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São Paulo campeão da Copa do Brasil de 2023: campanha completa do título que faltava ao Tricolor

O clube paulista conquistou a Copa do Brasil pela primeira vez em 2023, superando clássicos, e transformou uma antiga obsessão em um dos títulos mais simbólicos da história recente do clube.

Por Corte dos Esportes · 24/06/2026 · Categoria: Futebol

O título encerrou uma espera que parecia incompatível com o tamanho do clube. Com conquistas de mundiais, Libertadores, multicampeão brasileiro e dono de algumas das histórias mais marcantes do futebol sul-americano, o Tricolor ainda carregava uma ausência incômoda em sua sala de troféus: a taça mais democrática do país.

Quando levantou a Copa do Brasil, em 24 de setembro de 2023, no MorumBIS, o São Paulo não apenas conquistou um torneio. O clube fechou uma lacuna histórica. Em um campeonato marcado por mata-matas traiçoeiros, zebras, clássicos regionais e estádios lotados, a conquista tricolor entrou para a história da Copa do Brasil como o momento em que um gigante finalmente encontrou o caminho da competição.

O São Paulo era o último dos gigantes brasileiros com prateleira continental e mundial desse tamanho a ainda não ter vencido a Copa do Brasil.

O trauma antes da glória

Antes de 2023, o São Paulo já havia sentido o peso de uma final de Copa do Brasil. A principal ferida era de 2000, quando o time chegou à decisão contra o Cruzeiro. Após empate por 0 a 0 no Morumbi, o Tricolor abriu o placar no Mineirão com Marcelinho Paraíba, mas sofreu a virada no fim e perdeu por 2 a 1. O gol decisivo de Geovanni, já perto do apito final, transformou aquela final em uma das derrotas mais doloridas da história são-paulina.

Depois disso, a competição virou uma obsessão. O São Paulo teve boas campanhas, quedas frustrantes e eliminações que aumentaram a sensação de que faltava algo. Em 2022, chegou perto novamente, mas parou no Flamengo na semifinal. Um ano depois, o mesmo Flamengo apareceria no caminho, agora na decisão. A diferença é que, em 2023, o roteiro mudou de lado.

O começo contra o Ituano

O São Paulo entrou diretamente na terceira fase. O primeiro adversário foi o Ituano, em um confronto que começou com alerta. No MorumBIS, ainda sob comando de Rogério Ceni, o Tricolor ficou no 0 a 0 e saiu pressionado para a volta.

Entre a ida e a volta, o clube mudou de técnico. Dorival Júnior assumiu a equipe e logo precisou administrar um jogo decisivo fora de casa. No estádio Novelli Júnior, em Itu, o São Paulo venceu por 1 a 0, com gol de Wellington Rato no segundo tempo, e avançou às oitavas de final. A classificação foi apertada, mas marcou o início da caminhada campeã.

O susto contra o Sport

Nas oitavas, o São Paulo enfrentou o Sport. A ida, na Ilha do Retiro, foi um dos jogos mais importantes da campanha. O Tricolor venceu por 2 a 0, com gols de Luciano e Marcos Paulo, ambos no segundo tempo, e abriu uma vantagem confortável para decidir no Morumbi.

Só que a volta quase virou um desastre. O São Paulo perdeu por 3 a 1 em casa, com Michel Araújo marcando para o Tricolor, enquanto Alisson Cassiano e Sabino, duas vezes, fizeram os gols do Sport. O agregado terminou empatado em 3 a 3, levando a disputa para os pênaltis.

Nas cobranças, o São Paulo foi perfeito. Wellington Rato, Beraldo, Calleri, Rafinha e Pablo Maia converteram. Rafael defendeu a cobrança de Luciano Juba, e o Tricolor venceu por 5 a 3. A classificação veio com drama, mas também com um componente essencial em campanhas campeãs: sobreviver a uma noite ruim.

Vitórias no clássico paulista

Nas quartas de final, o sorteio colocou o Palmeiras no caminho. Era o rival mais dominante do futebol brasileiro naquele período, comandado por Abel Ferreira, acostumado a decisões e títulos recentes. O São Paulo, porém, fez uma eliminatória madura.

No jogo de ida, no MorumBIS, Rafinha acertou um chute raro e decidiu a vitória por 1 a 0. O gol do lateral foi simbólico: em uma campanha de protagonistas variados, até quem não costumava marcar apareceu em um momento decisivo.

Na volta, no Allianz Parque, o Palmeiras saiu na frente com Piquerez, mas o São Paulo virou por 2 a 1. Caio Paulista empatou no início do segundo tempo, e David marcou aos 43 minutos da etapa final. O agregado de 3 a 1 colocou o Tricolor na semifinal e mostrou a força mental da equipe de Dorival.

A semifinal também com clássico paulista

A semifinal foi um Majestoso de alta tensão. No primeiro jogo, na Neo Química Arena, o Corinthians venceu por 2 a 1. Renato Augusto marcou os dois gols alvinegros, e Luciano descontou para o São Paulo. O resultado obrigava o Tricolor a vencer em casa para seguir vivo.

Na volta, o São Paulo fez uma das grandes atuações de sua história recente em clássicos. Em um MorumBIS lotado, Wellington Rato abriu o placar aos 12 minutos do primeiro tempo, cortando para a esquerda e acertando um chute inesquecível. Aos 32, Lucas Moura, recém-retornado ao clube, marcou o segundo.

O 2 a 0 colocou o São Paulo na final com 3 a 2 no agregado. A vitória teve peso esportivo e emocional: eliminou um rival, recolocou Lucas como personagem histórico do clube e transformou o estádio em caldeirão. Naquele momento, a campanha já havia deixado de ser apenas uma busca por título. Virou comunhão entre time e torcida, algo diretamente ligado à história do MorumBIS como palco de grandes noites são-paulinas.

A final

A decisão foi contra o Flamengo, então campeão da edição anterior e dono de um elenco estrelado. O primeiro jogo aconteceu no Maracanã, em 17 de setembro de 2023. O São Paulo fez uma partida competitiva, controlou boa parte das ações e venceu por 1 a 0, com gol de cabeça de Calleri aos 46 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Rodrigo Nestor.

A vantagem era mínima, mas enorme pelo contexto. O Tricolor voltava para casa podendo empatar diante de sua torcida para ser campeão.

No jogo de volta, em 24 de setembro, o Flamengo saiu na frente com Bruno Henrique aos 43 minutos do primeiro tempo. O placar levava a decisão para os pênaltis, mas a resposta veio ainda antes do intervalo. Nos acréscimos, Rodrigo Nestor acertou um chute forte de fora da área e empatou a partida em 1 a 1.

O gol de Nestor virou imagem eterna da conquista. No segundo tempo, o São Paulo segurou o resultado, administrou a pressão e confirmou o título com 2 a 1 no agregado. O apito final encerrou uma espera de décadas.

Por que esse título foi tão simbólico

A Copa do Brasil de 2023 teve tudo que uma campanha histórica precisa: troca de técnico no início, classificação apertada, pênaltis, clássicos regionais e final contra um adversário de peso O São Paulo não levantou a taça por acaso. O time cresceu dentro do torneio, aprendeu a sofrer e encontrou diferentes heróis em cada etapa.

Wellington Rato decidiu contra o Ituano e brilhou contra o Corinthians. Rafael foi essencial nos pênaltis diante do Sport. Rafinha marcou um gol improvável contra o Palmeiras. Caio Paulista e David viraram no Allianz Parque. Lucas Moura voltou para decidir clássico. Calleri abriu a final no Maracanã. Rodrigo Nestor fez o gol que entrou para sempre na memória do torcedor.

Dorival Júnior também teve papel central. Campeão da Copa do Brasil em 2010 pelo Santos e em 2022 pelo Flamengo, ele chegou ao São Paulo em meio a instabilidade e deu ao time uma identidade competitiva. O Tricolor não foi uma máquina ofensiva, mas se tornou um time difícil de bater, forte mentalmente e capaz de jogar decisões com maturidade.

O grupo dos grandes com uma Copa do Brasil

Com a conquista, o São Paulo entrou no grupo de clubes tradicionais que têm uma Copa do Brasil no currículo.

Assim como o tricolor paulista, o Internacional venceu a competição de 1992, também carregando o peso de um clube gigante que precisou afirmar sua força em um torneio ainda jovem.

Para o São Paulo, porém, o peso era diferente. A Copa do Brasil era o troféu que faltava para completar uma coleção nacional e internacional já gigantesca. O clube não precisava da taça para provar grandeza, mas precisava dela para eliminar uma cobrança histórica.

O legado da conquista

O título da Copa do Brasil de 2023 mudou a forma como a década são-paulina passou a ser lembrada. Até então, o clube vivia anos de reconstrução, oscilações e tentativas de recuperar protagonismo. A taça devolveu identidade vencedora ao Morumbi, recolocou o São Paulo em uma prateleira de decisões nacionais e deu à torcida uma das festas mais intensas desde os grandes títulos continentais.

Mais do que uma conquista inédita, foi um título de reencontro. Reencontro com a força do estádio, com a mística dos mata-matas, com ídolos e personagens improváveis, com a capacidade de vencer gigantes em sequência e com a própria história do clube.

A Copa do Brasil de 2023 não foi apenas a taça que faltava. Foi a prova de que, mesmo depois de anos de cobrança, um gigante ainda podia transformar obsessão em celebração. O São Paulo esperou muito, sofreu bastante e levantou a Copa do Brasil do jeito mais são-paulino possível: com drama, camisa pesada, Morumbi pulsando e um gol inesquecível para fechar a conta.