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Cruzeiro x Atlético-MG: empate no Mineirão deixa vaga nas semi aberta da Copa do Brasil

Raposa saiu na frente com golaço de Keny Arroyo, Atlético respondeu com Renan Lodi e o primeiro capítulo das quartas de final terminou sem vantagem, deixando a decisão completamente aberta para o jogo da volta.

Por Corte dos Esportes · 26/08/2026 · Categoria: Futebol

Cruzeiro e Atlético-MG transformaram o primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil de 2026 em uma disputa de 180 minutos praticamente dividida ao meio. O empate por 1 a 1 no Mineirão, na noite desta terça-feira, 25 de agosto, não entregou vantagem esportiva a nenhum dos times e levou toda a pressão para o segundo encontro, desta vez com mando do Galo na Arena MRV.

O roteiro também ajudou a explicar por que o placar deixou sensações diferentes. O Cruzeiro teve mais a bola, cresceu no segundo tempo e abriu o marcador com Keny Arroyo. O Atlético-MG, porém, mostrou capacidade de sobrevivência em um clássico no qual passou longos períodos sem controlar a posse, reagiu depois de ficar atrás e encontrou o empate com Renan Lodi.

Em um confronto entre dois clubes que possuem relação profunda com a competição com o time celeste sendo o maior campeão com 6 títulos quanto nas duas conquistas do Galo —, o 1 a 1 manteve intacto o peso do clássico para a partida decisiva.

Primeiro tempo travado

O clássico começou muito mais marcado pela disputa por espaço do que pela criação de oportunidades claras. Mesmo atuando como visitante, o Atlético-MG conseguiu incomodar e terminou a primeira etapa produzindo mais finalizações.

O jogo também teve um problema importante para o Galo ainda no primeiro tempo. Ruan precisou deixar o campo após um choque e a equipe acionou o protocolo de concussão, com Vitão entrando em seu lugar. A alteração obrigatória mexeu cedo na estrutura defensiva atleticana.

O Cruzeiro, por sua vez, encontrou dificuldades para transformar sua maior presença com a bola em chances realmente limpas. Kaio Jorge ficou pouco abastecido e a equipe dependeu bastante da movimentação de Matheus Pereira, Gerson e Arroyo para tentar acelerar a construção.

Era um jogo com a cara de uma eliminatória equilibrada: muita disputa, faltas interrompendo sequências ofensivas e poucos espaços perto das duas áreas.

Segundo tempo movimentado

A partida ganhou outro ritmo depois do intervalo. O Cruzeiro conseguiu empurrar o Atlético para trás em determinados períodos e abriu o placar aos 14 minutos do segundo tempo.

Matheus Pereira encontrou Keny Arroyo na intermediária. O atacante equatoriano teve espaço e acertou uma finalização forte de fora da área, colocando a bola no ângulo de Everson. Foi o lance individual que faltava a um clássico até então bastante preso à organização defensiva.

O gol premiava justamente um dos jogadores mais acionados pelo Cruzeiro e parecia colocar a Raposa em condições de transformar o mando no Mineirão, em vantagem para o duelo de volta.

O Atlético, porém, não desmontou.

Cuello chegou a colocar a bola na rede poucos minutos depois, mas o lance foi anulado por impedimento. A equipe continuou procurando espaços e encontrou o empate aos 24 minutos da etapa final.

Cuello recebeu pelo lado ofensivo e encontrou Renan Lodi avançando pela esquerda. O lateral entrou na área e finalizou de canhota por um espaço curto entre o goleiro Otávio e a trave. O chute deixou tudo igual no confronto.

Em apenas dez minutos, o clássico passou de 0 a 0 para 1 a 1 e ganhou o desenho que seria levado até o apito final.

Veja os melhores momentos da partida abaixo:

O que as estatísticas mostram da partida

Os números ajudam a entender um jogo em que controle territorial e perigo ofensivo nem sempre caminharam juntos.

O Cruzeiro terminou com cerca de 65% de posse de bola, contra 35% do Atlético-MG. Foram 12 finalizações da equipe celeste e 10 do Galo. A diferença aparece justamente na qualidade dos arremates: o Atlético acertou três finalizações no alvo, enquanto o Cruzeiro teve apenas uma — justamente o golaço de Arroyo.

Outra estatística traduz o caráter físico do clássico: foram 15 faltas cometidas pelo Cruzeiro e 19 pelo Atlético-MG.

Não foi, portanto, uma partida de domínio absoluto de nenhum lado. O Cruzeiro controlou muito mais a bola e passou mais tempo tentando construir, enquanto o Atlético conseguiu criar perigo mesmo com menor participação na posse.

Como ficou a situação para a classificação

O empate por 1 a 1 eliminou qualquer vantagem de placar para o segundo jogo.

Na Arena MRV, quem vencer no tempo regulamentar estará classificado para a semifinal da Copa do Brasil. Não importa se a vitória for por um ou mais gols.

Se empatarem novamente, por qualquer placar, a vaga será decidida nas cobranças de pênaltis.

Também não existe vantagem por gol marcado fora de casa. Assim, apesar de o Atlético ter conseguido um resultado importante como visitante no Mineirão, o confronto chega completamente aberto ao segundo jogo.

O classificado enfrentará na semifinal o vencedor do Gre-Nal entre Internacional e Grêmio, conforme o chaveamento definido pela CBF.

Antes da decisão os dois têm compromissos pelo Brasileirão

Antes da partida decisiva pela Copa do Brasil, os dois entram em campo pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O Atlético joga primeiro. No sábado, 29 de agosto, às 18h30, recebe o Vitória na Arena MRV. Além de valer pontos no Brasileiro, a partida permite ao Galo não ter desgaste com viagem.

Mais tarde no mesmo sábado será a vez do Cruzeiro. A Raposa terá uma logística diferente: viaja ao Rio de Janeiro para enfrentar o Vasco, às 21h20, em São Januário.

A proximidade dos compromissos coloca as comissões técnicas diante de uma decisão importante sobre carga física, utilização dos titulares e administração do elenco. Depois dos jogos de sábado, haverá um intervalo curto até o clássico que definirá a vaga na semifinal.

A decisão das quartas de final está marcada para terça-feira, 1º de setembro de 2026, às 21h, na Arena MRV, em Belo Horizonte.

Um clássico sem margem para administrar

O primeiro clássico mineiro das quartas terminou sem vencedor, mas longe de ser um jogo sem consequências.

Para o Cruzeiro, a sensação inevitável é de ter deixado escapar a oportunidade de jogar na Arena MRV com vantagem depois de sair na frente diante de mais de 59 mil torcedores. Para o Atlético, o empate representa a possibilidade de decidir em casa, embora sem qualquer margem para simplesmente proteger o resultado.

A volta começa, na prática, em 0 a 0. Não há gol fora, não há vantagem do empate para nenhum dos lados e não existe cálculo confortável. Depois de um primeiro capítulo marcado pelo equilíbrio, por dois gols no segundo tempo e por estilos diferentes de controlar o jogo, Atlético-MG e Cruzeiro chegarão à Arena MRV sabendo exatamente o tamanho da tarefa: vencer o maior rival e ficar a dois confrontos de disputar o título da Copa do Brasil.