O clube formou uma trajetória marcada por decisões dramáticas, campanhas invictas, viradas emocionais, títulos fora de casa e personagens que ficaram na memória da torcida.
A relação alviverde com a competição também ajuda a explicar a identidade recente do clube em mata-matas. O Palmeiras venceu a Copa do Brasil em momentos muito diferentes: abriu caminho para a Libertadores de 1999, quebrou um jejum nacional em 2012, retomou protagonismo em 2015 e fechou a temporada de 2020 com uma tríplice coroa histórica.
Para entender melhor o peso do torneio no calendário nacional, e porque é tão relevante o tetracampeonato na história da Copa do Brasil.
Os quatro títulos:
- 1998: campeão contra o Cruzeiro
- 2012: campeão contra o Coritiba
- 2015: campeão contra o Santos
- 2020: campeão contra o Grêmio
Além das conquistas, o clube também foi vice em 1996, contra o Cruzeiro. Esse detalhe dá ainda mais peso ao primeiro título, porque a taça de 1998 veio justamente contra o mesmo adversário que havia derrotado o Palmeiras dois anos antes.
1998: o primeiro título da Copa do Brasil
Campanha completa:
Primeira fase
- CSA 0 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 3 x 0 CSA
Segunda fase
- Ceará 1 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 6 x 0 Ceará
Oitavas de final
- Botafogo 2 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 1 x 0 Botafogo
Quartas de final
- Sport 0 x 2 Palmeiras
- Palmeiras 1 x 1 Sport
Semifinal
- Palmeiras 1 x 1 Santos
- Santos 2 x 2 Palmeiras
Final
- Cruzeiro 1 x 0 Palmeiras
- Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro
A final contra o Cruzeiro
A decisão tinha peso especial porque o clube mineiro havia sido algoz alviverde na final de 1996. Dois anos depois, o reencontro trouxe uma chance de revanche e também um caminho direto para a Libertadores.
O Palmeiras era comandado por Luiz Felipe Scolari e tinha uma base forte, com Velloso, Roque Júnior, Cléber, Júnior, Galeano, Zinho, Alex, Paulo Nunes e Oséas. Era um time competitivo, intenso e com características que ficariam associadas ao ciclo vencedor de Felipão: força em mata-mata, presença física, bola parada e capacidade de decidir jogos grandes.
A final começou com vantagem cruzeirense. No jogo de ida, no Mineirão, o Cruzeiro venceu por 1 a 0. A volta, no Morumbi, exigia vitória palmeirense. O Verdão abriu o placar com Paulo Nunes, ainda no primeiro tempo, e levou a decisão para um cenário dramático.
O gol do título veio nos minutos finais. Oséas marcou aos 44 minutos do segundo tempo, em chute sem ângulo, e fez o 2 a 0 que deu ao Palmeiras sua primeira Copa do Brasil. O lance ficou conhecido como um dos gols mais marcantes da história do clube, tanto pelo grau de dificuldade quanto pelo peso da taça.
A conquista de 1998 não foi apenas um título nacional. Ela colocou o Palmeiras na Libertadores de 1999, competição que o clube venceria no ano seguinte, consolidando aquele período como um dos mais importantes da história alviverde.
2012: o bicampeonato invicto e a força da bola parada
Campanha completa:
Primeira fase
- Coruripe 0 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 3 x 0 Coruripe
Segunda fase
- Horizonte 1 x 3 Palmeiras
Oitavas de final
- Paraná 1 x 2 Palmeiras
- Palmeiras 4 x 0 Paraná
Quartas de final
- Athletico-PR 2 x 2 Palmeiras
- Palmeiras 2 x 0 Athletico-PR
Semifinal
- Grêmio 0 x 2 Palmeiras
- Palmeiras 1 x 1 Grêmio
Final
- Palmeiras 2 x 0 Coritiba
- Coritiba 1 x 1 Palmeiras
A final contra o Coritiba
O segundo título veio novamente com Luiz Felipe Scolari no comando. A conquista teve um valor simbólico enorme porque encerrou um longo jejum de títulos nacionais e devolveu ao clube uma taça de grande peso no calendário brasileiro.
A campanha foi invicta. O time não era considerado tecnicamente brilhante, mas tinha competitividade, organização e uma arma muito clara: a bola parada de Marcos Assunção.
Na final, o primeiro jogo foi disputado em Barueri. O Palmeiras venceu por 2 a 0, com gols de Valdivia, de pênalti, e Thiago Heleno, após cobrança de falta de Marcos Assunção. O resultado deu uma vantagem importante para o jogo de volta no Couto Pereira.
A partida no Paraná foi tensa. O Coritiba abriu o placar com Ayrton e pressionou em busca de uma reação. Mas o Palmeiras respondeu com Betinho, de cabeça, em jogada novamente iniciada por Marcos Assunção. O empate por 1 a 1 confirmou o título alviverde.
O bicampeonato de 2012 ficou marcado por personagens improváveis e decisivos. Barcos, principal atacante do time, ficou fora da final por problema de saúde. Valdivia foi importante no jogo de ida, mas também viveu uma decisão turbulenta. Betinho, contestado por parte da torcida, virou herói com o gol do título. E Marcos Assunção foi o símbolo técnico da campanha, com cobranças de falta que decidiram jogos.
Felipão como elo entre dois títulos
A Copa do Brasil também ajuda a medir o tamanho de Luiz Felipe Scolari na história do Palmeiras. Felipão comandou o clube nos títulos de 1998 e 2012, em contextos bem diferentes, mas com marcas parecidas: times competitivos, fortes em mata-mata, preparados para sofrer e capazes de decidir sob pressão.
Em 1998, o treinador montou uma equipe que misturava imposição física, bola parada, intensidade e jogadores decisivos. Aquela Copa do Brasil abriu caminho para a Libertadores de 1999 e consolidou uma das fases mais importantes da história alviverde. O título contra o Cruzeiro já mostrava um Palmeiras com a cara de Felipão: duro, emocionalmente forte e letal em jogo grande.
Em 2012, o cenário era outro. O Palmeiras vivia instabilidade, tinha limitações técnicas e precisava de uma conquista nacional para recuperar peso competitivo. O título contra o Coritiba veio com campanha invicta, organização defensiva, casca e a bola parada de Marcos Assunção como arma central. Não era o time mais vistoso do país, mas era um time de Copa.
2015: Dudu, Prass e o título nos pênaltis contra o Santos
Campanha completa:
Primeira fase
- Vitória da Conquista 1 x 4 Palmeiras
Segunda fase
- Sampaio Corrêa 1 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 5 x 1 Sampaio Corrêa
Terceira fase
- Palmeiras 0 x 0 ASA
- ASA 0 x 1 Palmeiras
Oitavas de final
- Palmeiras 2 x 1 Cruzeiro
- Cruzeiro 2 x 3 Palmeiras
Quartas de final
- Internacional 1 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 3 x 2 Internacional
Semifinal
- Fluminense 2 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 2 x 1 Fluminense
- Palmeiras classificado nos pênaltis
Final
- Santos 1 x 0 Palmeiras
- Palmeiras 2 x 1 Santos
- Palmeiras campeão nos pênaltis
A final contra o Santos
O título de 2015 foi um ponto de virada na história recente do Palmeiras. Depois de anos turbulentos, reformulação de elenco, mudança de patamar financeiro e fortalecimento da nova arena, o clube transformou a Copa do Brasil em símbolo de reconstrução.
A campanha teve altos e baixos, mas também muitos jogos grandes. O Palmeiras eliminou Cruzeiro, Internacional e Fluminense antes de encarar o Santos na final. Na semifinal, contra o Fluminense, avançou nos pênaltis depois de devolver o placar de 2 a 1 e contar com atuação decisiva de Fernando Prass.
A decisão contra o Santos tinha peso de clássico, rivalidade estadual e revanche emocional. O Santos venceu o primeiro jogo por 1 a 0, na Vila Belmiro, e colocou o Palmeiras em situação de pressão para a volta.
Na arena palmeirense, o Verdão venceu por 2 a 1 no tempo normal, com dois gols de Dudu. O Santos diminuiu com Ricardo Oliveira, empatando o placar agregado em 2 a 2 e levando a decisão para os pênaltis.
Nas cobranças, Fernando Prass virou personagem central. O goleiro defendeu uma cobrança de Gustavo Henrique e ainda marcou o pênalti decisivo, fechando a disputa em 4 a 3 para o Palmeiras. Poucas imagens resumem tão bem uma conquista quanto a de Prass cobrando o último pênalti de uma final.
A taça de 2015 recolocou o Palmeiras em uma rota vencedora. Foi o primeiro grande título nacional do clube na era da nova arena e abriu caminho para uma sequência de protagonismo que marcaria os anos seguintes.
2020: Abel Ferreira, tríplice coroa e título invicto contra o Grêmio
Campanha completa:
Oitavas de final
- Red Bull Bragantino 1 x 3 Palmeiras
- Palmeiras 1 x 0 Red Bull Bragantino
Quartas de final
- Palmeiras 3 x 0 Ceará
- Ceará 2 x 2 Palmeiras
Semifinal
- Palmeiras 1 x 1 América-MG
- América-MG 0 x 2 Palmeiras
Final
- Grêmio 0 x 1 Palmeiras
- Palmeiras 2 x 0 Grêmio
A final contra o Grêmio
O quarto título do Palmeiras na competição encerrada em março de 2021 por causa dos impactos da pandemia no calendário. Foi uma conquista especial porque fechou uma temporada histórica: o clube também venceu o Campeonato Paulista e a Libertadores, formando uma tríplice coroa.
O título também marcou o início do ciclo vitorioso de Abel Ferreira no futebol brasileiro. O técnico português assumiu o Palmeiras durante a competição e rapidamente deu ao time uma identidade mais sólida, com transições fortes, competitividade defensiva e elenco profundo.
Na final, o Palmeiras venceu os dois jogos. Na ida, em Porto Alegre, ganhou por 1 a 0, com gol de Gustavo Gómez. O resultado foi ainda mais forte porque o time segurou a vantagem mesmo atuando parte do segundo tempo com um jogador a menos, após expulsão de Luan.
Na volta, em São Paulo, o Palmeiras confirmou o título com vitória por 2 a 0. Wesley abriu o placar no segundo tempo, e Gabriel Menino marcou nos minutos finais. O agregado de 3 a 0 contra o Grêmio mostrou a superioridade alviverde na decisão.
A conquista de 2020 fechou uma temporada de afirmação histórica. Weverton, Gustavo Gómez, Raphael Veiga e Gabriel Menino foram alguns dos nomes que ajudaram a transformar aquele elenco em uma das bases mais vencedoras da história recente do clube.
Os números das campanhas campeãs
As quatro campanhas do Palmeiras na Copa do Brasil mostram perfis diferentes de conquista.
- 1998: 12 jogos, 6 vitórias, 4 empates, 2 derrotas, 21 gols marcados e 8 sofridos
- 2012: 11 jogos, 8 vitórias, 3 empates, 0 derrotas, 23 gols marcados e 6 sofridos
- 2015: 13 jogos, 8 vitórias, 3 empates, 2 derrotas, 25 gols marcados e 14 sofridos
- 2020: 8 jogos, 6 vitórias, 2 empates, 0 derrotas, 15 gols marcados e 4 sofridos
A campanha de 1998 abriu caminho para a conquista continental do ano seguinte. A de 2012 foi invicta e baseada em bola parada, casca e resistência. A de 2015 teve o maior drama, com duas decisões por pênaltis no mata-mata final. A de 2020 foi a mais dominante em termos de controle, fechando a competição sem derrota e com apenas quatro gols sofridos.
Os personagens dos títulos
A galeria palmeirense na Copa do Brasil atravessa gerações diferentes.
Em 1998, Oséas foi o nome do gol do título, enquanto Paulo Nunes, Alex, Zinho, Velloso, Roque Júnior e Felipão também marcaram a campanha. O gol sem ângulo contra o Cruzeiro virou uma das imagens mais fortes da história alviverde no torneio.
Em 2012, Marcos Assunção foi o símbolo técnico. Suas cobranças de falta conduziram boa parte da campanha.
Em 2015, Dudu decidiu no tempo normal contra o Santos, e Fernando Prass entrou para a história com defesa e gol na disputa por pênaltis. Gabriel Jesus, Zé Roberto, Lucas Barrios, Vitor Hugo e Marcelo Oliveira também foram peças importantes no título.
Em 2020, Abel Ferreira começou a construir sua era no clube. Gustavo Gómez decidiu o jogo de ida da final, Raphael Veiga foi um dos motores técnicos da campanha, Weverton deu segurança, e Wesley e Gabriel Menino marcaram os gols que fecharam o tetracampeonato.
A relação com Grêmio, Flamengo e Corinthians no torneio
A trajetória do Palmeiras também cruza com outros gigantes da Copa do Brasil. O Grêmio aparece em momentos importantes: foi eliminado pelo Verdão na semifinal de 2012 e depois perdeu a final de 2020. Esse histórico reforça o peso dos duelos entre dois clubes com tradição forte no mata-mata nacional. Para ampliar o tamanho da rivalidade entres os dois clubes na competição o Grêmio entra na galeria de campeões com 5 títulos.
O Flamengo também é referência direta quando o assunto é Copa do Brasil. O clube carioca construiu uma história de cinco títulos.
Outro paralelo natural é com o Corinthians, que também chegou ao tetracampeonato no torneio. A comparação entre Palmeiras e Corinthians reforça como os grandes clubes paulistas transformaram a Copa do Brasil em parte importante na sua galeria de títulos nacionais.
O que torna a história do Palmeiras especial
Porque cada título representa uma fase diferente do clube. O de 1998 foi a porta de entrada para a glória continental. O de 2012 quebrou um jejum nacional. O de 2015 marcou a reconstrução moderna. O de 2020 consolidou a era Abel e fechou uma temporada histórica.
Poucos clubes têm conquistas tão distribuídas em contextos tão distintos. O Palmeiras venceu com Felipão em dois ciclos diferentes, retomou protagonismo com uma geração de transição em 2015 e depois levantou a taça em uma temporada que também teve Libertadores e Campeonato Paulista.
Em cada conquista, houve um tipo diferente de pressão.
A Copa do Brasil não é apenas mais uma taça na galeria alviverde. É uma competição que ajuda a explicar o Palmeiras moderno: competitivo, acostumado a decisões e marcado por campanhas que misturam tradição, pressão e capacidade de vencer quando o jogo mais pesa.