O clube levantou a taça em 2014 e 2021, em campanhas muito diferentes, mas igualmente marcantes para a história atleticana. A primeira conquista veio em um roteiro dramático, com viradas memoráveis e final num clássico mineiro. A segunda apareceu em uma temporada dominante, com elenco estrelado, protagonismo de Hulk e uma final praticamente controlada contra o Athletico-PR.
A relação do Galo com a Copa do Brasil é marcada por intensidade. O clube não aparece entre os maiores campeões em número absoluto de taças, mas tem uma história relevante no torneio porque seus títulos carregam peso emocional e esportivo. Em 2014, o Atlético-MG venceu a competição pela primeira vez eliminando gigantes e superando o Cruzeiro na decisão. Em 2021, confirmou uma das temporadas mais fortes de sua história ao conquistar o Brasileiro e a Copa do Brasil no mesmo ano.
Com as duas conquistas e trajetória que ficaram na memória dos torcedores e na história da Copa do Brasil.
Além das conquistas, o clube também foi vice-campeão em 2016, contra o Grêmio, e em 2024, contra o Flamengo. Esses dois vices ajudam a mostrar que o Atlético-MG virou presença frequente em campanhas longas do torneio, especialmente a partir da última década.
2014: a primeira taça
Campanha completa:
Oitavas de final
• Palmeiras 0 x 1 Atlético-MG
• Atlético-MG 2 x 0 Palmeiras
Quartas de final
• Corinthians 2 x 0 Atlético-MG
• Atlético-MG 4 x 1 Corinthians
Semifinal
• Flamengo 2 x 0 Atlético-MG
• Atlético-MG 4 x 1 Flamengo
Final
• Atlético-MG 2 x 0 Cruzeiro
• Cruzeiro 0 x 1 Atlético-MG
A final contra o Cruzeiro
O primeiro título do Atlético-MG na Copa do Brasil em 2014, foi uma das campanhas mais simbólicas da história recente do clube. A conquista teve um peso especial porque o adversário da final foi o Cruzeiro, maior rival atleticano, que vivia grande fase nacional e chegava como força consolidada no futebol brasileiro.
A decisão mineira deu ao título um significado ainda maior. Não era apenas uma final de Copa do Brasil. Era um clássico estadual valendo taça nacional, vaga na Libertadores e supremacia simbólica em uma temporada de enorme rivalidade, além de ser uma conquista inédita para o clube.
O Atlético-MG abriu a decisão vencendo por 2 a 0. O resultado deu ao Galo uma vantagem importante para o jogo de volta e aumentou a pressão sobre o Cruzeiro. Na segunda partida, o time alvinegro voltou a vencer, agora por 1 a 0, e confirmou o título de forma incontestável no agregado.
Diego Tardelli foi um dos grandes personagens da final. O atacante marcou no jogo de volta e virou símbolo de uma geração que já havia conquistado a Libertadores em 2013 e, no ano seguinte, entregou ao clube sua primeira Copa do Brasil.
A conquista também teve peso por causa do caminho. Não foi uma rota simples. O Galo enfrentou camisas pesadas, ambientes difíceis e placares adversos. Por isso, o título de 2014 ficou associado à capacidade de reação do clube.
As viradas que marcaram a campanha
Ficou marcada pelo espírito de sobrevivência. A equipe perdeu os jogos de ida das quartas e da semifinal por 2 a 0, mas conseguiu duas viradas históricas no mata-mata.
Contra o Corinthians, no jogo de volta, construiu uma vitória por 4 a 1 e avançou em uma noite de enorme pressão. A classificação reforçou a imagem de um time que sabia crescer quando parecia estar no limite.
Na semifinal, o roteiro se repetiu contra o Flamengo. No reencontro, venceu também por 4 a 1 e chegou à final em uma das viradas mais lembradas da competição.
Essas duas noites ajudaram a formar a identidade daquela campanha. O Atlético-MG de 2014 não foi campeão apenas porque jogou bem. Foi campeão porque soube lidar com desvantagem, pressão e ambiente de decisão. A taça nasceu de um roteiro que combinou técnica, emoção e crença até o fim.
Levir Culpi e os personagens de 2014
O treinador conseguiu reorganizar uma equipe que vinha de um ciclo vencedor e manteve o grupo competitivo.
O elenco tinha nomes decisivos. Victor seguia como referência no gol. Leonardo Silva, Marcos Rocha, Leandro Donizete, Luan, Diego Tardelli e outros jogadores foram importantes em diferentes momentos da campanha. A equipe não dependia de um único personagem, mas de uma base acostumada a jogos grandes.
Luan virou um dos símbolos daquela Copa do Brasil pela intensidade e pela ligação com a torcida. Tardelli decidiu a final. E Victor dava ao time a segurança de quem já havia sido protagonista em conquistas recentes.
O título de 2014 consolidou uma das fases mais fortes da história atleticana. Depois da Libertadores de 2013, a Copa do Brasil de 2014 mostrou que o Galo não havia vivido apenas um momento isolado. O clube seguia competitivo, forte em mata-mata e capaz de ganhar decisões grandes.
2021: o bicampeonato em uma temporada dominante
Campanha completa:
Terceira fase
• Remo 0 x 2 Atlético-MG
• Atlético-MG 2 x 1 Remo
Oitavas de final
• Atlético-MG 2 x 0 Bahia
• Bahia 2 x 1 Atlético-MG
Quartas de final
• Fluminense 1 x 2 Atlético-MG
• Atlético-MG 1 x 0 Fluminense
Semifinal
• Atlético-MG 4 x 0 Fortaleza
• Fortaleza 1 x 2 Atlético-MG
Final
• Atlético-MG 4 x 0 Athletico-PR
• Athletico-PR 1 x 2 Atlético-MG
A final contra o Athletico-PR
O segundo título veio em uma temporada histórica. O clube já havia conquistado o Campeonato Brasileiro e chegou à decisão da Copa do Brasil como uma das equipes mais fortes do país.
A final contra o Athletico-PR mostrou a diferença de momento entre os dois times. No primeiro jogo, o Atlético-MG venceu por 4 a 0 e encaminhou a taça. Foi uma atuação dominante, com força ofensiva, controle emocional e participação decisiva de seus principais jogadores.
Na partida de volta, em Curitiba, o Galo voltou a vencer, agora por 2 a 1. O agregado de 6 a 1 confirmou uma campanha de enorme superioridade na reta final. O Atlético-MG não apenas conquistou o título: venceu a decisão com autoridade.
Hulk foi o grande nome individual da temporada atleticana. O atacante acumulou gols, assistências, liderança técnica e protagonismo nos momentos decisivos. Na Copa do Brasil, foi peça central de um time que tinha volume ofensivo, força física e repertório para controlar diferentes tipos de jogo.
Keno também brilhou na final, especialmente no jogo de ida. Guilherme Arana, Jair, Junior Alonso, Everson e outros nomes completaram uma base que transformou 2021 em um dos anos mais importantes da história do clube.
Cuca e a consolidação do time de 2021
O treinador que já tinha uma relação forte com o clube por causa da Libertadores de 2013. O retorno ao Galo terminou com uma temporada de afirmação nacional.
A campanha na Copa do Brasil mostrou um time mais dominante do que o de 2014. Se a primeira conquista foi marcada por viradas e drama, a segunda foi marcada por controle e imposição.
O bicampeonato da Copa do Brasil fechou uma temporada histórica. O Atlético-MG venceu o Brasileiro, conquistou a Copa do Brasil e ainda acumulou protagonismo nacional com um elenco que marcou época para a torcida.
Os números das campanhas campeãs:
• 2014: 8 jogos, 6 vitórias, 0 empates, 2 derrotas, 14 gols marcados e 6 sofridos
• 2021: 10 jogos, 9 vitórias, 0 empates, 1 derrota, 22 gols marcados e 6 sofridos
A importância do Mineirão na história atleticana
A relação do Atlético-MG com grandes decisões também passa pelo o estádio que o clube mandou seus jogos até recentemente, quando inaugurou a sua Arena. O Mineirão aparece em capítulos importantes da trajetória do clube mineiro e ajuda a dar dimensão aos títulos.
No caso da Copa do Brasil, o peso local é evidente. A final de 2014 contra o Cruzeiro transformou a decisão em um acontecimento estadual e nacional ao mesmo tempo. A rivalidade mineira foi colocada no centro do país, com o título sendo decidido entre dois clubes de Belo Horizonte no estádio.
Os personagens dos títulos
Em 2014, Diego Tardelli foi decisivo na final contra o Cruzeiro e virou símbolo da conquista. Luan representou a intensidade daquela equipe. Victor manteve o peso de liderança. Levir Culpi conduziu o time em uma campanha de viradas em uma campanha histórica para o clube e pra competição.
Em 2021, Hulk foi o rosto da temporada. O atacante chegou ao Atlético-MG sob desconfiança de parte do debate público e terminou o ano como protagonista absoluto. Keno brilhou na final, especialmente na goleada de ida contra o Athletico-PR. Everson, Junior Alonso e Jair formaram uma base muito forte. Cuca comandou um elenco que sabia atacar, controlar jogos e competir em alto nível.
Esses personagens mostram que os dois títulos têm identidades diferentes. O de 2014 é lembrado pela alma competitiva. O de 2021, pela força de um elenco equilibrado.
Os vices também fazem parte da trajetória
Em 2016, o Galo foi vice-campeão contra o Grêmio. A final terminou com vantagem gremista no agregado e marcou mais um encontro entre clubes de tradição em mata-mata nacional.
Em 2024, o Atlético-MG voltou à decisão, mas foi superado pelo Flamengo. A final aumentou o histórico recente de confrontos entre os dois clubes na competição, já que o Galo havia eliminado o time carioca na semifinal de 2014, em uma das maiores viradas de sua história.
Esses vices não diminuem a história atleticana. Pelo contrário: mostram que o clube se tornou presença relevante no torneio em diferentes momentos. O Atlético-MG não tem apenas duas taças; tem finais, confrontos grandes e campanhas que ajudam a contar a evolução recente da Copa do Brasil.
A rivalidade estadual dentro da Copa do Brasil
A final de 2014 contra o Cruzeiro é o capítulo mais forte do Atlético-MG na Copa do Brasil. A conquista inédita veio justamente contra o maior rival, em uma decisão nacional que ultrapassou o peso regional do clássico.
O Cruzeiro é o maior campeão da competição e tem uma história profunda no torneio. Por isso, derrotá-lo em uma final aumentou ainda mais o valor do primeiro título atleticano. O Galo não venceu apenas uma decisão: venceu uma final contra um clube que mais vezes havia levantado a Copa do Brasil.
Esse detalhe faz a taça de 2014 ocupar um lugar especial. Para o Atlético-MG, foi a taça. Para o torcedor, foi uma conquista nacional sobre o maior rival. Para a história do torneio, foi uma das finais mais simbólicas entre clubes do mesmo estado.
A relação com os clubes paulistas no caminho de 2014
A campanha cruzou com outros gigantes do futebol brasileiro. O Atlético-MG eliminou o Palmeiras nas oitavas de final e depois protagonizou uma virada histórica contra o Corinthians nas quartas.
Esses confrontos ajudam a mostrar o tamanho do caminho atleticano. O título não veio com facilidade. O Galo passou por clubes com tradição nacional, torcida grande e história forte em competições de mata-mata. Dois clubes que já haviam conquistado e marcado a história da competição como Palmeiras e Corinthians.
A eliminação do Corinthians, em especial, virou uma das noites mais lembradas da história recente atleticana. O 4 a 1 depois da derrota por 2 a 0 no jogo de ida fortaleceu a narrativa de um time que parecia crescer justamente quando a margem de erro desaparecia.
O que torna a história especial na competição
Porque seus dois títulos representam momentos muito marcantes do clube.
O título de 2014 foi emocional, dramático e simbólico. Veio depois de viradas com placares improváveis e em uma final contra o Cruzeiro e em uma fase de afirmação nacional do Galo. Foi a conquista que colocou o clube na galeria de campeões da Copa do Brasil.
O título de 2021 foi dominante, técnico e consolidado. Veio em uma temporada histórica, com um elenco forte, campanha quase perfeita e final vencida com enorme autoridade contra o Athletico-PR. Foi a confirmação de um time que havia se tornado referência nacional naquele ano.
Poucos clubes têm dois títulos tão diferentes em narrativa. Um nasceu da reação. O outro nasceu do domínio. Um foi construído na base da virada e do clássico. O outro, na força de elenco e na superioridade técnica.
A Copa do Brasil tem lugar especial na história do Atlético-MG porque entregou ao clube uma taça inédita contra o maior rival e, anos depois, ajudou a fechar uma das temporadas mais dominantes de sua história. É uma competição que resume bem o Galo moderno: intenso, emocional, competitivo e capaz de transformar decisões em memória.