Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Títulos do Palmeiras na Libertadores: campanhas completas, craques e a tradição alviverde

O clube paulista tem três títulos continentais, conquistados em 1999, 2020 e 2021. Da “canonização” de Marcos ao bicampeonato de Abel Ferreira, construindo uma das trajetórias mais fortes do Brasil na competição continental.

Por Corte dos Esportes · 09/07/2026 · Categoria: Futebol

O Palmeiras é um dos clubes brasileiros mais tradicionais da Copa Libertadores. Até 2026, o Verdão soma três títulos continentais. Também foi vice-campeão em 1961, 1968, 2000 e 2025, o que reforça a frequência do clube em grandes campanhas sul-americanas. A relação palmeirense com a Libertadores é feita de noites de sofrimento, decisões por pênaltis, goleiros históricos, gols nos acréscimos, viradas de mata-mata e uma identidade muito clara: competir até o limite.

Cada conquista teve uma assinatura. Em 1999, o time de Luiz Felipe Scolari superou rivais pesados e levantou a taça contra o Deportivo Cali com Marcos virando “São Marcos”. Em 2020, Abel Ferreira assumiu durante a campanha, montou um time forte, letal fora de casa e campeão contra o Santos num clássico paulista. Em 2021, o Palmeiras confirmou uma era continental ao bater o Flamengo no Estádio Centenário.

O sucesso do Palmeiras na Libertadores também se conecta à tradição do clube em torneios eliminatórios. A capacidade de sobreviver a mata-matas longos, controlar vantagens curtas e crescer em noites decisivas aparece em diferentes frentes da história alviverde, inclusive na trajetória dos títulos na Copa do Brasil.

A conquista de 1999 encerrou uma espera histórica. A de 2020 recolocou o clube no topo da América depois de mais de duas décadas. A de 2021 consolidou o Palmeiras como uma potência continental da era moderna, com o raro bicampeonato consecutivo da Libertadores.

Felipão, Marcos e a América pintada de verde

O primeiro título veio em 1999, com uma equipe montada para competir em alto nível. O elenco comandado por Luiz Felipe Scolari tinha nomes como Marcos, Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior, Júnior, César Sampaio, Zinho, Alex, Paulo Nunes, Oséas e Evair. Era um time forte fisicamente, competitivo, experiente e com talento técnico suficiente para decidir jogos grandes.

A campanha teve 14 partidas, com sete vitórias, dois empates, cinco derrotas, 24 gols marcados e 18 sofridos. O Palmeiras não teve uma caminhada linear. Passou por momentos de pressão na fase de grupos, precisou eliminar o Vasco, então campeão da Libertadores, encarou o Corinthians em um clássico dramático decidido nos pênaltis, virou uma semifinal contra o River Plate e bateu o Deportivo Cali em uma final de enorme carga emocional.

A fase de grupos:

O Palmeiras caiu em um grupo pesado, com Corinthians, Cerro Porteño e Olimpia. A estreia já teve peso histórico: foi o primeiro Derby válido pela Libertadores. Em 27 de fevereiro de 1999, no Morumbi, o Palmeiras venceu o Corinthians por 1 a 0. Na sequência, goleou o Cerro Porteño por 5 a 2 em Assunção.

Depois, a campanha entrou em turbulência. O Palmeiras perdeu por 4 a 2 para o Olimpia no Paraguai, empatou por 1 a 1 com o Olimpia no Palestra Itália e perdeu por 2 a 1 para o Corinthians no Morumbi. Foi justamente nesse jogo contra o Corinthians que Marcos assumiu a titularidade, após lesão de Velloso. A classificação veio na última rodada, com vitória por 2 a 1 sobre o Cerro Porteño.

Campanha completa de 1999

Fase de grupos:

  • Palmeiras 1 x 0 Corinthians
    Gol: Arce.
  • Cerro Porteño 2 x 5 Palmeiras
    Gols: Júnior Baiano duas vezes, Cléber, Evair e Oséas.
  • Olimpia 4 x 2 Palmeiras
    Gols: Júnior Baiano duas vezes.
  • Palmeiras 1 x 1 Olimpia
    Gol: Paulo Nunes.
  • Corinthians 2 x 1 Palmeiras
    Gol: Paulo Nunes.
  • Palmeiras 2 x 1 Cerro Porteño
    Gols: Júnior Baiano e Arce.

Oitavas de final:

  • Palmeiras 1 x 1 Vasco
    Gol: Oséas.
  • Vasco 2 x 4 Palmeiras
    Gols: Paulo Nunes, Alex duas vezes e Arce.

Quartas de final:

  • Palmeiras 2 x 0 Corinthians
    Gols: Oséas e Rogério.
  • Corinthians 2 x 0 Palmeiras
    Nos pênaltis, Palmeiras 4 x 2 Corinthians. Dinei chutou para fora, Marcos defendeu a cobrança de Vampeta, e o Verdão avançou para a semifinal.

Semifinal:

  • River Plate 1 x 0 Palmeiras
    Gol: Juan Pablo Ángel.
  • Palmeiras 3 x 0 River Plate
    Gols: Alex duas vezes e Roque Júnior.

Final:

  • Deportivo Cali 1 x 0 Palmeiras
    Gol: Víctor Bonilla.
  • Palmeiras 2 x 1 Deportivo Cali
    Gols: Evair, de pênalti, e Oséas. Zapata marcou, também de pênalti, para o Deportivo Cali. Nos pênaltis, Palmeiras 4 x 3 Deportivo Cali.

A final e a disputa por pênaltis

A decisão de 1999 foi em dois jogos. Na ida, em 2 de junho, no Estádio Pascual Guerrero, em Cali, o Deportivo venceu por 1 a 0. O resultado obrigava o Palmeiras a vencer no Palestra Itália para seguir vivo. Na volta, em 16 de junho, o Verdão saiu na frente com Evair, de pênalti, aos 20 minutos do segundo tempo. Zapata empatou para o Deportivo Cali, também em cobrança de pênalti, aos 25. Aos 31, Oséas completou cruzamento de Júnior e fez 2 a 1, levando a decisão para os pênaltis.

A disputa foi dramática. Zinho bateu a primeira cobrança palmeirense no travessão. Pelo Deportivo Cali, Dudamel, Gavíria e Yepes marcaram. Pelo Palmeiras, Júnior Baiano, Roque Júnior, Rogério e Euller converteram. Bedoya acertou a trave, e Zapata chutou para fora. O Palmeiras venceu por 4 a 3 nos pênaltis e conquistou a Libertadores pela primeira vez. Marcos não defendeu cobrança na final, mas a aura do goleiro já era enorme, especialmente depois da atuação contra o Corinthians e da defesa na cobrança de Vampeta nas quartas.

Destaques da campanha de 1999

Marcos foi o grande personagem emocional da conquista. Entrou durante a campanha, assumiu a titularidade em um momento de pressão e virou símbolo do título. A classificação contra o Corinthians, com defesa no pênalti de Vampeta, ajudou a transformar o goleiro em “São Marcos”.

Júnior Baiano foi o artilheiro do Palmeiras na Libertadores de 1999, com cinco gols. Oséas, Alex e Paulo Nunes marcaram quatro cada. Arce fez três, Evair anotou dois, enquanto Roque Júnior e Rogério também balançaram as redes. O número mostra uma equipe com força coletiva, capaz de encontrar gols em zagueiros, laterais, meias e atacantes.

Alex foi decisivo no mata-mata. Fez dois gols contra o Vasco, em São Januário, e dois contra o River Plate, no Palestra Itália. Paulo Nunes deu agressividade ao ataque. Oséas marcou gols fundamentais contra Vasco, Corinthians e Deportivo Cali. Evair, ídolo histórico, saiu do banco para bater o pênalti que abriu o placar na final. Felipão, por sua vez, deu ao time a casca competitiva que marcaria sua carreira.

Abel Ferreira, Breno Lopes e o gol eterno no Maracanã

A segunda Libertadores do Palmeiras veio na edição de 2020, encerrada apenas em 30 de janeiro de 2021 por causa da pandemia de Covid-19. A campanha começou com Vanderlei Luxemburgo, passou por Andrey Lopes e terminou com Abel Ferreira, que chegou durante o torneio e rapidamente deu ao time organização, intensidade, transições fortes e confiança para decidir mata-matas.

O Palmeiras teve uma campanha de 13 jogos, com dez vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Marcou 33 gols e sofreu seis. Foi o melhor ataque da competição, ao lado do River Plate, e fez uma trajetória marcada por goleadas, força fora de casa e controle defensivo.

A fase de grupos:

O Verdão estreou vencendo o Tigre por 2 a 0 na Argentina. Depois, no Allianz Parque, bateu o Guaraní por 3 a 1. Na volta após a paralisação da Libertadores pela pandemia, venceu o Bolívar por 2 a 1 em La Paz. Em seguida, empatou sem gols com o Guaraní no Paraguai.

As duas últimas rodadas da fase de grupos viraram demonstração de força. O Palmeiras fez 5 a 0 no Bolívar. Depois, repetiu o placar contra o Tigre. Terminou a fase de grupos com 16 pontos, líder do Grupo B e dono da melhor campanha geral.

Campanha completa de 2020

Fase de grupos:

  • Tigre 0 x 2 Palmeiras
    Gols: Luiz Adriano e Willian.
  • Palmeiras 3 x 1 Guaraní
    Gols: Luiz Adriano três vezes. Bobadilla marcou para o Guaraní.
  • Bolívar 1 x 2 Palmeiras
    Gols: Willian e Gabriel Menino. Marcos Riquelme marcou para o Bolívar.
  • Guaraní 0 x 0 Palmeiras
  • Palmeiras 5 x 0 Bolívar
    Gols: Willian, Wesley, Matías Viña, Raphael Veiga e Rony.
  • Palmeiras 5 x 0 Tigre
    Gols: Raphael Veiga, Gustavo Gómez, Zé Rafael, Gabriel Veron e Rony.

Oitavas de final:

  • Delfín 1 x 3 Palmeiras
    Gols: Gabriel Menino, Rony e Zé Rafael. O gol do Delfín foi contra, marcado por Ramires.
  • Palmeiras 5 x 0 Delfín
    Gols: Patrick de Paula, Gabriel Veron duas vezes, Willian e Danilo.

Quartas de final:

  • Libertad 1 x 1 Palmeiras
    Gol: Gustavo Gómez. Espinoza marcou para o Libertad.
  • Palmeiras 3 x 0 Libertad
    Gols: Gustavo Scarpa, Rony e Gabriel Menino.

Semifinal:

  • River Plate 0 x 3 Palmeiras
    Gols: Rony, Luiz Adriano e Matías Viña.
  • Palmeiras 0 x 2 River Plate
    Gols: Rojas e Borré, para o River Plate. O Palmeiras avançou por 3 x 2 no agregado.

Final:

  • Palmeiras 1 x 0 Santos
    Gol: Breno Lopes, aos 53 minutos do segundo tempo.

O mata-mata: Delfín, Libertad e River Plate

Nas oitavas de final, o Palmeiras atropelou o Delfín com 8 a 1 no agregado. Venceu no Equador, mesmo com uma série de desfalques por Covid-19, e depois aplicou 5 a 0 no Allianz Parque, com grande atuação de Gabriel Veron. Nas quartas, empatou com o Libertad em Assunção e confirmou a vaga em São Paulo.

A semifinal contra o River Plate foi um dos pontos altos da campanha. Na ida, em Avellaneda, o Palmeiras fez uma das maiores vitórias brasileiras contra o time argentino na história recente da Libertadores. Na volta, no Allianz Parque, o River venceu e pressionou até o fim, mas Weverton teve atuação decisiva, o VAR anulou lances importantes dos argentinos, e o Palmeiras segurou a vaga na final.

O clássico que decidiu o título

A final de 2020 foi contra o Santos, em jogo único no Maracanã. A partida foi travada, nervosa e com poucas chances claras. O Santos de Cuca tentava controlar os espaços, enquanto o Palmeiras buscava profundidade pelos lados. Quando o jogo parecia caminhar para a prorrogação, Cuca foi expulso após discussão com Marcos Rocha na área técnica. Na sequência, Rony cruzou da direita, Breno Lopes subiu mais alto que Pará e cabeceou para o gol aos 53 minutos do segundo tempo.

O gol colocou Breno Lopes na eternidade palmeirense. Contratado pouco antes da reta final da temporada, o atacante saiu do banco para decidir a Libertadores. O Palmeiras venceu por 1 a 0, conquistou o bicampeonato continental e se tornou o primeiro clube brasileiro campeão da Libertadores no Maracanã.

Destaques da campanha em 2020

Rony foi um dos grandes nomes da campanha. Terminou como artilheiro do Palmeiras na Libertadores de 2020 ao lado de Luiz Adriano, com cinco gols, e ainda liderou a competição em assistências, com oito passes para gol, incluindo o cruzamento para Breno Lopes na final contra o Santos.

Luiz Adriano com destaque para o hat-trick contra o Guaraní. Willian fez quatro. Gabriel Veron, Gustavo Gómez, Zé Rafael, Raphael Veiga e Gabriel Menino tiveram participações ofensivas importantes. Weverton foi decisivo na semifinal contra o River Plate. Danilo, Patrick de Paula, Gabriel Menino e Veron mostraram a força das Crias da Academia. Abel Ferreira transformou um elenco competitivo em um time campeão continental.

O bicampeonato

A Libertadores de 2021 confirmou o Palmeiras como potência continental da era Abel Ferreira. O clube defendeu o título conquistado na edição anterior e voltou a levantar a taça menos de dez meses depois. A campanha teve nove vitórias, três empates e apenas uma derrota, com classificação sobre Universidad Católica, São Paulo e Atlético-MG antes da final contra o Flamengo.

Se 2020 foi a conquista da afirmação, 2021 foi a taça da maturidade competitiva. O Palmeiras alternou goleadas na fase de grupos, jogos controlados nas oitavas, uma vitória simbólica contra o São Paulo nas quartas, sobrevivência tática contra o Atlético-MG na semifinal e uma final histórica contra o Flamengo, então apontado por muitos como favorito.

A fase de grupos:

O Palmeiras iniciou a campanha vencendo o Universitario por 3 a 2 em Lima. Abriu 2 a 0 , sofreu o empate após ficar com um jogador a menos, mas venceu nos acréscimos com gol de cabeça de Renan. Na segunda rodada, goleou o Independiente del Valle por 5 a 0.

Na terceira rodada, venceu o Defensa y Justicia por 2 a 1 na Argentina. Depois, bateu o Independiente del Valle por 1 a 0 em Quito, garantindo a classificação antecipada às oitavas. Já garantido, perdeu por 4 a 3 para o Defensa y Justicia no Allianz Parque, em jogo de rodízio de jogadores. Fechou o grupo com uma goleada por 6 a 0 sobre o Universitario.

Campanha completa de 2021

Fase de grupos:

  • Universitario 2 x 3 Palmeiras
    Gols: Danilo, Raphael Veiga e Renan. Gutiérrez marcou duas vezes para o Universitario.
  • Palmeiras 5 x 0 Independiente del Valle
    Gols: Rony duas vezes, Luiz Adriano, Patrick de Paula e Danilo Barbosa.
  • Defensa y Justicia 1 x 2 Palmeiras
    Gols: Rony duas vezes. Tripichio marcou para o Defensa y Justicia.
  • Independiente del Valle 0 x 1 Palmeiras
    Gol: Raphael Veiga, de pênalti.
  • Palmeiras 3 x 4 Defensa y Justicia
    Gols: Zé Rafael, Willian e Gustavo Scarpa. Bou duas vezes, Matías Rodríguez e Romero marcaram para o Defensa y Justicia.
  • Palmeiras 6 x 0 Universitario
    Gols: Matías Viña, Zé Rafael, Gustavo Gómez, Willian e Rony duas vezes.

Oitavas de final:

  • Universidad Católica 0 x 1 Palmeiras
    Gol: Raphael Veiga, de pênalti.
  • Palmeiras 1 x 0 Universidad Católica
    Gol: Marcos Rocha.

Quartas de final:

  • São Paulo 1 x 1 Palmeiras
    Gols: Patrick de Paula. Luan marcou para o São Paulo.
  • Palmeiras 3 x 0 São Paulo
    Gols: Raphael Veiga, Dudu e Patrick de Paula.

Semifinal:

  • Palmeiras 0 x 0 Atlético-MG
    Hulk perdeu pênalti para o Atlético-MG, acertando a trave.
  • Atlético-MG 1 x 1 Palmeiras
    Gol: Dudu e Vargas marcou para o Atlético-MG. O Palmeiras avançou pelo critério do gol fora de casa.

Final:

  • Palmeiras 2 x 1 Flamengo
    Gols: Raphael Veiga e Deyverson. Gabigol marcou para o Flamengo.

Mata-mata: controle, tabu quebrado e classificação pelo gol fora

Nas oitavas de final, o Palmeiras eliminou a Universidad Católica com duas vitórias por 1 a 0. Foi um confronto de controle, em que o Verdão não precisou de placares elásticos para mostrar superioridade.

Nas quartas, veio um capítulo simbólico contra o São Paulo num clássico paulista. O rival havia eliminado o Palmeiras em edições anteriores da Libertadores, mas o time de Abel Ferreira quebrou a escrita. Após empate por 1 a 1 no Morumbi, o Verdão fez 3 a 0 no Allianz Parque. Foi uma das atuações mais marcantes do Palmeiras moderno em clássicos continentais.

Na semifinal, o adversário foi o Atlético-MG, líder do Campeonato Brasileiro e dono de um elenco fortíssimo. No Allianz Parque, o primeiro jogo terminou 0 a 0, com Hulk desperdiçando pênalti na trave. No Mineirão, Vargas abriu o placar para o Atlético-MG no segundo tempo. O Palmeiras precisava de um empate com gols, por causa do critério do gol fora. Abel mexeu, Gabriel Veron entrou e, em seu primeiro lance, ganhou a jogada de Nathan Silva e rolou para Dudu empatar. O 1 a 1 levou o Palmeiras à final.

A final: Deyverson e o erro de Andreas

A decisão de 2021 foi disputada em 27 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu. O adversário era o Flamengo, campeão de 2019 e dono de um elenco estrelado. O Palmeiras começou melhor e abriu o placar logo aos cinco minutos: Gustavo Gómez lançou Mayke, o lateral cruzou rasteiro, e Raphael Veiga finalizou para fazer 1 a 0.

O Flamengo empatou aos 26 minutos do segundo tempo, com Gabigol. A partida foi para a prorrogação. Logo aos três minutos do primeiro tempo extra, Deyverson, que havia acabado de entrar, pressionou Andreas Pereira, roubou a bola após erro na saída rubro-negra e tocou na saída de Diego Alves. O Palmeiras venceu por 2 a 1 e conquistou sua terceira Libertadores.

Destaques da campanha em 2021

Rony foi o artilheiro do Palmeiras na campanha, com seis gols. Raphael Veiga fez cinco, incluindo o gol que abriu a final contra o Flamengo. Dudu não teve uma campanha tão longa em números, mas marcou gols decisivos contra São Paulo e Atlético-MG. Deyverson virou o herói da decisão. Weverton manteve regularidade no gol. Gustavo Gómez liderou a defesa. Danilo e Zé Rafael deram intensidade ao meio-campo. Piquerez, Mayke, Marcos Rocha, Luan, Renan e Felipe Melo também tiveram peso em jogos decisivos.

Abel Ferreira foi o grande condutor da conquista. Em 2021, ele levou o Palmeiras ao bicampeonato consecutivo da Libertadores, feito raro no século. O time não dependia apenas de posse ou volume ofensivo. Sabia controlar espaços, baixar linhas, acelerar transições e competir em cenários diferentes. Essa capacidade de adaptação foi uma das marcas da era Abel.

O Palestra Itália, o Allianz Parque e a força de jogar em casa

Os estádios palmeirense é parte essencial da história do clube na Libertadores. Em 1999, o antigo Palestra Itália foi o palco da consagração contra o Deportivo Cali. Depois da derrota por 1 a 0 na Colômbia, o Palmeiras voltou para sua casa pressionado, venceu por 2 a 1 e decidiu a taça nos pênaltis diante de uma torcida que transformou a noite em um dos maiores capítulos da história alviverde.

Também no Palestra Itália, o Palmeiras construiu uma das viradas mais importantes de sua caminhada continental: o 3 a 0 sobre o River Plate na semifinal de 1999. Depois de perder por 1 a 0 em Buenos Aires, o Verdão precisava reverter o confronto em São Paulo. Alex marcou duas vezes, Roque Júnior completou o placar, e o Palmeiras voltou a uma final de Libertadores depois de 31 anos.

No Allianz Parque, a força da nova casa apareceu principalmente nas campanhas de 2020 e 2021, mesmo em jogos sem torcida por causa da pandemia. Em 2020, o Palmeiras aplicou três goleadas de 5x0. Em 2021, goleou o Independiente del Valle também por 5 a 0, fez 6 a 0 no Universitario e atropelou o São Paulo por 3 a 0 nas quartas de final. A arena virou um ambiente de imposição técnica e emocional, com o Palmeiras usando bem largura, intensidade, bola aérea e pressão pós-perda.

A relação com a torcida também ajuda a explicar o peso do clube na competição. A final de 1999 teve o Palestra lotado, pressão constante e uma atmosfera de catarse. Em 2020 e 2021, a pandemia impediu a presença normal do público em muitos jogos, mas a conexão seguiu viva fora do estádio, nas ruas, nas redes e na memória coletiva. O Palmeiras construiu suas conquistas modernas em um cenário incomum, com portões fechados em várias partidas, o que aumenta o peso mental daquele grupo.

Os maiores jogadores nos títulos de Libertadores

Marcos é o maior símbolo da conquista de 1999. A defesa no pênalti de Vampeta contra o Corinthians e a segurança nos mata-matas deram ao goleiro uma dimensão quase mística. A Libertadores daquele ano foi o torneio que transformou Marcos de titular emergente em santo da torcida.

Alex foi o cérebro técnico daquela campanha. Fez quatro gols, decidiu contra o Vasco e brilhou contra o River Plate. Júnior Baiano marcou cinco gols, número altíssimo para um zagueiro, e terminou como artilheiro palmeirense do torneio. Oséas fez gols grandes. Arce uniu precisão, bola parada e liderança. Paulo Nunes e Evair deram experiência e decisão ao ataque.

Na era moderna, Weverton ocupa papel semelhante ao de um goleiro de segurança e liderança. Foi decisivo em 2020, especialmente contra o River Plate. Rony virou personagem continental: cinco gols e oito assistências em 2020, seis gols em 2021 e participação direta nos momentos mais importantes dos dois títulos.

Raphael Veiga é um dos grandes nomes do Palmeiras em Libertadores. Marcou gols decisivos em 2021, incluindo o primeiro da final contra o Flamengo. Dudu decidiu contra São Paulo e Atlético-MG. Deyverson entrou para a história com o gol do tricampeonato. Breno Lopes virou eterno pelo gol contra o Santos. Gustavo Gómez consolidou liderança, força aérea e personalidade. Entre outros nomes completam a galeria que foram importantes no ciclo campeão.

A representatividade dos títulos

O título de 1999 representa a libertação. O Palmeiras já havia sido finalista em 1961 e 1968, tinha tradição continental, mas ainda perseguia a taça. A conquista contra o Deportivo Cali completou a galeria do clube e deu à geração de Felipão um lugar definitivo na história.

O título de 2020 representa a reconstrução continental. Depois de anos batendo na porta, o Palmeiras voltou ao topo da América com uma campanha forte, marcada por 33 gols, solidez defensiva e um gol improvável de Breno Lopes no último lance da final.

O título de 2021 representa a confirmação de uma era. O Palmeiras não apenas venceu de novo: defendeu a taça, eliminou rivais brasileiros pesados e superou o Flamengo em uma final de enorme peso simbólico. Foi a conquista que colocou Abel Ferreira em um patamar histórico no clube.

A história do Palmeiras na Libertadores é feita de tradição, trauma, superação e hegemonia recente. O clube foi pioneiro entre brasileiros na competição, acumulou finais, sofreu derrotas marcantes, mas também construiu algumas das campanhas mais emblemáticas do continente.

Por isso, falar dos títulos do Palmeiras na Libertadores é falar de três momentos diferentes e uma mesma identidade: um clube capaz de sofrer, resistir e decidir. A América palmeirense tem pênalti, goleiro santo, gol no último minuto, prorrogação, rivalidade nacional e camisa pesada. Do Palestra Itália ao Maracanã, de Montevidéu ao Allianz Parque, o Palmeiras transformou a Libertadores em parte central de sua grandeza.