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França vence Marrocos e chega à semifinal da Copa do Mundo 2026

Mbappé e Dembélé decidiram em seis minutos, Bounou evitou um placar mais elástico, e a seleção francesa manteve viva a chance de alcançar uma terceira final consecutiva de Mundial, algo raríssimo na história.

Por Corte dos Esportes · 09/07/2026 · Categoria: Futebol

A França está novamente nas semifinais da Copa do Mundo. Com uma vitória segura por 2 a 0 sobre Marrocos, nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, no Boston Stadium, em Foxborough, a seleção de Didier Deschamps confirmou mais um capítulo de uma era histórica. Kylian Mbappé abriu o placar aos 60 minutos, Ousmane Dembélé ampliou aos 66, e os franceses avançaram depois de uma fase de quartas de final que completou o chaveamento dos confrontos das semifinais.

O resultado tem um ponto que vai além da classificação. A França chega à sua terceira semifinal seguida de Copa do Mundo: foi campeã em 2018, vice-campeã em 2022 e agora está de volta ao top 4 em 2026. Antes dessa sequência, a seleção francesa já havia consolidado sua grandeza mundial com as conquistas de 1998 e 2018, dois títulos que marcaram épocas diferentes e ajudam a explicar por que a história da França campeã da Copa do Mundo ganhou ainda mais peso nesta nova geração.

A campanha também mantém aberta uma marca ainda mais rara. Se vencer a semifinal, a França disputará sua terceira final seguida de Copa do Mundo. Até hoje, apenas Brasil e Alemanha conseguiram isso. O Brasil foi finalista em 1994, 1998 e 2002. A Alemanha Ocidental fez o mesmo em 1982, 1986 e 1990. Para uma seleção que já levantou a taça em 1998 e 2018, chegar novamente à decisão em 2026 seria mais um argumento para colocar essa geração francesa entre as mais consistentes da história dos Mundiais.

O placar de 2 a 0 não explica sozinho a diferença entre as equipes. A França controlou a maior parte do jogo, pressionou alto, criou volume e terminou o primeiro tempo com a sensação de que o gol era apenas questão de tempo. Marrocos, por outro lado, resistiu graças principalmente a Yassine Bounou.

O goleiro marroquino foi o grande responsável por manter o jogo vivo até o intervalo. Aos 28 minutos, depois de Mbappé sofrer pênalti, o camisa 10 francês foi para a cobrança e parou em Bounou. A defesa reforçou a fama do goleiro como especialista em penalidades e deu a Marrocos uma sobrevida emocional em um momento em que a França já pressionava bastante.

Bounou não ficou apenas no pênalti. Ele também apareceu em cabeçada de Dayot Upamecano, defendeu finalização baixa de Désiré Doué e viu Lucas Digne acertar o travessão ainda no primeiro tempo. A França empilhou chances antes do intervalo, mas encontrou no goleiro marroquino o principal obstáculo para transformar o domínio em goleada. Sem a atuação de Bounou, a partida poderia ter sido definida bem antes.

Marrocos não conseguiu competir ofensivamente no mesmo nível, mas resistiu defensivamente enquanto teve Bounou em noite inspirada. A equipe africana passou longos períodos tentando sobreviver, fechando espaços e esperando uma bola de transição. O problema é que essa transição quase nunca apareceu.

Apenas um chute no gol

A dificuldade marroquina no ataque foi um dos pontos mais fortes da vitória francesa. Marrocos só conseguiu registrar uma finalização certa aos 84 minutos, quando a partida já estava praticamente resolvida. A informação resume a superioridade defensiva e territorial da França: além de marcar dois gols, a equipe de Deschamps praticamente não permitiu que o adversário ameaçasse Mike Maignan.

A ausência de Ismael Saibari, lesionado, pesou na construção ofensiva de Marrocos. Sem uma referência mais agressiva para atacar os espaços e dar profundidade, Brahim Díaz ficou isolado em boa parte do jogo. A França pressionou a saída, fechou linhas de passe e empurrou Marrocos para perto da própria área. O plano marroquino dependia de resistir e alongar o jogo, talvez levando a decisão para os pênaltis. Mas, contra uma seleção com Mbappé e Dembélé em alta, resistir por 90 minutos era uma missão quase perfeita demais.

A partida também reforçou uma característica que define Mbappé em Copas do Mundo: ele pode errar, mas dificilmente desaparece. O pênalti perdido poderia ter mudado a leitura da atuação. Em vez disso, virou apenas o primeiro ato de uma noite em que o capitão francês voltou a decidir.

Aos 60 minutos, Mbappé recebeu dentro da área, encontrou um espaço mínimo e acertou uma finalização colocada para vencer Bounou. Foi um gol de jogador especial, daqueles que quebram sistemas defensivos bem montados mesmo quando a jogada parece controlada.

O gol foi o 20º de Mbappé em Copas do Mundo. Ele também chegou a 20 partidas no torneio e igualou o recorde francês de Hugo Lloris em jogos de Mundial. Aos 27 anos, Mbappé já não está apenas entre os grandes nomes da França: ele está entre os grandes personagens da história da Copa.

O tamanho do ataque francês

Se Mbappé abriu a porta, Dembélé a escancarou. Seis minutos depois do primeiro gol, o atacante recebeu em zona de finalização e acertou o chute para fazer 2 a 0. Bounou ainda tocou na bola, mas não conseguiu impedir o segundo gol francês. A sequência de dois gols em seis minutos desmontou a resistência marroquina e confirmou a classificação.

O gol de Dembélé também ajuda a explicar por que a França parece tão difícil de controlar nesta Copa. Mbappé chegou a 8 gols no torneio, enquanto Dembélé marcou o seu 5º. Juntos, os dois somam 13 dos 16 gols franceses na Copa do Mundo 2026. Ou seja: mais de 80% dos gols da França passaram pelos dois principais nomes do ataque.

Essa combinação muda a forma como os adversários defendem. Se a marcação fecha em Mbappé, Dembélé encontra espaço. Se o bloco tenta proteger o lado de Dembélé, Mbappé recebe em situação de um contra um. E, quando a França ainda acrescenta Michael Olise, Désiré Doué, Bradley Barcola e laterais capazes de apoiar, o problema deixa de ser apenas individual. É estrutural.

A equipe de Deschamps não é só talento

A terceira semifinal seguida da França não é acidente. Ela revela um padrão competitivo raro em seleções. Em Copas do Mundo, manter alto rendimento por três ciclos exige renovação, liderança, profundidade de elenco e estabilidade de comando. A França teve tudo isso.

Em 2018, venceu com uma geração jovem, física e decisiva. Em 2022, voltou à final mesmo com desfalques importantes e levou a decisão contra a Argentina aos pênaltis. Em 2026, chega outra vez à semifinal com um ataque mais explosivo, uma defesa sólida e um Mbappé ainda mais central no projeto.

A defesa, aliás, merece destaque. A França chegou à semifinal sem sofrer gols nos três jogos de mata-mata até aqui. Esse dado mostra que a equipe não depende apenas de brilho no ataque. Ela controla território, pressiona bem após perder a bola e raramente permite que o adversário encontre finalizações limpas.

Agora França enfrenta o vencedor de Espanha x Bélgica nas semifinais da Copa do Mundo 2026.

O jogo da semifinal será na terça-feira, 14 de julho de 2026, às 16h, pelo horário de Brasília, em Dallas, nos Estados Unidos.

A eliminação não apaga o peso da campanha marroquina. Depois de fazer história em 2022, quando foi a primeira seleção africana semifinalista de Copa do Mundo, Marrocos voltou a chegar longe em 2026. Estar entre as oito melhores seleções novamente confirma que o país deixou de ser surpresa e passou a ser uma força no futebol internacional.

O próximo ciclo terá um ingrediente ainda maior: a Copa do Mundo de 2030 será sediada por Marrocos, Portugal e Espanha, com partidas comemorativas do centenário também na América do Sul. Para Marrocos, isso significa a chance de jogar um Mundial em casa com uma geração mais madura, já acostumada a mata-mata de Copa e a confrontos contra seleções gigantes.

Nomes como Achraf Hakimi, Bounou, Brahim Díaz, Azzedine Ounahi e outros jogadores deste ciclo ajudaram a colocar Marrocos em outro patamar. A derrota para a França dói porque encerra uma campanha forte, mas também aponta para algo maior: o país chega ao ciclo de 2030 com identidade, experiência e uma torcida que já sabe que é possível competir contra qualquer adversário.

Uma classificação histórica

A França venceu Marrocos como vencem as grandes seleções: com controle, paciência e poder de decisão. Perdeu um pênalti, não se desorganizou, seguiu pressionando, encontrou o gol com seu principal jogador e matou o jogo com outro atacante em fase decisiva. Do outro lado, Bounou evitou uma derrota mais pesada e foi o grande nome marroquino, mas nem ele conseguiu resistir ao volume francês durante 90 minutos.

Agora, a França olha para a semifinal com a possibilidade de transformar uma grande campanha em algo histórico. Já são três semifinais seguidas. Falta uma vitória para disputar a terceira final consecutiva. Em uma competição em que ciclos costumam terminar rápido, a França segue alongando a própria era.

Mbappé e Dembélé carregam os gols. Deschamps mantém a estrutura. A defesa sustenta o equilíbrio. E a França, mais uma vez, chega ao momento em que Copa do Mundo deixa de ser torneio e vira legado.