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Próxima etapa da WSL 2026 será em Teahupo’o: ranking atualizado, brasileiros e retorno de Kelly Slater

O Tahiti Pro será disputado entre 8 e 18 de agosto em uma das ondas mais perigosas do mundo. A etapa terá brasileiros na disputa direta pela liderança, Luana Silva entre as primeiras do feminino e Kelly Slater como uma das grandes atrações.

Por Corte dos Esportes · 13/07/2026 · Categoria: Surf

A próxima etapa da WSL 2026 levará a elite do surfe mundial para Teahupo’o, no Taiti. O Outerknown Tahiti Pro Presented by I-SEA será realizado entre os dias 8 e 18 de agosto e será à sétima parada do Championship Tour na temporada.

A competição acontece depois da passagem do circuito por Saquarema, no Rio de Janeiro. A etapa brasileira terminou com a vitória de Yago Dora, campeão do Rio Pro 2026, resultado que colocou o brasileiro ainda mais perto da liderança do ranking mundial.

A disputa no Brasil também confirmou a força coletiva da Brazilian Storm. Cinco surfistas do país aparecem entre os seis primeiros colocados do ranking masculino antes da etapa taitiana. No feminino, Luana Silva ocupa a quarta posição e permanece diretamente envolvida na corrida pela liderança.

Teahupo’o, porém, representa um desafio completamente diferente. A onda rápida, tubular e extremamente pesada quebra sobre uma bancada rasa de coral, exigindo coragem, leitura de mar, posicionamento e precisão.

Ranking masculino da WSL

O italiano Leonardo Fioravanti chegará ao Taiti na liderança. A diferença para Ítalo Ferreira, segundo colocado, é de apenas 85 pontos. Yago Dora ocupa a terceira posição, enquanto Gabriel Medina, os irmãos Pupo completam uma sequência de cinco brasileiros dentro do top 6.

Confira os dez primeiros colocados:

  1. Leonardo Fioravanti, Itália — 33.930 pontos
  2. Ítalo Ferreira, Brasil — 33.845 pontos
  3. Yago Dora, Brasil — 32.950 pontos
  4. Gabriel Medina, Brasil — 27.610 pontos
  5. Miguel Pupo, Brasil — 27.130 pontos
  6. Samuel Pupo, Brasil — 24.640 pontos
  7. Ethan Ewing, Austrália — 23.830 pontos
  8. George Pittar, Austrália — 21.960 pontos
  9. Kanoa Igarashi, Japão — 21.790 pontos
  10. Liam O’Brien, Austrália — 19.865 pontos

O equilíbrio entre os três primeiros aumenta o peso do Tahiti Pro. Fioravanti, Ítalo e Yago estão separados por menos de mil pontos, diferença que pode desaparecer completamente dependendo dos resultados em Teahupo’o.

Ítalo Ferreira chega como um dos principais candidatos. Além de estar praticamente empatado com Fioravanti, o brasileiro possui um estilo agressivo, explosivo e comprometido, características importantes em uma onda que exige decisões rápidas.

Yago Dora atual campeão mundial, também desembarca fortalecido pela vitória em Saquarema. O resultado no Rio Pro comprovou novamente sua capacidade de responder em momentos decisivos e o colocou em posição de assumir a liderança na busca do bi campeonato.

Gabriel Medina permanece na disputa mesmo estando um pouco mais distante dos três primeiros. O tricampeão mundial conhece profundamente Teahupo’o e possui um dos melhores históricos da geração atual no local. Sua leitura estratégica, seu controle dentro do tubo e sua experiência em condições pesadas fazem do brasileiro um dos adversários mais perigosos da etapa.

Os irmãos Pupo completam o domínio brasileiro na parte superior da classificação. A presença de cinco atletas do país entre os seis primeiros demonstra a força da campanha coletiva da Brazilian Storm e aumenta a possibilidade de confrontos brasileiros nas fases decisivas.

Ranking feminino

No feminino, Gabriela Bryan ocupa a liderança, seguida por Carissa Moore e Sawyer Lindblad. A brasileira Luana Silva aparece na quarta posição, a pouco mais de três mil pontos do topo.

Confira as dez primeiras colocadas:

  1. Gabriela Bryan, Havaí — 35.065 pontos
  2. Carissa Moore, Havaí — 33.490 pontos
  3. Sawyer Lindblad, Estados Unidos — 32.970 pontos
  4. Luana Silva, Brasil — 31.835 pontos
  5. Molly Picklum, Austrália — 30.120 pontos
  6. Caitlin Simmers, Estados Unidos — 27.065 pontos
  7. Lakey Peterson, Estados Unidos — 25.490 pontos
  8. Caroline Marks, Estados Unidos — 24.320 pontos
  9. Tyler Wright, Austrália — 18.545 pontos
  10. Nadia Erostarbe, Espanha — 18.170 pontos

As cinco primeiras colocadas estão separadas por menos de cinco mil pontos. Dessa forma, uma vitória em Teahupo’o pode provocar uma mudança significativa no topo da classificação, especialmente se as principais concorrentes forem eliminadas nas rodadas iniciais.

Luana Silva chega ao Taiti em uma posição importante. A brasileira está a 3.230 pontos da líder Gabriela Bryan e pode reduzir a diferença ou até assumir a primeira colocação, dependendo da combinação de resultados.

O desafio será enfrentar um grupo que mistura juventude, experiência e habilidade em ondas pesadas. Carissa Moore possui um dos repertórios mais completos da história do surfe feminino, enquanto Molly Picklum, Caitlin Simmers e Caroline Marks também demonstraram capacidade de produzir grandes notas em condições de alto risco.

Pontuação distribuída no Tahiti Pro

Além da importância esportiva de vencer em Teahupo’o, a etapa poderá provocar mudanças significativas nos rankings masculino e feminino.

Escala de pontos do masculino:

  • Campeão — 10.000 pontos
  • Vice-campeão — 7.800 pontos
  • Semifinalistas — 6.085 pontos cada
  • Eliminados nas quartas de final — 4.745 pontos cada
  • Eliminados no Round 3 — 3.320 pontos cada
  • Eliminados no Round 2 — 1.000 pontos cada
  • Eliminados no Round 1 — 500 pontos cada

Escala de pontos do feminino:

  • Campeã — 10.000 pontos
  • Vice-campeã — 7.800 pontos
  • Semifinalistas — 6.085 pontos cada
  • Eliminadas nas quartas de final — 4.745 pontos cada
  • Eliminadas no Round 2 — 2.000 pontos cada
  • Eliminadas no Round 1 — 1.000 pontos cada

A diferença nas rodadas iniciais acontece porque o quadro masculino possui 36 competidores, enquanto o feminino reúne 24 surfistas. No masculino, quatro atletas disputam uma fase preliminar antes do Round 2. No feminino, as oito primeiras cabeças de chave entram diretamente no Round 2.

A diferença entre conquistar o título e terminar como vice é de 2.200 pontos. Em uma temporada com os líderes separados por margens pequenas, uma única bateria em Teahupo’o poderá definir quem deixará o Taiti na primeira posição do mundo.

Slater disputará como convidado

Uma das principais atrações do Tahiti Pro será a participação de Kelly Slater. O norte-americano recebeu um wildcard para competir em Teahupo’o e voltará ao Championship Tour justamente em uma das ondas mais importantes de sua carreira.

A presença do maior campeão mundial da história acrescenta um componente especial à etapa. Slater não disputa mais uma temporada completa do circuito, mas continua realizando aparições selecionadas em eventos nos quais sua experiência pode fazer diferença.

O norte-americano construiu uma relação histórica com Teahupo’o. Ele venceu cinco vezes no local e disputou sete finais, números que ajudam a explicar por que sua participação não deve ser vista apenas como uma homenagem.

Mesmo diante de atletas mais jovens e em ritmo constante de competição, Slater possui um conhecimento raro sobre a bancada taitiana. Ele entende as mudanças de maré, a direção dos swells, o posicionamento necessário para encontrar as melhores ondas e as diferentes linhas possíveis dentro do tubo.

O retorno também amplia o interesse em torno da etapa porque reúne diferentes gerações. Slater poderá enfrentar atletas como Ítalo Ferreira, Yago Dora, Gabriel Medina, Leonardo Fioravanti, Ethan Ewing e Kanoa Igarashi, todos formados em uma era profundamente influenciada pelo norte-americano.

A dimensão de sua presença fica ainda mais clara ao observar a história de Kelly Slater construída no surfe mundial. Com 11 campeonatos mundiais, domínio em diferentes gerações e vitórias nas ondas mais tradicionais do circuito, ele estabeleceu padrões de longevidade e competitividade que seguem sem paralelo.

Slater também buscará sua sexta vitória no Tahiti Pro. Embora não apareça entre os candidatos ao título da temporada, pode interferir diretamente na classificação ao eliminar atletas que brigam pelas primeiras posições.

Em uma onda tão específica, a experiência consegue reduzir a diferença de ritmo competitivo. Saber esperar, escolher a série correta e encontrar a linha mais profunda pode valer mais do que o volume de manobras apresentado em outras etapas.

O que torna Teahupo’o tão difícil

É uma onda de esquerda que quebra sobre uma bancada rasa de coral. A ondulação avança por águas profundas e encontra uma mudança brusca no fundo do oceano, formando uma parede grossa e um tubo de grande volume.

A entrada exige comprometimento total. O surfista precisa remar com força, entrar no momento correto e ajustar imediatamente sua trajetória. Qualquer hesitação pode impedir a entrada ou provocar uma queda em uma região extremamente perigosa.

Dentro do tubo, o atleta precisa controlar a velocidade sem perder contato com a parede da onda. Dependendo do tamanho e da direção da ondulação, Teahupo’o pode apresentar seções que crescem rapidamente e obrigam o competidor a mudar sua linha em poucos segundos.

As maiores notas normalmente aparecem quando o surfista realiza uma entrada difícil, permanece profundamente posicionado dentro do tubo e consegue completar a onda de maneira limpa. Em condições grandes, uma única apresentação pode decidir toda a bateria.

A escolha das ondas também será determinante. Teahupo’o pode oferecer poucas oportunidades durante uma bateria, obrigando os competidores a administrar prioridade e posicionamento. Um atleta pode esperar pela maior onda e terminar sem pontuação, enquanto outro pode construir o resultado aproveitando oportunidades intermediárias.

Histórico dos brasileiros em Teahupo’o

O Brasil possui uma relação vitoriosa na bancada taitiana. Surfistas do país conquistaram cinco títulos masculinos na etapa do Championship Tour: Bruno Santos, em 2008; Gabriel Medina, em 2014 e 2018; Miguel Pupo, em 2022; e Ítalo Ferreira, em 2024. Medina é o único brasileiro bicampeão do evento.

A conquista de Bruno Santos permanece como uma das histórias mais marcantes da competição. O surfista de Niterói chegou ao quadro principal pelas triagens e superou adversários da elite para vencer em 2008, mostrando como o conhecimento de ondas tubulares pode desafiar o favoritismo e a posição no ranking.

Gabriel Medina ampliou o protagonismo brasileiro ao vencer em 2014 e repetir o título em 2018. O tricampeão mundial construiu um dos melhores retrospectos de sua geração na bancada taitiana, combinando leitura estratégica, confiança na entrada das ondas e controle de velocidade dentro dos tubos.

Em 2022, Miguel Pupo conquistou seu primeiro título no Championship Tour justamente em Teahupo’o. O brasileiro superou o taitiano Kauli Vaast na decisão e encerrou um longo período de busca por uma vitória na elite mundial.

Ítalo Ferreira aumentou a lista em 2024. Em ondas que chegaram à faixa de quatro a cinco metros, o campeão mundial de 2019 derrotou John John Florence na final por 17,70 pontos e confirmou sua capacidade em condições pesadas.

O Brasil também possui momentos importantes no feminino. Em 2024, Tatiana Weston-Webb conseguiu uma nota 10 em um tubo impressionante durante a semifinal contra Vahine Fierro. Apesar da atuação histórica, Tati foi eliminada por 17,70 a 16,07 e terminou a etapa na terceira colocação.

Esse retrospecto coloca os brasileiros novamente entre os atletas que merecem atenção no Tahiti Pro. Ítalo Ferreira, Gabriel Medina e Miguel Pupo já sabem o que é vencer na bancada, enquanto os demais integrantes da Brazilian Storm tentarão acrescentar seus nomes a uma lista que começou com a campanha surpreendente de Bruno Santos em 2008.

Etapa será decisiva para os brasileiros

Ítalo Ferreira tem a oportunidade de assumir a liderança do ranking. A diferença para Fioravanti é mínima, e um avanço superior ao do italiano poderá colocar o campeão mundial de 2019 no topo da classificação.

Yago Dora vive situação semelhante. Depois do título em Saquarema, o brasileiro chega ao Taiti com confiança e em posição matemática para ultrapassar os dois primeiros colocados.

Gabriel Medina também deve ser acompanhado com atenção. Poucos competidores possuem tanta experiência em Teahupo’o, especialmente quando as condições oferecem tubos grandes e ondas de consequência.

Miguel Pupo e Samuel Pupo aparecem logo atrás e podem aproveitar um eventual tropeço dos líderes. Filipe Toledo, João Chianca, Alejo Muniz e Mateus Herdy ampliam a presença brasileira no quadro masculino.

No feminino, Luana Silva carrega a principal expectativa do país. Sua quarta posição no ranking coloca a surfista em situação real de luta pela liderança, mas a etapa exigirá confiança e comprometimento desde as primeiras baterias.

Entre 8 e 18 de agosto, Teahupo’o não será apenas o palco da próxima etapa da WSL. A bancada taitiana poderá reorganizar os dois rankings, fortalecer candidatos ao título e transformar um único tubo em um dos momentos mais importantes de toda a temporada.