O São Paulo tem uma relação profunda com a Copa Libertadores. O clube foi o primeiro brasileiro a ganhar três vezes a competição e marcou época com gerações que combinaram talento técnico, força coletiva, liderança e enorme poder de decisão. A primeira taça veio com Telê Santana, Raí, Zetti, Cafu, Müller, Palhinha e companhia. A segunda confirmou uma supremacia continental. A terceira, em 2005, recolocou o Tricolor no topo da América com Rogério Ceni como capitão, goleiro-artilheiro e símbolo máximo da campanha.
A história são-paulina na Libertadores também passa por finais, frustrações e rivalidades. O clube foi vice em 1974, 1994 e 2006, além de ter construído algumas das noites mais emblemáticas do Morumbi no futebol sul-americano. Mas são os três títulos que explicam por que o São Paulo se tornou sinônimo de grandeza continental no Brasil.
As três conquistas têm identidades diferentes. Em 1992, o São Paulo venceu o Newell’s Old Boys nos pênaltis, com Zetti decisivo e Raí comandando a final. Em 1993, passou por Newell’s, Flamengo e Cerro Porteño antes de atropelar a Universidad Católica com uma goleada histórica no Morumbi. Em 2005, bateu o Atlético Paranaense em uma final brasileira e levantou a taça com uma vitória por 4 a 0 diante de sua torcida.
A força internacional do São Paulo também se conecta à tradição do clube em mata-matas nacionais. Décadas depois das conquistas continentais, o Tricolor enfim levantou a taça que faltava em sua galeria, em uma campanha de enorme peso simbólico, como mostra a o título da Copa do Brasil de 2023. No cenário sul-americano, esse peso fica ainda maior quando a trajetória são-paulina é colocada dentro da história da Libertadores.
Essas conquistas colocam o clube entre os brasileiros mais tradicionais da competição. Mais do que a quantidade, o peso histórico chama atenção: o São Paulo foi bicampeão em anos consecutivos nos anos 1990 e voltou a vencer a América em 2005 com uma das campanhas mais dominantes da história recente do clube.
Telê, Raí, Zetti e a primeira América
O primeiro título do São Paulo na Libertadores veio em 1992, em uma campanha que mudou o patamar internacional do clube. O Tricolor já tinha uma equipe forte no cenário nacional, mas a conquista da América colocou aquele time de Telê Santana em uma prateleira histórica. A base tinha Zetti no gol, Cafu crescendo como lateral de projeção mundial, Antônio Carlos e Ronaldão na zaga, Pintado e Adílson dando equilíbrio, Raí como líder técnico, Müller e Palhinha como peças ofensivas decisivas.
A campanha teve 14 jogos, com oito vitórias, três empates, três derrotas, 20 gols marcados e nove sofridos. O caminho não começou fácil. Logo na estreia, o São Paulo perdeu por 3 a 0 para o Criciúma, fora de casa. A derrota colocou pressão imediata sobre a equipe, mas o time reagiu com força: venceu o San José por 3 a 0 na Bolívia, empatou com o Bolívar em La Paz e cresceu no Morumbi. O título acabou vindo em uma final dramática contra o Newell’s Old Boys, decidida nos pênaltis diante de mais de 100 mil pessoas.
Campanha completa de 1992
Fase de grupos:
- Criciúma 3 x 0 São Paulo
- San José 0 x 3 São Paulo
Gols: Palhinha três vezes. - Bolívar 1 x 1 São Paulo
Gol: Raí. - São Paulo 4 x 0 Criciúma
Gols: Raí, Palhinha, Elivélton e Müller. - São Paulo 1 x 1 San José
Gol: Palhinha. - São Paulo 2 x 0 Bolívar
Gols: Macedo e Antônio Carlos.
Oitavas de final:
- Nacional-URU 0 x 1 São Paulo
Gol: Palhinha. - São Paulo 2 x 0 Nacional-URU
Gols: Macedo e Antônio Carlos.
Quartas de final:
- São Paulo 1 x 0 Criciúma
Gol: Palhinha. - Criciúma 1 x 1 São Paulo
Gol: Rinaldo.
Semifinal:
- São Paulo 3 x 0 Barcelona de Guayaquil
Gols: Ronaldão, Elivélton e Müller. - Barcelona de Guayaquil 2 x 0 São Paulo
Avançou pelo placar agregado.
Final:
- Newell’s Old Boys 1 x 0 São Paulo
- São Paulo 1 x 0 Newell’s Old Boys
Gol do São Paulo: Raí, de pênalti. Nos pênaltis, São Paulo 3 x 2.
A final
A decisão de 1992 foi contra a equipe argentina comandada por Marcelo Bielsa. No primeiro jogo, em Rosário, o Newell’s venceu por 1 a 0, com gol de Berizzo em cobrança de pênalti. O resultado obrigava o São Paulo a vencer no Morumbi para levar a decisão aos pênaltis.
A volta aconteceu em 17 de junho de 1992. O Morumbi recebeu mais de 100 mil torcedores, em uma das noites mais marcantes da história do estádio. O São Paulo pressionou e conseguiu o gol no segundo tempo. Macedo sofreu pênalti, e Raí cobrou com categoria para fazer 1 a 0. Como o placar agregado ficou empatado, a Libertadores foi decidida nas penalidades.
Na disputa, Zetti virou personagem central. Pelo Newell’s, Berizzo acertou a trave, Zamora marcou, Llop marcou, Mendoza chutou por cima e Gamboa teve a cobrança defendida por Zetti. Pelo São Paulo, Raí, Ivan e Cafu converteram. Ronaldão desperdiçou, mas a defesa de Zetti confirmou a vitória por 3 a 2 nos pênaltis. O Tricolor era campeão da América pela primeira vez.
Destaques da campanha de 1992
Palhinha foi o artilheiro daquela edição, com sete gols. O atacante foi decisivo desde a fase de grupos, especialmente no 3 a 0 sobre o San José, quando marcou três vezes na altitude boliviana. Também balançou as redes em jogos importantes contra San José, Criciúma e Nacional.
Raí marcou três gols na campanha, mas sua importância foi muito maior do que a artilharia. O camisa 10 era o líder técnico, o capitão emocional e o jogador que assumiu a responsabilidade na hora mais importante, ao converter o pênalti no tempo normal da final contra o Newell’s.
Zetti foi o herói da decisão. A defesa na cobrança de Gamboa consolidou o goleiro como personagem eterno do primeiro título continental. Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão, Pintado, Adílson, Müller, Elivélton, Macedo e Telê Santana também foram fundamentais. Telê, em especial, deu ao São Paulo uma identidade rara: futebol bem jogado, disciplina tática e coragem ofensiva.
O título de 1992 abriu caminho para a conquista do Mundial Interclubes contra o Barcelona, em Tóquio. A Libertadores foi o primeiro passo de uma era internacional que transformaria o São Paulo em referência do futebol brasileiro.
O bicampeonato e a goleada histórica no Morumbi
A segunda Libertadores do São Paulo veio logo no ano seguinte. Como campeão de 1992, o Tricolor entrou diretamente no mata-mata da edição de 1993. A pressão era diferente: agora, o time de Telê Santana não buscava apenas uma conquista inédita, mas a confirmação de uma hegemonia.
Mesmo com mudanças no elenco, o São Paulo manteve sua estrutura vencedora. Zetti continuava no gol. Cafu seguia como força pela direita. Raí ainda era o grande comandante técnico. Müller, Palhinha, Dinho, Válber, Gilmar, Ronaldo Luís e outros nomes formavam uma equipe experiente, madura e acostumada a jogos grandes.
A campanha teve oito partidas. O São Paulo eliminou Newell’s Old Boys, Flamengo e Cerro Porteño antes de enfrentar a Universidad Católica na final. O ponto mais alto foi a vitória por 5 a 1 no primeiro jogo da decisão, no Morumbi, uma das maiores goleadas da história das finais da Libertadores.
Campanha completa de 1993
Oitavas de final:
- Newell’s Old Boys 2 x 0 São Paulo
- São Paulo 4 x 0 Newell’s Old Boys
Gols: Raí duas vezes, Müller e Cafu.
Quartas de final:
- Flamengo 1 x 1 São Paulo
Gol: Palhinha. - São Paulo 2 x 0 Flamengo
Gols: Dinho e Raí.
Semifinal:
- São Paulo 1 x 0 Cerro Porteño
Gol: Raí. - Cerro Porteño 0 x 0 São Paulo
Final:
- São Paulo 5 x 1 Universidad Católica
Gols: Daniel López, contra, Vítor, Gilmar, Raí e Müller. - Universidad Católica 2 x 0 São Paulo
Ficou com o título pelo placar agregado de 5 x 3.
A virada contra o Newell’s
A campanha de 1993 começou com tensão. O São Paulo perdeu por 2 a 0 para o Newell’s Old Boys na Argentina, mesmo adversário da final do ano anterior. A situação era delicada: uma eliminação logo nas oitavas poderia apagar parte do brilho da defesa do título.
No Morumbi, porém, o Tricolor reagiu como campeão. A vitória por 4 a 0 virou a eliminatória e recolocou o time no caminho da taça. Raí comandou a reação, Müller apareceu com sua movimentação ofensiva, Cafu deu profundidade pelo lado direito, e o São Paulo mostrou uma característica fundamental daquele ciclo: quando jogava em casa, em noite continental, era capaz de transformar pressão em atropelo.
Flamengo, Cerro Porteño e o caminho até a final
Nas quartas, o adversário foi o Flamengo. O primeiro jogo, no Maracanã, terminou 1 a 1, com gol de Palhinha para o São Paulo. A volta, no Morumbi, teve vitória tricolor por 2 a 0, com gols de Dinho e Raí. Era uma classificação de peso, contra um rival brasileiro tradicional, em um momento da Libertadores de confrontos nacionais de enorme carga emocional.
Na semifinal, o São Paulo enfrentou o Cerro Porteño. No Morumbi, venceu por 1 a 0, com gol de Raí. Na volta, em Assunção, segurou o empate por 0 a 0 e garantiu vaga em mais uma final. O time já não precisava golear sempre. Sabia controlar vantagens, baixar o ritmo quando necessário e usar a experiência de um elenco acostumado a decisões.
A final
A decisão de 1993 foi contra a Universidad Católica, do Chile. O primeiro jogo aconteceu no Morumbi, em 19 de maio, e virou uma das maiores atuações do São Paulo em finais internacionais. O Tricolor venceu por 5 a 1, com gol contra de Daniel López e gols de Vítor, Gilmar, Raí e Müller. Almada descontou para os chilenos, de pênalti.
O placar deu ao São Paulo uma vantagem enorme para a volta. No segundo jogo, em Santiago, a Universidad Católica venceu por 2 a 0, com gols de Lunari e Almada, mas o resultado não foi suficiente. No agregado, 5 a 3 para o São Paulo. O Tricolor conquistou o bicampeonato da Libertadores e confirmou o domínio continental da era Telê Santana.
Destaques da campanha de 1993
Raí foi novamente o grande nome técnico da campanha. Marcou quatro gols, incluindo gols decisivos contra Newell’s, Flamengo, Cerro Porteño e Universidad Católica. O camisa 10 representava a inteligência, a liderança e a qualidade daquele São Paulo.
Müller marcou dois gols e foi peça importante pela mobilidade no ataque. Cafu confirmou sua força física e técnica pela direita. Palhinha, Dinho, Vítor e Gilmar também apareceram com gols relevantes. Zetti manteve segurança no gol, enquanto Telê Santana consolidou seu trabalho como um dos maiores ciclos de um técnico na história do futebol brasileiro.
O bicampeonato de 1993 teve peso especial porque mostrou que 1992 não havia sido acaso. O São Paulo defendeu a taça, superou adversários duros e venceu a final com autoridade. A sequência ainda levaria o clube a mais um título mundial, contra o Milan.
Rogério Ceni, Autuori e a volta ao topo da América
O terceiro título da Libertadores veio em 2005, 12 anos depois do bicampeonato. Era outro São Paulo, outra geração e outro contexto. O Tricolor já havia chegado à final em 1994, quando perdeu para o Vélez Sarsfield, e buscava recuperar o protagonismo continental. A equipe de 2005 tinha Rogério Ceni no auge, Lugano, Fabão e Alex formando uma defesa forte, Cicinho e Júnior como alas, Mineiro e Josué no meio, Danilo como articulador, Amoroso, Luizão, Grafite, Diego Tardelli e Souza como opções ofensivas.
A campanha teve 14 jogos, com nove vitórias, quatro empates, apenas uma derrota, 34 gols marcados e 14 sofridos. Foi uma trajetória de força ofensiva e maturidade. O São Paulo começou com Emerson Leão, teve Milton Cruz como interino em um jogo e passou a ser comandado por Paulo Autuori na reta decisiva. A mudança não desorganizou o time. Pelo contrário: a equipe cresceu no mata-mata e chegou à final em seu melhor momento.
A fase de grupos teve jogos movimentados. O São Paulo estreou empatando por 3 a 3 com o The Strongest, na altitude. Depois, venceu a Universidad de Chile por 4 a 2 no Morumbi com direito a gol de Rogério Ceni. Empatou por 2 a 2 com o Quilmes na Argentina, venceu o mesmo Quilmes por 3 a 1 no Morumbi, empatou por 1 a 1 com a Universidad de Chile fora de casa e fechou a fase com 3 a 0 sobre o The Strongest.
Campanha completa de 2005
Fase de grupos:
- The Strongest 3 x 3 São Paulo
Gols: Danilo, Luizão e Grafite. - São Paulo 4 x 2 Universidad de Chile
Gols: Lugano, Rogério Ceni, Cicinho e Grafite. - Quilmes 2 x 2 São Paulo
Gols: Diego Tardelli e Grafite. - São Paulo 3 x 1 Quilmes
Gols: Diego Tardelli duas vezes e Cicinho. - Universidad de Chile 1 x 1 São Paulo
Gol: Luizão. - São Paulo 3 x 0 The Strongest
Golso: Edcarlos, Grafite e Luizão.
Oitavas de final:
- Palmeiras 0 x 1 São Paulo
Golo: Cicinho. - São Paulo 2 x 0 Palmeiras
Gols: Rogério Ceni, de pênalti, e Cicinho.
Quartas de final:
- São Paulo 4 x 0 Tigres
Gols: Rogério Ceni duas vezes, Luizão e Souza. - Tigres 2 x 1 São Paulo
Gol: Souza.
Semifinal:
- São Paulo 2 x 0 River Plate
Gols: Danilo e Rogério Ceni, de pênalti. - River Plate 2 x 3 São Paulo
Gols: Danilo, Amoroso e Fabão.
Final:
- Atlético Paranaense 1 x 1 São Paulo
Gol: Durval, contra. - São Paulo 4 x 0 Atlético Paranaense
Gols: Amoroso, Fabão, Luizão e Diego Tardelli.
O mata-mata de 2005
Nas oitavas de final, o São Paulo enfrentou o Palmeiras em um clássico de enorme peso. O primeiro jogo foi no antigo Parque Antarctica, e o Tricolor venceu por 1 a 0, com gol de Cicinho. Na volta, no Morumbi, o São Paulo fez 2 a 0, com gols de Rogério Ceni, de pênalti, e novamente Cicinho. A classificação por 3 a 0 no agregado deu força ao time e eliminou um rival direto.
Nas quartas, o adversário foi o Tigres, do México. O primeiro jogo, no Morumbi, terminou 4 a 0 em uma noite especial de Rogério Ceni. O goleiro marcou duas vezes: uma de falta e outra de pênalti. Luizão e Souza completaram o placar. Na volta, no México, o Tigres venceu por 2 a 1, mas o gol de Souza manteve o São Paulo tranquilo no agregado.
A semifinal foi contra o River Plate. No Morumbi, vitória por 2 a 0, com gols de Danilo e Rogério Ceni, de pênalti. Em Buenos Aires, o São Paulo voltou a mostrar personalidade fora de casa. Venceu por 3 a 2, eliminando um dos clubes mais tradicionais da América com duas vitórias. Esse confronto foi uma das maiores demonstrações de força da campanha.
A final
O confronto decisivo foi histórico também pelo formato: foi a primeira decisão de Libertadores entre dois clubes do mesmo país. O adversário era o Atlético Paranaense, que fazia uma campanha marcante e tinha um time perigoso. Como a Arena da Baixada não atendia às exigências de capacidade da Conmebol para a decisão, o primeiro jogo foi disputado no Beira-Rio, em Porto Alegre.
Na ida, o Atlético Paranaense saiu na frente com gol de Aloísio, aos 14 minutos do primeiro tempo. O São Paulo empatou no início da segunda etapa, quando Durval marcou contra após pressão tricolor. O 1 a 1 deixou a decisão aberta para o Morumbi.
A finalíssima aconteceu em 14 de julho de 2005, diante 71.000 pessoas. O São Paulo fez uma atuação dominante. Amoroso abriu o placar aos 16 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo, Fabão ampliou aos sete minutos, Luizão fez o terceiro aos 25, e Diego Tardelli fechou a goleada aos 43. O 4 a 0 transformou a noite em uma das maiores exibições de um clube brasileiro em final de Libertadores.
Destaques da campanha de 2005
Rogério Ceni foi o grande símbolo do título. O capitão marcou cinco gols na campanha, número raríssimo para um goleiro. Fez gols contra Universidad de Chile, Palmeiras, Tigres e River Plate, além de liderar o time com segurança, personalidade e enorme identificação com a torcida.
Luizão também marcou cinco gols e dividiu a artilharia são-paulina da campanha com Rogério. O centroavante foi importante na fase de grupos, marcou contra o Tigres e deixou sua marca na final. Cicinho fez quatro gols e foi uma arma ofensiva constante pela direita. Grafite marcou quatro vezes, Diego Tardelli também fez quatro, Danilo fez três, enquanto Amoroso, Fabão, Souza, Lugano e Edcarlos completaram a força ofensiva.
Lugano foi o símbolo de imposição defensiva. Fabão teve papel enorme na zaga e ainda marcou gols decisivos contra River Plate e Atlético Paranaense. Mineiro e Josué deram equilíbrio ao meio-campo. Danilo foi o jogador de ligação, com inteligência tática e chegada na área. Paulo Autuori conseguiu organizar um elenco forte, controlar o ambiente e levar o São Paulo ao título com autoridade.
O palco da mística tricolor
A história do São Paulo na Libertadores não pode ser contada sem o Morumbi. O estádio foi palco das três conquistas e recebeu algumas das noites mais importantes do clube na competição. Em 1992, foi ali que o Tricolor venceu o Newell’s Old Boys por 1 a 0, levou a final aos pênaltis e conquistou sua primeira Libertadores diante de mais de 100 mil torcedores. Em 1993, o Morumbi viu o 5 a 1 sobre a Universidad Católica, goleada que encaminhou o bicampeonato. Em 2005, recebeu o 4 a 0 sobre o Atlético Paranaense, a noite que confirmou o tricampeonato.
Essa conexão vai além dos títulos. O Morumbi também foi palco de viradas, goleadas e classificações de enorme peso: o 4 a 0 sobre o Newell’s em 1993, o 2 a 0 sobre o Flamengo no mesmo ano, o 2 a 0 sobre o Palmeiras em 2005, o 4 a 0 sobre o Tigres e o 2 a 0 sobre o River Plate. Em noites continentais, o estádio virou território de pressão, paciência e imposição tricolor.
O peso histórico do estádio se mistura à própria identidade do clube, como também aparece na história do Morumbi. Para o torcedor são-paulino, a Libertadores jogando em casa tem uma atmosfera própria: bandeiras, arquibancada cheia, expectativa de decisão e a sensação de que o time cresce quando joga em casa.
Em 1992, a torcida viveu a catarse da primeira taça. Em 1993, viu uma equipe campeã atropelar adversários. Em 2005, celebrou uma goleada final com Rogério Ceni erguendo a taça. Poucos estádios brasileiros têm relação tão direta com títulos de Libertadores quanto o Morumbi tem com o São Paulo.
Os maiores jogadores nos títulos de Libertadores
Raí é o maior nome da era 1992 e 1993. Capitão, camisa 10 e líder técnico, foi decisivo na primeira conquista ao marcar o gol da final contra o Newell’s no tempo normal. Em 1993, voltou a ser protagonista, com gols importantes durante toda a campanha.
Zetti é o herói da primeira Libertadores. A defesa no pênalti de Gamboa, na final contra o Newell’s, é uma das imagens mais fortes da história são-paulina. Sua segurança deu ao time de Telê a confiança necessária para crescer em decisões.
Palhinha foi o artilheiro da Libertadores de 1992, com sete gols. Müller deu mobilidade e qualidade ao ataque. Cafu começou a consolidar sua imagem de jogador gigante em decisões. Antônio Carlos, Ronaldão, Pintado, Adílson, Elivélton e Macedo completaram uma geração de altíssimo nível.
Em 2005, Rogério Ceni foi o rosto da conquista. Capitão, goleiro, cobrador de faltas e pênaltis, líder técnico e emocional. Seus cinco gols em uma campanha de Libertadores reforçam uma singularidade quase impossível de repetir.
Lugano, Fabão e Alex formaram uma defesa forte. Cicinho foi um ala decisivo. Mineiro e Josué deram sustentação. Danilo organizou o jogo. Luizão, Amoroso, Grafite, Diego Tardelli e Souza participaram diretamente da artilharia de uma campanha com 34 gols.
A representatividade dos títulos na história
O título de 1992 representa a abertura da era internacional do São Paulo. Foi a primeira Libertadores do clube, conquistada em uma final dramática, com Raí e Zetti como protagonistas e Telê Santana como comandante de um projeto vencedor.
O título de 1993 representa a confirmação da supremacia. O São Paulo não apenas defendeu a taça: eliminou adversários fortes, goleou em final e mostrou que era o time mais poderoso da América naquele momento.
O título de 2005 representa o retorno ao topo. Depois de 12 anos sem vencer a Libertadores, o clube voltou a conquistar o continente com uma campanha dominante, um elenco equilibrado e Rogério Ceni em uma das maiores fases de sua carreira.
Poucos clubes brasileiros tiveram ciclos tão fortes na competição. O São Paulo venceu com Telê Santana, futebol técnico e uma geração histórica. Depois, voltou a vencer com Paulo Autuori, Rogério Ceni, defesa sólida, força ofensiva e maturidade em mata-mata.
É uma história de craques, técnicos marcantes, torcida que joga junto e noites que moldaram a identidade internacional do clube.
Foi também o primeiro brasileiro e consequentemente um clube paulista a se tornar tri campeão da competição, que 6 anos depois teve a marca igualada pelo Santos de Neymar.
Por isso, falar dos títulos do São Paulo na Libertadores é falar de uma tradição que atravessa gerações. Do time de Telê ao time de Rogério Ceni, o Tricolor construiu três conquistas que continuam entre os maiores capítulos do futebol brasileiro na América.