A conquista veio em 2011, em uma campanha que marcou a retomada do clube no cenário nacional e recolocou na Libertadores depois de uma decisão dramática contra o Coritiba.
Como é a única taça vascaína no torneio, o título de 2011 ganha ainda mais peso dentro da história do clube. Não foi uma campanha de domínio absoluto em todos os mata-matas, mas foi uma trajetória consistente, com vitórias fora de casa, empates administrados, poder de reação e jogadores que cresceram nos momentos de maior pressão.
Comandado por Ricardo Gomes, o Vasco tinha uma base forte com Fernando Prass, Dedé, Felipe, Diego Souza, Éder Luís e Alecsandro. O time soube misturar experiência, força física e eficiência ofensiva para atravessar uma Copa do Brasil que ainda era disputada no primeiro semestre.
O início com goleada
A caminhada começou de forma contundente. Na primeira fase, o Vasco foi até Campo Grande e goleou o Comercial-MS por 6 a 1, eliminando a necessidade do jogo de volta.
Fellipe Bastos abriu o placar, Marcel marcou duas vezes, Jéferson também deixou o dele, Éder Luís ampliou no segundo tempo e Rômulo fechou a conta para o Cruzmaltino. Anderson descontou para o Comercial-MS.
A estreia foi importante não apenas pelo placar, mas pelo recado competitivo. Em torneio mata-mata, vencer fora por larga vantagem reduzia desgaste, evitava jogo extra e dava confiança para um elenco que ainda buscava afirmação nacional naquela temporada.
ABC deu trabalho
Na segunda fase, o Vasco enfrentou o ABC. O jogo de ida, no Frasqueirão, terminou empatado por 0 a 0. O resultado deixou a vaga aberta e levou a decisão para São Januário.
Na volta, o ABC saiu na frente com Cascata e colocou pressão no confronto. O Vasco reagiu com Alecsandro, de pênalti, e virou com Bernardo no segundo tempo, vencendo por 2 a 1.
Foi uma classificação menos confortável que a estreia, mas importante para mostrar uma característica que acompanharia o time até o título: a capacidade de sobreviver em jogos travados e decidir nos detalhes.
Vitória com autoridade nos Aflitos
Nas oitavas de final, o Vasco construiu a classificação logo no primeiro jogo. Fora de casa, venceu o Náutico por 3 a 0 nos Aflitos, com gols de Dedé, Alecsandro e Bernardo.
O placar deu enorme vantagem para a volta. Em São Januário, o 0 a 0 confirmou a vaga sem grandes sustos.
A eliminatória contra o Náutico foi uma das mais sólidas da campanha. O Vasco foi eficiente fora, não sofreu gol na soma dos dois jogos e chegou às quartas com a sensação de que poderia competir pelo título.
Quartas com drama e peso do regulamento
As quartas de final contra o Atlético-PR foi um dos pontos mais tensos da campanha. No jogo de ida, em Curitiba, o Vasco empatou por 2 a 2. Alecsandro e Diego Souza marcaram, enquanto Guerrón e Paulo Baier fizeram os gols do time paranaense.
O empate fora de casa foi valioso porque, pelo regulamento da época, os gols como visitante eram critério de desempate. Isso deu ao Vasco uma vantagem estratégica para o jogo de volta.
Em São Januário, o Atlético-PR saiu na frente com Nieto e passou a ameaçar a classificação vascaína. O alívio veio com Elton, que empatou de cabeça e fez o gol que colocou o Vasco na semifinal. O 1 a 1 bastou porque o Cruzmaltino havia marcado duas vezes fora de casa na ida.
Essa eliminatória resumiu bem o torneio do Vasco: não foi uma campanha sem sofrimento, mas foi uma campanha de leitura de mata-mata. O time soube usar o regulamento, controlar o placar agregado e encontrar gols decisivos quando esteve pressionado.
Avaí fez jogo duro pela classificação
Na semifinal, o adversário foi o Avaí. O primeiro jogo, em São Januário, terminou 1 a 1. Julinho marcou para o time catarinense, e Diego Souza empatou para o Vasco nos acréscimos, de pênalti.
O gol no fim teve um peso enorme. Sem ele, o Vasco viajaria para Florianópolis em situação muito mais desconfortável. Com o empate, manteve o confronto vivo e levou a decisão para a Ressacada em condições melhores.
No jogo de volta, o Vasco fez uma de suas atuações mais maduras na campanha. Venceu por 2 a 0, com gol contra de Revson e outro de Diego Souza. A vitória fora de casa colocou na final da Copa do Brasil pela segunda vez em sua história.
A final
A decisão foi contra o Coritiba, que também fazia uma grande campanha e tinha um time ofensivo. O primeiro jogo aconteceu em São Januário. O Vasco venceu por 1 a 0, com gol de Alecsandro, e abriu uma vantagem mínima para a volta.
No Couto Pereira, a final virou um jogo histórico. O Vasco saiu na frente com Alecsandro, mas o Coritiba virou com gols de Bill e Davi. No segundo tempo, Éder Luís marcou e recolocou o título nas mãos vascaínas. Willian ainda fez o terceiro do Coritiba, mas o 3 a 2 não foi suficiente para tirar a taça do Vasco.
No agregado, a decisão terminou 3 a 3. O Vasco ficou com o título pelo critério de gols fora de casa, já que marcou duas vezes em Curitiba. Foi uma conquista com cara de mata-mata: vantagem curta na ida, pressão enorme fora, sofrimento até o fim e taça decidida no detalhe.
Os artilheiros do Vasco na campanha
Alecsandro foi o principal goleador vascaíno na Copa do Brasil de 2011, com cinco gols. Ele marcou em momentos decisivos, incluindo os dois jogos da final contra o Coritiba.
Diego Souza também teve papel central. Fez gols importantes contra Atlético-PR e Avaí, além de ser uma das referências técnicas do time no meio-campo.
A distribuição dos gols mostra que o Vasco não dependeu apenas de um jogador. Alecsandro foi o finalizador mais constante, mas o time teve participação decisiva de meias, atacantes e até defensores em diferentes fases.
Os vices do Vasco na Copa do Brasil
Antes do título de 2011, o Vasco já havia chegado perto da taça. Em 2006, o clube foi vice-campeão em uma final carioca contra o rival Flamengo. O Rubro-Negro venceu os dois jogos da decisão e ficou com o título.
O clube também voltou a decidir recentemente a Copa do Brasil, em 2025, contra o Corinthians, mas novamente ficou com o vice-campeonato. A nova final reforçou a relação do Vasco com o torneio: apesar de ter apenas um título, o clube aparece entre os times que já chegaram mais de uma vez à decisão e mantém a competição como uma das frentes mais relevantes de sua história recente.
Esse histórico ajuda a dimensionar melhor o peso de 2011. Não foi apenas uma taça isolada. Foi o momento em que o Vasco, depois de já ter batido na trave, conseguiu transformar uma campanha de mata-mata em título nacional.
Por que o título de 2011 é tão importante
Tem um peso especial porque veio em um momento de reconstrução esportiva. O Vasco havia passado por anos instáveis, rebaixamentos e buscava voltar a disputar grandes competições com protagonismo.
A conquista também abriu caminho para a Libertadores de 2012, competição em que o clube voltou a enfrentar adversários internacionais e viveu jogos de grande repercussão. Por isso, o título não ficou restrito ao troféu: ele teve impacto direto no calendário, na autoestima da torcida e na imagem competitiva do time.
O legado da conquista
O título permanece como uma das conquistas mais celebradas do Vasco no século. A final contra o Coritiba é lembrada pelo drama, mas a campanha inteira ajuda a explicar por que aquela taça teve tanto valor.
Alecsandro foi decisivo, Diego Souza comandou tecnicamente, Dedé virou símbolo defensivo, Fernando Prass transmitiu segurança e Ricardo Gomes deu equilíbrio a um time que soube competir em todos os cenários.
Para a história vascaína, a conquista de 2011 representa mais do que uma taça nacional. Representa uma campanha de afirmação, superação e eficiência em mata-mata. É o título que coloca o Vasco no grupo dos campeões da competição e segue como referência sempre que o clube volta a mirar protagonismo no torneio. Para entender melhor o peso nacional desse título dentro da história da Copa do Brasil.