O próximo compromisso da temporada 2026 da Fórmula 1 será o GP da Hungria, marcado para o fim de semana de 24 a 26 de julho. A corrida será disputada no Hungaroring, circuito localizado em Mogyoród, nos arredores de Budapeste, e válido pela 11ª etapa do campeonato.
A categoria chega à Hungria logo depois do GP da Bélgica, vencido por Kimi Antonelli. Charles Leclerc terminou em segundo, Max Verstappen completou o pódio e o brasileiro Gabriel Bortoleto conquistou a oitava posição. O resultado ampliou a vantagem de Antonelli na liderança do Mundial e elevou o peso estratégico da prova húngara antes da pausa de quase um mês no calendário.
Programação do final de semana
Seguirá o formato tradicional da Fórmula 1, com três treinos livres, classificação e corrida. Não haverá prova sprint no Hungaroring.
Cronograma pelo horário de Brasília:
Sexta-feira, 24 de julho
- Treino livre 1 — 8h30
- Treino livre 2 — 12h
Sábado, 25 de julho
- Treino livre 3 — 7h30
- Classificação — 11h
Domingo, 26 de julho
- Corrida — 10h
Onde assistir
A corrida do GP da Hungria terá transmissão da TV Globo na televisão aberta. O sportv3 exibirá as atividades do fim de semana na televisão por assinatura, enquanto o Globoplay também integra a cobertura digital. Outra alternativa oficial é o F1 TV Pro, serviço de streaming da própria categoria.
A programação das emissoras pode sofrer ajustes, principalmente nos períodos anteriores aos treinos livres. A Fórmula 1 mantém TV Globo e sportv como detentores oficiais dos direitos de transmissão no Brasil em 2026.
Como está o campeonato entre pilotos
Kimi Antonelli chega ao Hungaroring como líder do Mundial, o italiano mantém a liderança depois de dez etapas, logo atrás vem Lewis Hamilton, vice-líder.
As primeiras posições são:
- Kimi Antonelli — Mercedes — 204 pontos
- Lewis Hamilton — Ferrari — 159 pontos
- George Russell — Mercedes — 154 pontos
- Charles Leclerc — Ferrari — 126 pontos
- Lando Norris — McLaren — 103 pontos
- Oscar Piastri — McLaren — 92 pontos
- Max Verstappen — Red Bull — 91 pontos
Antonelli assumiu uma condição confortável, mas a pontuação ainda permite mudanças importantes. Hamilton e Russell estão separados por apenas cinco pontos, enquanto Leclerc tenta reduzir a distância depois de terminar em segundo lugar na Bélgica.
No Mundial de Construtores, a Mercedes lidera com 358 pontos. A Ferrari ocupa a segunda colocação, com 285, seguida por McLaren, com 195, e Red Bull, com 151. A vantagem de 73 pontos coloca a Mercedes em situação forte, embora o Hungaroring ofereça um desafio diferente dos circuitos de alta velocidade encontrados nas etapas anteriores.
Por que o Hungaroring é tão diferente
O traçado tem 4,381 quilômetros de extensão e recebe a Fórmula 1 desde 1986. A primeira corrida da categoria no circuito foi vencida pelo brasileiro Nelson Piquet, que superou Ayrton Senna em uma disputa histórica pela liderança.
Ele é formado por uma sequência intensa de curvas, com poucas retas longas e raros momentos de descanso para os pilotos. Essa característica fez o circuito ganhar comparações com uma pista de kart e o apelido de “Mônaco sem muros”.
Ao contrário de Spa-Francorchamps, onde velocidade final e eficiência nas retas têm enorme importância, o Hungaroring exige alto nível de pressão aerodinâmica. Os carros precisam mudar rapidamente de direção e manter estabilidade nas curvas médias e lentas.
O circuito possui 14 curvas e uma reta principal que representa a principal oportunidade de ultrapassagem. Fora desse trecho, seguir outro carro de perto pode ser complicado.
Classificação pode decidir o fim de semana
A posição de largada costuma ter peso especial no GP da Hungria. Como as ultrapassagens são difíceis, largar entre os primeiros permite controlar o ritmo, proteger os pneus e definir o momento das paradas nos boxes.
Um piloto preso atrás de um carro mais lento pode perder várias voltas mesmo tendo mais velocidade. Nesses casos, as equipes procuram antecipar a parada para realizar o undercut: o competidor coloca pneus novos, registra voltas mais rápidas e tenta ganhar a posição quando o adversário também entra nos boxes.
A alternativa é prolongar o primeiro trecho da prova, buscando pneus mais novos na parte final. Essa escolha, porém, depende do desgaste, do tráfego e da possibilidade de entrar na pista atrás de outros carros.
A classificação do sábado, portanto, não será apenas uma disputa pela pole position. Ela poderá definir quais pilotos terão liberdade estratégica e quais dependerão de uma largada agressiva, de uma parada perfeita ou de acontecimentos externos para avançar.
Calor e desgaste dos pneus
O GP da Hungria é tradicionalmente realizado durante o verão europeu. As temperaturas elevadas podem aumentar o desgaste dos pneus e transformar o gerenciamento térmico em uma preocupação central.
O Hungaroring não apresenta apenas curvas isoladas. Muitas delas estão conectadas, o que dificulta o resfriamento dos pneus durante a volta. Quando um piloto força demais no início de um trecho, pode perder aderência nas curvas seguintes e comprometer o tempo total.
As equipes também precisam cuidar da refrigeração dos carros. Seguir um adversário de perto reduz o fluxo de ar recebido pelo sistema de freios e pela unidade de potência. Em uma prova quente e disputada, esse detalhe pode obrigar os pilotos a aumentar a distância para preservar o equipamento.
Os favoritos
O líder Kimi Antonelli será naturalmente um dos principais nomes do fim de semana. O piloto da Mercedes venceu seis das dez primeiras etapas de 2026 e construiu sua liderança com velocidade tanto em classificação quanto em ritmo de corrida.
Lewis Hamilton também carrega uma relação especial com o Hungaroring. O britânico venceu oito vezes o GP da Hungria e é o maior vencedor da história da prova. Uma nova vitória representaria seu nono triunfo no circuito e reforçaria sua tentativa de reduzir a diferença para Antonelli no campeonato.
George Russell aparece como outra ameaça da Mercedes. Apesar do abandono na Bélgica, o britânico está apenas cinco pontos atrás de Hamilton e ainda ocupa posição forte na disputa pelo título. Charles Leclerc, segundo colocado em Spa, chega como alternativa importante da Ferrari em uma pista na qual a estabilidade do carro nas curvas pode ser mais relevante que a velocidade máxima.
McLaren e Red Bull também entram na disputa. Lando Norris venceu a edição de 2025 do GP da Hungria, enquanto Oscar Piastri e Max Verstappen possuem carros capazes de disputar as primeiras filas caso encontrem equilíbrio nos treinos.
Gabriel Bortoleto tenta manter sequência de pontos
O piloto brasileiro chega ao GP da Hungria em seu melhor momento na temporada. Ele terminou em oitavo lugar nos GPs da Inglaterra e da Bélgica, conquistando pontos em duas corridas consecutivas com a Audi.
Com dez pontos, Bortoleto ocupa a 14ª posição do Mundial de Pilotos e é o único representante da Audi que pontuou até o momento. A equipe está em nono lugar no campeonato de construtores, também com dez pontos.
O Hungaroring representa um teste diferente para o carro alemão. A Audi mostrou evolução nas etapas recentes, mas terá de provar que o desempenho não estava ligado apenas às características de Silverstone e Spa. Uma boa classificação será especialmente importante para Bortoleto, já que partir no meio do pelotão aumenta o risco de ficar preso no tráfego.
A história do GP da Hungria
Realizado pela primeira vez em 1986, marcou a expansão da Fórmula 1 para o Leste Europeu. A etapa foi a primeira da categoria disputada atrás da antiga Cortina de Ferro e rapidamente se estabeleceu no calendário.
Além da vitória inaugural de Nelson Piquet, o circuito recebeu momentos importantes da carreira de vários campeões. Fernando Alonso conquistou no Hungaroring sua primeira vitória na Fórmula 1, em 2003. Jenson Button também conseguiu no local seu primeiro triunfo, em 2006, em uma corrida marcada pela chuva.
Lewis Hamilton tornou-se o maior vencedor da prova, com oito triunfos. Ayrton Senna venceu três vezes na Hungria, em 1988, 1991 e 1992. A combinação de pista estreita, desgaste de pneus e dificuldade de ultrapassagem ajudou a construir uma tradição de corridas decididas por estratégia, precisão e resistência.
O que esperar do GP
Coloca a temporada diante de um desafio técnico particular. A Mercedes chega como referência dos campeonatos de pilotos e construtores, mas Ferrari, McLaren e Red Bull encontram no Hungaroring uma oportunidade de aproximar a disputa.
A pista tende a premiar carros equilibrados, pilotos precisos e equipes capazes de reagir rapidamente às mudanças estratégicas. A pole position terá valor enorme, mas a vitória também dependerá do controle de pneus, do momento das paradas e da capacidade de atravessar o tráfego.
Para Antonelli, a missão será preservar ou ampliar a liderança. Hamilton, Russell e Leclerc precisam transformar o circuito técnico em uma oportunidade de reduzir a diferença. Bortoleto, por sua vez, buscará confirmar a evolução da Audi e alcançar sua terceira corrida consecutiva dentro da zona de pontuação.
Em um traçado no qual velocidade pura não resolve todos os problemas, o GP da Hungria promete ser uma prova de paciência, execução e inteligência — três elementos que historicamente fazem do Hungaroring uma das etapas mais estratégicas da Fórmula 1.