A Copa do Mundo de Skate Street em Roma fechou a primeira grande página da corrida olímpica para Los Angeles 2028 no street. No Parco Colle Oppio, em uma das pistas mais simbólicas do circuito por ficar na região do Coliseu, o evento reuniu a elite mundial da modalidade, distribuiu pontos importantes para o ranking da World Skate e mostrou, mais uma vez, como o skate competitivo chega ao novo ciclo olímpico em altíssimo nível.
O Brasil saiu da etapa italiana sem pódio, mas com presença forte nas finais. Rayssa Leal terminou em quinto lugar no feminino, em sua volta às competições depois de alguns meses fora por causa da lesão sofrida no Mundial de Skate Street em São Paulo. No masculino, Wallace Gabriel também foi quinto, enquanto Giovanni Vianna terminou em oitavo. A campanha mantém o país em evidência no street, ainda que Roma tenha reforçado a força de rivais diretos, especialmente Japão, Austrália, China e Coreia do Sul.
A etapa de Roma também conectou duas semanas importantes do skate mundial na Itália. Antes da decisão do street, o circuito já havia movimentado a capital italiana com o park.
Rayssa Leal volta a competir e fica em quinto
A skatista brasileira voltou ao circuito em um contexto especial. Ela não competia desde a lesão no joelho sofrida na final do Mundial de Skate Street em São Paulo, em março, e Roma funcionou como um teste de ritmo, confiança e retomada. A Fadinha avançou até a decisão, mas sofreu com quedas nas voltas, não completando nenhuma das voltas limpas e isso pesou na somatória das notas, fechando a final em quinto lugar, com 142.55 pontos.
A brasileira abriu a final com 58.85 em sua melhor volta. Nas manobras, encontrou uma boa resposta ao acertar uma tentativa em 83.70. O resultado deixou Rayssa fora do pódio, mas confirmou algo importante para o ciclo: ela voltou competitiva, chegou à final logo no primeiro evento após a pausa e somou pontos relevantes no início da caminhada olímpica.
A vitória feminina ficou com Chloe Covell. A australiana dominou a final com 177.01 pontos, abriu mais de 20 pontos de vantagem sobre a vice-campeã Yumeka Oda e confirmou o bicampeonato em Roma. A japonesa terminou em segundo lugar, com 155.15, enquanto a chinesa Chenxi Cui completou o pódio, com 152.78.
Classificação final completa feminina:
- Chloe Covell (AUS) — 177.01 pontos
- Yumeka Oda (JAP) — 155.15 pontos
- Chenxi Cui (CHN) — 152.78 pontos
- Paige Heyn (EUA) — 150.43 pontos
- Rayssa Leal (BRA) — 142.55 pontos
- Jiyul Shin (COR) — 126.89 pontos
- Mei Ozeki (JAP) — 68.11 pontos
- Coco Yoshizawa (JAP) — 42.34 pontos
Wallace Gabriel bate na trave e Giovanni Vianna fica em oitavo
No masculino, o Brasil também colocou dois nomes na final. Wallace foi o melhor brasileiro e terminou em quinto, com 160.83 pontos. O resultado teve gosto de quase pódio: Wallace chegou a aparecer em posição de medalha, especialmente depois de acertar uma manobra de 81.72, mas acabou superado na reta final por uma arrancada japonesa e pelo coreano Juni Kang.
Giovanni Vianna, outro brasileiro na decisão, terminou em oitavo, com 82.13 pontos. O skatista não conseguiu encaixar as manobras individuais como precisava e ficou longe da briga pelo pódio, mas sua presença na final reforçou a profundidade do Brasil no street masculino, em uma competição de altíssimo nível.
A final masculina foi marcada por domínio absoluto do Japão no pódio. Sora Shirai venceu com 177.92 pontos, Kairi Netsuke ficou em segundo com 172.19, e Toa Sasaki fechou o top 3 com 168.41. Consolidando uma trinca japonesa que diz muito sobre a potência atual do país na modalidade.
Classificação final masculina:
- Sora Shirai (JAP) — 177.92 pontos
- Kairi Netsuke (JAP) — 172.19 pontos
- Toa Sasaki (JAP) — 168.41 pontos
- Juni Kang (COR) — 167.70 pontos
- Wallace Gabriel (BRA) — 160.83 pontos
- Matias Dell Olio (ARG) — 158.94 pontos
- Julian Agliardi (EUA) — 147.71 pontos
- Giovanni Vianna (BRA) — 82.13 pontos
A força japonesa no novo ciclo olímpico
Roma confirmou uma tendência que já vinha clara no skate mundial: o Japão chega ao ciclo de Los Angeles 2028 como uma das maiores potências do street. No masculino, o domínio foi completo, ocupando os três lugares do pódio. No feminino, o país também teve presença forte, com Yumeka Oda em segundo, além de Mei Ozeki e Coco Yoshizawa, atual campeã olímpica entre as finalistas.
Essa força não aparece apenas nos resultados finais. Ela também pesa na disputa interna por vagas. Como o limite olímpico restringe o número de atletas por país, a profundidade japonesa torna cada etapa do circuito quase uma seletiva nacional paralela. Para os brasileiros, isso aumenta a exigência: não basta estar entre os melhores do continente ou chegar às finais; será preciso manter regularidade contra uma geração japonesa que combina volume técnico, variedade de manobras e frieza em decisões.
Roma abriu oficialmente a corrida para LA28
A etapa teve peso especial porque marcou o início oficial da Road to LA28 no skate. A World Skate definiu o ciclo classificatório para Los Angeles entre 11 de junho de 2026 e 11 de junho de 2028. A primeira fase vai até 31 de março de 2028 e passa pelo World Skateboarding Tour, que funciona como caminho para a segunda fase, prevista entre abril e junho de 2028. Ao fim do processo, cada prova terá 22 atletas classificados, respeitando critérios como limite por país, representação continental, vaga do país-sede.
Na prática, cada resultado relevante a partir de agora entra no contexto olímpico. Para Rayssa Leal, Wallace Gabriel, Giovanni Vianna e os demais brasileiros, Roma não foi apenas uma final de competição. Foi o primeiro movimento de uma corrida longa, em que constância, saúde física, estratégia de calendário e presença em finais terão impacto direto no ranking.
Quando será a próxima etapa rumo às Olimpíadas?
A próxima grande competição do circuito na corrida por Los Angeles 2028 será o Mundial de Skate Street de 2026, dentro dos World Skate Games, em Asunción, no Paraguai. A competição de street está marcada para 11 a 18 de outubro de 2026. Antes disso, o calendário dos World Skate Games terá o Mundial de Park, de 3 a 10 de outubro, também em Asunción. Depois do Mundial, o World Skateboarding Tour ainda terá a etapa de street em Utsunomiya, no Japão, de 16 a 23 de novembro.
Por isso, Roma deixa uma leitura clara para o restante do ciclo: o Brasil segue competitivo e com finalistas, Rayssa voltou ao palco principal, Wallace mostrou capacidade de brigar por medalha, e Giovanni continua entre os nomes fortes do street masculino. Mas a disputa por LA28 já começou em alto nível técnico. O Japão mostrou força coletiva, Chloe Covell reafirmou protagonismo no feminino, e cada etapa daqui em diante terá peso de construção olímpica.