As quartas de final da Copa do Mundo 2026 estão definidas. Depois de uma fase eliminatória marcada por quedas pesadas, viradas dramáticas e classificações nos pênaltis, oito seleções seguem vivas na luta pelo título mundial: França, Marrocos, Espanha, Bélgica, Noruega, Inglaterra, Argentina e Suíça. A partir de agora, cada jogo vale vaga na semifinal e qualquer detalhe pode decidir o caminho até a grande final.
A fase reúne campeãs mundiais tradicionais, seleções em busca do primeiro título e histórias que mudaram o peso da competição. O chaveamento foi formado após uma rodada intensa de mata-mata, que já havia definido os confrontos das oitavas de final da Copa do Mundo 2026 e abriu caminho para alguns dos duelos mais aguardados do torneio. O Brasil ficou pelo caminho ao perder para a Noruega, Portugal caiu diante da Espanha, os Estados Unidos foram eliminados pela Bélgica, e a Colômbia parou nos pênaltis contra a Suíça.
Jogos das quartas de final:
- França x Marrocos
Data: quinta-feira, 9 de julho
Horário: 17h, de Brasília
Local: Boston Stadium, Gillette Stadium, Foxborough, Estados Unidos - Espanha x Bélgica
Data: sexta-feira, 10 de julho
Horário: 16h, de Brasília
Local: Los Angeles Stadium, SoFi Stadium, Inglewood, Estados Unidos - Noruega x Inglaterra
Data: sábado, 11 de julho
Horário: 18h, de Brasília
Local: Miami Stadium, Hard Rock Stadium, Miami Gardens, Estados Unidos - Argentina x Suíça
Data: sábado, 11 de julho
Horário: 22h, de Brasília
Local: Kansas City Stadium, Arrowhead Stadium, Kansas City, Estados Unidos
A ordem dos confrontos também define o caminho das semifinais: o vencedor de França x Marrocos enfrenta quem passar de Espanha x Bélgica, enquanto o classificado de Noruega x Inglaterra pega o vencedor de Argentina x Suíça.
Revanche com cara de decisão antecipada
A França chega às quartas com uma campanha de candidata forte ao título. Na fase de grupos, a seleção de Didier Deschamps terminou com 100% de aproveitamento no Grupo I, vencendo Senegal, Iraque e Noruega. A estreia teve brilho de Kylian Mbappé, que marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre Senegal, em um jogo que confirmou o peso ofensivo dos franceses logo no início da Copa. A campanha também teve 3 a 0 sobre o Iraque e 4 a 1 sobre a Noruega, com hat-trick de Ousmane Dembélé no fechamento da chave.
No mata-mata, os franceses passaram pela Suécia por 3 a 0 na fase de 32 avos e depois eliminaram o Paraguai por 1 a 0 nas oitavas, com gol de Mbappé. A França não tem sido apenas técnica: tem mostrado maturidade para vencer jogos duros, especialmente quando o espaço diminui e a pressão aumenta. Esse peso competitivo também conversa com a memória recente de uma seleção que já marcou época em Copas, com o bi campeonato mundial.
O Marrocos, por sua vez, chega com a força de quem deixou de ser surpresa. A seleção africana saiu invicta de um grupo difícil com Brasil, Escócia e Haiti, depois eliminou a Holanda nos pênaltis na fase de 32 avos e goleou o Canadá por 3 a 0 nas oitavas. Azzedine Ounahi marcou duas vezes contra os canadenses, e Soufiane Rahimi fechou a vitória que recolocou os marroquinos nas quartas com autoridade.
É um duelo com memória recente. França e Marrocos se enfrentaram na semifinal da Copa de 2022, vencida pelos franceses. Agora, o Marrocos chega mais maduro, mais acostumado a grandes noites e com a ambição de repetir, ou superar, a campanha histórica feita no Catar.
Defesa perfeita contra renascimento belga
A Espanha chega às quartas com uma das campanhas mais limpas da Copa. A equipe de Luis de la Fuente ainda não sofreu gol no torneio e avançou com uma defesa extremamente segura. Na fase de grupos, teve uma vitória expressiva por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita. Depois, no mata-mata, passou pela Áustria por 3 a 0 e eliminou Portugal por 1 a 0 nas oitavas, com gol de Mikel Merino nos acréscimos.
O dado mais forte da campanha espanhola é a solidez defensiva. A vitória sobre Portugal fez a Espanha atingir uma sequência histórica de jogos sem sofrer gol na Copa, reforçando a imagem de uma equipe que combina posse de bola, controle territorial e agressividade sem a bola. Com nomes como Lamine Yamal, Pedri, Gavi, Rodri e Mikel Oyarzabal, a Espanha chega com cara de seleção pronta para brigar pelo bicampeonato mundial, depois do título em 2010
A Bélgica tem um roteiro bem diferente. Começou a Copa com oscilações, sofreu para se manter viva em alguns momentos, mas cresceu muito no mata-mata. Na fase de 32 avos, buscou uma virada dramática contra Senegal e venceu por 3 a 2 na prorrogação. Nas oitavas, fez sua melhor atuação no torneio ao golear os Estados Unidos por 4 a 1, com Charles De Ketelaere em grande noite e uma formação mais agressiva montada por Rudi Garcia.
O confronto coloca frente a frente dois estilos interessantes. A Espanha tenta controlar ritmo e espaço; a Bélgica quer ser vertical, intensa e mais direta do que em gerações anteriores. Se De Bruyne, Lukaku e Tielemans representam experiência, De Ketelaere e os novos nomes mostram que a Bélgica tenta se reinventar justamente na hora mais importante da Copa.
Haaland contra Kane em duelo de artilheiros
A Noruega é a grande força inesperada entre os oito classificados. A seleção de Erling Haaland avançou no Grupo I ao lado da França, com vitórias sobre Iraque e Senegal antes da derrota para os franceses na última rodada. No mata-mata, eliminou a Costa do Marfim por 2 a 1 na fase de 32 avos e depois derrubou o Brasil também por 2 a 1 nas oitavas, resultado que virou uma das grandes histórias desta Copa.
A queda brasileira aumentou ainda mais o peso da campanha norueguesa. A Noruega não chega às quartas apenas como zebra simpática, mas como uma seleção com identidade clara: jogo físico, transição forte, presença de área e uma estrela capaz de decidir em qualquer bola. Haaland transformou a equipe em ameaça constante e chega para enfrentar uma Inglaterra que também sabe o que é carregar pressão histórica em Copas.
A Inglaterra chega forte, invicta e emocionalmente testada. A equipe de Thomas Tuchel liderou seu grupo com vitórias sobre Croácia e Panamá, depois sofreu para virar sobre a República Democrática do Congo por 2 a 1 na fase de 32 avos. Nas oitavas, passou pelo México em um jogaço no Estádio Azteca: 3 a 2, com gols decisivos de Jude Bellingham e Harry Kane, mesmo atuando parte da partida com um jogador a menos após expulsão de Jarell Quansah.
O duelo tem um apelo claro: Haaland contra Kane. A Noruega depende muito da capacidade do camisa 9 de transformar poucas chances em gols. A Inglaterra, por outro lado, tem mais repertório coletivo e um meio-campo capaz de decidir com Bellingham, mas também carrega a cobrança de uma camisa que vive à sombra de 1966, ano eternizado na história do título mundial.
Messi lidera atual campeã contra defesa histórica
A Argentina chega às quartas depois de viver seu jogo mais dramático no torneio. A atual campeã mundial fez a fase de grupos perfeita no Grupo J, com três vitórias contra Argélia, Áustria e Jordânia. O início da campanha teve protagonismo de Messi, e a seleção de Lionel Scaloni parecia caminhar com controle até o mata-mata.
Mas a fase eliminatória exigiu muito mais. Nos 32 avos, a Argentina sofreu contra Cabo Verde e avançou apenas na prorrogação, vencendo por 3 a 2. Nas oitavas, contra o Egito, viveu uma noite de tensão em Atlanta: saiu perdendo por 2 a 0, reagiu nos minutos finais e venceu por 3 a 2, com gols de Cristian Romero, Lionel Messi e Enzo Fernández. O gol da virada saiu já nos acréscimos, mantendo vivo o sonho argentino do bicampeonato consecutivo.
A Argentina carrega uma relação especial com Copas do Mundo. A camisa albiceleste atravessa gerações marcadas por Kempes, Maradona e Messi, e chega a mais uma quartas de final tentando ampliar uma história que já inclui títulos, finais dramáticas e alguns dos maiores personagens do futebol. O contexto torna esta campanha ainda mais simbólica, principalmente para uma seleção que defende o troféu mais recente e tem sua trajetória ligada diretamente à história da Argentina nas Copas do Mundo.
A Suíça chega com outro tipo de força: organização, defesa e frieza. A seleção venceu o Grupo B com 7 pontos, superando Canadá, Bósnia e Herzegovina e Catar. Na fase de 32 avos, bateu a Argélia por 2 a 0. Nas oitavas, segurou a Colômbia em um 0 a 0 por 120 minutos e venceu por 4 a 3 nos pênaltis, com Gregor Kobel decisivo e Ruben Vargas convertendo a cobrança final. Foi a primeira classificação suíça às quartas de final de Copa do Mundo desde 1954.
O confronto coloca a Argentina diante de um adversário desconfortável. A Suíça não precisa dominar a posse para competir; ela sabe baixar linhas, proteger a área e levar o jogo para uma zona de paciência. Para Messi, Julián Álvarez, Lautaro Martínez e companhia, a missão será acelerar sem se desorganizar. Para os suíços, a chance é histórica: eliminar a atual campeã mundial e voltar a uma semifinal depois de décadas longe desse patamar.
O que esperar das quartas de final
A fase chega com equilíbrio raro. A França parece a equipe mais pronta fisicamente e com maior poder de decisão individual. A Espanha tem a defesa mais confiável. A Argentina carrega a camisa de campeã e Messi em momento decisivo. A Inglaterra tem elenco profundo. Marrocos, Bélgica, Noruega e Suíça aparecem como ameaças reais, não apenas como visitantes indesejados no mata-mata.
A partir de agora, a Copa deixa de premiar apenas regularidade. Nas quartas, sobrevivem as seleções capazes de lidar com pressão, detalhes, bolas paradas, goleiros inspirados e decisões individuais. O caminho para a semifinal está aberto, mas cada confronto carrega clima de final antecipada.