Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Marta: carreira, títulos, recordes da Rainha do Futebol

De Dois Riachos, em Alagoas, para o topo do futebol mundial: conheça a trajetória de Marta Vieira da Silva, os recordes em Copas do Mundo, as conquistas pela Seleção Brasileira e pelos clubes e o impacto de uma das maiores jogadoras da história.

Por Corte dos Esportes · 01/09/2026 · Categoria: Futebol
Marta com a camisa amarela número 10 da Seleção Brasileira em ação com a bola.
Marta em ação pela Seleção Brasileira contra o Japão. Foto: Amy Pearson/Wikimedia Commons.

Poucos nomes atravessaram gerações no futebol feminino com a força de Marta. Técnica, velocidade, capacidade de criação, drible, gols decisivos e uma longevidade extraordinária transformaram a brasileira em uma referência que ultrapassa os limites da Seleção Brasileira. Para a FIFA, ela se tornou seis vezes a melhor jogadora do mundo e estabeleceu marcas que permanecem entre as mais importantes da história do esporte.

A dimensão da carreira pode ser medida pelos números, mas não se explica apenas por eles. Marta surgiu em um período no qual o futebol feminino brasileiro ainda convivia com enormes limitações de estrutura, exposição e oportunidades. Sua ascensão internacional ajudou a transformar a camisa 10 brasileira em um símbolo mundial e abriu referências para meninas que passaram a enxergar o futebol também como possibilidade de carreira.

Nascida em 19 de fevereiro de 1986, em Dois Riachos, no interior de Alagoas, ela saiu ainda adolescente em busca da oportunidade de jogar profissionalmente. Aos 14 anos, chegou ao Rio de Janeiro para tentar espaço no Vasco da Gama. Era o começo de uma trajetória que levaria uma garota do interior alagoano aos maiores palcos do esporte.

O início da ascensão

O Vasco foi a porta de entrada de Marta no futebol de maior estrutura. Depois da passagem pelo clube carioca e pelo Santa Cruz, ela recebeu a oportunidade que mudaria definitivamente o rumo de sua carreira: atuar no Umeå IK, da Suécia.

Ela chegou ao futebol sueco em 2004, aos 18 anos. A adaptação foi praticamente imediata. Logo naquele primeiro ano, foi protagonista do título europeu do Umeå na então Copa da UEFA Feminina, atual Champions League Feminina. Na decisão contra o 1. FFC Frankfurt, marcou três vezes nos dois jogos da final, incluindo dois gols na vitória por 3 a 0 na primeira partida.

A Suécia se transformou em um dos territórios mais importantes de sua carreira. Com o Umeå, Marta também participou da sequência de conquistas do Campeonato Sueco entre 2005 e 2008. Foi nesse período que deixou de ser apenas uma grande promessa brasileira para se consolidar entre as principais jogadoras do planeta.

Hexa de melhor do Mundo

Marta construiu um dos maiores domínios individuais da história do futebol feminino ao conquistar seis vezes o principal prêmio da FIFA de melhor jogadora do mundo.

A brasileira venceu a premiação cinco vezes consecutivas. O sexto troféu veio em 2018, quando Marta voltou ao topo do futebol mundial anos depois de sua sequência histórica.

  • 2006
  • 2007
  • 2008
  • 2009
  • 2010
  • 2018

A sequência ajuda a compreender o domínio exercido pela brasileira durante seu auge. Marta conseguia reunir características normalmente distribuídas entre diferentes tipos de jogadoras: tinha aceleração para atacar espaços, drible para superar adversárias no confronto individual, visão para criar oportunidades e qualidade técnica suficiente para decidir também como finalizadora.

Sua melhor versão não dependia exclusivamente de marcar. Marta podia atuar próxima da área, sair para construir, buscar a bola entre as linhas ou partir em velocidade pelos lados. Essa variedade fez da camisa 10 uma jogadora difícil de encaixar em uma única função.

O primeiro mundial disputado

Se existe uma competição que resume o impacto técnico de Marta em seu auge, é a Copa do Mundo Feminina de 2007, disputada na China.

A Seleção Brasileira chegou pela primeira vez à final do Mundial feminino, e Marta terminou o torneio com sete gols. A brasileira recebeu a Bola de Ouro de melhor jogadora da competição e a Chuteira de Ouro como principal artilheira.

Um dos grandes momentos daquela campanha ocorreu na semifinal contra os Estados Unidos. Na vitória brasileira por 4 a 0, Marta marcou um gol que atravessou o tempo como uma das jogadas mais emblemáticas de sua carreira: dominou sob marcação, deixou adversárias para trás e finalizou para completar uma atuação histórica.

O Brasil acabou derrotado pela Alemanha na decisão, mas aquela Copa consolidou mundialmente a imagem da brasileira. Para quem acompanha a história da Copa do Mundo Feminina, a edição de 2007 é também um capítulo fundamental da maior campanha brasileira no torneio até então.

A maior artilheira da história das Copas do Mundo

Marta disputou seis edições do Mundial Feminino e construiu a maior marca de gols da história do torneio. Foram 23 partidas e 17 gols em Mundiais.

As participações de Marta em Copas do Mundo:

  • 2003 — 3 gols
  • 2007 — 7 gols
  • 2011 — 4 gols
  • 2015 — 1 gol
  • 2019 — 2 gols
  • 2023 — nenhum gol

Com esses números, Marta tornou-se a maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina. A marca ganha ainda mais dimensão quando comparada aos maiores artilheiros da história das Copas do Mundo, lista que reúne os principais goleadores do torneio masculino ao longo das edições.

A brasileira ainda estabeleceu outra marca histórica ao balançar as redes em cinco edições diferentes do Mundial: 2003, 2007, 2011, 2015 e 2019.

Os Jogos Olímpicos

As Olimpíadas formam outro capítulo central da história de Marta com a Seleção Brasileira.

A camisa 10 conquistou três medalhas de prata: Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Entre a primeira e a terceira medalha olímpica existe um intervalo de 20 anos, um retrato raro de permanência em alto nível.

Marta também fez história ao marcar em cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos. A capacidade de permanecer relevante em diferentes gerações da Seleção é uma das características mais impressionantes de sua trajetória.

Em Paris 2024, já veterana e cercada por uma geração renovada, participou de mais uma campanha brasileira até a decisão. O Brasil terminou novamente com a prata, depois de chegar à final contra os Estados Unidos.

O futuro com a Copa do Mundo de 2027

A possibilidade de Marta disputar a sétima Copa do Mundo permanece aberta. A brasileira, que terá 41 anos durante o Mundial de 2027, realizado no Brasil, ainda não tem presença garantida, mas segue nos planos do técnico Arthur Elias.

Em agosto de 2026, o treinador afirmou que Marta será avaliada de acordo com seu desempenho pelo Orlando Pride e que sua participação dependerá das condições apresentadas mais perto da competição. A própria jogadora também não anunciou aposentadoria e já admitiu que a possibilidade de disputar uma Copa do Mundo em casa tem um significado especial.

Caso seja convocada, ela poderá disputar seu sétimo Mundial, depois de participar das edições de 2003, 2007, 2011, 2015, 2019 e 2023, adicionando mais um capítulo histórico a uma carreira que já atravessa mais de duas décadas na Seleção Brasileira.

Os títulos com a Seleção

Embora a Copa do Mundo e o ouro olímpico tenham escapado, Marta construiu uma coleção importante de conquistas pela Seleção Brasileira.

Ela foi campeã da Copa América Feminina em 2003, 2010 e 2018 e voltou a levantar o troféu na edição de 2025. Também conquistou os Jogos Pan-Americanos de 2003 e 2007.

A Copa América de 2025 acrescentou um dos capítulos mais dramáticos de toda a trajetória da camisa 10. Na final contra a Colômbia, o jogo terminou empatado em 4 a 4 depois da prorrogação. Marta marcou duas vezes: primeiro, aos 51 minutos do segundo tempo, com um chute de fora da área que levou a decisão para a prorrogação; depois, voltou a balançar a rede no tempo extra. O Brasil venceu a disputa por pênaltis por 4 a 3, conquistou seu nono título continental e Marta terminou eleita a melhor jogadora do torneio.

Foi mais uma demonstração de uma característica presente em toda a sua carreira: a capacidade de aparecer em partidas grandes mesmo depois de décadas atuando em alto nível.

História pelos clubes

A carreira não ficou restrita à Seleção. Ela construiu uma trajetória internacional com passagens por diferentes mercados e ajudou clubes a conquistar títulos importantes.

Depois do sucesso na Suécia, atuou no futebol dos Estados Unidos e também retornou temporariamente ao Brasil para defender o Santos. Em 2009, fez parte da geração das Sereias da Vila que conquistou a primeira edição da Copa Libertadores Feminina. Na final, o Santos goleou a Universidad Autónoma, do Paraguai, por 9 a 0 na Vila Belmiro, com Marta também marcando.

A partir de 2017, a ligação com o Orlando Pride se tornou outro capítulo de enorme peso. Marta atravessou diferentes fases da equipe até ser capitã na temporada histórica de 2024, quando o clube conquistou o NWSL Shield e o NWSL Championship. O Pride terminou aquele ano com os dois principais troféus nacionais, e Marta ainda foi incluída na seleção das melhores jogadoras da liga.

Clubes na carreira

A trajetória de Marta passou por Brasil, Suécia e Estados Unidos. Antes de iniciar a carreira profissional, ela também teve uma passagem pelo futebol juvenil do CSA, em Alagoas.

Em ordem cronológica:

  • Centro Sportivo Alagoano (CSA), Brasil — 1999, categorias juvenis
  • Vasco da Gama, Brasil — 2000 a 2002
  • Santa Cruz-MG, Brasil — 2002 a 2004
  • Umeå IK, Suécia — 2004 a 2008
  • Los Angeles Sol, Estados Unidos — 2009
  • Santos, Brasil — 2009, em sua primeira passagem
  • FC Gold Pride, Estados Unidos — 2010
  • Santos, Brasil — retorno entre o fim de 2010 e o início de 2011
  • Western New York Flash, Estados Unidos — 2011
  • Tyresö FF, Suécia — 2012 a 2014
  • FC Rosengård, Suécia — 2014 a 2017
  • Orlando Pride, Estados Unidos — desde 2017

A lista mostra como a carreira da brasileira atravessou diferentes fases do desenvolvimento do futebol feminino profissional. Marta viveu seu primeiro grande período de projeção internacional na Suécia, passou pela antiga Women's Professional Soccer nos Estados Unidos, retornou ao futebol sueco e, posteriormente, tornou-se um dos principais nomes da história do Orlando Pride na NWSL.

Marta segue em atividade no futebol profissional e continua defendendo o Orlando Pride, dos Estados Unidos. Em janeiro de 2025, a brasileira renovou seu contrato por mais dois anos, garantindo sua permanência no clube até o fim da temporada de 2026.

Marta em números na carreira

  • Seleção Brasileira — 214 jogos e 122 gols
  • Clubes — mais de 450 jogos
  • Gols por clubes — mais de 320
  • Copas do Mundo — 23 jogos e 17 gols
  • Melhor do mundo pela FIFA — 6 vezes

Somando os registros disponíveis de clubes e Seleção, Marta já ultrapassou 660 partidas na carreira profissional. A brasileira também superou a marca de 400 gols considerando suas atuações por clubes e pela Seleção, números que ajudam a dimensionar sua longevidade e capacidade de decisão ao longo de mais de duas décadas no futebol de alto nível.

Uma homenagem que ultrapassa a carreira

O tamanho da brasileira no futebol ganhou uma representação rara. Em 2024, a FIFA anunciou a criação do “Prêmio Marta”, destinado ao gol mais bonito do futebol feminino. A homenagem coloca seu nome permanentemente dentro da estrutura de premiações da entidade, independentemente do momento em que ela encerrar a carreira.

Na primeira edição, a própria Marta venceu a premiação. Em 2025, o troféu foi entregue à mexicana Lizbeth Ovalle, reforçando a transformação do nome da brasileira em parte permanente da cultura do futebol mundial.

Mas seu impacto também passa pela defesa do futebol feminino. Marta utilizou durante anos sua exposição internacional para falar sobre igualdade, oportunidades e a necessidade de investimento na modalidade. Também exerceu papel de embaixadora ligada às Nações Unidas, levando sua trajetória para além das quatro linhas.

A Rainha do Futebol

O apelido de Rainha não nasceu de um único título ou de um recorde isolado. Ele é consequência da combinação entre excelência técnica, longevidade, reconhecimento internacional e influência sobre o crescimento do futebol feminino.

Marta pertence ao pequeno grupo de atletas cujo impacto pode ser entendido mesmo por quem não acompanhou todos os seus jogos. Seus seis prêmios de melhor do mundo, os 17 gols em Copas, as três medalhas olímpicas de prata e as conquistas por clubes contam uma parte da história. Ao longo dessa trajetória, a brasileira também dividiu o protagonismo internacional com outras grandes estrelas de sua geração, como a norte-americana Alex Morgan, uma das maiores jogadoras da história do futebol feminino Americano, adversária frequente do Brasil e outro nome que ajudou a ampliar a projeção mundial da modalidade.

A outra parte da carreira de Marta está na geração de jogadoras que cresceu tendo uma brasileira como principal referência mundial.

O legado para o futebol feminino

A história de Marta é, em grande medida, como começou a transformação do futebol feminino nas últimas décadas. Quando iniciou, encontrar estrutura para jogar já representava um obstáculo. Ao longo da carreira, viu a modalidade ganhar novas ligas profissionais, maiores públicos, competições mais estruturadas, contratos mais relevantes e exposição internacional crescente.

Ela não foi responsável sozinha por essa transformação, mas tornou-se uma de suas personagens mais visíveis.

De Dois Riachos ao Vasco, do futebol sueco às conquistas nos Estados Unidos, das primeiras partidas pela Seleção aos recordes de Copa do Mundo, Marta construiu uma carreira que resistiu ao tempo. Seus gols podem ser ultrapassados um dia, assim como acontece com praticamente todos os recordes esportivos. O significado de sua trajetória, porém, vai muito além de uma tabela estatística.

Marta ajudou a mudar aquilo que uma menina brasileira poderia imaginar quando dizia que queria ser jogadora de futebol. E é justamente por isso que sua história permanece maior do que qualquer número: a Rainha não apenas conquistou seu espaço no jogo. Ela ajudou a ampliar o espaço para quem veio depois.