A conquista veio em 2007, em uma campanha que tirou o clube de um longo jejum nacional, colocando o Tricolor novamente na Libertadores e marcou uma geração que misturava juventude, experiência e jogadores decisivos em mata-mata.
A taça veio contra o Figueirense, com empate por 1 a 1 no Maracanã e vitória por 1 a 0 no Orlando Scarpelli. O gol do título foi de Roger Machado, logo aos 3 minutos do primeiro tempo do jogo de volta, em Florianópolis. O detalhe aumentou o peso simbólico da conquista: Roger começou aquela decisão no lugar de Luiz Alberto, lesionado, e virou o herói de uma das noites mais importantes da história recente do clube.
O título não foi uma campanha linear e tranquila. Teve goleada, sufoco, classificação por gol fora, mudança de treinador, empate dramático no Maracanã e decisão fora de casa. Por isso, a conquista ainda segue viva na memória do torcedor: o Fluminense não apenas venceu a Copa do Brasil, mas atravessou diferentes tipos de pressão até chegar ao troféu.
O contexto do título
O Fluminense entrou na Copa do Brasil de 2007 buscando uma conquista nacional que já havia escapado em outras oportunidades. O clube tinha sido vice em 1992, contra o Internacional, e em 2005, contra o Paulista de Jundiaí, em uma das maiores zebras da competição.
Esse histórico ajuda a explicar o peso da campanha. Em 1992, o Fluminense venceu o primeiro jogo da final contra o Internacional por 2 a 1, mas perdeu por 1 a 0 no Beira-Rio e viu o título ficar com o clube gaúcho. Em 2005, voltou à decisão, mas perdeu a ida por 2 a 0 para o Paulista e empatou sem gols na volta.
A conquista de 2007, portanto, encerrou uma sequência de frustrações na própria Copa do Brasil. O Fluminense já tinha chegado perto, já tinha sentido o peso de uma final e precisava transformar presença em decisão em título. Foi isso que aconteceu contra o Figueirense.
A campanha também teve importância direta no calendário. Ao ser campeão da Copa do Brasil, o Fluminense garantiu vaga na Libertadores de 2008, competição em que o clube faria uma das campanhas continentais mais marcantes de sua história, chegando a final daquela edição.
Primeira fase: o ponto de partida
O Fluminense começou a caminhado para o título contra a ADESG, do Acre. No jogo de ida, fora de casa, venceu por 2 a 1. Soares abriu o caminho para o Tricolor, Alex Dias ampliou, e Diego descontou para o time acreano.
Na volta, no Maracanã, o Fluminense não deu margem para susto. Goleou por 6 a 0, com gols de Alex Dias, Cícero, Thiago Neves duas vezes, Thiago Silva e Lenny. A eliminatória terminou com 8 a 1 no agregado. Além da classificação sem dificuldade, a primeira fase apresentou alguns nomes que seriam importantes mais adiante. Thiago Neves apareceu com dois gols, Thiago Silva já mostrava liderança e Alex Dias confirmou presença ofensiva logo no início do torneio.
Segunda fase: o primeiro susto
Na segunda fase, o adversário foi o América-RN. O Fluminense venceu o jogo de ida por 2 a 1, em Natal, com gols de Soares e Alex Dias. Paulo Isidoro marcou para o time potiguar.
O resultado parecia confortável, mas a volta no Maracanã foi tensa. O América-RN venceu por 1 a 0, com gol de Rodrigo Paulista no segundo tempo. Mesmo derrotado em casa, o Fluminense avançou pelo critério de gols fora, já que havia marcado duas vezes como visitante.
Essa eliminatória foi o primeiro aviso da campanha. O Tricolor tinha qualidade, mas ainda oscilava. A derrota em casa mostrou que o caminho até o título não seria apenas técnico; seria também emocional.
Oitavas de final: com protestos e novamente classificação pelo gol fora
Nas oitavas, o Fluminense enfrentou o Bahia. O primeiro jogo terminou 1 a 1, no Rio de Janeiro. Carlos Alberto marcou para o Tricolor, enquanto Fábio Saci empatou para o time baiano.
O empate em casa aumentou a pressão. Na volta, na Fonte Nova, o Bahia saiu na frente com Emerson Cris, mas Cícero empatou ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Fábio Saci recolocou o Bahia em vantagem, e Soares marcou o gol do 2 a 2.
O resultado classificou o Fluminense pelo critério de gols fora de casa. Foi uma eliminatória-chave porque misturou pressão, instabilidade e mudança de ambiente interno. Renato Gaúcho assumiu o time durante aquela fase e passou a comandar a equipe que chegaria ao título.
Quartas de final: Thiago Silva e Adriano Magrão decidem
Nas quartas, o Fluminense encarou o Atlético-PR. O jogo de ida, no Maracanã, terminou 1 a 1. Thiago Silva marcou para o Tricolor, e Nei empatou para o time paranaense.
A volta, na Arena da Baixada, exigia personalidade. O Fluminense precisava vencer fora ou buscar um empate com gols para avançar. O jogo foi duro, mas Adriano Magrão marcou o gol da vitória por 1 a 0 e colocou o clube na semifinal.
Essa fase consolidou dois personagens da campanha. Thiago Silva, ainda jovem, já mostrava peso ofensivo nas bolas aéreas e segurança defensiva. Adriano Magrão começava a virar peça decisiva, não apenas como atacante, mas como jogador de momentos grandes.
Semifinal: vantagem e controle fora de casa
Na semifinal, o Fluminense enfrentou o Brasiliense. O primeiro jogo foi no Maracanã, e o Tricolor venceu por 4 a 2. Rafael Toledo abriu o placar para o Brasiliense, mas o Fluminense virou com gols de Thiago Silva, Alex Dias, Adriano Magrão e Carlos Alberto, de pênalti. Warley ainda descontou para o time do Distrito Federal.
A vitória deu uma margem importante para o jogo de volta. Em Brasília, o time da casa saiu na frente, mas Adriano Magrão empatou no começo do segundo tempo. O 1 a 1 confirmou o Fluminense na decisão.
A semifinal mostrou um time mais maduro. Depois de sofrer em fases anteriores, o Fluminense conseguiu construir vantagem em casa e administrar fora. Também confirmou Adriano Magrão como um dos nomes mais decisivos da campanha.
A final
A decisão foi contra o Figueirense. O primeiro jogo aconteceu no Maracanã, diante de grande público e clima de ansiedade. O time catarinense saiu na frente no segundo tempo, com gol de Henrique.
O Fluminense sentiu o golpe, mas não desestabilizou. Aos 43 minutos do segundo tempo, Thiago Neves fez a jogada pela direita e cruzou para Adriano Magrão empatar. O 1 a 1 impediu que o Figueirense levasse vantagem para Florianópolis.
O gol de Adriano Magrão teve um valor enorme. Sem ele, o Fluminense teria que vencer fora de qualquer maneira e ainda lidaria com uma pressão muito maior. Com o empate, o Tricolor manteve a decisão aberta.
No jogo de volta, o cenário mudou logo no começo. Aos 3 minutos do primeiro tempo, Roger Machado apareceu na área e marcou o gol da vitória por 1 a 0. O Fluminense segurou o resultado no Orlando Scarpelli e conquistou a Copa do Brasil pela primeira vez.
O gol que mudou a história
O gol de Roger é o lance mais lembrado daquela campanha. Ele entrou na decisão como substituto de Luiz Alberto e, em poucos minutos, virou protagonista.
A jogada também resume a força simbólica de uma final. Roger não era o jogador mais badalado do elenco, mas foi quem decidiu o título. Em uma campanha com Carlos Alberto, Thiago Neves, Alex Dias, Thiago Silva, Arouca e Adriano Magrão, coube a um defensor experiente marcar o gol mais importante.
A imagem de Roger balançando a rede em Florianópolis virou parte da memória do torcedor tricolor. Mais do que um gol, foi o lance que encerrou o jejum nacional e colocou o Fluminense de volta em uma competição continental.
Os destaques do Fluminense campeão
Adriano Magrão foi um dos nomes mais decisivos da campanha. Marcou contra Atlético-PR, Brasiliense duas vezes e Figueirense, no empate da final. Foram gols em fases decisivas e sempre com peso direto na classificação ou na sobrevivência do time.
Alex Dias também teve papel importante, com gols nas duas primeiras fases e na semifinal. Foi presença ofensiva constante, ajudando o Fluminense a construir placares que sustentaram a caminhada.
Thiago Silva foi outro destaque. Além da segurança defensiva, marcou contra ADESG, Atlético-PR e Brasiliense. Sua participação ofensiva em bolas paradas virou arma importante em uma competição de mata-mata.
Carlos Alberto foi o nome técnico do meio-campo. Marcou contra o Bahia e contra o Brasiliense, além de ser uma das referências de criação e personalidade do time.
Arouca e Cícero deram sustentação ao meio-campo. Thiago Neves apareceu como talento em ascensão, com gols e jogadas importantes. E Renato Gaúcho, que assumiu durante a campanha, terminou como campeão em seu primeiro grande título como treinador.
A Copa do Brasil de 2007 colocou o Fluminense novamente no centro do futebol nacional. O clube encerrou um jejum de 23 anos sem títulos nacionais, quando venceu o Campeonato Brasileiro de 1984, e entrou para a seleta lista de campeões de uma competição que se consolidou como uma das mais importantes do país, entrando definitivamente na história da Copa do Brasil.
O título também consolidou uma geração. Thiago Silva ganhou ainda mais status como zagueiro decisivo. Thiago Neves se afirmou como promessa de alto nível. Carlos Alberto deu peso técnico ao time. Adriano Magrão virou personagem de mata-mata. E Renato Gaúcho adicionou um troféu relevante ao início de sua trajetória como treinador.
Foi uma campanha com cara de Copa do Brasil. O Fluminense goleou quando pôde, sofreu quando precisou, usou o regulamento a favor, venceu fora de casa e decidiu o título longe do Maracanã.
O legado da conquista
O título do Fluminense na Copa do Brasil de 2007 segue como uma das conquistas mais importantes do clube no século. Ele abriu caminho para a Libertadores de 2008, reforçou a identidade competitiva do time e ficou marcado por uma campanha cheia de personagens.
Para o Fluminense, aquela temporada representa mais do que uma taça nacional. Representa superação de vices, retomada de protagonismo e uma campanha que colocou o clube ao lado do Flamengo que já havia sido campeão e anos depois com o título do Vasco na Copa do Brasil.