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Brasil na VNL masculina 2026: campanha termina com eliminação

Seleção venceu dois jogos mas perdeu as outras partidas e fechou a etapa de Chicago com duas vitórias, duas derrotas e a nona colocação geral na Liga das Nações.

Por Corte dos Esportes · 20/07/2026 · Categoria: Volei

Depois da primeira semana jogando em Brasilia onde fechou invicto, a segunda etapa onde resultados pesaram na classificação, a terceira e última semana da seleção brasileira masculina de vôlei na Liga das Nações de 2026 reuniu uma grande estreia, duas derrotas diante de adversários do primeiro escalão e uma vitória tranquila na despedida. Disputada em Chicago, nos Estados Unidos, entre 15 e 19 de julho, a etapa terminou com o Brasil fora da fase final da competição.

O time comandado por Bernardinho venceu França e China por 3 sets a 0, mas sofreu derrotas pelo mesmo placar diante dos Estados Unidos e da Polônia.

O Brasil chegou a entrar na zona de classificação após superar a França na primeira rodada. A sequência contra norte-americanos e poloneses, porém, expôs dificuldades no passe, na construção dos contra-ataques e na redução dos erros em momentos decisivos. Mesmo cumprindo sua parte contra a China, a seleção terminou a fase preliminar fora da zona de classificação.

Vitória abriu a etapa com autoridade

O primeiro jogo em Chicago aconteceu em 15 de julho, contra a França. Pressionadas pela disputa direta por uma vaga na fase final, as duas seleções entraram em quadra precisando vencer, mas foi o time brasileiro que conseguiu controlar melhor os momentos importantes.

O Brasil ganhou por 3 sets a 0, com parciais de 25/23, 25/23 e 25/19. Os dois primeiros sets foram equilibrados, decididos nos pontos finais, enquanto a terceira parcial teve maior domínio brasileiro.

Darlan liderou a pontuação com 13 acertos: oito de ataque, quatro de saque e um de bloqueio. O oposto foi importante não apenas pelo volume ofensivo, mas também pela pressão exercida no serviço. Adriano anotou 11 pontos, e Flávio contribuiu com nove.

A formação titular teve Cachopa no levantamento, Darlan como oposto, Adriano e Lucarelli nas pontas, Flávio e Judson pelo meio de rede e Maique na posição de líbero. O Brasil demonstrou maior estabilidade no passe, teve paciência para trabalhar os ataques e conseguiu limitar a reação francesa.

Com a vitória, a seleção chegou a seis triunfos e 16 pontos, saltando da nona para a sétima colocação. Naquele momento, o Brasil havia retornado à zona de classificação para as finais.

No segundo compromisso, em 16 de julho, o Brasil enfrentou os Estados Unidos, donos da casa. A seleção brasileira conseguiu competir em alto nível durante o primeiro set, mas não sustentou o mesmo rendimento nas duas parciais seguintes.

Os norte-americanos venceram por 3 sets a 0, com parciais de 25/23, 25/19 e 25/18. O saque dos EUA causou problemas ao sistema de recepção brasileiro, afastou Cachopa da rede e reduziu as possibilidades de utilização dos centrais.

Darlan voltou a ser o principal pontuador do Brasil. O oposto marcou 17 pontos, sendo 12 de ataque, quatro aces e um bloqueio. Matheus Pinta e Flávio fizeram sete pontos cada.

Do outro lado, TJ Defalco teve uma atuação decisiva. O ponteiro norte-americano terminou com 18 pontos, incluindo sete aces e quatro bloqueios. Sua passagem pelo saque foi determinante para quebrar o passe brasileiro e construir sequências de pontos.

O revés manteve o Brasil com seis vitórias e 16 pontos, mas derrubou a equipe para a oitava colocação. Mais do que a posição na tabela, a partida evidenciou uma dificuldade que voltaria a aparecer na etapa: a seleção teve bons momentos, porém não conseguiu manter o controle quando o adversário aumentou a pressão no saque.

Derrota complica a classificação

O confronto mais doloroso da semana aconteceu em 17 de julho. Em sua terceira partida em três dias, o Brasil encarou a Polônia, uma das principais forças do vôlei mundial e campeã da edição anterior da Liga das Nações.

A seleção brasileira fez dois primeiros sets competitivos, mas foi derrotada por 3 sets a 0, com parciais de 25/22, 28/26 e 25/19. O segundo set foi o ponto central do jogo. O Brasil teve oportunidades para vencer a parcial, mas não conseguiu transformar os contra-ataques em vantagem e permitiu a virada polonesa.

Lucarelli e Darlan foram os maiores pontuadores brasileiros, com 12 pontos cada. Flávio anotou nove, incluindo dois bloqueios. Pela Polônia, Kamil Semeniuk e Tomasz Fornal marcaram 13 pontos cada, enquanto Bartlomiej Bołądź fez 12.

O resultado colocou o Brasil na nona posição, com seis vitórias e 16 pontos. A classificação deixou de depender apenas do desempenho brasileiro. Além de vencer a China, a equipe precisava contar com uma combinação de derrotas de concorrentes como Itália, Ucrânia, Bulgária e Sérvia.

A derrota também resumiu parte dos problemas apresentados em Chicago. A equipe conseguiu jogar de igual para igual em diferentes momentos, mas desperdiçou oportunidades em situações relativamente controladas. Contra uma seleção experiente e eficiente como a Polônia, os erros simples tiveram peso decisivo.

Vitória mas resultado não evita eliminação

Depois de um dia sem jogos, o Brasil encerrou a campanha no domingo, 19 de julho, diante da China. Quando entrou em quadra, a seleção já não tinha possibilidades matemáticas de classificação, porque os resultados dos adversários diretos haviam definido as vagas.

Mesmo eliminada, a equipe fez uma partida segura e venceu por 3 sets a 0, com parciais de 25/16, 25/20 e 25/21. O Brasil controlou o confronto desde o início, manteve o passe mais estável e conseguiu utilizar com frequência os jogadores de meio.

Adriano foi o maior pontuador da partida, com 13 pontos, sendo dez de ataque e três de saque. Darlan e Flávio fizeram 11 pontos cada. A formação titular contou com Cachopa, Darlan, Adriano, Lucarelli, Flávio, Matheus Pinta e Maique, enquanto Honorato também participou.

A vitória levou o Brasil aos 19 pontos e confirmou a campanha de sete triunfos e cinco derrotas. O desempenho, no entanto, não foi suficiente para superar Ucrânia e Bulgária, que também terminaram com sete vitórias, mas somaram mais pontos.

Darlan lidera o Brasil na última etapa

O oposto somou 53 pontos nos quatro jogos: 13 contra a França, 17 diante dos Estados Unidos, 12 contra a Polônia e 11 na vitória sobre a China.

Além da pontuação, Darlan teve presença importante no saque. Foram quatro aces diante da França e outros quatro contra os Estados Unidos. Mesmo tendo deixado o jogo de estreia com um desconforto na panturrilha, o atacante participou das três partidas seguintes e permaneceu como principal referência ofensiva da equipe.

Adriano também teve participação relevante, especialmente nas duas vitórias. O ponteiro marcou 11 pontos contra a França e liderou o confronto com a China, anotando 13. Flávio foi outra peça constante, contribuindo no ataque rápido e no bloqueio, enquanto Lucarelli dividiu com Darlan a liderança da pontuação brasileira contra a Polônia.

Classificação final da fase preliminar:

  • Japão — 12 vitórias, 0 derrota e 30 pontos
  • Polônia — 10 vitórias, 2 derrotas e 29 pontos
  • Eslovênia — 10 vitórias, 2 derrotas e 26 pontos
  • Itália — 8 vitórias, 4 derrotas e 26 pontos
  • Estados Unidos — 8 vitórias, 4 derrotas e 25 pontos
  • Turquia — 8 vitórias, 4 derrotas e 22 pontos
  • Ucrânia — 7 vitórias, 5 derrotas e 23 pontos
  • Bulgária — 7 vitórias, 5 derrotas e 20 pontos
  • Brasil — 7 vitórias, 5 derrotas e 19 pontos

Como o número de vitórias é o primeiro critério da classificação, Ucrânia, Bulgária e Brasil formaram um bloco de equipes com sete triunfos. A pontuação colocou os ucranianos em sétimo, os búlgaros em oitavo e os brasileiros em nono. A China, apesar de terminar na última posição, já estava garantida nas finais por ser o país-sede. Assim, apenas os sete primeiros colocados da fase preliminar conquistaram vagas pelo desempenho esportivo.

Eliminação representa marca inédita

A nona colocação teve peso histórico. Desde a criação da Liga das Nações, em 2018, o Brasil havia participado de todas as fases finais da competição. A edição de 2026 foi a primeira em que a seleção masculina terminou eliminada ainda na etapa classificatória.

A campanha de Chicago mostrou duas versões do time. Nas vitórias sobre França e China, o Brasil conseguiu controlar o passe, utilizar os centrais e pressionar no saque. Nas derrotas para Estados Unidos e Polônia, teve dificuldades para sustentar o volume de jogo, especialmente quando os adversários elevaram a agressividade no serviço e no bloqueio.

O resultado não apaga os bons momentos da equipe, mas deixa pontos claros para o trabalho de Bernardinho. Reduzir erros não forçados, aproveitar melhor os contra-ataques e manter estabilidade contra seleções de alto nível aparecem como desafios centrais. A terceira semana da VNL masculina de 2026 terminou sem a classificação desejada, mas ofereceu uma fotografia importante do estágio da seleção brasileira dentro do ciclo internacional.

Renovação e o caminho até LA 2028

A eliminação na fase preliminar precisa ser analisada dentro de um processo mais amplo de renovação da seleção brasileira. Bernardinho utilizou a Liga das Nações para testar formações, distribuir responsabilidades e aumentar o espaço de jogadores que podem assumir protagonismo nos próximos anos. Darlan, Adriano, Judson, Matheus Pinta, Maique e Cachopa fazem parte dessa construção, ao mesmo tempo em que atletas experientes, como Lucarelli e Flávio, continuam importantes para dar equilíbrio competitivo ao grupo.

Não se trata de uma troca completa de geração, mas de uma renovação gradual. O desafio da comissão técnica é encontrar uma base capaz de suportar a pressão dos grandes jogos sem perder a identidade histórica do vôlei brasileiro. A etapa de Chicago mostrou que o time possui força física, qualidade no saque e alternativas ofensivas, mas ainda precisa ganhar regularidade no passe, reduzir os erros em sequências decisivas e melhorar o aproveitamento dos contra-ataques contra adversários do primeiro escalão.

O próximo grande objetivo mundial da seleção será o Campeonato Mundial masculino de 2027, marcado para setembro, na Polônia. A competição terá partidas em cinco cidades e funcionará como o principal teste do Brasil antes do ano olímpico. Mais do que buscar uma colocação expressiva, o Mundial deverá indicar quais jogadores estarão preparados para formar o núcleo da equipe nos Jogos de Los Angeles.

Até 2028, cada edição da Liga das Nações terá peso na definição do elenco. O período servirá para consolidar titulares, ampliar a experiência internacional dos atletas mais novos e desenvolver opções para diferentes situações de jogo. A concorrência interna, especialmente nas pontas, no meio de rede e na posição de oposto, será fundamental para que o Brasil chegue aos Jogos Olímpicos com um grupo mais profundo e menos dependente de uma única formação.

Assim, a campanha de 2026 termina com uma frustração imediata, mas também com informações importantes para o restante do ciclo. O Brasil ficou fora da fase final pela primeira vez, porém utilizou a competição para acelerar uma transição que precisa estar amadurecida em 2027 e consolidada em 2028. O resultado em Chicago não determina o destino da seleção, mas estabelece com clareza o ponto de partida para a caminhada até Los Angeles.