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Fiji Pro 2026: Medina fica com o vice e Brooks leva título no feminino em Cloudbreak

Gabriel Medina chegou à decisão com uma atuação quase perfeita, tirou nota 10 na final, mas Cole Houshmand respondeu no momento decisivo para conquistar o título masculino. No feminino, Erin Brooks ficou com o troféu depois que Isabella Nichols, classificada para a decisão, precisou desistir em razão de uma lesão no tornozelo esquerdo sofrida durante a semifinal.

Por Corte dos Esportes · 02/09/2026 · Categoria: Surf

O Finals Day do Fiji Pro 2026 transformou Cloudbreak em palco de uma das grandes decisões da temporada da World Surf League. Em ondas de seis a oito pés, Cole Houshmand conquistou o título masculino ao derrotar Gabriel Medina por 16,87 a 15,17, mesmo depois de o brasileiro arrancar uma nota 10 na reta final da bateria.

No feminino, Erin Brooks ficou com o troféu depois que Isabella Nichols, classificada para a decisão, precisou desistir em razão de uma lesão no tornozelo esquerdo sofrida durante a semifinal. A canadense encerrou assim mais uma campanha marcante em uma onda com a qual já construiu uma relação especial.

O dia decisivo aconteceu nesta quarta-feira, 2 de setembro no Brasil por causa da diferença de fuso. A programação completou as duas quartas de final masculinas que restavam, as semifinais e as decisões.

Mais do que encerrar a oitava etapa do Championship Tour de 2026, o Finals Day reforçou aquilo que transforma o Fiji Pro em uma das provas mais particulares da elite: em Cloudbreak, uma bateria pode mudar completamente com uma única onda.

Medina domina quartas e semifinal

Gabriel Medina começou o Finals Day enfrentando Kauli Vaast nas quartas de final. O confronto carregava peso técnico considerável. Vaast havia chegado embalado depois de produzir 19,07 pontos e uma nota 10 contra Miguel Pupo nas oitavas, um dos grandes momentos do quinto dia do Fiji Pro 2026 em Cloudbreak.

Medina, porém, assumiu o controle.

O brasileiro venceu por 15,66 a 7,33 e teve como principal momento uma onda avaliada em 9,33. Nela, conseguiu encaixar três tubos, aproveitando diferentes seções de Cloudbreak antes de completar a onda.

A classificação colocou Medina na semifinal contra Griffin Colapinto, que havia eliminado Connor O'Leary por 13,00 a 10,50 na outra quarta disputada durante o Finals Day.

Foi nesse confronto que o tricampeão mundial produziu seu maior somatório da etapa.

Medina recebeu 9,77 e 9,27 e chegou a 19,04 pontos de 20 possíveis. Griffin também fez uma bateria competitiva, com 14,57, mas não conseguiu acompanhar o nível de pontuação apresentado pelo brasileiro.

Veja a bateria abaixo:

Com isso, Medina chegava à decisão depois de somar 34,70 pontos em suas duas primeiras baterias do dia e cercado pela possibilidade de voltar a vencer uma etapa do Championship Tour.

Cole constrói caminho sólido até a decisão

Do outro lado da chave, Cole Houshmand também chegou à final em alta.

O norte-americano já havia garantido sua vaga na semifinal no dia anterior ao superar outro brasileiro, Yago Dora, por 16,13 a 13,27. No Finals Day, enfrentou Leonardo Fioravanti por uma vaga na decisão.

Houshmand venceu por 17,10 a 11,33.

Uma nota 9,43 foi o principal destaque de sua bateria e mostrou que o norte-americano estava perfeitamente adaptado às condições de Cloudbreak antes do confronto com Medina.

A final colocava frente a frente dois surfistas em momentos diferentes de suas trajetórias. Medina carregava três títulos mundiais e duas vitórias anteriores em Fiji, enquanto Houshmand buscava ampliar um currículo no CT que já tinha triunfos em Bells Beach, em 2024, e Saquarema, em 2025.

Onda perfeita não impede título de Houshmand

A final masculina entregou o roteiro mais dramático do dia.

Cole começou melhor e encontrou uma onda de 8,50. Depois acrescentou 6,33 ao somatório, enquanto Medina tinha 5,17 e 4,33 como suas duas notas.

O cenário deixou o brasileiro pressionado na parte final da bateria. Medina precisava de 9,66 para assumir a liderança.

Foi então que apareceu a onda que poderia ter decidido o campeonato.

Sem prioridade, Medina entrou em um tubo de alto grau de dificuldade, completou a onda e recebeu nota 10 dos juízes. O resultado colocou o brasileiro temporariamente na frente com 15,17 pontos.

Em muitas finais, seria a onda definitiva. Mas Houshmand respondeu quase imediatamente.

O norte-americano encontrou uma nova oportunidade e recebeu 8,37. Como já tinha o 8,50, descartou o 6,33 e chegou a 16,87 pontos.

Medina passou a precisar de 6,87 para recuperar a liderança, mas não encontrou outra onda capaz de substituir seu 5,17 antes do encerramento.

Veja a bateria final abaixo:

Para o norte-americano, foi a terceira vitória de sua carreira no Championship Tour e a primeira em Cloudbreak.

Para Medina, ficou um vice-campeonato construído com algumas das maiores notas do evento e uma das situações mais incomuns do surfe competitivo: conseguir uma nota perfeita em uma final e, ainda assim, ser derrotado.

Erin Brooks volta a vencer em Cloudbreak

A decisão feminina terminou de maneira diferente.

Erin Brooks havia garantido a vaga na final ao superar Carissa Moore por 11,84 a 9,97 na semifinal realizada anteriormente. Isabella Nichols avançou do outro lado ao derrotar Brisa Hennessy por margem mínima: 10,67 a 10,50.

Durante essa semifinal, porém, Nichols lesionou o tornozelo esquerdo.

A australiana não teve condições de disputar a final, e Brooks ficou com o título sem que o confronto direto entre as duas pudesse acontecer.

O desfecho não diminui o nível da campanha construída pela canadense até a decisão.

Brooks já havia protagonizado um dos grandes momentos de todo o Fiji Pro logo no início da competição, quando conseguiu uma nota 10 em Cloudbreak.

A conquista também ampliou uma história especial da canadense em Fiji. Brooks já havia vencido o Fiji Pro em 2024, quando participou como wildcard. Em 2026, voltou a Cloudbreak depois de conquistar também o Tahiti Pro 2026 em Teahupo’o.

Como ficou o ranking mundial depois de Fiji

O resultado em Cloudbreak manteve Ítalo Ferreira na liderança do ranking masculino. O brasileiro continua com a lycra amarela mesmo depois de sua eliminação nas oitavas de final em Fiji.

A classificação masculina:

  • Ítalo Ferreira (BRA) — 43.250 pontos
  • Leonardo Fioravanti (ITA) — 41.015 pontos
  • Yago Dora (BRA) — 38.695 pontos
  • Gabriel Medina (BRA) — 38.610 pontos
  • Miguel Pupo (BRA) — 33.770 pontos

O cenário mantém o Brasil em posição de enorme força na temporada. Quatro dos cinco primeiros colocados do ranking são brasileiros, e apenas 85 pontos separam Yago Dora, terceiro colocado, de Gabriel Medina, quarto.

O resultado de Fiji também deixou Medina mais perto da disputa pelas primeiras posições. O tricampeão mundial chegou à decisão depois de uma sequência de grandes atuações em Cloudbreak e somou pontos importantes antes da próxima parada do circuito.

Cole Houshmand, apesar da vitória no Fiji Pro, vinha de uma posição mais baixa na classificação acumulada e subiu para o 17º lugar.

A classificação feminina:

  • Carissa Moore (HAV)
  • Gabriela Bryan (HAV)
  • Sawyer Lindblad (EUA)
  • Molly Picklum (AUS)
  • Luana Silva (BRA)

A grande escalada é de Erin Brooks. Depois de entrar no Tahiti Pro apenas na 18ª colocação, vencer em Teahupo’o e depois conquistar também Fiji, a canadense saltou para o 8º lugar do ranking mundial.

No feminino, Luana Silva deixou Fiji ainda dentro do top 5 do Championship Tour. A brasileira foi eliminada nas oitavas de final, mas permaneceu na quinta posição do ranking mundial antes da etapa de Trestles.

Cloudbreak entrega mais um capítulo histórico

O Fiji Pro de 2026 terminou com um daqueles Finals Days que explicam por que a etapa ocupa um espaço tão importante no imaginário do surfe profissional.

É uma esquerda sobre bancada de coral em que tamanho, velocidade, posicionamento e leitura do tubo podem determinar uma bateria em poucos segundos. Quando o swell entra com força, o confronto deixa de ser apenas contra o adversário: escolher corretamente a onda passa a ser parte central da disputa.

Medina mostrou isso ao construir uma onda com três tubos nas quartas, praticamente atingir a perfeição contra Griffin Colapinto na semifinal e tirar um 10 na decisão.

Houshmand, por outro lado, mostrou por que regularidade também decide campeonatos. Na bateria mais importante do evento, produziu duas notas acima de oito e encontrou sua resposta justamente depois da onda perfeita de Medina.

No feminino, Erin Brooks confirmou novamente sua afinidade com ondas pesadas de esquerda. Depois de vencer em Teahupo'o e voltar a triunfar em Cloudbreak, a canadense encerrou a passagem pelo Pacífico com dois resultados que reforçam seu nome entre os principais destaques da temporada.

O Championship Tour segue agora para Lower Trestles, na Califórnia, com janela prevista entre 11 e 20 de setembro. Fiji, porém, deixa uma referência difícil de superar: uma final com nota 10, virada imediata e um campeão decidido pela capacidade de responder quando praticamente não havia margem para erro.