O PSG confirmou mais uma vez sua hegemonia no futebol francês. A equipe de Luis Enrique venceu o Lens por 2 a 0, fora de casa, no Stade Bollaert-Delelis, e conquistou matematicamente a Ligue 1 2025/26 com uma rodada de antecedência.
O título veio em confronto direto contra o vice-líder, o que deu peso simbólico à conquista. O PSG já dependia apenas de um ponto para garantir a taça, mas saiu de Lens com vitória, atuação decisiva de Matvey Safonov e mais uma marca histórica: o pentacampeonato francês.
PSG sofre, mas decide nos momentos certos
O placar de 2 a 0 não diz tudo o que foi a partida. O Lens jogou em casa, diante de um ambiente intenso, e fez o PSG trabalhar muito mais do que a diferença técnica entre os elencos poderia sugerir.
A equipe da casa pressionou, acumulou finalizações, levou perigo em diferentes momentos e chegou a acertar a trave. O PSG, mesmo com mais controle em alguns períodos, precisou suportar uma noite de pressão do vice-líder. Foi nesse cenário que Safonov virou um dos personagens centrais do título.
O goleiro russo fez oito defesas, segurou o Lens quando o jogo ainda estava aberto e deu ao PSG a segurança necessária para transformar eficiência em taça. Além das intervenções de Safonov, a defesa parisiense também precisou de cortes decisivos, incluindo lance salvo praticamente em cima da linha.
Na frente, o PSG foi mais frio. Khvicha Kvaratskhelia, em grande momento, abriu o placar aos 29 minutos, após jogada com participação de Ousmane Dembélé. Já nos acréscimos, Ibrahim Mbaye fechou a vitória em contra-ataque e transformou uma partida dura em resultado de campeão.
Pentacampeonato e domínio histórico na França
Com a conquista, o clube chegou ao 14º título francês de sua história. O clube já era o maior campeão nacional e aumentou a distância para os rivais históricos. Mais do que levantar outra taça, o time consolidou uma sequência inédita para o próprio clube: cinco títulos consecutivos da Ligue 1. Para entender o peso dessa marca dentro da história da Ligue 1, a atual era parisiense já aparece como uma das mais dominantes do futebol francês.
A dinastia recente é ainda mais clara quando se olha para o período posterior à chegada da Qatar Sports Investments, o fundo catari que assumiu o clube em 2011. Dos 14 títulos franceses do PSG, 12 vieram depois dessa mudança de comando. Antes desse ciclo, o clube havia sido campeão nacional apenas duas vezes, em 1985/86 e 1993/94.
O investimento também levou o clube a outro patamar na Champions League. Desde a chegada do grupo catari, o PSG disputou três finais europeias, perdeu para o Bayern de Munique em 2020, conquistou seu primeiro título continental em 2025 e voltou à decisão na temporada atual, contra o Arsenal. A vaga na final veio após a classificação sobre o Bayern de Munique, em um confronto que reforçou a maturidade competitiva do projeto parisiense em uma semi final histórica. Esse ciclo também conecta o clube a um capítulo cada vez mais relevante da história da Champions League.
Desde então, o PSG mudou de patamar. O clube passou a dominar o mercado francês, atrair estrelas internacionais, montar elencos milionários e transformar a Ligue 1 em território quase permanente de sua superioridade. Monaco e Lille foram exceções recentes, mas não quebraram a tendência principal: o campeonato francês passou a ter Paris como centro.
A era Luis Enrique ganha mais força
O título também reforça o peso do trabalho do técnico espanhol. Desde que assumiu o PSG, o treinador conseguiu manter a supremacia doméstica e, ao mesmo tempo, mudar o perfil competitivo do time. Esta já é a terceira Ligue 1 conquistada por ele no comando parisiense.
O dado é importante porque o PSG atual não se resume mais ao antigo modelo de dependência de um grande astro midiático. O clube ainda tem nomes de elite, claro, mas a equipe se tornou mais coletiva, jovem e funcional. A saída de nomes que marcavam a era dos “astros” abriu espaço para um time menos preso ao brilho individual e mais sustentado por pressão, mobilidade, posse de bola e ocupação de espaços.
Nesse contexto, Dembélé virou a principal referência técnica. O atacante chegou ao jogo do título com status de melhor jogador da Ligue 1 pela segunda temporada seguida e com currículo recente de melhor do mundo, depois de prêmios individuais que reforçaram sua virada de carreira. Contra o Lens, participou diretamente da jogada do primeiro gol e voltou a ser peça de desequilíbrio no ataque.
Campanha confirma força dos dois lados do campo
A campanha também ajuda a explicar por que o título veio antes da última rodada. Após a vitória contra o Lens, o time chegou a 76 pontos em 33 jogos, com 24 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Foram 73 gols marcados e 27 sofridos, números que colocam o campeão com o melhor ataque e a melhor defesa da Ligue 1.
Esse equilíbrio é o ponto mais relevante da temporada. O PSG não foi campeão apenas por ter mais talento ofensivo. Foi campeão porque conseguiu transformar elenco, controle de jogo e profundidade em regularidade. A equipe marcou muito, sofreu pouco e teve soluções em diferentes setores, mesmo quando precisou rodar jogadores ou lidar com desfalques.
Mais uma taça para uma dinastia
O pentacampeonato da Ligue 1 confirma que o PSG vive uma das maiores hegemonias nacionais do futebol europeu recente. A força financeira explica parte do processo, mas a temporada 2025/26 também mostra uma evolução esportiva no projeto: menos dependência de um único rosto, mais força coletiva e um treinador capaz de manter o padrão competitivo mesmo em jogos duros.
A França segue tendo um dono na era moderna. E, em 2025/26, o PSG voltou a mostrar que sua dinastia ainda está longe de parecer encerrada.