O Brasil confirmou sua força entre as principais seleções do vôlei feminino ao vencer o Japão por 3 sets a 1.
A equipe comandada por José Roberto Guimarães precisou reagir depois de perder um primeiro set equilibrado. A partir da segunda parcial, o Brasil elevou a pressão no saque, encontrou respostas no bloqueio e conseguiu diminuir a velocidade das combinações japonesas. O resultado colocou a seleção entre as quatro melhores da VNL pela terceira edição consecutiva.
Mais do que garantir a permanência na competição, a vitória representou outra demonstração da capacidade brasileira de competir em partidas eliminatórias. Como já era esperado pela prévia da partida no equilíbrio entre os confrontos recentes, o Japão voltou a exigir concentração, paciência e intensidade defensiva, mas o Brasil soube transformar sua superioridade física na rede em uma vantagem decisiva.
O início de partida nervoso
O Japão começou o confronto impondo o estilo que transformou a seleção asiática em uma das equipes mais difíceis de enfrentar no circuito internacional. Com deslocamentos rápidos, bom volume defensivo e constantes mudanças na distribuição, as japonesas impediram que o Brasil controlasse o jogo desde o início.
A seleção brasileira teve bons momentos com Ana Cristina e Julia Bergmann nas extremidades, enquanto as centrais tentavam acompanhar as combinações conduzidas pela levantadora japonesa. O set permaneceu equilibrado até os pontos finais. O Brasil chegou a buscar o empate em 24 a 24, mas o Japão aproveitou melhor as duas jogadas seguintes e fechou por 26 a 24.
Perder a primeira parcial não significou perder o controle emocional. Essa foi uma das diferenças mais importantes da partida. Em vez de acelerar de maneira desordenada, o Brasil manteve a construção dos ataques, continuou trabalhando o saque e aumentou gradualmente a presença do bloqueio.
Bloqueio muda a partida
A reação brasileira começou no segundo set. Roberta passou a distribuir melhor as bolas entre as ponteiras, a saída de rede e o meio, dificultando a leitura do sistema defensivo adversário. Diana apareceu em bolas rápidas e também no bloqueio, enquanto Rosamaria ajudou a equilibrar o ataque pela posição dois.
O Japão ainda conseguiu sustentar a igualdade durante boa parte da parcial, mas o Brasil cresceu nos pontos decisivos. Ana Cristina aumentou sua presença ofensiva, Julia Bergmann encontrou espaços explorando as mãos do bloqueio e as centrais brasileiras passaram a fechar melhor as direções preferidas das atacantes japonesas.
O 25 a 22 empatou o confronto e mudou o ambiente da partida. A seleção brasileira passou a jogar com mais agressividade, enquanto o Japão encontrou maiores dificuldades para acelerar as jogadas depois de recepções afastadas da rede.
A entrada de Luzia também fortaleceu o sistema de bloqueio. A central participou de pontos importantes e ajudou o Brasil a transformar bolas defendidas em oportunidades de contra-ataque. A mudança deu mais altura e presença física à equipe em um momento decisivo do confronto.
A atuação mais dominante
A terceira parcial apresentou o melhor momento brasileiro nas quartas de final. Julia Bergmann abriu o set pressionando no saque, e o bloqueio passou a controlar completamente os primeiros ataques japoneses. O Brasil construiu uma vantagem de 4 a 0 e não permitiu que o adversário recuperasse o ritmo.
Rosamaria e Luzia conseguiram bloqueios importantes, Diana foi acionada pelo meio e Ana Cristina transformou as oportunidades de contra-ataque em pontos.
O Japão, normalmente eficiente na defesa e na reconstrução das jogadas, passou a devolver bolas previsíveis. Com o bloqueio brasileiro bem posicionado, os ralis que anteriormente favoreciam as asiáticas começaram a terminar em pontos da seleção.
O placar de 25 a 16 refletiu a superioridade do Brasil naquele momento. A equipe virou o jogo para 2 sets a 1 e ficou a uma parcial da semifinal.
As jogadoras dos momentos decisivos
O quarto set voltou a ser equilibrado. O Japão recuperou eficiência no saque, explorou o fundo da quadra brasileira e chegou a igualar o placar na reta final. Wada e Ishikawa mantiveram as japonesas no confronto, especialmente em jogadas rápidas e ataques direcionados contra o bloqueio.
O Brasil, porém, mostrou maturidade para não se desorganizar. Ana Cristina teve papel central na reta decisiva, pontuando em ataques pela entrada de rede e também pelo fundo de quadra. A ponteira ainda contribuiu no bloqueio e no saque, tornando-se uma das principais referências ofensivas brasileiras na partida.
Julia Bergmann também apareceu em bolas importantes. Além do trabalho na recepção e no ataque, a ponteira foi responsável pelo ace que encerrou o confronto em 25 a 20. Antes disso, Roberta já havia conseguido um saque direto que ajudou o Brasil a assumir o controle definitivo da parcial.
O último ponto simbolizou a mudança construída durante o jogo. Depois de sofrer com a velocidade japonesa no primeiro set, o Brasil terminou a partida usando justamente o saque para impedir a organização adversária.
Maiores pontuadoras e destaques por fundamento
Ana Cristina e Julia Bergmann foram as grandes referências ofensivas do Brasil na vitória sobre o Japão. As duas ponteiras somaram 54 pontos e responderam por mais da metade dos pontos brasileiros anotados por jogadoras na partida.
Maiores pontuadoras do Brasil:
- Ana Cristina — 30 pontos
- Julia Bergmann — 24 pontos
- Rosamaria — 12 pontos
- Diana — 7 pontos
- Luzia — 7 pontos
- Lorena — 3 pontos
- Roberta — 1 ponto
Bloqueios:
- Luzia — 4 bloqueios
- Ana Cristina — 3 bloqueios
- Diana — 3 bloqueios
- Julia Bergmann — 2 bloqueios
- Rosamaria — 2 bloqueios
- Lorena — 1 bloqueio
Aces:
- Ana Cristina — 2 aces
- Julia Bergmann — 2 aces
- Luzia — 1 ace
- Roberta — 1 ace
O bloqueio foi um dos principais diferenciais da classificação. O Brasil terminou o jogo com 15 pontos no fundamento, liderado por Luzia, mesmo começando a partida no banco.
Domínio recente contra as japonesas
O duelo em Macau foi o segundo encontro entre entre as seleções na VNL de 2026. Na fase classificatória, as brasileiras também haviam vencido por 3 sets a 1, em Osaka.
A vitória nas quartas ampliou a sequência positiva brasileira no confronto. Antes da fase final, o Brasil havia vencido os cinco encontros mais recentes entre as equipes em grandes competições. A última vitória japonesa havia acontecido na semifinal da VNL de 2024, decidida no tie-break.
Brasil x Itália: clássico vale vaga na final da VNL 2026
O próximo desafio será contra as italianas, no sábado, 25 de julho, no Domo dos Jogos da Ásia Oriental de Macau, na China. A partida vale uma vaga na decisão da competição. Até a publicação desta matéria, a organização ainda não havia definido em qual das duas semifinais a seleção brasileira jogaria. Os horários reservados são 5h e 8h30, pelo horário de Brasília. A transmissão está prevista no sportv2, na ge tv, pelo YouTube, e no VBTV, plataforma oficial da Volleyball World.
O confronto reúne duas das maiores potências do vôlei feminino e ganhou ainda mais peso nas últimas temporadas. A Itália chega como campeã olímpica, mundial e das duas edições anteriores da VNL. O Brasil, por sua vez, tenta conquistar pela primeira vez o título da Liga das Nações, depois de acumular quatro vice-campeonatos desde a criação do torneio, em 2018. Um deles foi justamente contra as italianas, que venceram a final de 2025 por 3 sets a 1.
O retrospecto específico da VNL mostra o tamanho do equilíbrio: após dez partidas, são cinco vitórias para cada seleção. A Itália assumiu a vantagem ao ganhar a final de 2025, mas o Brasil voltou a igualar a série na primeira semana em Brasília. Na ocasião, a equipe de José Roberto Guimarães venceu por 3 sets a 2, encerrando uma sequência italiana de 39 vitórias consecutivas em competições oficiais.
A semifinal também coloca frente a frente duas equipes com estilos capazes de produzir jogos longos e intensos. A Itália combina potência no ataque, altura no bloqueio e grande variedade ofensiva. O Brasil responde com volume defensivo, força pelas extremidades e capacidade de reação, características que apareceram na virada sobre o Japão nas quartas de final. Mais do que um reencontro entre candidatas ao título, o jogo é um dos grandes clássicos do vôlei feminino contemporâneo, agora com peso eliminatório e uma vaga na final em jogo.