O título do Botafogo na Libertadores é o maior capítulo internacional da história alvinegra. Foi a conquista que transformou a obsessão pela Glória Eterna em realidade, colocou o clube no topo da América pela primeira vez e encerrou uma espera que atravessou gerações. O Botafogo, clube de Garrincha, Nilton Santos, Didi, Jairzinho, Túlio Maravilha e tantos outros ídolos, enfim levantou a taça mais importante do continente.
A campanha completa teve 17 jogos, contando desde a fase preliminar: oito vitórias, seis empates, três derrotas, 31 gols marcados e 17 sofridos. O Botafogo eliminou Aurora e Red Bull Bragantino na pré-Libertadores, avançou em segundo lugar no Grupo D, passou por Palmeiras, São Paulo e Peñarol no mata-mata e venceu o Atlético-MG na final brasileira em Buenos Aires. Foi uma trajetória longa, instável no início, mas cada vez mais forte à medida que a competição avançava.
A conquista continental também colocou o Botafogo de forma definitiva dentro da galeria dos grandes campeões da América. A Libertadores sempre foi um torneio de pressão, rivalidades, sofrimento e noites de arquibancada em combustão. Em 2024, o Glorioso escreveu sua própria página nesse livro, com uma campanha de drama, superação e catarse.
A conquista foi inédita e teve um peso histórico enorme. O Botafogo se tornou o 12º clube brasileiro campeão da Libertadores e confirmou uma temporada de reconstrução, força esportiva e afirmação internacional. A taça também levou o clube ao Mundial de Clubes de 2025 e à Recopa Sul-Americana de 2025.
O símbolo da nova fase SAF
O título também marcou a consolidação mais forte da nova fase institucional do clube. Transformado em SAF e adquirido por John Textor em 2022, o clube passou por uma mudança profunda de estrutura, ambição e capacidade de investimento. A transição, porém, não foi linear. Houve cobranças, turbulências, trocas de comando, pressão por resultados e o trauma esportivo de 2023, quando o time liderou grande parte do Campeonato Brasileiro e perdeu força na reta final. Textor também se tornou personagem frequente do noticiário, com declarações fortes, críticas à arbitragem e posicionamentos que dividiram opiniões, aumentando ainda mais o ambiente de tensão em torno do projeto.
Mesmo em meio a esse cenário conturbado, a conquista continental deu uma resposta histórica. A taça de 2024 mostrou que a SAF conseguiu transformar investimento em elenco competitivo, planejamento em protagonismo e pressão em título. Luiz Henrique, Thiago Almada, Savarino, Igor Jesus, John, Alex Telles e outros nomes simbolizaram um Botafogo mais agressivo no mercado e mais preparado para competir em alto nível. A Libertadores não apagou todos os debates sobre a gestão, mas mudou o patamar da discussão: o projeto que começou cercado de dúvidas entregou a maior conquista internacional da história do clube. Para a torcida, foi mais do que um troféu; foi a prova de que a nova era alvinegra podia unir modernização, ambição com conquistas.
O ano da Glória Eterna
O time chegou à Libertadores de 2024 depois de terminar o Campeonato Brasileiro de 2023 em quinto lugar. Por isso, precisou começar a caminhada ainda na fase preliminar. O início da temporada foi marcado por transição, cobrança e desconfiança, especialmente pelo peso da queda de rendimento no Brasileirão anterior. Mas a Libertadores acabou virando o palco de uma virada histórica.
Na pré-Libertadores, o time ainda era comandado pelo interino Fábio Matias. Depois, já na fase de grupos, Artur Jorge assumiu e deu ao Botafogo uma identidade mais agressiva, vertical e competitiva. O elenco mudou de patamar ao longo do ano, especialmente com o crescimento de de alguns jogadores que se tornariam protagonistas da conquista.
A campanha teve diferentes versões do mesmo time. Na fase preliminar, Júnior Santos carregou o time com gols decisivos. Na fase de grupos, o clube começou mal, perdeu os dois primeiros jogos e precisou reagir sob pressão. No mata-mata, já com elenco mais encorpado e futebol mais maduro, o Botafogo passou por duelos brasileiros de altíssima tensão. Na semifinal, atropelou o Peñarol no Nilton Santos. Na final, jogou praticamente a partida inteira com dez homens e mesmo assim venceu o Atlético-MG.
Campanha completa do título
Segunda fase preliminar:
- Aurora 1 x 1 Botafogo
Gols: Júnior Santos, Dario Torrico marcou para o Aurora. - Botafogo 6 x 0 Aurora
Gols: Júnior Santos quatro vezes, Tiquinho Soares e Savarino.
Terceira fase preliminar:
- Botafogo 2 x 1 Red Bull Bragantino
Gols: Júnior Santos duas vezes, Juninho Capixaba marcou para o Bragantino. - Red Bull Bragantino 1 x 1 Botafogo
Gol: Júnior Santos, Talisson marcou para o Bragantino.
Fase de grupos:
- Botafogo 1 x 3 Junior Barranquilla
Gol: Hugo, Carlos Bacca, duas vezes, e Gabriel Fuentes marcaram para o Junior. - LDU 1 x 0 Botafogo
Lisandro Alzugaray fez o gol. - Botafogo 3 x 1 Universitario
Gols: Eduardo duas vezes e Luiz Henrique, Olivares marcou para o Universitario. - Botafogo 2 x 1 LDU
Gols: Hugo e Júnior Santos, Estrada marcou para a LDU. - Universitario 0 x 1 Botafogo
Gol: Jeffinho. - Junior Barranquilla 0 x 0 Botafogo
Oitavas de final:
- Botafogo 2 x 1 Palmeiras
Gols: Luiz Henrique e Igor Jesus, Maurício marcou para o Palmeiras. - Palmeiras 2 x 2 Botafogo
Gols: Igor Jesus e Savarino, Flaco López e Rony marcaram para o Palmeiras.
Quartas de final:
- Botafogo 0 x 0 São Paulo
- São Paulo 1 x 1 Botafogo
Gol do Botafogo: Thiago Almada. Calleri marcou para o São Paulo. Nos pênaltis, 5 x 4.
Semifinal:
- Botafogo 5 x 0 Peñarol
Gols: Savarino duas vezes, Alexander Barboza, Luiz Henrique e Igor Jesus. - Peñarol 3 x 1 Botafogo
Gol: Thiago Almada. Jaime Báez, duas vezes, e Facundo Batista marcaram para o Peñarol.
Final:
- Atlético-MG 1 x 3 Botafogo
Gols: Luiz Henrique, Alex Telles, de pênalti, e Júnior Santos. Eduardo Vargas marcou para o Galo.
O início na pré-Libertadores
A caminhada começou contra o Aurora, da Bolívia. No jogo de ida, em Cochabamba, saiu na frente com Júnior Santos, mas sofreu o empate de Dario Torrico já nos acréscimos. O 1 a 1 deixou um gosto amargo, mas também manteve o Alvinegro em boa condição para decidir no Nilton Santos.
Na volta, o time não deu margem para zebra. Goleou por 6 a 0, com quatro gols de Júnior Santos, um de Tiquinho Soares e um de Savarino. O placar agregado ficou em 7 a 1. Aquela noite não apenas classificou o clube; também transformou Júnior Santos no grande personagem inicial da campanha.
Na terceira fase, o adversário foi o Red Bull Bragantino, um duelo brasileiro antes mesmo da fase de grupos. No Nilton Santos, Júnior Santos marcou duas vezes e garantiu a vitória por 2 a 1. Juninho Capixaba descontou para o Bragantino, deixando o confronto aberto para a volta.
Em Bragança Paulista, o time voltou a encontrar dificuldades, mas outra vez contou com Júnior Santos. O atacante marcou aos 30 minutos do segundo tempo. Talisson empatou para o Bragantino, mas o 1 a 1 classificou o Botafogo para a fase de grupos. O Glorioso voltava à fase principal da Libertadores depois de sete anos.
A fase de grupos: início ruim, reação e classificação
O Grupo D tinha Junior Barranquilla, LDU e Universitario. O começo foi péssimo. Na estreia, no Nilton Santos, perdeu por 3 a 1 para o Junior Barranquilla. Foi uma derrota dura, em casa, logo na largada da fase classificatória.
Na segunda rodada, foi a Quito enfrentar a LDU e perdeu por 1 a 0, gol de Lisandro Alzugaray logo no início da partida. Com duas derrotas em dois jogos, o time ficou pressionado e chegou a ver a classificação ameaçada. Era uma situação perigosa, ainda mais em um grupo com viagens difíceis e adversários acostumados à competição.
A reação começou contra o Universitario, no Nilton Santos. O Botafogo venceu por 3 a 1, com dois gols de Eduardo e um de Luiz Henrique. Olivares descontou para o time peruano. A vitória foi essencial porque recolocou o clube na disputa e deu fôlego ao trabalho de Artur Jorge, que ainda buscava estabilizar o time.
Na rodada seguinte, outra vitória fundamental: 2 a 1 sobre a LDU, no Rio de Janeiro. Hugo abriu o placar, Estrada empatou para os equatorianos, e Júnior Santos fez o gol da vitória no segundo tempo. O resultado mudou o ambiente do grupo e mostrou que o Botafogo já começava a entender melhor a competição.
A classificação veio com vitória fora de casa sobre o Universitario, em Lima. Jeffinho marcou o gol do 1 a 0, em uma partida de muita entrega. Com o triunfo, o time garantiu vaga nas oitavas de final com uma rodada de antecedência. Na última rodada, empatou por 0 a 0 com o Junior Barranquilla, na Colômbia, e terminou em segundo lugar no Grupo D.
Teste gigante e sobrevivência no Allianz Parque
Nas oitavas de final, o Botafogo enfrentou o Palmeiras, tricampeão da Libertadores e um dos times mais fortes do continente nos anos anteriores. Era o primeiro grande teste do mata-mata. O duelo colocava frente a frente dois candidatos de peso e tinha um contexto emocional forte, pela rivalidade recente entre os clubes.
No jogo de ida, no Nilton Santos, o Botafogo venceu por 2 a 1. Luiz Henrique abriu o placar em uma atuação de muita imposição, Igor Jesus ampliou, e Maurício descontou. O resultado deu vantagem ao Alvinegro, mas deixou claro que a volta seria uma batalha.
No Allianz Parque, o Botafogo fez 2 a 0 no segundo tempo, com gols de Igor Jesus e Savarino, e parecia encaminhar uma classificação tranquila. Mas a Libertadores raramente permite relaxamento. Flaco López e Rony marcaram para o Palmeiras na reta final, e o jogo virou drama. O empate por 2 a 2 classificou o Botafogo pelo agregado de 4 a 3.
A eliminatória teve um enorme valor simbólico. O Botafogo eliminava um rival brasileiro poderoso, dono de elenco experiente e acostumado a decisões. Ao mesmo tempo, mostrava que havia deixado para trás a instabilidade da fase de grupos. A partir dali, o Alvinegro passou a ser visto como candidato real ao título.
Tensão e pênaltis no Morumbi
Nas quartas, outro gigante brasileiro apareceu no caminho: o São Paulo, tricampeão da Libertadores. O primeiro jogo foi no Nilton Santos e terminou 0 a 0. O time pressionou, criou chances, colocou bolas na trave, mas não conseguiu abrir o placar. A decisão ficou para o Morumbi.
Na volta, o Botafogo saiu na frente com Thiago Almada, de cabeça, aos 15 minutos do primeiro tempo. O gol deu vantagem ao time de Artur Jorge e obrigou o São Paulo a se expor. O Tricolor pressionou, insistiu e empatou nos minutos finais, com Calleri. O 1 a 1 levou a vaga para os pênaltis.
Nas cobranças, o Botafogo venceu por 5 a 4. Foi uma classificação de maturidade, controle emocional e resistência. John teve papel importante, os cobradores foram firmes, e o Alvinegro eliminou mais um campeão da América. Passar por Palmeiras e São Paulo em sequência deu à campanha um peso enorme.
A noite mais dominante da campanha
A semifinal foi contra o Peñarol, um dos clubes mais tradicionais da história da Libertadores. O time uruguaio carregava camisa, tradição e uma torcida acostumada a grandes noites continentais. Mas o primeiro jogo, no Nilton Santos, virou uma das atuações mais fortes do Botafogo em toda a campanha.
O primeiro tempo terminou sem gols, mas o segundo tempo foi um atropelo. Savarino marcou duas vezes, Alexander Barboza fez o segundo, Luiz Henrique marcou o quarto e Igor Jesus fechou a goleada por 5 a 0. O time transformou uma semifinal de Libertadores em uma noite de domínio absoluto.
A goleada praticamente colocou o clube na final. Mais do que o placar, impressionou a forma como o time desmontou o Peñarol. Pressão, velocidade, intensidade, movimentação e precisão nas finalizações. O Nilton Santos viveu uma noite de Libertadores em estado puro, com mosaico, festa, tensão e explosão.
Na volta, em Montevidéu, os uruguaios venceram por 3 a 1, com dois gols de Jaime Báez e um de Facundo Batista. Thiago Almada marcou para o Botafogo. Mesmo com a derrota, o Alvinegro avançou pelo agregado de 6 a 3 e chegou pela primeira vez à final da maior competição continental.
Expulsão relâmpago, resistência e glória
A final contra o Atlético-MG aconteceu em 30 de novembro de 2024, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Era a sexta final brasileira da história da Libertadores e reunia dois clubes em busca de afirmação continental. O Atlético-MG tentava o bicampeonato depois de 11 anos. O Botafogo buscava sua primeira taça.
O roteiro começou de forma brutal para o Glorioso. Gregore foi expulso ainda no primeiro minuto, após entrada dura em Fausto Vera. O Alvinegro teria praticamente a partida inteira com um jogador a menos. Em uma final continental, contra um adversário com Hulk, Paulinho, Deyverson, Scarpa, Arana e outros nomes importantes, a situação parecia perdida.
Mas o time se reorganizou. Artur Jorge ajustou o time, Marlon Freitas assumiu ainda mais responsabilidade no meio, John passou a ser peça central na segurança defensiva, e Luiz Henrique virou a grande válvula de escape. Mesmo com menos posse, o Botafogo não se desesperou.
Aos 35 minutos, Thiago Almada encontrou Luiz Henrique, que finalizou para abrir o placar. O gol mudou completamente a final. O Atlético-MG tinha um jogador a mais, mas viu o Botafogo sair na frente. Pouco depois, Luiz Henrique sofreu pênalti de Everson. Alex Telles cobrou e fez 2 a 0 antes do intervalo.
No começo do segundo tempo, Eduardo Vargas descontou para o Galo. O jogo ganhou um roteiro de drama. O Galo passou a pressionar, cruzar bolas e buscar o empate. John fez defesas importantes. A defesa alvinegra resistiu com Vitinho, Adryelson, Alexander Barboza, Alex Telles, depois Marçal, além do esforço coletivo de todos os jogadores.
Nos acréscimos, veio o golpe final. Júnior Santos, artilheiro da Libertadores, entrou na área, bateu e marcou o terceiro. Atlético-MG 1 x 3 Botafogo. O gol confirmou a taça, encerrou qualquer reação atleticana e transformou o atacante no nome que abriu e fechou a campanha alvinegra.
Artilheiro e símbolo da caminhada
Júnior Santos foi o artilheiro da Libertadores de 2024, com 10 gols. Sua campanha começou com gol contra o Aurora, explodiu com quatro gols na goleada por 6 a 0 no Nilton Santos, passou pelos dois jogos contra o Red Bull Bragantino e terminou com o gol que fechou a final contra o Atlético-MG.
A importância do atacante vai além da artilharia. Ele foi decisivo quando o time ainda buscava entrar na fase de grupos e voltou a marcar no momento mais importante da competição. Entre o primeiro gol da caminhada e o último gol do título, há uma linha narrativa perfeita.
O jogador também virou um símbolo de superação individual. Nem sempre tratado como estrela principal do elenco, Júnior Santos foi ganhando espaço pela força, velocidade, confiança e capacidade de decidir. Ao terminar como goleador da competição, escreveu seu nome em um lugar raríssimo da história alvinegra.
O craque da final
Luiz Henrique foi o grande nome da final. Em uma partida que começou com a expulsão de Gregore e exigiu sacrifício coletivo, o atacante assumiu responsabilidade técnica e emocional. Fez o primeiro gol, sofreu o pênalti do segundo e foi escolhido como melhor jogador da decisão.
Seu desempenho contra o Atlético-MG resumiu o que ele representou para o Botafogo em 2024: potência, drible, velocidade, personalidade e decisão. Luiz Henrique já havia marcado contra Universitario, Palmeiras e Peñarol. Na final, alcançou o ponto mais alto da campanha.
O gol em Buenos Aires é um dos mais importantes da história do clube. Não apenas por abrir o placar em uma final de Libertadores, mas pelo contexto: um jogador a menos, pressão enorme, adversário brasileiro e estádio lotado. Luiz Henrique transformou uma final que parecia perdida em uma partida possível.
O técnico e a construção do campeão
Artur Jorge chegou com a competição em andamento e encontrou um time pressionado, ainda buscando uma identidade. A estreia continental do treinador veio em um cenário difícil, com derrota. Pouco tempo depois, o Botafogo reagiria na fase de grupos e começaria a construir a versão que chegaria ao título.
O técnico português organizou uma equipe agressiva, vertical e competitiva. O Botafogo não dependia apenas de posse de bola. O time sabia pressionar, acelerar, atacar espaços e defender em bloco quando necessário. Essa flexibilidade foi essencial no mata-mata.
A conquista colocou Artur Jorge em uma posição histórica. Ele se tornou o técnico do primeiro título de Libertadores do Botafogo e comandou uma das finais mais épicas já disputadas por um clube brasileiro na competição.
A alma competitiva do título
Marlon Freitas foi um dos grandes pilares da campanha. Capitão, líder técnico e emocional, participou da construção, ajudou na marcação e sustentou o meio-campo em jogos de pressão. Na final, com Gregore expulso cedo, precisou correr por dois e manter o time organizado.
Gregore também foi personagem da final, ainda que de forma dramática. A expulsão no primeiro minuto poderia ter destruído o Botafogo, mas acabou virando parte do roteiro heroico. Sua presença ao longo da campanha, porém, foi importante pela força física, combatividade e proteção à defesa.
John também teve papel decisivo. O goleiro cresceu na fase final, foi seguro contra Palmeiras e São Paulo, participou da campanha com defesas importantes e sustentou o time na final quando o Atlético-MG pressionou. Em uma decisão com dez jogadores, o goleiro precisa transmitir calma. John fez isso.
Alexander Barboza, Bastos, Adryelson, Vitinho, Alex Telles, Marçal e todo o sistema defensivo também merecem destaque. O Botafogo campeão não foi apenas um time de atacantes talentosos. Foi uma equipe que soube sofrer, defender e resistir.
Os outros protagonistas
Savarino foi um dos jogadores mais importantes da campanha. Além dos gols, entregou inteligência, movimentação e capacidade de conectar meio e ataque.
Thiago Almada chegou para elevar o nível técnico do elenco. Sua qualidade entre linhas deu ao Botafogo um recurso diferente na fase decisiva.
Igor Jesus foi outro nome forte do mata-mata. Como centroavante, ofereceu profundidade, pressão na saída adversária e presença física.
Alex Telles foi decisivo na final, cobrando o pênalti do segundo gol com frieza. Eduardo apareceu na fase de grupos. Jeffinho fez o gol da classificação em Lima. Tiquinho Soares marcou na pré-Libertadores e seguiu como peça importante de elenco. Matheus Martins, Danilo Barbosa, Allan, Tchê Tchê, Cuiabano, Mateo Ponte e outros nomes também fizeram parte da caminhada.
O palco da transformação
O Estádio Nilton Santos foi personagem central do título. Foi ali que o time goleou o Aurora por 6 a 0, venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1, reagiu na fase de grupos contra Universitario e LDU, bateu o Palmeiras nas oitavas e fez o histórico 5 a 0 sobre o Peñarol.
A torcida teve papel essencial nessa transformação. O ambiente no Nilton Santos cresceu junto com o time. No início, havia tensão e cobrança. Depois, vieram confiança, festa e imposição. A semifinal contra o Peñarol foi a síntese desse processo: estádio cheio, pressão e uma atuação que ficará para sempre na memória alvinegra.
A campanha também teve momentos decisivos longe do Rio. O gol de Jeffinho em Lima garantiu classificação antecipada às oitavas. O empate no Allianz Parque eliminou o Palmeiras. A vitória nos pênaltis no Morumbi. O gol de Almada em Montevidéu confirmou a final. A taça veio em Buenos Aires, com presença massiva da torcida alvinegra.
Os artilheiros da campanha do título:
- Júnior Santos — 10 gols
- Luiz Henrique — 4 gols
- Savarino — 4 gols
- Igor Jesus — 3 gols
- Eduardo — 2 gols
- Hugo — 2 gols
- Thiago Almada — 2 gols
- Alex Telles — 1 gol
- Alexander Barboza — 1 gol
- Jeffinho — 1 gol
- Tiquinho Soares — 1 gol
A lista mostra uma campanha com protagonista claro, mas também com distribuição importante. Júnior Santos foi o artilheiro. Luiz Henrique e Savarino decidiram em jogos grandes. Igor Jesus cresceu no mata-mata. Almada apareceu em momentos pesados. Alex Telles fez um dos gols mais importantes da final. O Botafogo campeão teve estrela individual, mas também profundidade de elenco.
A representatividade na história
O título de 2024 representa a libertação continental do Botafogo. O clube já era gigante por história, camisa, torcida, ídolos e contribuição ao futebol brasileiro. Mas ainda faltava a Libertadores. Essa ausência era uma cobrança histórica. Em Buenos Aires, ela deixou de existir.
A conquista também reposicionou o clube no cenário sul-americano. O time não venceu a Libertadores por acaso. Precisou jogar desde a pré-Libertadores, superar crise na fase de grupos, eliminar gigantes brasileiros, atropelar o Peñarol e vencer o Atlético-MG em uma final quase inteira com dez jogadores.
O título também tem peso simbólico porque veio em uma temporada de afirmação. O Botafogo de 2024 não foi apenas campeão da América; foi um time que mudou sua própria narrativa. Depois de anos de instabilidade, reconstrução e frustrações, o clube voltou a se enxergar como protagonista.
A conquista deixou imagens eternas: Júnior Santos fazendo quatro contra o Aurora, Jeffinho marcando em Lima, Luiz Henrique decidindo contra o Palmeiras, John sustentando o time, Almada marcando no Morumbi, Savarino brilhando contra o Peñarol, Gregore expulso no primeiro minuto da final, Alex Telles cobrando pênalti em Buenos Aires e Júnior Santos fechando a conta no último ato.
A campanha tem todos os ingredientes de uma grande história sul-americana: começo difícil, artilheiro improvável, mata-mata brasileiro, pênaltis, goleada histórica, final nacional, expulsão e vitória épica. É uma trajetória que parece escrita para ser lembrada em detalhes.
Por isso, o título do Botafogo na Libertadores não é apenas uma taça inédita. É a consagração de um clube que voltou ao centro do futebol sul-americano. Em 2024, o Glorioso sofreu, reagiu, eliminou gigantes, resistiu com dez homens e conquistou a América. A Glória Eterna, finalmente, passou a vestir preto e branco.