Rosario Central e Corinthians ficaram no 0 a 0 na noite desta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Libertadores. O Timão terminou a partida com dez jogadores após a expulsão de Allan, suportou a pressão argentina nos minutos finais e voltou para São Paulo com a eliminatória completamente aberta.
O resultado coloca uma conta simples para a partida de volta. Corinthians e Rosario voltam a se enfrentar na quinta-feira, 20 de agosto, às 21h30, na Neo Química Arena. Quem vencer estará nas quartas de final. Se houver outro empate, independentemente do placar, a vaga será decidida nos pênaltis.
Pelas circunstâncias, o 0 a 0 ganhou peso para o Corinthians. O Rosario terminou com maior posse de bola, 57% contra 43%, finalizou 16 vezes contra cinco, cobrou 12 escanteios enquanto o Timão não teve nenhum e passou boa parte do segundo tempo instalado no campo ofensivo. Mesmo assim, a equipe de Fernando Diniz conseguiu evitar o gol.
Início de jogo com bola na trave
A partida começou com o Rosario Central tentando acelerar principalmente quando Ángel Di María encontrava espaço para participar da construção.
A primeira chegada perigosa dos argentinos veio com Jáminton Campaz. O colombiano arriscou de longa distância e obrigou Hugo Souza a saltar para fazer a defesa. O Corinthians apresentava dificuldades para sair jogando diante da pressão argentina, mas conseguiu diminuir o ritmo do confronto ao longo do primeiro tempo.
Depois da parada para hidratação, o Timão passou a encontrar mais espaço.
Kaio César recebeu na entrada da área e finalizou de esquerda, levando perigo ao gol de Jeremías Ledesma. Pouco depois, já na reta final da primeira etapa, surgiu a principal oportunidade corintiana em toda a partida.
Aos 42 minutos, Matheuzinho cobrou falta pela direita. Matheus Bidu apareceu na área e cabeceou. A bola bateu nas duas traves antes de sair. Foi o lance que mais aproximou o Corinthians de abrir o placar no Gigante de Arroyito.
O primeiro tempo também teve um momento de tensão dentro da área corintiana.
Aos 35 minutos, o Rosario Central pediu pênalti em uma sequência envolvendo Campaz. Primeiro, os argentinos reclamaram de um possível puxão de Gustavo Henrique. Na continuação, a bola tocou no braço de Gabriel Paulista.
O VAR chamou o árbitro Andrés Matonte para revisar a jogada no monitor. Depois de observar as imagens, o uruguaio decidiu manter sua interpretação inicial e não marcou pênalti para os donos da casa.
O jogo ainda ganhou contornos mais físicos antes do intervalo. Matheuzinho e Allan receberam cartões após uma discussão envolvendo jogadores das duas equipes.
Pressão no segundo tempo
O cenário mudou depois do intervalo.
O Rosario Central aumentou a pressão e passou a ocupar o campo ofensivo com maior frequência. Logo aos três minutos, Di María encontrou Campaz nas costas da defesa. O colombiano apareceu em boa condição, mas Raniele conseguiu chegar no momento certo para impedir a finalização.
Di María passou a assumir cada vez mais a organização ofensiva argentina.
O campeão mundial circulou pelos dois lados, procurou cruzamentos e tentou encontrar espaços entre o meio e a defesa do Corinthians. Ao final da partida, somou quatro passes que terminaram em finalização e tentou 13 cruzamentos, acertando três.
A estratégia corintiana foi reduzir seu espaço pelo centro. Raniele, Allan e os zagueiros se aproximavam rapidamente sempre que o argentino recebia por dentro, obrigando Di María a buscar mais os corredores laterais.
O Rosario teve mais território, mas encontrou dificuldades para transformar esse controle em oportunidades claras. Apesar das 16 finalizações a equipe argentina terminou com apenas dois chutes no alvo e nenhuma grande chance contabilizada.
Expulsão e drama no final
A situação ficou ainda mais complicada para o Corinthians aos 34 minutos do segundo tempo.
Allan, que já havia recebido cartão amarelo no primeiro tempo, cometeu uma falta no meio-campo e recebeu a segunda advertência. O volante foi expulso, obrigando o Timão a disputar aproximadamente os dez minutos finais, além dos acréscimos, com um jogador a menos.
A expulsão também gera uma consequência para a volta: Allan está suspenso e não poderá participar do duelo decisivo na Neo Química Arena.
Fernando Diniz reagiu reforçando o sistema defensivo. André Ramalho entrou no lugar de Breno Bidon, e o Corinthians passou a concentrar praticamente todos os esforços em proteger a própria área.
Foi justamente nesse período que Hugo Souza ganhou ainda mais protagonismo.
Aos 38 minutos da etapa final, o Rosario teve uma de suas melhores oportunidades.
Campaz colocou a bola na área, Gustavo Henrique conseguiu cortar, mas a sobra ficou com Di María. O argentino dominou e bateu forte. Hugo Souza respondeu com uma defesa importante para manter o 0 a 0.
O goleiro terminou a partida com duas defesas, mas sua importância foi além dos números. Com o Corinthians cada vez mais recuado e pressionado pela inferioridade numérica, Hugo transmitiu segurança nas bolas levantadas na área e apareceu quando foi exigido.
A defesa corintiana também teve atuação de destaque. Gabriel Paulista, Gustavo Henrique, Matheuzinho e Matheus Bidu foram exigidos principalmente no segundo tempo e conseguiram impedir que o volume argentino resultasse em gol.
Pouco depois da defesa de Hugo em Di María, o Rosario voltou a pedir penalidade.
A bola tocou no braço de Raniele dentro da área e o VAR revisou a jogada. Desta vez, porém, Andrés Matonte não foi chamado para uma nova revisão no monitor. A interpretação foi de que não havia infração, e o jogo seguiu.
Mesmo com um jogador a mais e uma sequência de bolas lançadas na área, os argentinos não conseguiram encontrar o gol até o apito final.
O 0 a 0 confirmou uma partida em que o Rosario acumulou mais volume, mas pouco conseguiu converter em chances realmente claras.
Veja os melhores momentos da partida abaixo:
Craque lidera o Rosario mas passa em branco
Ángel Di María era o grande personagem esperado antes do jogo e terminou como o principal articulador argentino, ainda que sem conseguir decidir.
O camisa 11 participou de praticamente todas as fases ofensivas do time. Foi utilizado aberto, aproximou-se do meio, buscou Campaz em inversões e colocou bolas na área.
O Corinthians conseguiu impedir principalmente que ele recebesse livre pelo centro. Ainda assim, Di María terminou com quatro passes para finalização e foi responsável por uma das duas conclusões argentinas no alvo.
Após a partida, o argentino avaliou que o Rosario Central merecia um resultado melhor e citou o vento como uma dificuldade adicional durante a primeira etapa. Jorge Almirón também valorizou a pressão realizada por sua equipe e indicou que pretende repetir uma postura agressiva na saída de bola corintiana no jogo de volta.
Ofensas racistas no Gigante de Arroyito
O episódio mais grave da noite aconteceu fora da disputa esportiva.
Hugo Souza denunciou ter sofrido ofensas racistas vindas de torcedores do Rosario Central posicionados atrás de seu gol.
No segundo tempo, Hugo informou a arbitragem sobre as ofensas. Andrés Matonte fez o sinal previsto no protocolo antirracista, cruzando os braços acima da cabeça, mas a partida não chegou a ser paralisada. Di María, capitão do Rosario, também foi até o setor e pediu para que os torcedores interrompessem as manifestações.
Depois do jogo, o Corinthians publicou uma nota repudiando o episódio e informou que cobrará investigação para identificar e punir os responsáveis.
A questão ultrapassou, portanto, qualquer análise sobre resultado ou classificação. O empate manteve a eliminatória aberta, mas as ofensas denunciadas por Hugo Souza marcaram negativamente a noite no Gigante de Arroyito.
Resultado positivo
O empate também aconteceu em uma semana particularmente movimentada no Parque São Jorge.
Poucos dias antes da partida, o Corinthians confirmou que não renovaria o contrato de Memphis Depay. Fernando Diniz admitiu depois do duelo em Rosário que ficou decepcionado com o desfecho das conversas, mas afirmou que a situação não interferiu no desempenho do time na Libertadores.
Dentro de campo, a equipe vinha de vitória por 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino no Campeonato Brasileiro, mas também carregava a recente eliminação diante do Internacional nas oitavas da Copa do Brasil.
Nesse contexto, resistir ao Rosario fora de casa, em um estádio tradicionalmente difícil, com um jogador a menos durante a reta final, permitiu ao Corinthians transferir a decisão integralmente para São Paulo.
Antes da Libertadores, porém, o time tem outro compromisso importante. O Corinthians recebe o Cruzeiro no domingo, 16 de agosto, às 19h30, na Neo Química Arena, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Rosario amplia força defensiva
O 0 a 0 também reforça uma característica que acompanha o time argentino desde a fase de grupos.
A equipe havia sofrido apenas um gol nos seis primeiros jogos da Libertadores de 2026. Agora, voltou a passar uma partida inteira sem ser vazada justamente no início do mata-mata.
Do outro lado, porém, o Corinthians também mostrou que sua campanha continental continua apoiada em uma defesa resistente.
O confronto colocou frente a frente dois times que já haviam apresentado números defensivos fortes na primeira fase e, desta vez, terminou exatamente da maneira que essa característica sugeria: nenhuma bola na rede.
A dimensão desse tipo de mata-mata faz parte da própria história da Libertadores, uma competição em que administrar ambientes hostis e sobreviver aos jogos fora de casa frequentemente faz parte do caminho até as fases finais.
Corinthians reencontra lembrança de 2000
O empate também mantém viva uma coincidência histórica entre as equipes.
Antes de 2026, os clubes haviam se enfrentado apenas na Libertadores de 2000, também pelas oitavas de final.
Naquela ocasião, o primeiro jogo aconteceu justamente no Gigante de Arroyito. O Rosario venceu por 3 a 2. Na volta, o Corinthians devolveu o mesmo placar no Pacaembu.
Com 5 a 5 no agregado, a classificação foi decidida nos pênaltis. O Timão venceu por 4 a 3 e avançou.
Em 2026, o roteiro volta a colocar a definição em São Paulo, mas agora sem qualquer vantagem construída no primeiro confronto.
A busca por avançar também remete ao maior capítulo internacional da história alvinegra. Em 2012, o Corinthians atravessou toda a competição sem perder e conquistou sua única Libertadores ao superar o Boca Juniors na decisão.
Empates marcam outros confrontos das oitavas
O empate do Corinthians em Rosário se somou a outros confrontos equilibrados envolvendo brasileiros nesta fase. No Mineirão, Cruzeiro e Flamengo ficaram no 1 a 1, com Keny Arroyo abrindo o placar para a Raposa e Lucas Paquetá deixando tudo igual pouco depois de entrar.
Em São Paulo, o cenário também terminou sem vantagem no placar agregado. Palmeiras e Cerro Porteño empataram por 1 a 1, com Flaco López marcando para o Verdão e o time paraguaio buscando a igualdade nos acréscimos.
Esse cenário deixa várias das principais eliminatórias desta fase completamente abertas para os jogos de volta, aumentando o peso das decisões em São Paulo, Rio de Janeiro, Assunção e outros palcos da competição.
Os primeiros 90 minutos
O Rosario Central mostrou por que construiu uma das melhores defesas desta Libertadores e conseguiu pressionar o Corinthians especialmente no segundo tempo. Di María comandou o setor criativo, Campaz foi uma ameaça constante e a equipe argentina terminou com muito mais volume ofensivo.
O Corinthians respondeu de outra maneira. Teve poucas oportunidades, mas acertou a trave com Matheus Bidu. Quando passou a sofrer, encontrou segurança em Hugo Souza e nos zagueiros. Quando Allan foi expulso, reorganizou-se para suportar os minutos finais.
O 0 a 0, portanto, não entrega vantagem matemática ao Timão, mas muda o ambiente da disputa. O Rosario não conseguiu construir vantagem diante de sua torcida e agora precisará buscar a classificação dentro da Neo Química Arena.
Corinthians x Rosario Central será disputado na quinta-feira, 20 de agosto, às 21h30. Uma vitória por qualquer placar coloca o vencedor nas quartas de final. Novo empate leva a eliminatória para os pênaltis.
Há 26 anos, os dois clubes também precisaram de uma noite em São Paulo para decidir quem continuaria na Libertadores. Naquela ocasião, o Corinthians avançou nas penalidades. Agora, depois de resistir ao Gigante de Arroyito com dez jogadores e voltar da Argentina sem sofrer gols, o Timão terá novamente sua torcida como parte central de uma decisão continental.