O US Open de 2026 terminou com dois campeões que chegaram a Nova York carregando histórias bem diferentes, mas saíram de Flushing Meadows com conquistas que redefiniram suas carreiras. Alexander Zverev venceu Ben Shelton na final masculina e transformou a temporada de seu primeiro título de Grand Slam em um ano com duas taças de major. Elena Rybakina, por sua vez, derrotou Aryna Sabalenka na decisão feminina, conquistou seu primeiro troféu em Nova York e completou o torneio em que também garantiu a chegada ao número 1 do mundo.
As duas decisões foram disputadas no Arthur Ashe Stadium e deram ao último Grand Slam da temporada um fechamento de forte peso histórico. Zverev voltou ao palco de uma das derrotas mais dolorosas de sua carreira para finalmente ser campeão. Rybakina interrompeu a sequência de títulos de Sabalenka e adicionou o US Open a uma coleção que já tinha Wimbledon e Australian Open.
O desfecho de 2026 também acrescentou novos capítulos à história do US Open e de seus grandes campeões, torneio que atravessa gerações e tradicionalmente fecha a temporada de Grand Slams em Nova York.
Zverev conquista seu primeiro US Open
A final masculina, disputada neste domingo, em 13 de setembro, terminou com vitória de Alexander Zverev sobre Ben Shelton por 6/3, 7/6(2), 5/7 e 6/2. Cabeça de chave número 1 do torneio, o alemão abriu dois sets de vantagem, viu o norte-americano reagir no terceiro e fechou a partida na quarta parcial. Foi o primeiro título de Zverev no US Open e o segundo Grand Slam de sua carreira, ambos conquistados em 2026.
O resultado ganhou importância adicional pelo passado do alemão em Nova York. Em 2020, Zverev disputou sua primeira final de major justamente no US Open. Naquela decisão contra Dominic Thiem, abriu dois sets a zero, teve a oportunidade de sacar para o título no quinto set, mas acabou derrotado no tie-break decisivo. Seis anos depois, retornou à final do mesmo torneio em uma situação completamente diferente: já havia quebrado a barreira dos Grand Slams e chegava como campeão de Roland Garros.
A transformação aconteceu meses antes em Paris. Zverev derrotou Flavio Cobolli na final em Paris e conquistou ali seu primeiro major depois de três vice-campeonatos. A temporada continuou com outra decisão em Wimbledon e, posteriormente, com o título em Nova York. Dessa forma, o alemão disputou as finais dos três últimos Grand Slams de 2026 e ganhou duas delas.
O caminho de Zverev no US Open foi duro desde o início. Ele precisou de cinco sets nas duas primeiras rodadas, contra Lorenzo Sonego e Quentin Halys, antes de elevar o rendimento durante a segunda metade do torneio. Na semifinal, superou Karen Khachanov.
Campanha histórica mesmo com o vice
A derrota na final não diminui a dimensão do torneio de Ben Shelton. Aos 23 anos, o norte-americano disputou sua primeira decisão de Grand Slam depois de uma campanha marcada por adversários de alto nível.
O momento de maior repercussão aconteceu nas quartas de final, quando Shelton eliminou o então campeão Carlos Alcaraz em uma partida de cinco sets. Na semifinal, enfrentou o compatriota Frances Tiafoe. Foi com esse resultado que se tornou o primeiro homem negro norte-americano a alcançar a final do US Open desde Arthur Ashe, em 1972.
Shelton entrou na decisão também carregando uma longa expectativa do tênis dos Estados Unidos. Nenhum homem do país conquista um Grand Slam de simples desde Andy Roddick no US Open de 2003. O jovem chegou a tirar um set de Zverev na decisão, mas não conseguiu completar a missão de encerrar o jejum.
Para Zverev, o título ainda teve um significado nacional. O alemão se tornou o primeiro representante masculino de seu país a ganhar o US Open desde Boris Becker, campeão em 1989. A conquista fechou uma diferença de 37 anos entre os títulos alemães no masculino em Flushing Meadows.
Rybakina também faz história
A final feminina aconteceu um dia antes, no sábado em 12 de setembro, e terminou com Elena Rybakina campeã sobre Aryna Sabalenka por 6/4, 5/7 e 6/2.
Rybakina conseguiu uma quebra de saque cedo no primeiro set e protegeu a vantagem até fechar a parcial. Sabalenka respondeu em um segundo set equilibrado, aproveitando a oportunidade no fim para vencer por 7/5. No set decisivo, porém, a cazaque voltou a assumir o controle, abriu vantagem e confirmou o título com 6/2. No último game, chegou a cometer uma dupla falta em um championship point antes de encerrar a partida com um ace na oportunidade seguinte.
A vitória significou o primeiro US Open da carreira de Rybakina e o terceiro título de Grand Slam. Ela já havia conquistado Wimbledon em 2022 e o Australian Open de 2026. Assim como Zverev no masculino, portanto, terminou a temporada com duas conquistas nos quatro maiores torneios do calendário.
O título em Nova York também confirmou um salto de dimensão na carreira de Rybakina. Antes mesmo da final, a campanha no US Open já havia garantido que ela chegaria pela primeira vez ao número 1 do ranking da WTA, encerrando uma permanência de 99 semanas consecutivas de Sabalenka no topo.
A final feminina também reforçou uma rivalidade que passou a ocupar espaço central nos grandes torneios. Sabalenka e Rybakina já haviam decidido dois Grand Slams antes do US Open de 2026.
No Australian Open de 2023, Sabalenka venceu a decisão. Três anos depois, Rybakina derrotou a rival na final também na Austrália em 2026. O reencontro em Nova York colocou novamente as duas frente a frente pelo título de um major.
Sabalenka entrou na decisão tentando conquistar o US Open pela terceira temporada consecutiva. A bielorrussa havia alcançado sua quarta final seguida em Nova York e chegou ao jogo contra Rybakina com uma sequência de 20 vitórias no torneio desde 2024. O triunfo da cazaque encerrou ao mesmo tempo a série invicta, a tentativa de tricampeonato e o período de Sabalenka na liderança do ranking.
A campanha de Rybakina teve ainda vitórias importantes antes da decisão. Ela superou Naomi Osaka durante o torneio, derrotou Zheng Qinwen de virada nas quartas de final e também precisou reagir diante de Coco Gauff na semifinal, para alcançar sua primeira final em Nova York.
O que o US Open 2026 deixou para a história
O último Grand Slam do ano não terminou somente adicionando dois nomes à lista de campeões. As finais funcionaram como pontos de consolidação de duas trajetórias.
Zverev chegou a 2026 ainda carregando anos de cobranças por não ter conseguido transformar presença constante nas fases finais dos Grand Slams em títulos. Saiu da temporada com Roland Garros e US Open na coleção. A conquista em Nova York teve um simbolismo ainda maior justamente porque ocorreu no mesmo torneio em que o alemão havia perdido uma final depois de abrir dois sets de vantagem em 2020.
Rybakina viveu outro tipo de transformação. Já era campeã de Wimbledon e havia voltado a conquistar um major no Australian Open de 2026, mas Nova York acrescentou duas marcas simultâneas: o primeiro troféu do US Open e a chegada ao topo do ranking mundial. Ao derrotar Sabalenka na decisão, fez isso diretamente contra a jogadora que dominava tanto o ranking quanto o próprio torneio nas temporadas anteriores.
Ben Shelton e Aryna Sabalenka deixaram Nova York sem a taça, mas também fizeram parte do peso histórico das decisões. Shelton alcançou pela primeira vez uma final de Grand Slam e recolocou um norte-americano a uma vitória do fim de um jejum que atravessa mais de duas décadas. Sabalenka, por sua vez, chegou à quarta decisão consecutiva do US Open e manteve sua extraordinária regularidade em Grand Slams disputados em quadra dura.
No fim, o torneio produziu duas imagens com potencial para permanecer entre as referências desta geração: Zverev finalmente campeão em Arthur Ashe seis anos depois da frustração de 2020, e Rybakina levantando pela primeira vez o troféu em Nova York no mesmo torneio em que assegurou o número 1 do mundo. Foi um encerramento de Grand Slam que não apenas definiu campeões, mas ajudou a explicar quem terminou 2026 ocupando posições centrais no tênis mundial.
O que vem depois na temporada de tênis
Com o fim do US Open, o ano entra em sua reta decisiva, mas ainda reserva torneios de grande peso nos circuitos masculino e feminino. A sequência passa principalmente pela gira asiática e pelas competições que definem os classificados para as Finals de ATP e WTA.
Principais torneios do circuito feminino:
- China Open — Pequim, China
30 de setembro a 11 de outubro - WTA 1000 de Wuhan — Wuhan, China
12 a 18 de outubro - WTA Finals — Indian Wells, Estados Unidos
8 a 15 de novembro
O WTA Finals é o principal objetivo da reta final feminina. A competição reúne as oito melhores jogadoras da temporada e funciona como o grande encerramento do calendário individual da WTA.
Principais torneios do circuito masculino:
- Masters 1000 de Xangai — Xangai, China
7 a 18 de outubro - Masters 1000 de Paris — Paris, França
2 a 8 de novembro - ATP Finals — Turim, Itália
15 a 22 de novembro
O ATP Finals encerra a temporada individual masculina reunindo também os oito melhores jogadores da corrida anual. Depois dele, a Copa Davis ainda fecha o calendário das principais competições por equipes, com as finais programadas para o fim de novembro.
Assim, mesmo depois do último Grand Slam do ano, ainda há pontos importantes em disputa, vagas nas Finals para serem definidas e torneios capazes de alterar a leitura final da temporada. Para campeões e protagonistas do US Open, essa reta decisiva oferece a oportunidade de transformar o desempenho em Nova York em domínio mais amplo no circuito e fechar 2026 entre os grandes nomes do ano.