O Campeonato Francês 2025/26 terminou com mudanças importantes para a próxima temporada da Ligue 1.
No topo, o PSG confirmou mais um título nacional em uma temporada de domínio francês, como mostra a campanha do PSG campeão francês de 2026. Mas, na parte de baixo da tabela, a Ligue 1 também teve drama, crise, queda de clubes tradicionais e uma repescagem decidida apenas no jogo de volta.
Quem caiu e quem subiu
Rebaixados para a Ligue 2
- Nantes
- Metz
Promovidos para a Ligue 1
- Troyes
- Le Mans
Permaneceu na Ligue 1 pelo playoff
- Nice
Ficou na Ligue 2 após perder o playoff
- Saint-Étienne
Como funciona o rebaixamento na Ligue 1
A liga tem 18 clubes. Ao fim da temporada, os dois últimos colocados caem diretamente para a Ligue 2. O 16º colocado disputa um playoff contra uma equipe da segunda divisão, em jogos de ida e volta.
Queda após 13 anos na elite
O rebaixamento do Nantes foi um dos pontos mais simbólicos da temporada francesa. O clube caiu para a Ligue 2 depois de 13 anos consecutivos na primeira divisão, encerrando um ciclo que teve momentos de estabilidade, mas também muitas temporadas de risco.
A queda foi confirmada após derrota por 1 a 0 para o Lens, fora de casa, na reta final do campeonato. O resultado acabou com as chances de permanência e colocou um dos clubes mais tradicionais da França de volta à segunda divisão.
O peso histórico é grande. O Nantes é oito vezes campeão francês e carrega uma identidade forte no futebol do país. A geração dos anos 1990, marcada por estilo coletivo e formação de jogadores, ainda sustenta parte da imagem histórica do clube. Mais recentemente, o time havia conquistado a Copa da França de 2022 e disputado competições europeias.
A temporada 2025/26, no entanto, foi marcada por instabilidade. O Nantes trocou de comando, conviveu com crise esportiva, teve dificuldade ofensiva e passou boa parte do campeonato preso à zona de risco. O fim foi traumático, com a queda confirmada antes da última rodada e clima pesado entre torcida, elenco e direção.
Mais uma queda no clube ioiô francês
O Metz também caiu diretamente para a Ligue 2. A diferença é que, no caso do clube grená, o rebaixamento reforça uma tendência recente: a dificuldade de se firmar na elite.
O clubehavia voltado à Ligue 1 depois de passar pelo playoff de acesso na temporada anterior, mas durou apenas um ano na primeira divisão. Em 2025/26, terminou na última colocação, com campanha muito frágil, defesa muito vazada e longa sequência sem vitórias.
A queda também tem um dado histórico forte. O Metz chegou ao 12º rebaixamento para a segunda divisão em sua história, marca superior à de qualquer outro clube francês. Além disso, foi o oitavo rebaixamento do clube no século XXI, reforçando a imagem de equipe que alterna acessos e quedas com frequência.
Escape no playoff e queda evitada
O Nice viveu uma temporada muito abaixo do esperado, mas conseguiu evitar o rebaixamento na última chance. O clube terminou a Ligue 1 em 16º lugar e precisou disputar a repescagem contra o Saint-Étienne.
O jogo de ida, no Stade Geoffroy-Guichard, terminou 0 a 0. A decisão ficou para a volta, no Allianz Riviera. Em casa, o Nice venceu por 4 a 1 e confirmou permanência na primeira divisão.
A vitória foi construída no segundo tempo. Jonathan Clauss abriu o placar, o Saint-Étienne empatou com Zuriko Davitashvili em cobrança de pênalti, mas o Nice retomou o controle com Kaïl Boudache e dois gols de Elye Wahi nos minutos finais.
Para o Nice, a permanência evita um desastre esportivo. O clube vinha de temporadas com ambições maiores, chegou a disputar posições europeias em ciclos recentes e tem estrutura para algo mais alto do que uma briga contra a queda. A salvação no playoff, porém, não apaga o alerta: a campanha mostrou desgaste, instabilidade e uma distância grande em relação ao bloco competitivo da Ligue 1.
Saint-Étienne bate na trave
O time ficou muito perto de voltar à elite, mas continuará na Ligue 2. O clube terminou a segunda divisão na terceira colocação e passou por uma disputa dramática antes de enfrentar o Nice.
Na fase anterior do playoff, o Saint-Étienne eliminou o Rodez após empate por 0 a 0 e vitória nos pênaltis por 7 a 6, diante de um Geoffroy-Guichard lotado e em clima de decisão. A classificação manteve vivo o sonho do retorno à primeira divisão.
Contra o Nice, porém, o time não conseguiu transformar o bom momento em acesso. Segurou o empate sem gols em casa, mas foi superado na volta por 4 a 1. O resultado deixou a sensação de oportunidade perdida, especialmente por se tratar de um dos clubes mais populares e tradicionais da França.
O Saint-Étienne já havia caído recentemente e tentava acelerar sua reconstrução. O clube seguirá na Ligue 2 com pressão, porque sua torcida, sua história e seu tamanho nacional tornam a permanência na segunda divisão um incômodo permanente.
Volta à Ligue 1 após três anos
O Troyes foi o campeão da Ligue 2 e garantiu acesso direto.. O retorno acontece após três anos fora da primeira divisão, período em que o clube precisou reconstruir competitividade e estabilidade.
A confirmação matemática do acesso veio com vitória por 3 a 0 sobre o Saint-Étienne, fora de casa. O resultado teve peso duplo: colocou o Troyes de volta à elite e mostrou força justamente contra um adversário direto na briga pelo acesso.
O clube chega à primeira divisão com a missão de não repetir ciclos recentes de sobe e desce. O desafio será transformar a boa campanha do acesso em uma base capaz de competir contra equipes mais fortes, elencos mais caros e jogos de maior exigência física.
Retorno histórico depois de longa reconstrução
O Le Mans é a grande história entre os promovidos. O clube voltou à Ligue 1 pela primeira vez desde a temporada 2009/10, encerrando uma espera de 16 anos longe da elite francesa.
O acesso teve um capítulo incomum. A partida contra o Bastia, na última rodada da Ligue 2, foi interrompida depois que sinalizadores foram atirados no gramado. O Le Mans vencia por 2 a 0 nos acréscimos, resultado que garantia o segundo lugar. Depois, a liga confirmou oficialmente o placar e o acesso do clube.
O retorno é ainda mais marcante pela trajetória recente. O clube passou por crise financeira, caiu para divisões inferiores e chegou a disputar níveis muito abaixo do futebol profissional de elite. A reconstrução foi longa, e a volta à primeira divisão transforma a campanha em uma das maiores histórias recentes do futebol francês.
O clube também ganhou atenção por novos investidores e por uma narrativa de reconstrução esportiva. Mais do que subir, o Le Mans volta à Ligue 1 carregando o peso de uma recuperação institucional.
O cenário francês também se encaixa em um movimento mais amplo das grandes ligas europeias para a temporada 2026/27. Outros campeonatos também já definiram mudanças importantes, como os rebaixados da LaLiga, os clubes que caíram e subiram na Premier League e os times rebaixados e que subiram da Bundesliga. Esse recorte ajuda a mostrar como a virada de temporada redesenha a elite do futebol europeu antes do novo calendário.