Deschamps chamou os 26 jogadores montando uma lista que mistura campeões mundiais, nomes consolidados em clubes gigantes, jovens em ascensão e atletas que fizeram temporadas de alto nível na Europa.
Bicampeã mundial, campeã em 1998 e 2018, a seleção francesa tenta voltar ao topo depois do vice em 2022. O grupo mantém parte da base, mas também mostra renovação. Camavinga ficou fora, Griezmann já não faz mais parte do ciclo, Lloris não está na lista, e a equipe agora se apoia em uma nova estrutura.
Goleiros: segurança, experiência e uma novidade em alta
Mike Maignan — Milan
Mike Maignan chega como o goleiro mais importante da França. Pelo Milan, disputou cerca de 35 jogos na temporada, sofreu 43 gols e terminou com média próxima de 1,23 gol sofrido por partida, além de cerca de 10 jogos sem sofrer gol.
Mesmo em uma temporada em que o Milan oscilou na Serie A, Maignan manteve status de goleiro de elite. É forte embaixo das traves, tem boa saída de bola e já está acostumado a jogos grandes. Para a França, chega como titular natural e peça de liderança defensiva.
Robin Risser — Lens
Robin Risser é uma das grandes novidades da convocação. Pelo Lens, fez uma temporada de afirmação, com cerca de 33 jogos, 33 gols sofridos, média de 1 gol sofrido por partida e 11 partidas sem ser vazado.
A presença dele na lista tem peso simbólico. Risser foi chamado pela primeira vez para a seleção principal depois de se destacar na Ligue 1 e ganhar espaço em um Lens que terminou como vice campeão do campeonato francês. É o nome mais jovem do setor e chega como aposta de futuro, mas com a temporada suficiente para justificar a convocação.
Brice Samba — Rennes
Brice Samba completa o trio de goleiros com experiência e regularidade. Pelo Rennes, disputou cerca de 32 jogos na Ligue 1, sofreu aproximadamente 41 gols, com média de 1,28 gol sofrido por partida, além de 10 jogos sem sofrer gol.
Samba não chega como favorito à titularidade, mas oferece segurança de grupo. É um goleiro rodado, com boa leitura de área e experiência no futebol francês. Em torneio curto, ter um terceiro goleiro confiável é importante, especialmente em uma Copa maior, com mais jogos e desgaste.
Defensores: força física, laterais ofensivos e disciplina tática
Lucas Digne — Aston Villa
Lucas Digne chega como lateral experiente e opção confiável pelo lado esquerdo. Pelo Aston Villa, disputou cerca de 34 jogos, marcou 2 gols, deu 7 assistências, com aproximadamente 24 faltas cometidas, 5 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
A temporada do Aston Villa foi forte na Premier League, com vaga na Champions League encaminhada além da classificação para a final da Europa League. Digne chega como alternativa importante para jogos em que a França precise de cruzamento, bola parada e experiência defensiva.
Malo Gusto — Chelsea
Malo Gusto é um dos nomes mais jovens da defesa e oferece intensidade pelo lado direito. Pelo Chelsea, disputou cerca de 26 jogos, com 0 gol, 4 assistências, aproximadamente 38 faltas cometidas, 8 cartões amarelos e 1 expulsão.
O Chelsea viveu uma temporada instável, fora do padrão esperado para o investimento do elenco. Mesmo assim, Gusto ganhou rodagem em alto nível e chega como opção de energia, profundidade e marcação agressiva. O ponto de atenção está justamente na disciplina.
Lucas Hernández — PSG
Lucas Hernández chega como um dos remanescentes do título mundial de 2018. Pelo PSG, disputou cerca de 22 jogos, marcou 1 gol, deu 2 assistências, com aproximadamente 23 faltas cometidas, 5 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
O PSG foi campeão francês e chegou novamente ao centro do cenário europeu. Lucas não teve a temporada mais participativa do grupo, mas sua presença pesa pela experiência, pela versatilidade e pela capacidade de atuar como lateral ou zagueiro pela esquerda.
Théo Hernández — Al-Hilal
Théo Hernández chega com perfil diferente. No Al-Hilal, fez cerca de 29 jogos, marcou 4 gols, deu 7 assistências, com aproximadamente 29 faltas cometidas, 6 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
É um lateral de força, condução e chegada. Mesmo fora das principais ligas europeias, manteve produção ofensiva alta. Para a França, oferece uma arma importante: romper linhas pelo lado esquerdo e atacar espaço como poucos laterais do futebol mundial.
Ibrahima Konaté — Liverpool
Konaté chega como zagueiro de força física e jogo aéreo. Pelo Liverpool, disputou cerca de 28 jogos, marcou 2 gols, deu 1 assistência, com aproximadamente 18 faltas cometidas, 4 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
O Liverpool fez uma temporada abaixo do padrão recente e terminou distante da briga pelo título inglês. Ainda assim, Konaté manteve importância individual. Para a França, é uma opção de imposição, principalmente contra seleções fortes fisicamente.
Jules Koundé — Barcelona
Jules Koundé chega embalado por uma temporada vitoriosa. Pelo Barcelona, campeão espanhol, disputou cerca de 34 jogos, marcou 1 gol, deu 5 assistências, com aproximadamente 22 faltas cometidas, 3 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
É um dos defensores mais completos da lista. Pode jogar como lateral direito ou zagueiro, oferece boa saída de bola e costuma tomar decisões seguras. Em uma Copa, essa versatilidade tem valor alto para Deschamps.
A temporada vitoriosa do Barcelona também fortalece o recorte de Koundé. O defensor fez parte de um time campeão nacional, em uma campanha marcada pela vitória do Barcelona sobre o Real Madrid no título da LaLiga 2026.
Maxence Lacroix — Crystal Palace
Maxence Lacroix é uma das escolhas mais interessantes da convocação. Pelo Crystal Palace, disputou cerca de 32 jogos, marcou 2 gols, não deu assistência, com aproximadamente 35 faltas cometidas, 6 cartões amarelos e 1 expulsão.
A convocação veio depois de boas respostas recentes pela seleção. Lacroix não é o nome mais badalado da defesa, mas dá profundidade ao setor e oferece velocidade para proteger campo aberto. Em uma lista com 26 jogadores, esse tipo de perfil ganha importância.
William Saliba — Arsenal
Saliba chega como um dos melhores zagueiros franceses da temporada. Pelo Arsenal, disputou cerca de 33 jogos na Premier League, marcou 2 gols, deu 1 assistência, com aproximadamente 16 faltas cometidas, 3 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
A temporada do Arsenal fortalece ainda mais sua convocação. O clube está muito perto do título inglês, garantiu vaga na final da Champions League. Saliba chega com maturidade, regularidade e autoridade defensiva para ser titular da França.
A força coletiva do time inglês também ajuda a explicar o peso de Saliba na convocação. O zagueiro foi peça central de uma equipe que chegou à decisão continental.
Dayot Upamecano — Bayern de Munique
Upamecano chega como zagueiro de força, velocidade e experiência internacional. Pelo Bayern, disputou cerca de 28 jogos, marcou 1 gol, deu 1 assistência, com 20 faltas cometidas, 5 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
O Bayern foi campeão alemão e fechou a Bundesliga com campanha dominante. Upamecano chega em um ambiente vencedor, acostumado a pressão e jogos grandes. É um defensor útil para enfrentar atacantes rápidos e seleções que atacam em transição.
Meio-campo: intensidade, experiência e equilíbrio
N’Golo Kanté — Fenerbahçe
Kanté é um dos nomes mais experientes da convocação. Pelo Fenerbahçe, disputou 28 jogos, marcou 2 gols, deu 3 assistências, com 31 faltas cometidas, 4 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
A presença de Kanté carrega peso histórico. Campeão mundial em 2018, ele não é mais o mesmo jogador fisicamente dominante do auge, mas ainda oferece leitura, posicionamento e capacidade de cobrir espaços. Para Deschamps, é uma peça de segurança.
Manu Koné — Roma
Manu Koné chega com perfil físico e competitivo. Pela Roma, disputou 31 jogos, marcou 3 gols, deu 4 assistências, com aproximadamente 50 faltas cometidas, 9 cartões amarelos e 1 expulsão.
É um meio-campista de intensidade, duelo e condução. A Roma fez uma temporada de briga por vaga continental, e Koné ganhou minutos importantes em uma liga taticamente exigente. O ponto de atenção é disciplinar: o número de faltas e cartões mostra um jogador agressivo, algo que precisa ser controlado em Copa do Mundo.
Adrien Rabiot — Milan
Rabiot chega como volante/meia de experiência e presença física. Pelo Milan, disputou 30 jogos, marcou 5 gols, deu 4 assistências, com aproximadamente 35 faltas cometidas, 7 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
Rabiot é útil por ocupar várias zonas do campo. Pode ajudar na saída, fechar o lado esquerdo, chegar à área e dar altura ao meio-campo. Mesmo sem ser unanimidade, costuma ser importante para Deschamps pela regularidade tática.
Aurélien Tchouaméni — Real Madrid
Tchouaméni chega como um dos pilares do meio francês. Pelo Real Madrid, disputou 33 jogos em LaLiga, marcou 2 gols, deu 3 assistências, com aproximadamente 37 faltas cometidas, 6 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
Ele é um jogador central para equilibrar a França: protege a zaga, tem passe vertical, vence duelos e pode até ser usado como zagueiro em emergência.
Warren Zaïre-Emery — PSG
Warren Zaïre-Emery representa a renovação do meio-campo francês. Pelo PSG, disputou 25 jogos na Ligue 1, marcou 3 gols, deu 4 assistências, com aproximadamente 22 faltas cometidas, 4 cartões amarelos e nenhuma expulsão.
O PSG foi campeão francês e é finalista europeu, contexto importante para um jogador ainda jovem. Zaïre-Emery chega com experiência de jogo grande, intensidade e capacidade de atuar em diferentes funções do meio.
Atacantes: gols, assistências e variedade ofensiva
Maghnes Akliouche — Monaco
Maghnes Akliouche chega como uma das peças criativas da lista. Pelo Monaco, disputou 33 jogos, marcou 9 gols, deu 10 assistências e recebeu 4 cartões amarelos.
O Monaco brigou por vaga continental na Ligue 1, e Akliouche foi uma das figuras de maior impacto técnico da equipe. É um meia-atacante de passe, drible e tomada de decisão, útil para jogos em que a França precise abrir defesas fechadas.
Bradley Barcola — PSG
Barcola chega mais maduro do que em ciclos anteriores. Pelo PSG, disputou 32 jogos, marcou 14 gols, deu 12 assistências e recebeu apenas 2 cartões amarelos.
A temporada do PSG ajuda a valorizar seus números. Campeão francês e finalista europeu, o clube deu a Barcola um ambiente de pressão máxima. Para a França, ele oferece velocidade, um contra um e capacidade de jogar aberto pela esquerda.
Rayan Cherki — Manchester City
Cherki chega como talento criativo em evolução. Pelo Manchester City, disputou 27 jogos, marcou 7 gols, deu 8 assistências e recebeu 3 cartões amarelos.
O City passou por uma temporada de transição, mas seguiu na parte alta da Premier League. Cherki oferece algo diferente: improviso, passe final, chute de média distância e capacidade de mudar o ritmo. É uma opção para destravar partidas.
Ousmane Dembélé — PSG
Dembélé chega em grande fase. Pelo PSG, no recorte da Ligue 1 e da Champions, passou de 30 jogos, somando produção superior a 17 gols e 9 assistências nas principais competições, além de participação direta em uma temporada de título francês e final europeia.
Dembélé é um dos jogadores mais imprevisíveis da lista. Pode atuar pelos dois lados, atacar por dentro, acelerar transições e criar vantagem no drible. Depois de anos marcados por lesões e irregularidade, chega à Copa como protagonista real da França.
A temporada do PSG dá ainda mais peso ao momento de Dembélé. O atacante foi parte de um elenco que chegou à decisão europeia, e também integrou o ciclo nacional coroado pelo título na Ligue 1 em 2026.
Désiré Doué — PSG
Désiré Doué é outro jovem do PSG na lista. Na temporada, disputou 30 jogos, marcou 8 gols, deu 8 assistências e recebeu 3 cartões amarelos.
Doué oferece mobilidade, condução e criatividade. Ainda é jovem, mas já aparece em um ambiente de cobrança alta. Para Deschamps, pode ser uma opção de banco muito útil, especialmente em jogos que pedem energia e desequilíbrio no segundo tempo.
Jean-Philippe Mateta — Crystal Palace
Mateta é o centroavante mais físico da convocação. Pelo Crystal Palace, disputou 36 jogos, marcou 17 gols, deu 4 assistências e recebeu 6 cartões amarelos.
A escolha dele faz sentido pelo perfil. A França tem muitos atacantes de velocidade e técnica, mas Mateta oferece presença de área, jogo aéreo, choque e finalização. Em partidas travadas, pode ser o plano B que muda o tipo de ataque da equipe.
Kylian Mbappé — Real Madrid
Mbappé chega como capitão, estrela e principal referência ofensiva da França. Pelo Real Madrid, fez uma temporada constante, com 48 jogos, 40 gols e 8 assistências somando as principais competições.
Na Champions League, teve números especialmente fortes, passando de uma dezena de gols. Mesmo com o Real Madrid terminando atrás do Barcelona em LaLiga, Mbappé manteve produção individual altíssima. É o jogador que mais carrega expectativa na seleção francesa.
Michael Olise — Bayern de Munique
Michael Olise chega talvez como o jogador francês de temporada mais completa no ataque. Pelo Bayern, foi campeão alemão e terminou a Bundesliga como um dos grandes nomes da competição. No recorte geral, somou 22 gols e 30 assistências em todas as competições.
É uma produção absurda para um jogador de lado. Olise combina criação, bola parada, passe final e finalização. Para a França, pode ser titular ou peça de rotação de luxo. Em qualquer cenário, chega como um dos nomes mais fortes da convocação.
Marcus Thuram — Inter de Milão
Thuram completa o ataque com força, mobilidade e experiência em alto nível. Pela Inter, disputou 42 jogos, marcou 18 gols, deu 7 assistências e recebeu 4 cartões amarelos.
A Inter manteve Thuram como peça importante no setor ofensivo. Ele pode atuar como centroavante ou segundo atacante, oferecendo presença física sem perder mobilidade. Para Deschamps, é mais uma opção para variar o desenho ofensivo.
O atacante foi peça importante em um time que confirmou a força no futebol italiano, pelo título da Inter de Milão no campeonato nacional em 2026.
O que a convocação mostra sobre a França
A lista de Deschamps mostra uma França com muita profundidade. Na defesa, o treinador tem zagueiros de Premier League, Bundesliga, LaLiga, Serie A e Ligue 1, além de laterais com forte participação ofensiva.
O meio-campo mantém equilíbrio. Com Zaïre-Emery representando a renovação.
O ataque é o setor mais impressionante. Mbappé, Dembélé, Olise, Barcola, Doué, Cherki, Akliouche, Mateta e Thuram formam um grupo com soluções para todos os cenários. Há velocidade, drible, bola parada, presença de área, criação por dentro e profundidade pelos lados.
Uma França mais ofensiva e menos dependente de um só jogador
Durante boa parte da era Deschamps, a França foi associada a uma estrutura forte, competitiva e pragmática. A convocação para 2026, porém, mostra uma seleção com mais armas ofensivas do que em ciclos anteriores.
Mbappé segue como grande nome, mas não está sozinho. Dembélé chega em alta no PSG. Olise fez temporada espetacular no Bayern.
O desafio de transformar elenco em título
A França chega como favorita, mas não sem perguntas. A defesa tem nomes fortes, mas alguns jogadores vêm de temporadas com problemas de cartões ou oscilação. O meio-campo perdeu alternativas importantes em relação a outros ciclos. No ataque, a abundância de opções exige gestão de minutos, funções e expectativas.
Ainda assim, poucos países chegam à Copa com uma lista tão completa. Deschamps tem jogadores campeões, atletas em alta, jovens prontos para ganhar espaço e um capitão que é um dos maiores nomes do futebol mundial.
A comparação com outras favoritas também ajuda a medir a força francesa. Enquanto Deschamps aposta em profundidade ofensiva e uma base já testada em Copas, a convocação do Brasil para a Copa do Mundo de 2026 feita por Carlo Ancelotti mostra outro caminho: uma seleção com atacantes em boa fase, meio-campo físico e nomes que chegam de temporadas fortes na Europa e no futebol brasileiro.
A França vai ao Mundial com a ambição de buscar a terceira estrela. E, olhando jogador por jogador, a lista mostra que Deschamps tem elenco suficiente para competir até o fim.