Rosario Central e Corinthians abrem nesta quinta-feira uma eliminatória carregada de história e ingredientes importantes para o momento dos dois clubes. A partida começa às 21h30, pelo horário de Brasília, com transmissão da ESPN e Disney+. A volta será disputada em 20 de agosto, também às 21h30, na Neo Química Arena, em São Paulo.
Para o Corinthians, a Libertadores ganhou ainda mais peso depois da eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil. O time de Fernando Diniz chega à Argentina após vencer o Red Bull Bragantino por 2 a 0 pelo Campeonato Brasileiro, mas sabe que encontrará um dos sistemas defensivos mais eficientes da competição. O Rosario Central somou 13 pontos na fase de grupos e sofreu somente um gol em seis partidas.
O encontro também resgata uma eliminatória histórica. Corinthians e Rosario Central só se enfrentaram oficialmente duas vezes, justamente nas oitavas da Libertadores de 2000. Naquela ocasião, cada equipe venceu por 3 a 2 como mandante, o agregado terminou em 5 a 5 e o Timão avançou nos pênaltis. Vinte e seis anos depois, a ordem dos jogos é exatamente a mesma: primeiro em Arroyito, depois em São Paulo.
Classificação com uma defesa quase perfeita
Poucos times chegaram ao mata-mata da Libertadores de 2026 com números defensivos tão fortes quanto o Rosario Central.
A equipe comandada por Jorge Almirón terminou o Grupo H com 13 pontos, quatro vitórias, um empate e uma derrota. Foram nove gols marcados e apenas um sofrido. O único adversário que conseguiu balançar a rede argentina foi o Independiente del Valle, na última rodada, em um pênalti convertido por Junior Sornoza.
A campanha do time argentino na fase de grupos:
- Rosario Central 0 x 0 Independiente del Valle
- Libertad 0 x 1 Rosario Central — gol de Enzo Copetti
- Universidad Central 0 x 3 Rosario Central — gols de Ignacio Ovando, Ángel Di María e Enzo Copetti
- Rosario Central 1 x 0 Libertad — gol de Ignacio Ovando
- Rosario Central 4 x 0 Universidad Central — gols de Alejo Véliz, Vicente Pizarro, Ángel Di María e Marco Ruben
- Independiente del Valle 1 x 0 Rosario Central.
O dado mais impressionante está na sequência inicial: o Rosario Central passou os cinco primeiros jogos sem sofrer gol. Tornando-se o primeiro time desde o Internacional, em 2020, a começar uma edição da Libertadores com cinco partidas consecutivas sem ser vazado.
A campanha também recolocou o clube argentino no mata-mata da Libertadores depois de uma década. O Rosario não chegava às fases eliminatórias desde 2016. Suas melhores participações históricas aconteceram em 1975 e 2001, quando alcançou as semifinais. O clube nunca conquistou a Libertadores, embora tenha levantado a antiga Copa Conmebol em 1995.
Liderança e vaga com antecedência
O Corinthians também construiu uma campanha consistente, especialmente nas primeiras rodadas.
O Timão terminou na liderança do Grupo E com 11 pontos, resultado de três vitórias, dois empates e uma derrota. A classificação foi assegurada com duas rodadas de antecedência depois de três vitórias consecutivas por 2 a 0 na abertura da fase.
A campanha corintiana:
- Platense 0 x 2 Corinthians — gols de Kayke e Yuri Alberto
- Corinthians 2 x 0 Independiente Santa Fe — gols de Raniele e Gustavo Henrique
- Corinthians 2 x 0 Peñarol — gols de Gustavo Henrique e Jesse Lingard
- Independiente Santa Fe 1 x 1 Corinthians — gol de Gustavo Henrique
- Peñarol 1 x 1 Corinthians — gol de Zakaria Labyad
- Corinthians 0 x 2 Platense.
O tropeço contra o Platense na última rodada tirou a invencibilidade, mas não alterou a liderança do grupo. O Corinthians terminou um ponto à frente dos argentinos e, por isso, ganhou o direito de decidir as oitavas na Neo Química Arena.
A classificação foi construída com protagonismo de três nomes. Rodrigo Garro participou diretamente de quatro dos oito gols do time na fase de grupos, Gustavo Henrique terminou como artilheiro corintiano com três gols e Hugo Souza comandou uma defesa que abriu a competição com três jogos consecutivos sem ser vazada.
A reta decisiva daquela campanha também pode ser retomada na classificação do Corinthians às oitavas, conquistada antes mesmo da última rodada do grupo.
Bola parada vira arma do confronto
Um dos dados mais interessantes das oitavas está justamente em uma característica compartilhada pelas duas equipes.
Corinthians e Rosario Central marcaram cinco gols de bola parada cada durante a fase de grupos, a maior quantidade entre os participantes da Libertadores naquele estágio.
No Corinthians, Gustavo Henrique esteve envolvido em quatro desses gols: marcou três vezes e deu uma assistência. No Rosario Central, Ignacio Ovando marcou dois gols originados em bolas paradas.
Isso transforma faltas laterais, escanteios e disputas aéreas em um ponto estratégico importante. Gustavo Henrique foi uma surpresa ofensiva na campanha alvinegra, enquanto Ovando também ganhou destaque não apenas pelos gols, mas por fazer parte da defesa que sofreu apenas uma vez em seis partidas.
O principal desafio do Corinthians em Rosário
A maior estrela da eliminatória estará vestindo azul e amarelo.
Ángel Di María voltou ao Rosario Central depois de uma longa carreira no futebol europeu e chega aos 38 anos como principal referência técnica da equipe de Jorge Almirón. Na temporada de 2026, o argentino soma sete gols em 25 partidas. Na Libertadores, disputou cinco jogos da fase de grupos e marcou duas vezes, ambas contra a Universidad Central da Venezuela.
Sua influência vai além dos gols.
Di María aparece com liberdade para participar da construção e acelerar o jogo perto da área. Na fase de grupos, esteve entre os jogadores da competição com pelo menos dez cruzamentos certos, dez passes que terminaram em finalização, mais de 20 dribles tentados e mais de dez faltas sofridas.
Ao lado dele, Jáminton Campaz acrescenta velocidade e drible. O colombiano atua principalmente pelo lado esquerdo e oferece capacidade para atacar individualmente, finalizar e cruzar. A defesa, por sua vez, tem em Ovando e Gastón Ávila uma dupla de boa imposição física, enquanto Emanuel Coronel participa mais das ações ofensivas pela lateral direita.
No meio, Franco Ibarra exerce função mais defensiva, enquanto Vicente Pizarro participa da saída e da organização das jogadas. Na frente, Enzo Copetti deve ser a referência mais adiantada.
Reencontro de goleiro com craque
Há ainda um encontro curioso dentro do confronto.
Hugo Souza e Di María já estiveram frente a frente no futebol português. Em 2024, quando defendia o Chaves, o atual goleiro do Corinthians enfrentou o Benfica e defendeu uma cobrança de pênalti do argentino. Naquela partida, Hugo defendeu três penalidades.
Agora, o reencontro acontece em um cenário totalmente diferente.
Di María volta à Libertadores com a camisa do clube que o revelou, enquanto Hugo Souza se tornou uma das referências do Corinthians e teve papel importante na campanha defensiva da fase de grupos.
Rosario chega embalado por duas vitórias seguidas
O momento recente do time argentino também reforça o grau de dificuldade da visita corintiana.
Depois da pausa da Copa do Mundo, o time começou o Torneio Clausura argentino com derrota por 2 a 1 para o Belgrano, em Córdoba, e empate por 0 a 0 contra o Racing no Gigante de Arroyito.
A reação veio justamente em dois jogos de peso.
Na terceira rodada, o Rosario Central foi ao Monumental e venceu o River Plate por 1 a 0. Depois, diante de sua torcida, bateu o Aldosivi por 2 a 1. Assim, chega às oitavas com duas vitórias consecutivas depois de somar apenas um ponto nas duas primeiras partidas do Clausura.
O momento ajuda a recuperar a confiança de um time que já havia mostrado na fase de grupos ser especialmente difícil de ser atacado. O Gigante de Arroyito também aparece como peça importante: dos três jogos realizados em casa na primeira fase da Libertadores, o Rosario venceu dois, empatou um e não sofreu nenhum gol.
Corinthians chega pressionado
A eliminação diante do Internacional nas oitavas da Copa do Brasil reduziu os caminhos do clube em busca de um grande título na temporada. O Timão venceu o jogo de volta, mas o resultado não foi suficiente para reverter a derrota sofrida na primeira partida. Na sequência, Fernando Diniz conseguiu uma resposta no Campeonato Brasileiro ao vencer o Red Bull Bragantino por 2 a 0 fora de casa.
Rodrigo Garro e Pedro Raul marcaram os gols do triunfo em Bragança Paulista. Com a vitória, o Corinthians chegou aos 32 pontos e encerrou a 22ª rodada na sétima colocação do Brasileirão.
O resultado foi especialmente importante porque devolveu confiança ofensiva antes da viagem para Rosário. Garro, que já havia sido o principal criador do Corinthians durante a fase de grupos da Libertadores, voltou a aparecer de forma decisiva. Pedro Raul também ganhou espaço justamente em um período de mudanças no ataque.
A semana foi marcada ainda pela saída de Memphis Depay. Na terça-feira, 11 de agosto, o Corinthians anunciou oficialmente a decisão de não renovar o contrato do atacante. Assim, o holandês não integra mais o elenco que disputa as oitavas da Libertadores.
A ausência se soma ao problema físico de Yuri Alberto, que está fora da partida por lesão na parte posterior da coxa direita. Com isso, Pedro Raul ganha ainda mais importância como referência ofensiva.
Definição do time
Fernando Diniz teve uma preocupação adicional nos dias anteriores à partida.
Kaio César sentiu dores e não participou da última atividade realizada no Brasil. O atacante, porém, viajou para a Argentina, treinou no CT do Newell's Old Boys e deve começar a partida ao lado de Pedro Raul.
A formação projetada mantém boa parte da equipe que venceu o Bragantino.
Allan deve continuar no meio-campo porque André está lesionado. Raniele e Breno Bidon completam a estrutura central, com Garro recebendo liberdade para se aproximar dos atacantes.
Prováveis escalações
O Rosario Central deve preservar a estrutura que ganhou consistência durante a Libertadores e nas últimas rodadas do futebol argentino. A principal referência continua sendo Di María, com Campaz oferecendo velocidade pelo outro lado e Copetti como atacante central.
- Provável Rosario Central: Ledesma; Coronel, Ovando, Gastón Ávila e Sández; Ibarra, Pizarro, Julián Fernández, Di María e Campaz; Copetti.
- Técnico: Jorge Almirón.
- Desfalque: Juan Giménez, lesionado.
O Corinthians deve repetir a base que começou a vitória diante do Red Bull Bragantino. Kaio César treinou normalmente em Rosário e é esperado entre os titulares.
- Provável Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, Allan, Breno Bidon e Rodrigo Garro; Kaio César e Pedro Raul.
- Técnico: Fernando Diniz.
- Desfalques: André, com lesão na parte posterior da coxa direita; Yuri Alberto, também com problema na posterior da coxa direita; Zakaria Labyad, com lesões no menisco e no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo; Vitinho, em recuperação de cirurgia no menisco do joelho esquerdo; e Kayke, em recuperação de cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.
As formações são prováveis e podem sofrer alterações até a divulgação oficial das equipes.
- Árbitro: Andrés Matonte, do Uruguai
- Assistente 1: Martín Soppi, do Uruguai
- Assistente 2: Pablo Llarena, do Uruguai
- VAR: Christian Ferreyra, do Uruguai.
Corinthians tenta voltar a avançar em mata-mata continental
A Libertadores possui um peso particular na história corintiana.
O grande momento aconteceu em 2012, quando o clube conquistou sua única taça do torneio de maneira invicta. Foram 14 partidas sem derrota e uma campanha que terminou com a vitória sobre o Boca Juniors na final.
Aquela conquista colocou definitivamente o clube entre os campeões do principal torneio de clubes da América do Sul e passou a fazer parte de uma competição marcada por diferentes eras, grandes campeões e rivalidades históricas.
Em 2026, o Corinthians disputa a competição pela 19ª vez e tenta levantar a taça pela segunda oportunidade. Fernando Diniz, por sua vez, já sabe o que significa chegar ao topo do continente: foi campeão da Libertadores com o Fluminense em 2023.
O desenho completo desta fase pode ser acompanhado no chaveamento das oitavas de final da Libertadores de 2026.
Um mata-mata entre duas defesas fortes e personagens decisivos
Rosario Central x Corinthians coloca frente a frente equipes que construíram boa parte de suas classificações sobre organização defensiva.
Os argentinos sofreram apenas um gol em seis partidas e passaram as cinco primeiras rodadas sem ser vazados. O Corinthians iniciou sua campanha com três vitórias consecutivas por 2 a 0 e Hugo Souza também atravessou os três primeiros compromissos sem buscar a bola no fundo da rede.
As semelhanças chegam até a bola parada: cinco gols para cada equipe nesse tipo de lance durante a fase de grupos. A diferença pode estar nos jogadores capazes de quebrar o roteiro.
O Rosario tem Di María, campeão do mundo e jogador acostumado às maiores decisões do futebol internacional. Tem também Campaz, Copetti e um sistema defensivo que praticamente não concedeu gols na Libertadores.
O Corinthians responde com Garro, responsável por quatro assistências na fase de grupos, Gustavo Henrique, artilheiro improvável do time no torneio, e Hugo Souza, que já conhece até mesmo o desafio de encarar Di María em uma cobrança de pênalti.
Para o Timão, conseguir sobreviver à pressão do Gigante de Arroyito e levar um resultado competitivo para São Paulo pode ser fundamental. Para o Rosario Central, o jogo em casa representa a oportunidade de construir uma vantagem antes de enfrentar a Neo Química Arena.
Há 26 anos, foram necessários dois jogos de 3 a 2 e uma disputa por pênaltis para separar os dois clubes. Em 2026, Rosario Central e Corinthians voltam exatamente ao mesmo estágio da Libertadores. Mudaram os jogadores, os treinadores e o contexto, mas a lógica permanece: 180 minutos para decidir quem seguirá no caminho pela Glória Eterna.