Corte dos Esportes
Início Atletismo Automobilismo Basquete Esportes Olímpicos Futebol Futebol Americano Futsal Handebol Lutas Skate Surf Vôlei Vôlei de Praia Tênis

Palmeiras empata com Cerro Porteño e deixa vaga aberta na Libertadores

Flaco López colocou o Verdão em vantagem mesmo depois da expulsão de Andreas Pereira, mas uma falha de Carlos Miguel nos acréscimos resultou no empate por 1 a 1.

Por Corte dos Esportes · 13/08/2026 · Categoria: Futebol

O Palmeiras deixou escapar nos acréscimos uma vitória que parecia encaminhada. Na noite de quarta-feira, 12 de agosto de 2026, o Verdão empatou por 1 a 1 no Nubank Parque, em São Paulo, no jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. Flaco López marcou para a equipe de Abel Ferreira já com um jogador a menos, mas um gol contra de Carlos Miguel no fim deixou a eliminatória completamente aberta.

O segundo confronto está marcado para quarta-feira, 19 de agosto, às 19h, no Ueno La Nueva Olla, em Assunção. Quem vencer avança às quartas de final. Em caso de novo empate, a classificação será definida nos pênaltis.

Mais do que o placar, porém, a maneira como o empate aconteceu deixou uma sensação amarga para os palmeirenses. O time criou maior volume ofensivo durante praticamente toda a noite, teve oportunidades claras, acertou a trave, viu Manuel Roffo realizar defesas importantes e ainda conseguiu abrir o placar depois de ficar com dez jogadores. A vantagem, porém, desapareceu na última pressão paraguaia.

Pressão no início de jogo

O Palmeiras começou a partida disposto a modificar uma história que já havia sido desconfortável na fase de grupos.

Logo nos primeiros minutos, Vitor Roque atacou o espaço nas costas da defesa e saiu em direção ao gol. O atacante conseguiu finalizar diante de Manuel Roffo, mas Lucas Quintana apareceu praticamente sobre a linha para impedir que o Verdão abrisse o placar.

Era apenas o início de uma pressão que se repetiria durante boa parte do primeiro tempo.

Allan encontrou espaços pelo lado direito e transformou aquele corredor na principal rota ofensiva palmeirense. O jovem recebeu aberto, trouxe a bola para a perna esquerda e acumulou finalizações. Roffo respondeu bem e começou a construir a atuação que faria dele um dos principais personagens do Cerro Porteño em São Paulo.

A principal defesa do goleiro na etapa inicial aconteceu por volta da meia hora. Depois de uma sequência de rebotes dentro da área, Vitor Roque conseguiu finalizar à queima-roupa, mas Roffo saiu rapidamente e evitou o gol.

O Cerro também oferecia perigo quando conseguia recuperar a bola. Cecilio Domínguez teve participação importante nas transições paraguaias, enquanto Pablo Vegetti permanecia como referência para prender os zagueiros e disputar bolas na frente.

O Palmeiras controlava mais a posse, mas o cenário já lembrava bastante os dois confrontos da fase de grupos: domínio territorial alviverde, defesa paraguaia compacta e dificuldade para transformar volume em gol.

Segundo tempo agitado

O desenho da partida não mudou imediatamente depois do intervalo.

O Palmeiras continuou pressionando e Jhon Arias ficou muito perto de abrir o placar. O colombiano recebeu na entrada da área, bateu forte e acertou a trave direita do Cerro Porteño. Pouco depois, voltou a aparecer em uma ótima oportunidade após jogada de Allan, mas finalizou para fora.

O time paulista terminou com 61% de posse de bola, 21 finalizações contra oito do Cerro Porteño e sete chutes no gol contra apenas um do adversário. Também teve sete escanteios contra dois.

O problema foi transformar essa superioridade em vantagem no placar.

Gol anulado e expulsão

O confronto mudou radicalmente na metade do segundo tempo.

O Cerro Porteño passou a encontrar mais espaço e chegou a colocar a bola na rede. Benítez aproveitou uma jogada dentro da área, passou por Carlos Miguel e marcou, mas o gol foi anulado por impedimento após revisão.

Poucos minutos depois, veio o lance que parecia colocar o Palmeiras em uma situação ainda mais complicada.

Andreas Pereira foi expulso aos 28 minutos do segundo tempo após atingir Mateo Klimowicz em uma disputa. O árbitro Gustavo Tejera mostrou o cartão vermelho direto e deixou o Verdão com dez jogadores.

A consequência vai além daquela noite: Andreas está suspenso e não poderá disputar a partida de volta em Assunção.

Abel Ferreira considerou a expulsão rigorosa. Depois do jogo, o técnico comparou o lance com outras disputas permitidas pela arbitragem e também lamentou a quantidade de oportunidades desperdiçadas pelo Palmeiras. Para ele, o time produziu o suficiente para construir um resultado melhor.

Curiosamente, foi depois da expulsão que o Palmeiras finalmente conseguiu quebrar a resistência paraguaia.

Aos 36 minutos do segundo tempo, Murilo avançou pelo lado direito e cruzou para a área. Marlon Freitas ganhou pelo alto e direcionou a bola para a segunda trave. Flaco López apareceu livre e completou de esquerda para colocar o Verdão na frente.

O gol parecia premiar uma partida de insistência do time de Abel Ferreira. Mesmo com dez jogadores, o clube havia conseguido transformar pressão em vantagem justamente quando o Cerro encontrava seu melhor momento no confronto.

Para Flaco López, o lance teve também peso individual.

O argentino chegou a 13 gols pelo Palmeiras na história da Libertadores e superou Gustavo Scarpa e Alex, isolando-se na quarta posição entre os maiores artilheiros do clube na competição. Também alcançou 74 gols com a camisa alviverde.

Na Libertadores de 2026, Flaco passou a somar três gols e quatro assistências, participando diretamente de sete gols. Apenas Álex Arce, do Independiente Rivadavia, tinha participação direta superior naquele momento da competição.

Depois do gol, o Palmeiras tentou administrar a vantagem com um jogador a menos.

O Cerro Porteño começou a empurrar a equipe brasileira para trás, passou a levantar bolas na área e encontrou sua recompensa justamente nos acréscimos.

Jorge Morel já havia levado perigo em uma cabeçada quando uma nova bola foi enviada pela direita para a área palmeirense. Pablo Vegetti atacou o espaço, mas não chegou a tocar. O cruzamento atravessou a pequena área, passou por baixo do corpo de Carlos Miguel e terminou dentro do gol. A arbitragem registrou gol contra do goleiro palmeirense.

A falha transformou completamente o sentimento no estádio. O Verdão estava a poucos instantes de levar uma vantagem importante para o Paraguai e terminou a partida novamente sem conseguir derrotar o Cerro Porteño nesta edição da Libertadores.

Abel saiu em defesa de Carlos Miguel após o jogo. O treinador assumiu a responsabilidade coletiva pelo resultado e destacou que erros fazem parte do futebol, embora tenha reconhecido que o goleiro poderia ter feito melhor no lance.

Veja os melhores momentos da partida abaixo:

Roffo foi decisivo para o Cerro Porteño

Se Carlos Miguel terminou a noite marcado pelo lance do empate, Manuel Roffo saiu de São Paulo como um dos grandes responsáveis pelo resultado conquistado pelo time paraguaio.

O goleiro argentino fez cinco defesas, algumas delas em situações muito perigosas, e manteve o time paraguaio vivo enquanto o Palmeiras acumulava chegadas.

Roffo chegou recentemente ao Cerro para substituir Alexis Martín Arias e ainda atravessava um período de adaptação. Contra o Palmeiras, porém, apresentou sua atuação de maior impacto pelo clube até aqui.

Sua defesa diante de Vitor Roque no primeiro tempo foi especialmente importante para impedir que o domínio inicial do Palmeiras se transformasse rapidamente em vantagem.

Palmeiras volta a tropeçar como mandante

A dificuldade para transformar o mando de campo em vantagem também ganhou peso com o empate diante do Cerro Porteño. Desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo, o Verdão disputou quatro partidas no Nubank Parque e venceu apenas uma. Perdeu por 2 a 1 para o Atlético-MG pelo Campeonato Brasileiro, goleou o Fortaleza por 3 a 0 pela Copa do Brasil, empatou por 0 a 0 com o Internacional e agora ficou no 1 a 1 com o Cerro Porteño pela Libertadores.

O recorte ganha relevância justamente porque o time entra na fase mais decisiva da temporada e historicamente construiu boa parte de sua força recente no mando de campo.

O desempenho recente em casa não apaga a força geral da temporada, mas adiciona um ponto de atenção para Abel Ferreira. O Palmeiras venceu apenas um dos quatro jogos realizados no Nubank Parque desde a retomada e, depois de não aproveitar o mando contra o Cerro, terá agora de buscar a classificação fora de casa.

Cerro segue invicto contra o Palmeiras em 2026

O 1 a 1 ampliou uma situação que começa a ganhar peso na temporada.

As equipes já se enfrentaram três vezes na Libertadores de 2026, e o Verdão ainda não venceu nenhuma.

Na fase de grupos, houve empate por 1 a 1 em Assunção. Depois, o Cerro venceu por 1 a 0 em São Paulo, com gol de Pablo Vegetti. Agora, nas oitavas, novo empate por 1 a 1 no campo palmeirense.

Há ainda um dado histórico relevante. O Cerro Porteño se tornou a primeira equipe a disputar duas partidas como visitante contra o Palmeiras em uma mesma edição da Libertadores e somar quatro pontos nesses confrontos. Antes, o Boca Juniors de 2018 havia sido o único a permanecer invicto em duas visitas na mesma edição, com dois empates.

O dado ajuda a explicar por que a eliminatória permanece tão imprevisível, apesar da diferença de volume ofensivo observada no jogo de ida.

Retrospecto no Paraguai

O empate aumenta a responsabilidade do Palmeiras no segundo encontro, mas a história recente do duelo também oferece referências positivas ao clube.

Palmeiras e Cerro Porteño transformaram-se em um dos confrontos internacionais mais recorrentes da Libertadores. Antes desta eliminatória, já haviam disputado mata-matas nas oitavas de 2018 e 2022.

Nas duas oportunidades, o Verdão avançou.

Em 2018, venceu por 2 a 0 em Assunção, perdeu por 1 a 0 em São Paulo e avançou pelo agregado. Em 2022, o domínio foi muito maior: 3 a 0 no Paraguai e 5 a 0 no Brasil.

A dimensão desses confrontos faz parte de uma trajetória muito maior do clube na América. As conquistas de 1999, 2020 e 2021, além das campanhas que consolidaram o Palmeiras entre os protagonistas do continente.

O peso dessa trajetória também está inserido em uma competição que atravessou diferentes formatos, épocas e rivalidades desde sua criação, dentro da história na Libertadores.

Rodada também teve outro empate

O empate em São Paulo não foi o único 1 a 1 brasileiro da noite de Libertadores.

Mais tarde, Cruzeiro e Flamengo também terminaram sem vencedor no Mineirão. Keny Arroyo colocou a Raposa em vantagem, e Lucas Paquetá marcou pouco depois de entrar para deixar o confronto aberto antes da volta no Maracanã.

Assim, duas das grandes eliminatórias envolvendo brasileiros terminaram a primeira metade sem qualquer vantagem no placar agregado.

Desfalque para o jogo da volta

Além de não conseguir construir vantagem em casa, o Palmeiras terá uma ausência importante no Paraguai.

Andreas Pereira está automaticamente suspenso pela expulsão e não poderá atuar na Nueva Olla.

Abel Ferreira terá de reorganizar o meio-campo. A decisão ganha importância porque o Palmeiras agora não pode simplesmente administrar um resultado conquistado em São Paulo: precisa buscar a vaga dentro da casa do adversário que já o derrotou nesta Libertadores.

Antes disso, o Verdão volta suas atenções ao Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso é contra o Fluminense, no sábado, 15 de agosto, no Maracanã. Depois, a equipe viaja ao Paraguai para o segundo jogo das oitavas.

Para o Cerro Porteño, o resultado reforça uma campanha que já havia mostrado capacidade para competir contra o Palmeiras. O time paraguaio terminou a fase de grupos à frente do Verdão, não perdeu nenhum dos três confrontos diretos de 2026 e agora terá sua torcida para tentar completar a classificação.

Para o Palmeiras, o desafio é responder justamente onde não conseguiu vencer no primeiro encontro do ano entre os clubes. Depois de dominar boa parte do jogo em São Paulo, acertar a trave, parar em Roffo e finalmente marcar com dez jogadores, o Verdão viu a vantagem escapar no último suspiro.

A história das oitavas agora será definida em Assunção. E, depois de três partidas sem conseguir derrotar o Cerro Porteño nesta Libertadores, o Palmeiras precisará fazer isso no momento em que a vitória vale mais: no jogo que decide quem seguirá vivo na busca pela Glória Eterna.