da competição. Ele já possui cinco Diamond Trophies consecutivos e tenta diminuir a distância para o recorde de sete títulos da série.
Os 100m com barreiras com outra prova imperdível
Poucos confrontos chegam tão carregados de expectativa quanto os 100 metros com barreiras feminino. Masai Russell dominou o circuito, venceu seis etapas e chegou a Zurique para correr 12s09, tornando-se a mulher mais rápida da história da prova.
Tobi Amusan, agora ex-recordista mundial, também está confirmada em Bruxelas. A nigeriana é tricampeã da Diamond League e ainda representa uma ameaça real em uma final sem margem para erro. A combinação entre Russell e Amusan coloca a prova entre os eventos centrais do segundo dia.
Werro contra uma elite histórica nos 800 metros
A temporada de Audrey Werro é outro caso de domínio. A suíça chega à final após cinco vitórias na Diamond League e com 1min53s70 como melhor marca pessoal e recorde da série.
Mas o campo de Bruxelas é fortíssimo. Keely Hodgkinson, campeã olímpica, Femke Broeders-Bol e a queniana Lilian Odira, campeã mundial, estão confirmadas para a prova. Werro derrotou várias das principais adversárias ao longo do ano, mas precisará repetir o desempenho justamente na corrida que vale o troféu.
A referência dos 200 metros
No feminino, Julien Alfred construiu uma temporada que a coloca naturalmente entre as favoritas da final. A velocista venceu as etapas de Roma, Mônaco e Londres na distância e marcou 21s51 em Mônaco.
A campeã olímpica dos 100 metros já possui dois títulos da Diamond League, ambos conquistados na prova dos 100 metros. Bruxelas oferece a oportunidade de conquistar o primeiro Diamond Trophy da carreira nos 200 metros.
Outros nomes para acompanhar
Emmanuel Wanyonyi também chega cercado de expectativa. O queniano, campeão olímpico e mundial dos 800 metros, estabeleceu em Mônaco o recorde mundial dos 1.000 metros com 2min11s83 e tenta conquistar o quarto Diamond Trophy consecutivo nos 800 metros.
Nos 400 metros masculino, Busang Collen Kebinatshipi construiu uma campanha marcante. A organização de Bruxelas registrava o botsuanês invicto na temporada depois de vitórias em Xiamen, Paris, Eugene e Mônaco, incluindo 43s44 em Mônaco.
Nos 110 metros com barreiras, Ja’Kobe Tharp chega como outro recordista mundial presente na final. O norte-americano correu 12s75 em junho e ainda venceu provas da Diamond League em Londres e Silésia.
O jamaicano Oblique Seville aparece entre os grandes nomes dos 100 metros, enquanto Marileidy Paulino chega à decisão feminina dos 400 metros depois de permanecer invicta nas provas da Diamond League disputadas em 2026 até a reta final do circuito.
Quanto paga a Final da Diamond League 2026
A premiação é um dos grandes atrativos da decisão em Bruxelas. Ao todo, a Diamond League distribui US$ 9,24 milhões em prêmios ao longo da temporada de 2026.
Premiação geral da temporada
- Total distribuído em 2026: US$ 9,24 milhões
- Cada uma das 14 etapas classificatórias: US$ 500 mil
- Final da Diamond League em Bruxelas: US$ 2,24 milhões
Premiação nas disciplinas regulares da final
- Campeão — US$ 30 mil
- Vice-campeão — US$ 12 mil
- Terceiro colocado — US$ 7 mil
Premiação nas provas Diamond+
- Campeão — US$ 60 mil
- Vice-campeão — US$ 20 mil
- Terceiro colocado — US$ 9 mil
No total, cada disciplina da final distribui entre US$ 60 mil e US$ 100 mil, dependendo de sua categoria. A premiação segue a mesma tabela para homens e mulheres.
Onde assistir à Final da Diamond League 2026
Até o momento, a organização ainda não publicou o guia específico de transmissão da decisão para o Brasil. A direção costuma divulgar, próximo às etapas, a relação oficial de emissoras e plataformas disponíveis em cada território, não tendo disponibilizado até o fechamento desta matéria, mas será atualizada assim que houver confirmação.
Uma temporada marcada por recordes
A Final da Diamond League 2026 chega com um nível raro de performances recentes. Alison dos Santos e Masai Russell quebraram recordes mundiais na mesma noite em Zurique. Audrey Werro, Duplantis, Wanyonyi quebrou o recorde mundial dos 1.000 metros. Ja’Kobe Tharp redefiniu os 110 metros com barreiras.
Para o Brasil, a principal atenção estará inevitavelmente sobre Alison. O atleta que já vinha sendo protagonista em diferentes etapas e chega a Bruxelas não apenas como candidato ao título, mas como o novo parâmetro mundial dos 400 metros com barreiras.
Alison já conquistou o Diamond Trophy em 2022 e 2024. Em 2026, tem a oportunidade de levantar a taça pela terceira vez justamente depois da temporada em que tomou para si o recorde mundial da prova. É esse contraste entre regularidade e decisão única que torna a final tão atraente: meses de resultados levam os melhores até Bruxelas, mas uma única corrida, salto ou lançamento separa uma grande temporada de um título da Diamond League.