Atlético-MG e Santos são os primeiros clubes que garantiram presença nas quartas de final da Copa do Brasil de 2026. Depois de empatarem seus jogos de ida por 0 a 0 como mandantes, precisaram buscar a classificação longe de casa e responderam com vitórias por 1 a 0.
O Atlético-MG eliminou o Juventude no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, com um gol de Alan Minda aos 49 minutos do segundo tempo. Pouco depois, no Mangueirão, em Belém, o Santos venceu o Remo com gol de Rony na segunda etapa. Os placares colocaram dois clubes de grande tradição nacional entre os oito sobreviventes do principal mata-mata do futebol brasileiro.
As classificações também ilustraram uma característica permanente da Copa do Brasil: vantagem técnica, posse de bola ou favoritismo não bastam. Em confrontos eliminatórios, cada disputa, rebote e oportunidade pode determinar a continuidade de uma temporada.
Dois empates em casa e duas decisões fora
Os confrontos começaram em 1º de agosto. Na Arena MRV, em Belo Horizonte, Atlético-MG e Juventude empataram por 0 a 0. O Galo teve dificuldades para transformar seu volume ofensivo em gols e deixou a definição completamente aberta para o duelo no Rio Grande do Sul.
O mesmo aconteceu com o Santos. Atuando na Vila Belmiro, o Peixe criou oportunidades, mas também terminou no empate sem gols com o Remo. O resultado obrigou a equipe santista a vencer no Mangueirão para evitar uma disputa de pênaltis contra um adversário apoiado por sua torcida.
Gol salvador no últimos segundos
A classificação atleticana foi construída com insistência. O Atlético-MG controlou boa parte da partida contra o Juventude e criou as oportunidades mais perigosas, mas voltou a encontrar dificuldade para transformar o domínio em vantagem no placar.
Aos 31 minutos do primeiro tempo, Victor Hugo chegou à linha de fundo e cruzou para Cuello, que cabeceou no travessão. Na etapa final, o técnico Eduardo Domínguez recorreu ao banco e colocou Igor Gomes, Dudu, Maycon e Alan Minda. As alterações deram novo ritmo à equipe e mantiveram o Juventude pressionado em seu campo defensivo.
Quando a definição por pênaltis parecia cada vez mais próxima, Minda aproveitou uma sobra dentro da área. Aos 49 minutos do segundo tempo, depois de uma disputa aérea e de uma tentativa malsucedida de corte da defesa gaúcha, o equatoriano completou a jogada para a rede e marcou o único gol do confronto.
Everson teve papel importante ao impedir que o Juventude abrisse o marcador nos momentos em que conseguiu chegar ao ataque. O goleiro alcançou, naquele jogo, 38 partidas pelo clube na Copa do Brasil, ampliando sua marca como atleta que mais defendeu o Atlético-MG na competição.
A vaga acrescentou um novo capítulo ao histórico do Atlético-MG na Copa do Brasil, torneio no qual o clube voltou a mostrar capacidade de competir sob pressão e encontrar soluções mesmo quando o confronto permanece travado até os minutos finais.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Lei do ex garante classificação santista
A classificação do Santos também teve um personagem carregado de simbolismo. Autor do gol da vitória sobre o Remo, Rony começou sua trajetória profissional justamente no clube paraense. Formado nas categorias de base azulinas, o atacante foi integrado ao elenco principal do Remo em 2014 antes de seguir sua carreira por outras equipes do futebol brasileiro.
No reencontro pelo mata-mata nacional, Rony começou entre os reservas e foi acionado durante a partida. O atacante marcou aos 28 minutos do segundo tempo e definiu a vitória santista por 1 a 0 no Mangueirão.
O gol encerrou uma eliminatória equilibrada e evitou que a vaga fosse decidida nas cobranças de pênaltis.
A classificação também reforçou a ligação do clube com uma competição que ocupa lugar importante em sua história. O Santos conquistou o torneio em 2010, em uma campanha marcada pelo futebol ofensivo daquela geração, agora segue na busca pelo bi campeonato.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
O que as duas classificações representam
Atlético-MG e Santos chegaram às quartas de final sem apresentar domínio absoluto durante os 180 minutos, mas demonstraram uma qualidade fundamental em competições eliminatórias: permanecer vivos até a última oportunidade.
O Galo marcou quando restavam poucos segundos para o encerramento da partida. O Peixe encontrou seu gol durante a segunda etapa em um confronto que também poderia caminhar para as penalidades. Em ambos os casos, a classificação nasceu da capacidade de insistir, controlar a ansiedade e aproveitar um lance decisivo.
As duas eliminatórias também deixaram um alerta para a sequência. Nas quartas de final, o nível de dificuldade tende a aumentar, e as equipes precisarão transformar com maior eficiência suas oportunidades. O espaço para recuperação diminui conforme o torneio avança, principalmente diante de adversários que também chegam fortalecidos por classificações em jogos de alta pressão.
Agora os clubes aguardam a definição do restante do classificados, com o sorteio da CBF para conhecer os adversários e o chaveamento da sequência da competição. Os jogos de ida das quartas estão previstos para 26 e 27 de agosto, enquanto as partidas de volta devem ocorrer em 2 e 3 de setembro.
Os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil 2026 mostraram novamente como a competição cobra atenção até o último lance. Para Atlético-MG e Santos, as vitórias mínimas fora de casa foram suficientes. Mais do que o placar, ficou a demonstração de sobrevivência competitiva que costuma separar eliminados e candidatos ao título no mata-mata nacional.