Os Jogos Sul-Americanicanos Santa Fé 2026 chegaram ao fim. A última jornada de competições foi realizada no sábado, 26 de setembro, e o domingo, 27, amanheceu com o balanço definitivo de uma campanha de amplo domínio brasileiro. Disputada nas cidades argentinas de Santa Fé, Rosário e Rafaela, a competição reuniu mais de 4 mil atletas de 15 países, distribuídos por 43 esportes e 60 disciplinas.
O Brasil terminou no primeiro lugar do quadro de medalhas com 312 pódios. A Argentina, anfitriã dos Jogos, ficou em segundo com 81 ouros, enquanto a Colômbia completou o top 3 com 69 títulos. A diferença de 41 medalhas de ouro entre brasileiros e argentinos dimensiona o desempenho do Time Brasil em Santa Fé.
Mais do que vencer o quadro geral, o país conseguiu distribuir resultados por praticamente toda a delegação. O Time Brasil chegou ao pódio em cerca de 90% das 52 modalidades nas quais participou. A competição também serviu diretamente ao planejamento para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 e para a sequência do ciclo olímpico até Los Angeles 2028.
Classificação final dos Jogos Sul-Americanos 2026:
- 1. Brasil — 122 ouros, 107 pratas, 83 bronzes — 312 medalhas
- 2. Argentina — 81 ouros, 87 pratas, 125 bronzes — 293
- 3. Colômbia — 69 ouros, 61 pratas, 62 bronzes — 192
- 4. Chile — 49 ouros, 58 pratas, 68 bronzes — 175
- 5. Venezuela — 48 ouros, 43 pratas, 55 bronzes — 146
- 6. Peru — 28 ouros, 32 pratas, 39 bronzes — 99
- 7. Uruguai — 17 ouros, 14 pratas, 23 bronzes — 54
- 8. Equador — 16 ouros, 27 pratas, 39 bronzes — 82
- 9. Paraguai — 9 ouros, 9 pratas, 19 bronzes — 37
- 10. Panamá — 5 ouros, 3 pratas, 8 bronzes — 16
Natação foi uma das grandes máquinas de medalhas brasileiras
Poucas modalidades contribuíram tanto para o domínio brasileiro quanto a natação. O país conquistou 29 títulos em 42 provas disputadas e terminou a modalidade com 54 medalhas no total. Stephan Steverink apareceu entre os grandes nomes da campanha brasileira na piscina.
Somados, natação e atletismo responderam por aproximadamente 30% das medalhas conquistadas pelo Brasil em Santa Fé. O atletismo fechou sua participação com 38 pódios, incluindo 14 ouros.
Alison dos Santos também deixa sua marca
Entre os nomes mais conhecidos da delegação estava a estrela mundial do atletismo. Piu disputou os 400 metros rasos e venceu a final com 44s61. Antes disso, nas eliminatórias, havia marcado 44s99 e estabelecido um novo recorde dos Jogos Sul-Americanos na prova.
O resultado amplia uma temporada de protagonismo do brasileiro, que também apareceu em importantes etapas internacionais ao longo de 2026, incluindo o novo Recorde Mundial dos 400m com barreiras, conquistado na etapa da Diamond League em Zurique.
Recordes reforçam campanha histórica do Brasil
Além do domínio no quadro de medalhas, o país também deixou marcas importantes nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026. Atletas brasileiros estabeleceram novos recordes da competição no atletismo e na natação, enquanto Caio Bonfim alcançou uma marca de nível continental na marcha atlética.
Entre os recordes brasileiros confirmados em Santa Fé estão:
- Alison dos Santos — 400m rasos: 44s61 na final, novo recorde dos Jogos Sul-Americanos. Piu já havia quebrado a marca nas eliminatórias, com 44s99, e voltou a baixá-la na decisão pelo ouro.
- Matheus Lima — 400m com barreiras: 48s58 na final, novo recorde dos Jogos. O brasileiro também havia superado a antiga marca nas eliminatórias, quando correu em 49s10.
- Vitória Sena — 100m com barreiras: 13s05 na conquista da medalha de ouro, estabelecendo novo recorde dos Jogos Sul-Americanos.
- Elton Petronilho — salto triplo: 16,84m, marca que garantiu o ouro e estabeleceu novo recorde da competição.
- João Gomes — 50m peito: 27s13 na natação, tempo que valeu a medalha de ouro e o novo recorde dos Jogos Sul-Americanos.
- Caio Bonfim — marcha atlética de 21,097 km em pista: 1h22min30s10. Neste caso, o resultado ultrapassou o âmbito dos Jogos: o brasileiro estabeleceu novo recorde sul-americano da distância disputada em pista.
A ginástica rítmica brasileira também registrou uma marca expressiva. O conjunto fez 29.550 pontos na série mista de três arcos e duas maças, resultado apontado pelo Comitê Olímpico do Brasil como a maior nota mundial do ciclo até aquele momento.
Os resultados mostram que a campanha brasileira em Santa Fé não foi construída apenas pelo volume de medalhas. Em diferentes modalidades, o país também produziu performances capazes de atualizar marcas históricas da competição e, no caso de Caio Bonfim, estabelecer um novo parâmetro sul-americano.
Judô brasileiro teve campanha quase perfeita
Se a natação impressionou pelo volume, o judô chegou muito perto da perfeição. O Brasil conquistou medalha em todas as 15 disputas da modalidade: foram 12 ouros, uma prata e dois bronzes.
A campanha terminou com o título por equipes mistas após vitória brasileira sobre o Peru por 4 a 0 na final. Foi a melhor campanha brasileira na história dos Jogos Sul-Americanos considerando o atual formato de categorias e a disputa por equipes.
Ginástica rítmica confirma grande fase
Foi outro desempenho de destaque. No último dia da modalidade, o Brasil conquistou todos os ouros disponíveis. Bárbara Domingos, Geovanna Santos e Maria Eduarda Alexandre dividiram conquistas nas provas individuais, enquanto o conjunto brasileiro venceu a série mista de três arcos e duas maçãs.
Badminton encerra os Jogos com domínio brasileiro
O fechamento da competição ainda reservou outra campanha de enorme eficiência. O badminton terminou Santa Fé 2026 com dez medalhas, sendo seis de ouro e quatro de prata. Juliana Viana, Sânia Lima e Davi Silva conquistaram três títulos cada.
Brasileiros que conquistaram mais de uma medalha em Santa Fé 2026
Além do volume coletivo, a campanha brasileira também teve atletas que subiram repetidamente ao pódio. Entre os casos confirmados, Stephan Steverink foi um dos maiores destaques individuais de toda a delegação, com seis medalhas na natação.
- Stephan Steverink, natação — 6 medalhas: 4 ouros, 1 prata e 1 bronze
- Maria Eduarda Alexandre, ginástica rítmica — 5 medalhas: 3 ouros e 2 pratas
- Geovanna Santos, ginástica rítmica — 3 medalhas: 1 ouro e 2 pratas
- Juliana Viana, badminton — 3 medalhas de ouro
- Sânia Lima, badminton — 3 medalhas de ouro
- Davi Silva, badminton — 3 medalhas de ouro
- Beatriz Dizotti, natação — pelo menos 3 medalhas: ouro nos 1.500m livre, prata nos 800m livre e bronze nos 400m livre
- Gabriela Roncatto, natação — pelo menos 3 medalhas: ouro nos 800m livre e no revezamento 4x200m livre, além da prata nos 200m livre
- Bárbara Domingos, ginástica rítmica — 2 medalhas: 1 ouro e 1 prata
- David Souza, remo de praia — 2 medalhas de ouro, no individual e nas duplas masculinas ao lado de Yan Costa
- Anja Köhler, escalada esportiva — 2 medalhas: ouro no boulder e prata no lead
- Ana Freire, remo de praia — 2 medalhas de bronze, no individual e nas duplas femininas
Steverink terminou sua participação com quatro títulos, nos 200m livre, 400m livre, 400m medley e revezamento 4x200m livre, além da prata nos 800m livre e do bronze nos 1.500m livre.
Apesar do domínio brasileiro no quadro geral, a atleta com mais medalhas que se destacou no balanço individual foi a nadadora argentina Cecilia Dieleke, de apenas 16 anos. Ela conquistou sete medalhas em sete provas disputadas, superando o total de seis pódios de Stephan Steverink.
- Cecilia Dieleke, Argentina — 7 medalhas: 3 ouros, 3 pratas e 1 bronze
Os três títulos de Dieleke vieram nos 50m costas, 100m costas e revezamento 4x100m medley feminino. A argentina ainda conquistou pratas nos 200m costas, 4x100m livre feminino e 4x100m medley misto, além do bronze no revezamento 4x200m livre feminino.
Assim, mesmo com o Brasil dominando amplamente o quadro de medalhas por países, a argentina terminou com uma medalha a mais no total individual do que Steverink. O brasileiro, porém, conquistou mais ouros: foram quatro títulos contra três da nadadora argentina..
Última medalha de ouro também ficou com o Brasil
Até o encerramento reservou protagonismo brasileiro. Na última decisão de Santa Fé 2026, a equipe masculina de tênis de mesa formada por Felipe Arado Doti, Guilherme Teodoro e Leonardo Iizuka derrotou o Peru por 8 a 2 na final.
Além do ouro, o resultado garantiu ao Brasil mais uma vaga para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2027. No feminino, Beatriz Kanashiro, Giulia Takahashi e Victoria Strassburger conquistaram a medalha de prata por equipes.
Santa Fé também abre caminho para Lima 2027
O quadro de medalhas não foi o único objetivo brasileiro na Argentina, foram 77 atletas do país que garantiram vagas para Lima 2027. Em modalidades que incluem águas abertas, atletismo, boliche, escalada, hipismo, karatê, pelota basca, polo aquático, saltos ornamentais, tênis de mesa, tiro com arco, triatlo e vela.
O resultado ganha peso porque Santa Fé 2026 funciona como uma das principais etapas continentais do ciclo. A delegação brasileira combinou atletas consolidados internacionalmente com uma nova geração que começa a ganhar espaço em competições adultas. Um dos exemplos foi Duda Ribeiro: aos 16 anos, ela conquistou o ouro no skate street feminino, enquanto Gabi Mazetto ficou com o bronze.
O balanço final deixa um cenário bastante claro. O Brasil não apenas venceu o quadro de medalhas dos Jogos Sul-Americanos de 2026, mas construiu a liderança em diferentes modalidades, ultrapassou novamente a marca de 300 pódios e saiu da Argentina com novas classificações para Lima 2027.
A partir de agora, parte desses resultados deixa de valer apenas como medalha sul-americana e passa a servir de base para o próximo objetivo: transformar a vantagem regional em desempenho nos Jogos Pan-Americanos de 2027 e, posteriormente, no caminho até Los Angeles 2028.