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Palmeiras x Cerro Porteño pela Libertadores: Verdão inicia o caminho no mata-mata

Equipes voltam a se encontrar nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, agora pelas oitavas de final da Libertadores. Depois de empate em Assunção e vitória paraguaia em São Paulo na fase de grupos, os rivais iniciam no Nubank Parque uma eliminatória que será decidida uma semana depois na Nueva Olla.

Por Corte dos Esportes · 12/08/2026 · Categoria: Futebol

Palmeiras e Cerro Porteño fazem nesta quarta-feira um dos reencontros mais conhecidos da Copa Libertadores. A bola rola às 19h, pelo horário de Brasília, no Nubank Parque, pelo jogo de ida das oitavas de final da competição, com transmissão da Paramount+. A partida de volta será disputada em 19 de agosto, também às 19h, no Ueno La Nueva Olla, em Assunção.

O duelo tem um contexto incomum: brasileiros e paraguaios já estiveram no mesmo Grupo F nesta edição. O Cerro Porteño levou a melhor nos confrontos diretos, empatando por 1 a 1 no Paraguai e vencendo por 1 a 0 em São Paulo. A vantagem construída nesses encontros foi determinante para o Ciclón terminar a fase de grupos na liderança, com 13 pontos, enquanto o Palmeiras avançou na segunda colocação, com 11.

Assim, o Palmeiras inicia o mata-mata diante do único adversário que conseguiu derrotá-lo na atual Libertadores. Para o Cerro, o desafio é transformar o ótimo desempenho da primeira fase em uma nova classificação, mesmo chegando ao mata-mata em momento bem menos favorável no futebol paraguaio.

Nos dois encontros da fase de grupos, o Palmeiras teve média de 70% de posse de bola e 1,99 gol esperado por partida, mas marcou apenas uma vez. O Cerro sofreu pouco no placar, não perdeu nenhum dos jogos e conseguiu aproveitar melhor os momentos decisivos.

Agora, essa história ganha um terceiro capítulo, com a diferença de que não existe mais margem para recuperar pontos nas rodadas seguintes.

Como foi a campanha do Palmeiras até as oitavas

Terminou o Grupo F com três vitórias, dois empates e uma derrota, dez gols marcados e cinco sofridos. Foram 11 pontos em seis partidas.

A campanha:

  • Junior 1 x 1 Palmeiras — gol de Ramón Sosa
  • Palmeiras 2 x 1 Sporting Cristal — gols de Murilo e Flaco López
  • Cerro Porteño 1 x 1 Palmeiras — gol de Jhon Arias
  • Sporting Cristal 0 x 2 Palmeiras — gols de Flaco López e Ramón Sosa
  • Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño
  • Palmeiras 4 x 1 Junior — dois gols de Jhon Arias, um de Allan e um de Andreas Pereira.

O fechamento diante do Junior foi especialmente importante. A vitória por 4 a 1 consolidou a classificação e teve Jhon Arias como protagonista, marcando duas vezes.

O colombiano chegou às oitavas como artilheiro do Palmeiras nesta Libertadores, com três gols. Além dos dois contra o Junior, também fez justamente o gol alviverde no empate contra o Cerro Porteño em Assunção.

Flaco López também teve participação importante, com dois gols na fase de grupos, enquanto Ramón Sosa marcou duas vezes.

Cerro reagiu depois de perder na estreia

A campanha do Cerro Porteño teve um roteiro diferente. O time de Ariel Holan começou com derrota para o Sporting Cristal, mas não voltou a perder.

Os resultados:

  • Sporting Cristal 1 x 0 Cerro Porteño
  • Cerro Porteño 1 x 0 Junior — gol de Jonatan Torres
  • Cerro Porteño 1 x 1 Palmeiras
  • Junior 0 x 1 Cerro Porteño — gol de Pablo Vegetti
  • Palmeiras 0 x 1 Cerro Porteño — gol de Pablo Vegetti
  • Cerro Porteño 2 x 0 Sporting Cristal — gols de Pablo Vegetti e Cecilio Domínguez.

Depois da derrota na estreia, o Cerro sofreu apenas um gol nas cinco rodadas seguintes. A combinação entre pressão, recuperação rápida da posse e organização defensiva foi uma das marcas construídas por Holan durante a primeira fase.

Pablo Vegetti foi o principal nome ofensivo. O argentino marcou três gols, todos em vitórias, incluindo o gol que decidiu a partida contra o Palmeiras em São Paulo.

Centroavante volta a ser ameaça

O reencontro também coloca o Palmeiras novamente diante de Pablo Vegetti, velho conhecido do futebol brasileiro.

O centroavante foi decisivo para o Cerro durante a fase de grupos e apresentou uma característica especialmente importante para jogos eliminatórios: o jogo aéreo.

Vegetti foi o jogador que mais participou de duelos aéreos durante a fase de grupos da Libertadores de 2026, com 69 disputas. Venceu 30 delas, ficando atrás apenas de Maxi Gómez, do Nacional, no número de duelos ganhos.

A presença do atacante ajuda a explicar parte do plano ofensivo paraguaio. O Cerro pode utilizar bolas diretas, cruzamentos e disputas pela segunda bola, especialmente quando passa períodos defendendo em bloco mais baixo.

Jorge Morel é outra peça central. O volante foi destacado pela própria Conmebol como o eixo do meio-campo de Ariel Holan, oferecendo capacidade de marcação e participação na primeira construção. Cecilio Domínguez acrescenta mobilidade e criatividade ao setor ofensivo.

Como chega o Palmeiras

O cenário palmeirense é curioso porque reúne resultados sólidos na temporada e alguns sinais recentes de dificuldade.

O time de Abel Ferreira chegou às oitavas como líder do Campeonato Brasileiro, com 48 pontos. Depois do empate por 0 a 0 com o Internacional no domingo, porém, a vantagem para o Flamengo caiu para seis pontos, com o Palmeiras tendo disputado uma partida a mais.

A atuação diante do Inter incomodou Abel. O treinador reconheceu que a equipe esteve tecnicamente abaixo do nível esperado. O problema principal foi a dificuldade para romper uma defesa organizada em bloco baixo, cenário que pode se repetir diante do Cerro Porteño.

O retrospecto recente no Nubank Parque também exige atenção. Considerando os jogos após a Copa do Mundo, o Palmeiras também havia perdido para o Atlético-MG por 2 a 1. Pela Copa do Brasil, venceu o Fortaleza por 3 a 0 em São Paulo e confirmou a classificação mesmo perdendo a volta por 3 a 2.

Apesar das oscilações, os números gerais da temporada continuam fortes. Antes do confronto com o Cerro, o Palmeiras somava 29 vitórias, nove empates e seis derrotas em 44 partidas, com 77 gols marcados e 34 sofridos. Como mandante, eram 17 vitórias em 23 jogos.

O peso do jogo desta quarta aumenta porque o Verdão decidirá a classificação fora de casa. É uma situação que não acontecia em um mata-mata de Libertadores desde a semifinal de 2021. Construir vantagem em São Paulo, portanto, ganha importância adicional antes da viagem a Assunção.

Reforços para a partida

Uma notícia importante para Abel Ferreira é o possível retorno de Gustavo Gómez.

O zagueiro participou integralmente do treinamento de terça-feira após se recuperar de uma lesão na coxa direita e deve voltar à equipe. A tendência é que forme a linha de três defensores com Murilo e Alexander Barboza.

Na frente, existe expectativa pelo retorno da dupla Flaco López e Vitor Roque ao time titular. Os dois aparecem entre as alternativas de Abel para aumentar a presença de área justamente contra uma equipe que conseguiu limitar o ataque palmeirense nos encontros anteriores.

Como chega o Cerro Porteño

Se a primeira fase continental foi excelente, o início do Torneio Clausura paraguaio produziu uma situação completamente diferente.

O Cerro Porteño disputou quatro partidas e perdeu três. A estreia terminou com derrota por 2 a 1 para o Sportivo Trinidense, em casa. Depois, o time voltou a perder por 2 a 1 para o 2 de Mayo. A primeira vitória veio na terceira rodada, com um contundente 3 a 0 sobre o Sportivo Luqueño.

A reação não teve sequência.

No compromisso mais recente antes da Libertadores, o time perdeu por 1 a 0 para o Sportivo Ameliano, em Villeta. Raúl Cabral marcou o único gol da partida. O resultado deixou o Ciclón com apenas uma vitória e três derrotas no início do Clausura.

Ariel Holan admitiu após o jogo que a equipe atravessa um momento difícil e apontou a falta de eficiência ofensiva como uma das explicações para o começo abaixo do esperado.

Esse contraste é um dos pontos mais interessantes da eliminatória. O Cerro que chega pressionado pelos resultados no Paraguai é praticamente o mesmo que conseguiu controlar o Palmeiras durante 180 minutos na fase de grupos.

Um clássico da Libertadores

Poucos confrontos internacionais se repetiram tanto na competição.

Palmeiras e Cerro Porteño já disputaram 18 partidas pela Libertadores. O retrospecto é amplamente favorável ao clube brasileiro: dez vitórias, cinco empates e três derrotas, com 34 gols marcados e 13 sofridos.

Considerando também um amistoso disputado em 1955, são 19 encontros no total, com 11 vitórias palmeirenses, cinco empates e três triunfos paraguaios.

A repetição transformou o confronto em um caso especial. Depois dos dois jogos das oitavas de 2026, Palmeiras x Cerro chegará a 20 partidas pela Libertadores e será o duelo mais frequente da história da competição entre equipes de países diferentes.

O encontro desta temporada também será o terceiro mata-mata entre os dois — sempre nas oitavas.

Em 2018, o Palmeiras venceu por 2 a 0 no Paraguai e perdeu por 1 a 0 em São Paulo, garantindo a classificação com 2 a 1 no agregado.

Em 2022, o domínio foi muito maior: vitória por 3 a 0 em Assunção e goleada por 5 a 0 no jogo de volta, totalizando 8 a 0.

Marca histórica nas oitavas

A presença frequente do Verdão nas fases decisivas da Libertadores é outro elemento importante.

O Palmeiras disputa as oitavas pela 19ª vez, recorde entre os clubes brasileiros, e tenta alcançar as quartas pela 14ª oportunidade. O time é também o único a ter avançado para a fase eliminatória nas últimas dez edições consecutivas da competição.

A sequência acompanha um período de protagonismo continental. O clube foi campeão em 1999, 2020 e 2021 e chegou novamente à decisão em 2025.

Em 2026, o objetivo é buscar a quarta taça. A fase de grupos, entretanto, já deixou claro que o caminho contra o Cerro Porteño não será simples.

Prováveis escalações

A equipe pode contar novamente com Gustavo Gómez e modificar o setor ofensivo em relação ao empate contra o Internacional. A expectativa é pela utilização de Flaco López e Vitor Roque, embora Mauricio e Ramón Sosa também disputem espaço.

O Palmeiras não terá Jefté, que passou por cirurgia no joelho direito; Bruno Fuchs, em transição física; Khellven, com lesão na coxa direita; e Paulinho, também com problema na coxa direita. Arthur e Gustavo Gómez estão pendurados.

Provável Palmeiras: Carlos Miguel; Gustavo Gómez, Murilo e Barboza; Allan, Marlon Freitas, Andreas Pereira e Piquerez; Jhon Arias, Flaco López (Mauricio) e Vitor Roque (Ramón Sosa).

Técnico: Abel Ferreira.

No Cerro Porteño, Ariel Holan ganhou opções importantes. Lucas Merolla e Juan Iturbe se recuperaram de problemas físicos e viajaram para São Paulo. Matías Pérez e Robert Piris da Motta também estão disponíveis, e Merolla aparece com boas possibilidades de começar jogando.

Provável Cerro Porteño: Manuel Roffo; Iván Ramírez, Víctor Velázquez, Lucas Merolla e Alexis Cañete; Fabricio Domínguez, Jorge Morel, Robert Piris da Motta e Cecilio Domínguez; Juan Iturbe e Pablo Vegetti.

Técnico: Ariel Holan.

As escalações são prováveis e podem sofrer alterações até a divulgação oficial das equipes.

  • Árbitro: Gustavo Tejera, do Uruguai
  • Assistente 1: Nicolas Taran, do Uruguai
  • Assistente 2: Carlos Barreiro, do Uruguai
  • VAR: Leodan Gonzalez, do Uruguai.

O desenho da fase eliminatória e o caminho dos clubes brasileiros até as próximas etapas também podem ser acompanhados no chaveamento das oitavas de final da Libertadores de 2026.

Um reencontro que exige respostas do Palmeiras

Palmeiras x Cerro Porteño chega às oitavas com uma combinação rara: existe amplo histórico entre os clubes, dois mata-matas anteriores e, ao mesmo tempo, informações muito recentes sobre como um pode incomodar o outro.

O Palmeiras tem a melhor temporada doméstica, lidera o Brasileirão, possui um elenco mais profundo e carrega a experiência de quem se acostumou a disputar as fases finais da Libertadores. Mas os dois jogos da primeira fase mostraram que favoritismo e posse de bola não bastam diante da equipe de Ariel Holan.

O Cerro chega pressionado pelo mau início de Clausura, mas com uma lembrança poderosa: não perdeu para o Palmeiras em 2026 e já venceu no mesmo estádio em que começa a eliminatória.

Para Abel Ferreira, portanto, o principal desafio não é descobrir o adversário. É encontrar respostas diferentes para um problema já conhecido. O Palmeiras sabe como o Cerro defende, sabe o peso de Vegetti na área e sabe que terá de decidir a vaga em Assunção.

A primeira oportunidade de mudar o roteiro acontece em São Paulo. Depois de 180 minutos na fase de grupos sem conseguir vencer o Ciclón, o Verdão terá outros 180 para provar que, quando a Libertadores entra no mata-mata, a história pode ser diferente.