A etapa da WSL começou a segunda-feira com as oitavas de final masculinas, mas a programação não avançou como esperado. O vento forte atrapalhou as condições, interrompeu a bateria entre Samuel Pupo e Leonardo Fioravanti e levou a organização a cancelar o restante do dia depois de apenas três confrontos completos.
O Brasil saiu do dia com uma notícia dura: Yago Dora foi eliminado por Marco Mignot nas oitavas de final por apenas 0,01 ponto. O francês venceu por 12,84 a 12,83, em uma bateria decidida na última onda. Yago chegou a liderar com a melhor nota da fase até aquele momento, mas viu Mignot conseguir exatamente a nota necessária nos segundos finais.
No feminino, a principal notícia brasileira veio no domingo. Luana Silva venceu a espanhola Nadia Erostarbe, avançou às quartas de final e agora terá pela frente a havaiana Carissa Moore, pentacampeã mundial. A vitória foi importante não só pela classificação, mas também pelo contexto: a brasileira vinha de duas eliminações seguidas nas oitavas e conseguiu superar uma bateria perigosa em condições irregulares.
Como foi o quarto dia em Punta Roca
A segunda-feira começou com expectativa de sequência longa no masculino. O Brasil ainda tinha nomes fortes na chave, incluindo Yago Dora, Samuel Pupo, Ítalo Ferreira, João Chianca e Gabriel Medina. Mas o cenário mudou rapidamente com a piora das condições.
A instabilidade já vinha desde o dia anterior, quando a programação ficou concentrada nas baterias femininas e o Brasil teve Luana Silva como principal destaque. Esse contexto começou a se desenhar no segundo dia em Punta Roca, quando a etapa ainda tinha ritmo mais favorável e seguia forte antes da virada das condições.
Antes da paralisação, três baterias das oitavas masculinas foram finalizadas.
Resultados no dia:
- Callum Robson venceu Liam O’Brien: 12,50 x 5,13
- Kanoa Igarashi venceu Eli Hanneman: 9,67 x 9,17
- Marco Mignot venceu Yago Dora: 12,84 x 12,83
Logo depois, Samuel Pupo entrou na água contra Leonardo Fioravanti, mas a bateria foi interrompida no começo por causa do vento forte. A direção de prova colocou o evento em espera, fez nova chamada durante o dia e depois cancelou a sequência da programação.
Esse detalhe é importante para entender o momento da etapa. Punta Roca costuma ser uma direita longa, técnica e de alta performance, mas depende muito da combinação entre swell, vento e ondulações. Quando o vento entra forte, a onda perde qualidade, a leitura fica mais difícil e a direção de prova tende a preservar a competição para condições mais justas.
Yago Dora é eliminado no detalhe
A bateria do atual campeão mundial contra Marco Mignot foi a mais dramática do dia. O brasileiro começou atrás, viu o francês abrir vantagem, mas conseguiu responder com uma nota 8,00, a melhor nota das oitavas até aquele momento. Depois, somou 4,83 e chegou ao total de 12,83.
Mignot precisava de 6,17 na última onda para virar. O francês conseguiu exatamente essa nota e fechou a bateria com 12,84, superando Yago por apenas um centésimo. Foi uma eliminação cruel para o brasileiro, especialmente porque ele parecia ter o controle da disputa nos minutos finais.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
A derrota pesa na corrida pelo ranking. Yago chegou a El Salvador entre os principais nomes da temporada, mas a eliminação nas oitavas limita sua pontuação na etapa. O Brasil ainda segue forte no masculino, mas a saída de um dos nomes mais fortes da chave muda o peso da disputa.
Luana Silva vence e vai às quartas
A brasileira venceu Nadia Erostarbe por 12,50 a 10,90 e garantiu vaga na próxima fase. A vitória veio em uma bateria bem administrada desde o começo.
Luana abriu a disputa com duas boas notas: 6,67 e 5,83. Esse início forte obrigou Nadia a correr atrás do resultado. A espanhola ainda teve chance de virar na última onda, mas caiu depois de boas manobras e não conseguiu completar a pontuação necessária.
Veja os melhores momentos da bateria abaixo:
A classificação tem valor especial porque Luana vinha de duas quedas seguidas nas oitavas. Em El Salvador, ela conseguiu passar por uma fase que vinha sendo um obstáculo recente e se colocou novamente entre as oito melhores da etapa.
Condições ruins mudaram a programação
A etapa já vinha sofrendo com condições instáveis desde o domingo. Por isso, a direção de prova colocou na água apenas as oitavas femininas no dia anterior. A decisão preservou a chave masculina para uma janela que parecia mais favorável, mas o vento voltou a interferir nesta segunda-feira.
O problema não foi apenas a presença de vento, mas o impacto direto na qualidade da onda. Em Punta Roca, quando a direita fica limpa, os surfistas conseguem trabalhar várias seções, combinar velocidade, rasgadas, batidas e manobras mais verticais. Com vento forte, a onda fica mais difícil de ler, as seções fecham pior e a bateria pode virar uma disputa menos técnica.
Por isso, a interrupção no início da bateria entre Samuel Pupo e Leonardo Fioravanti foi uma decisão importante. Com vários surfistas ainda brigando por ranking e por vaga nas fases finais, a WSL preferiu esperar uma nova janela em vez de forçar o restante das oitavas em condições menos favoráveis para ter um bom nível de surf.
Situação da programação:
- Dia interrompido: segunda-feira
- Motivo: vento forte em Punta Roca
- Bateria interrompida: Samuel Pupo x Leonardo Fioravanti
- Nova chamada: terça-feira, às 12h30
- Baterias pendentes: restante das oitavas masculinas
Para terça-feira, os modelos de previsão apontam swell forte em Punta Roca. A leitura mais favorável aparece no início do dia, com ondas grandes, período longo e vento mais limpo pela manhã. Ao longo do dia, a previsão ainda indica ondas consistentes, mas com maior risco de condição menos favoráveis.
Previsão de mar para terça-feira em Punta Roca:
- Manhã: ondas na faixa de 7 a 10+ pés, com vento mais limpo
- Meio do dia: mar ainda grande, mas com tendência de condição mais irregular
- Fim da tarde: possibilidade de melhora, dependendo do vento
- Direção principal do swell: sul-sudoeste
- Período: cerca de 17 segundos
Esse cenário mantém a etapa aberta para um dia importante. Se o vento colaborar, a WSL pode retomar as oitavas masculinas com ondas maiores e mais consistentes do que as vistas no momento da paralisação.
Confrontos pendentes no masculino
Com a paralisação, boa parte da chave masculina ainda ficou em aberto. O Brasil segue com quatro nomes vivos na etapa: Samuel Pupo, Ítalo Ferreira, João Chianca e Gabriel Medina.
Baterias masculinas ainda pendentes:
- Samuel Pupo x Leonardo Fioravanti
- Ítalo Ferreira x Crosby Colapinto
- Kauli Vaast x João Chianca
- Gabriel Medina x Jack Robinson
- Barron Mamiya x Alan Cleland
O saldo brasileiro em El Salvador ficou misto. Luana Silva avançou no feminino e terá uma quartas de final de alto nível contra Carissa Moore. No masculino, Yago Dora caiu em uma das baterias mais apertadas da temporada, mas o Brasil ainda mantém força na chave com Medina, Ítalo, Samuel e Chianca.
A etapa também reforça como Punta Roca pode mudar rapidamente. O pico entregou bons momentos no começo da janela, mas as condições irregulares e o vento forte passaram a controlar o ritmo da competição. Para quem disputa ranking, isso aumenta a importância da leitura de bateria, da paciência e da capacidade de aproveitar poucas ondas boas.