O Brasil saiu da segunda semana da Liga das Nações masculina de vôlei com um cenário bem mais apertado do que aquele construído na estreia em Brasília. Depois de começar a VNL com quatro vitórias em quatro jogos, a seleção de Bernardinho teve uma etapa dura em Liubliana, na Eslovênia, perdeu três partidas seguidas e só reagiu no último compromisso, contra o Canadá, em uma vitória dramática no tie-break. O resultado final da segunda semana deixou o Brasil em 9º lugar.
A posição é importante porque a VNL masculina tem 18 seleções e cada equipe faz 12 jogos na fase classificatória. Ao fim das três semanas, as melhores campanhas avançam para a fase final, disputada em formato de mata-mata. A regra oficial prevê a classificação das oito melhores seleções da fase preliminar, mas o país-sede da fase final tem vaga garantida. Como a China será sede em Ningbo e, neste momento, aparece apenas em 17º lugar, o cenário prático para o Brasil é disputar uma das sete vagas pelo ranking geral.
Isso muda bastante a leitura da tabela. Não basta o Brasil terminar em 8º se a China continuar fora do top 8, porque a seleção chinesa ficaria com a vaga de anfitriã e reduziria a briga esportiva às sete melhores campanhas. Portanto, a meta realista da seleção brasileira na última semana é entrar no top 7 ou, no mínimo, ficar muito próxima disso dependendo do desempenho chinês. Hoje, o Brasil está uma posição abaixo da Bulgária e duas abaixo da Turquia, ambas com 5 vitórias e 14 pontos.
O que o Brasil precisa para se classificar
Não há um “número mágico” fechado porque a classificação depende também dos resultados de Turquia, Bulgária, Itália, Ucrânia, Eslovênia e outros concorrentes diretos. Mas o caminho está claro: a seleção precisa vencer jogos na terceira semana, pontuar bem e, de preferência, evitar vitórias no tie-break, já que triunfos por 3 a 0 ou 3 a 1 valem 3 pontos, enquanto vitórias por 3 a 2 valem apenas 2.
Cenário do Brasil após a 2ª semana:
- Posição atual: 9º lugar
- Campanha: 5 vitórias e 3 derrotas
- Pontuação: 13 pontos
- Zona prática de classificação: top 7, caso a China siga fora do top 8
- Concorrentes mais próximos: Turquia e Bulgária, ambas com 5 vitórias e 14 pontos
- Jogos restantes: França, Estados Unidos, Polônia e China
- Meta mais segura: vencer pelo menos 3 dos 4 jogos da última semana
- Cenário de risco: vencer apenas 2 jogos e depender de tropeços dos rivais
- Cenário ideal: somar vitórias por 3 a 0 ou 3 a 1 para ganhar pontos cheios
Na prática, três vitórias em Chicago aumentariam muito a chance de classificação. Duas vitórias ainda podem manter a seleção viva, mas deixariam a vaga nas mãos de combinações paralelas, especialmente porque Bulgária e Turquia estão à frente por um ponto e outras seleções do bloco intermediário também podem crescer. Uma semana com apenas uma vitória provavelmente deixaria o Brasil em situação muito difícil.
O detalhe é que a tabela da VNL prioriza primeiro o número de vitórias. Só depois entram pontos, saldo de sets e saldo de pontos. Por isso, para o Brasil, vencer é mais importante do que simplesmente somar pontos em derrotas por 3 a 2. Ainda assim, cada set pode pesar no desempate se a seleção terminar empatada em vitórias e pontos com rivais diretos.
Campanha completa
O Brasil começou a VNL masculina com uma primeira semana perfeita em Brasília. A seleção venceu Irã, Bélgica, Sérvia e Argentina, mostrou força diante da torcida e terminou a etapa nacional com 100% de aproveitamento. A queda de rendimento em Liubliana, portanto, mudou o cenário da equipe na competição e deixou a classificação mais pressionada. No mesmo calendário internacional, a disputa também se conecta ao bom momento da seleção feminina, que saiu fortalecida da segunda semana da VNL feminina.
Na segunda semana, em Liubliana, o Brasil teve queda clara de rendimento. A estreia foi com derrota para a Ucrânia por 3 sets a 1. Depois, a seleção perdeu para a Itália, também por 3 a 1, em um jogo de parciais mais equilibradas. Na sequência, veio o resultado mais preocupante: derrota por 3 a 0 para a Eslovênia, diante da torcida local. O alívio apareceu apenas contra o Canadá, em uma partida longa, tensa e decidida no tie-break.
Todos os jogos do Brasil na VNL masculina
- Brasil 3 x 1 Irã — 25/21, 23/25, 25/15 e 25/23
- Brasil 3 x 1 Bélgica — 25/19, 23/25, 25/15 e 25/20
- Brasil 3 x 0 Sérvia — 25/22, 25/18 e 25/22
- Brasil 3 x 2 Argentina — 18/25, 24/26, 25/19, 25/23 e 15/9
- Brasil 1 x 3 Ucrânia — 27/29, 25/22, 22/25 e 21/25
- Brasil 1 x 3 Itália — 19/25, 23/25, 25/22 e 23/25
- Brasil 0 x 3 Eslovênia — 25/27, 17/25 e 20/25
- Brasil 3 x 2 Canadá — 25/17, 23/25, 28/26, 22/25 e 17/15
A oscilação entre as duas semanas é o ponto central da campanha. Em Brasília, o Brasil foi dominante o suficiente para sair com quatro vitórias. Em Liubliana, caiu de produção, perdeu consistência no passe, teve dificuldade para sustentar viradas de bola em sequência e deixou pontos importantes pelo caminho. A vitória contra o Canadá manteve a seleção viva, mas não impediu a queda para fora da zona prática de classificação.
O maior pontuador do Brasil
Darlan segue como o principal nome ofensivo da seleção brasileira na VNL masculina. O oposto soma 112 pontos, sendo 95 em ataques, 8 em bloqueios e 9 em saques. E aparece entre os principais jogadores da competição no fundamento ofensivo.
Maiores pontuadores do Brasil:
- Darlan — 112 pontos
- Judson — 72 pontos
- Adriano — 71 pontos
- Lucarelli — 60 pontos
- Flávio — 45 pontos
- Bryan — 36 pontos
- Honorato — 27 pontos
- Pinta — 26 pontos
- Arthur — 26 pontos
- Douglas — 20 pontos
A presença de Darlan é fundamental porque o Brasil precisa de uma referência confiável nas bolas de segurança, principalmente em jogos contra adversários de saque forte. Na terceira semana, contra França, Estados Unidos e Polônia, a qualidade do passe brasileiro será colocada sob pressão. Quando a recepção não funcionar, a capacidade de Darlan resolver bolas altas pode ser decisiva.
Flávio lidera o bloqueio brasileiro
No bloqueio, Flávio é o melhor brasileiro da competição, com 15 pontos no fundamento. Judson aparece logo atrás, com 14, e Lucarelli soma 12. O bloqueio foi uma das armas do Brasil na primeira semana, mas precisa voltar a ter maior impacto na etapa de Chicago, sobretudo contra seleções que atacam com muita força pelas extremidades.
Principais bloqueadores do Brasil:
- Flávio — 15 bloqueios
- Judson — 14 bloqueios
- Lucarelli — 12 bloqueios
- Darlan — 8 bloqueios
- Bryan — 4 bloqueios
- Honorato — 4 bloqueios
- Pinta — 4 bloqueios
O fundamento pode ser decisivo para a classificação. O Brasil não depende apenas de volume ofensivo; precisa pontuar mais diretamente na rede, diminuir a eficiência dos ponteiros adversários e transformar defesas em contra-ataques. Em uma tabela apertada, vencer sets longos passa por bloquear melhor nos pontos finais.
Saque: Darlan também lidera entre os brasileiros
Darlan também é o principal sacador brasileiro em pontos diretos, com 9 aces. Adriano vem logo depois, com 8. Bryan e Lucarelli somam 5 cada. O saque será uma chave da terceira semana porque França, Estados Unidos e Polônia têm sistemas ofensivos fortes quando recebem com qualidade.
A seleção brasileira precisa equilibrar agressividade e controle. Sacar forte é indispensável para quebrar o passe dos rivais, mas o excesso de erros pode custar caro em jogos que tendem a ser decididos em detalhes. A derrota para a Eslovênia e os sets apertados contra Ucrânia, Itália e Canadá mostram que a margem de erro diminuiu.
Destaque entre os levantadores da VNL
Cachopa aparece como um dos grandes destaques estatísticos do Brasil na VNL. O levantador soma 267 levantamentos bem-sucedidos e ocupa a 2ª posição geral do ranking de levantadores, atrás apenas do francês Brizard.
Esse dado ajuda a explicar por que o Brasil ainda se mantém competitivo mesmo em uma fase de oscilação. A distribuição tem sustentado boa parte do jogo ofensivo, mas depende diretamente da qualidade do passe. Quando a bola chega em condição ruim, a seleção fica mais previsível e precisa forçar soluções pelas pontas.
Destaques gerais da VNL masculina
O Japão é o grande destaque coletivo da competição após a segunda semana. A seleção japonesa lidera a VNL masculina, Estados Unidos e Polônia aparecem na sequência.
Na pontuação individual, Aleksandar Nikolov, da Bulgária, lidera a VNL masculina com 194 pontos. Ferre Reggers, da Bélgica, vem logo atrás, com 193, e Ran Takahashi, do Japão, aparece em terceiro, com 159.
Maiores pontuadores gerais:
- Aleksandar Nikolov, Bulgária — 194 pontos
- Ferre Reggers, Bélgica — 193 pontos
- Ran Takahashi, Japão — 159 pontos
- Mujanović, Eslovênia — 139 pontos
- Adis Lagumdzija, Turquia — 134 pontos
- M. Henno, França — 131 pontos
- Vicentin, Argentina — 125 pontos
- Boyer, França — 124 pontos
- Hanes, Estados Unidos — 116 pontos
- Tupchii, Ucrânia — 115 pontos
- Tonček Štern, Eslovênia — 113 pontos
- Darlan, Brasil — 112 pontos
Classificação da VNL masculina após a 2ª semana
- Japão — 8 jogos, 8 vitórias, 0 derrotas, 20 pontos
- Estados Unidos — 8 jogos, 6 vitórias, 2 derrotas, 19 pontos
- Polônia — 8 jogos, 6 vitórias, 2 derrotas, 17 pontos
- Eslovênia — 8 jogos, 6 vitórias, 2 derrotas, 14 pontos
- Ucrânia — 8 jogos, 5 vitórias, 3 derrotas, 16 pontos
- Itália — 8 jogos, 5 vitórias, 3 derrotas, 16 pontos
- Turquia — 8 jogos, 5 vitórias, 3 derrotas, 14 pontos
- Bulgária — 8 jogos, 5 vitórias, 3 derrotas, 14 pontos
- Brasil — 8 jogos, 5 vitórias, 3 derrotas, 13 pontos
- Alemanha — 8 jogos, 4 vitórias, 4 derrotas, 12 pontos
- Sérvia — 8 jogos, 4 vitórias, 4 derrotas, 12 pontos
- França — 8 jogos, 4 vitórias, 4 derrotas, 10 pontos
- Bélgica — 8 jogos, 3 vitórias, 5 derrotas, 9 pontos
- Irã — 8 jogos, 2 vitórias, 6 derrotas, 9 pontos
- Argentina — 8 jogos, 2 vitórias, 6 derrotas, 7 pontos
- Canadá — 8 jogos, 1 vitória, 7 derrotas, 8 pontos
- China — 8 jogos, 1 vitória, 7 derrotas, 4 pontos
- Cuba — 8 jogos, 0 vitórias, 8 derrotas, 2 pontos
A classificação mostra o tamanho do problema brasileiro. O Brasil tem o mesmo número de vitórias de Ucrânia, Itália, Turquia e Bulgária, mas fica atrás por pontuação e critérios de desempate. Como a China ocupa uma posição muito baixa e tem vaga garantida como sede, o 8º lugar pode não ser suficiente. A seleção precisa mirar a 7ª posição.
Próximos jogos do Brasil
A terceira e última semana da fase classificatória será disputada em Chicago, nos Estados Unidos.
- Brasil x França
Data: 15 de julho
Horário: 18h, de Brasília
Local: Chicago, Estados Unidos
Contexto: confronto direto contra uma seleção que está abaixo do Brasil, mas ainda briga para subir na tabela - Brasil x Estados Unidos
Data: 16 de julho
Horário: 22h, de Brasília
Local: Chicago, Estados Unidos
Contexto: duelo contra o vice-líder da classificação e equipe anfitriã da etapa - Brasil x Polônia
Data: 17 de julho
Horário: 22h, de Brasília
Local: Chicago, Estados Unidos
Contexto: jogo contra uma das seleções mais fortes da VNL e atual integrante do top 3 - China x Brasil
Data: 19 de julho
Horário: 14h, de Brasília
Local: Chicago, Estados Unidos
Contexto: partida contra a sede da fase final, adversária que tem vaga garantida no mata-mata
Fase final da VNL masculina
- Local: Ningbo, China
- Período: 29 de julho a 2 de agosto
- Formato: quartas de final, semifinais, disputa do bronze e final
O cenário para a última semana
O Brasil chega a Chicago pressionado, mas ainda com caminho aberto. A vitória sobre o Canadá foi fundamental para impedir que a seleção perdesse contato com o bloco de classificação. Ainda assim, a equipe não depende apenas de tradição ou de uma boa primeira semana: precisa transformar os quatro jogos restantes em pontos concretos.
O primeiro jogo, contra a França, ganhou um peso enorme. É o tipo de partida que o Brasil precisa vencer para chegar mais forte aos confrontos contra Estados Unidos e Polônia. Perder para os franceses pode deixar a seleção em situação de dependência quase total antes dos jogos mais difíceis da semana. Vencer, por outro lado, recoloca o time na briga direta e aumenta a pressão sobre Bulgária e Turquia.
Contra Estados Unidos e Polônia, o Brasil terá testes de alto nível. São seleções que estão acima na tabela, têm poder de saque, bloqueio forte e capacidade de decidir sets longos. Pontuar nesses jogos, especialmente com vitória, pode mudar completamente a projeção brasileira. Já contra a China, a obrigação tende a ser ainda maior, porque a equipe chinesa tem campanha ruim, mas jogará a fase final por ser sede.
A conta brasileira passa por três ideias simples: vencer mais jogos do que Bulgária e Turquia na rodada final, buscar pontos cheios sempre que possível e proteger o saldo de sets. O Brasil ainda tem elenco, camisa e qualidade para se classificar, mas a segunda semana tirou a margem de conforto. A VNL masculina entrou em modo decisivo para a seleção de Bernardinho.