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Palmeiras elimina a LDU nos pênaltis e avança à semifinal da Libertadores

Verdão perdeu por 3 a 2 em Quito depois de sofrer dois gols nos minutos finais, mas Carlos Miguel defendeu duas cobranças nas penalidades e garantiu a classificação. Palmeiras alcança sua 13ª semifinal de Libertadores e chega à fase pela sexta vez em sete edições sob o comando de Abel Ferreira.

Por Corte dos Esportes · 17/09/2026 · Categoria: Futebol
Carlos Miguel se lança junto à trave durante defesa de pênalti.
Carlos Miguel, defende pênalti contra a LDU durante o jogo de volta das quartas de final da Libertadores, em 16 de setembro de 2026. Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon.

O Palmeiras está novamente entre os quatro melhores da América. Em uma noite que passou do controle ao drama em questão de minutos, o time paulista perdeu por 3 a 2 para a LDU, nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, mas venceu a disputa por pênaltis por 4 a 3 e garantiu a classificação para a semifinal da Copa Libertadores.

O resultado encerrou um confronto que parecia encaminhado para o Verdão até os minutos finais. Depois de vencer o jogo de ida por 1 a 0 em São Paulo, o Palmeiras abriu o placar no Equador com Marlon Freitas, levou o empate de Luis Segovia e voltou a ficar em vantagem com Vitor Roque, de pênalti. Michael Estrada, porém, marcou duas vezes já na reta final e deu à LDU uma vitória por 3 a 2 que deixou o placar agregado empatado em 3 a 3.

Nos pênaltis, Carlos Miguel assumiu o protagonismo. O goleiro defendeu as cobranças de Lucas Rodríguez e Luis Segovia, enquanto Vitor Roque, Mauricio, Piquerez e Felipe Anderson converteram para o Palmeiras. Lucas Evangelista foi o único palmeirense a parar no goleiro Gonzalo Valle.

Mais do que uma classificação dramática, a noite em Quito reforçou uma relação que se tornou cada vez mais profunda nos últimos anos. O Palmeiras atingiu a semifinal da Libertadores pela 13ª vez na história, recorde entre os clubes brasileiros, e pela sexta vez desde a chegada de Abel Ferreira.

Palmeiras abre o placar cedo em Quito

Aos 10 minutos, Marlon Freitas apareceu para colocar o time na frente. O gol tinha um peso considerável no contexto do confronto: naquele momento, a diferença no agregado chegava a dois gols e obrigava a LDU a buscar uma virada para levar a decisão da vaga para os pênaltis.

Ela veio rapidamente.

Cinco minutos depois, Luis Segovia marcou de cabeça após cobrança de escanteio e deixou tudo igual em Quito. A partir dali, a LDU assumiu a iniciativa, teve mais posse de bola e tentou empurrar o Palmeiras para seu campo defensivo.

Vitor Roque aumenta a vantagem

O segundo tempo manteve o Palmeiras em uma situação favorável. Mesmo com a LDU buscando mais o ataque, o placar agregado continuava dando segurança à equipe brasileira.

A entrada de Vitor Roque aumentou essa vantagem.

O atacante entrou durante a etapa final e, aos 28 minutos, converteu uma cobrança de pênalti para fazer 2 a 1. O gol colocou o Palmeiras novamente à frente em Quito e abriu dois gols de diferença no agregado.

Naquele momento, a semifinal parecia muito próxima.

A LDU precisava marcar duas vezes apenas para levar a decisão aos pênaltis. Além da necessidade de buscar os gols, o time equatoriano enfrentava um Palmeiras acostumado a administrar confrontos eliminatórios da Libertadores durante a era Abel Ferreira.

Foi justamente quando a classificação parecia controlada que o jogo mudou completamente.

Virada nos minutos finais

Michael Estrada entrou definitivamente na história do confronto nos últimos minutos.

Aos 45 minutos do segundo tempo, o atacante aproveitou o rebote de uma defesa de Carlos Miguel e marcou o segundo gol da LDU. A diferença no agregado caiu para apenas um.

Três minutos depois, Estrada apareceu novamente, desta vez pelo alto. O atacante marcou de cabeça e completou a virada equatoriana por 3 a 2.

Em poucos minutos, o Palmeiras passou de uma classificação praticamente encaminhada para uma disputa de pênaltis.

O agregado terminou empatado em 3 a 3: vitória palmeirense por 1 a 0 no Brasil e triunfo da LDU por 3 a 2 no Equador. Estrada se tornou o primeiro jogador da história da Libertadores a marcar dois gols a partir dos 90 minutos de uma partida.

Carlos Miguel decide nos pênaltis

O impacto emocional poderia ter sido enorme para o Palmeiras. A equipe acabara de sofrer dois gols praticamente no fim da partida e viu escapar uma vantagem que parecia suficiente para garantir a classificação.

Nos pênaltis, entretanto, o goleiro palmeirensel mudou o desfecho.

Vitor Roque abriu a série palmeirense convertendo sua cobrança. Mauricio também marcou, assim como Piquerez. Lucas Evangelista teve sua tentativa defendida por Gonzalo Valle, mas Felipe Anderson converteu a quinta cobrança do Palmeiras.

Pelo lado da LDU, Carlos Miguel defendeu diante de Lucas Rodríguez e, posteriormente, de Luis Segovia. A segunda defesa encerrou a disputa em 4 a 3 e confirmou a presença palmeirense entre os quatro melhores da Libertadores.

A atuação colocou Carlos Miguel em um grupo pequeno da história do clube. Ele se tornou apenas o segundo goleiro palmeirense a defender duas cobranças em uma mesma disputa por pênaltis na Libertadores, repetindo um feito anteriormente alcançado por Marcos.

Veja os melhores momentos da partida abaixo:

Palmeiras chega à semifinal da Libertadores pela 13ª vez

A classificação em Quito ampliou um dos números mais relevantes da história continental do time alvi-verde.

O clube alcançou sua 13ª semifinal, contando também as edições antigas em que essa etapa era disputada em formato de grupos. Nenhum clube brasileiro chegou tantas vezes à fase.

As semifinais palmeirenses aconteceram em 1961, 1968, 1971, 1999, 2000, 2001, 2018, 2020, 2021, 2022, 2023, 2025 e agora em 2026.

Essa presença constante ajuda a explicar o espaço ocupado pelo clube na história da Copa Libertadores, torneio que atravessou diferentes formatos e gerações até se transformar na principal competição de clubes da América do Sul.

Tricampeão, com conquistas em 1999, 2020 e 2021, o Palmeiras construiu parte central dessa relação em campanhas que marcaram épocas diferentes do clube. A trajetória de cada conquista, das decisões da geração de Marcos ao bicampeonato continental comandado por Abel Ferreira, pode ser aprofundada na matéria sobre os títulos do Palmeiras na Libertadores e suas campanhas completas.

A vaga conquistada em 2026 também representa a segunda semifinal consecutiva do time.

Em 2025, o clube chegou exatamente à mesma fase enfrentando a própria LDU. Na ocasião, o roteiro foi ainda mais extremo: os equatorianos venceram por 3 a 0 em Quito, mas o Palmeiras protagonizou uma virada histórica ao fazer 4 a 0 no jogo de volta em São Paulo.

A reação levou o Verdão à final daquela edição, na qual terminou como vice-campeão diante do Flamengo. Um ano depois, LDU e Palmeiras voltaram a se encontrar, desta vez nas quartas, e novamente produziram um confronto decidido no limite.

A diferença é que, em 2026, o drama aconteceu quase todo na partida de volta. O Palmeiras começou a noite com vantagem, aumentou essa diferença durante o jogo, sofreu dois gols no fim e precisou reconstruir emocionalmente a classificação durante a disputa por pênaltis.

Abel Ferreira chega à sexta semifinal em sete Libertadores

A frequência do Palmeiras nesta fase se torna ainda mais significativa quando o recorte começa na chegada do técnico português.

Desde que o treinador assumiu o clube, no fim de 2020, o Palmeiras disputou sete edições da Libertadores e alcançou a semifinal em seis delas: 2020, 2021, 2022, 2023, 2025 e 2026.

A única exceção foi 2024. Naquela temporada, o Palmeiras caiu para o Botafogo nas oitavas de final, depois de perder por 2 a 1 no Rio de Janeiro e empatar por 2 a 2 em São Paulo.

Antes disso, Abel havia levado a equipe a quatro semifinais consecutivas, de 2020 a 2023. A sequência igualou o recorde brasileiro que pertencia ao Santos das edições de 1962 a 1965. Depois da interrupção em 2024, o Palmeiras retomou a série, chegando à semifinal em 2025 e novamente em 2026.

O número ajuda a dimensionar o peso do trabalho do português especificamente na Libertadores. Das 13 semifinais alcançadas pelo Palmeiras em toda a história da competição, seis ocorreram durante sua passagem pelo clube.

E não foram apenas presenças protocolares. Abel conquistou as Libertadores de 2020 e 2021, caiu na semifinal para o Athletico-PR em 2022, foi eliminado pelo Boca Juniors nos pênaltis na semifinal de 2023, parou nas oitavas diante do Botafogo em 2024 e conduziu o Palmeiras novamente à final em 2025. Agora, em 2026, está mais uma vez entre os quatro melhores.

Uma relação construída em mata-matas

A classificação diante da LDU também aumentou o retrospecto da comissão técnica portuguesa em confrontos decisivos.

Após o duelo em Quito, a comissão de Abel Ferreira chegou a 21 confrontos de mata-mata ou valendo título pela Libertadores, com dois títulos, 15 classificações, um vice-campeonato e três eliminações.

Mais importante do que observar esses números de maneira isolada é entender o que eles representam. O Palmeiras passou boa parte de sua história continental alternando grandes campanhas com períodos de ausência ou eliminações mais precoces. A partir dos últimos anos, esse comportamento mudou.

Chegar às fases finais deixou de ser episódio eventual e passou a fazer parte da rotina competitiva do clube.

A própria sequência recente ilustra isso. Entre 2020 e 2026, apenas uma edição terminou antes das semifinais. Nesse período houve dois títulos, uma nova final e várias campanhas encerradas somente quando o torneio já estava reduzido aos principais candidatos.

Para o Verdão, a nova semifinal amplia uma trajetória continental que já atravessa diferentes gerações, mas que ganhou dimensão especialmente forte nos últimos anos. Chegar à fase pela 13ª vez seria relevante por si só. Fazer isso pela sexta vez em sete Libertadores sob a mesma comissão técnica transforma a classificação em mais um capítulo de um período de continuidade difícil de encontrar em torneios de mata-mata.

A partida em Quito resumiu bem essa trajetória recente. O Palmeiras teve vantagem, perdeu o controle nos minutos finais, sofreu uma virada que poderia ter encerrado a campanha e precisou encontrar uma nova maneira de sobreviver. Encontrou nos pênaltis e nas mãos de Carlos Miguel.

No fim de uma noite em que esteve perto da classificação durante quase todo o jogo e perto da eliminação emocionalmente nos últimos minutos, o Palmeiras saiu da altitude com aquilo que se tornou recorrente em sua história recente: uma vaga entre os quatro melhores da América.