Jogando em casa, no Estádio Akron, em Guadalajara, a seleção mexicana venceu a Coreia do Sul por 1 a 0, chegou a seis pontos no Grupo A e confirmou presença na fase de 32 do Mundial.
O resultado não veio em uma atuação brilhante. O jogo foi travado, com poucos espaços, poucas chances claras e muita disputa no meio-campo. A Coreia do Sul conseguiu reduzir o ritmo mexicano durante boa parte da partida, mas uma falha do goleiro Kim Seung-gyu no início do segundo tempo abriu o caminho para Luis Romo marcar o gol da vitória.
A classificação reforça o peso do fator casa. Depois de estrear vencendo a África do Sul, o México emendou o segundo triunfo no grupo e transformou o apoio local em vantagem competitiva. Mais do que avançar, a seleção mexicana ganha tempo, confiança e controle sobre o próprio caminho antes da última rodada da chave.
A vitória também mexe diretamente no desenho do Grupo A da Copa do Mundo de 2026, que ainda terá disputa aberta por classificação entre Coreia do Sul, África do Sul e República Tcheca.
Um jogo duro, sem brilho e decidido no detalhe
México e Coreia do Sul fizeram uma partida mais física do que criativa. O primeiro tempo teve marcação forte, dificuldade de construção e pouco espaço para os ataques trabalharem perto da área.
O México teve mais iniciativa, mas nem sempre transformou posse em perigo real. A Coreia, por sua vez, apostou em compactação, velocidade nos escapes e tentativas de esfriar o ambiente em Guadalajara. Foi um jogo de controle, não de avalanche.
A falha de Kim Seung-gyu e o gol de Luis Romo
O lance decisivo saiu aos 50 minutos. A bola foi levantada na área sul-coreana, Kim Seung-gyu não conseguiu controlar a jogada, houve desorganização entre goleiro e defesa, e Luis Romo apareceu para completar.
O gol teve cara de mata-mata, mesmo ainda sendo fase de grupos: um erro, uma sobra e um jogador atento para decidir. Romo não precisou de uma grande jogada coletiva para marcar. Precisou estar no lugar certo, no momento certo, em um jogo que oferecia poucas oportunidades limpas.
A falha pesou porque a Coreia do Sul vinha conseguindo manter o placar fechado. Até ali, o México tinha dificuldade para criar chances claras e sofria para acelerar por dentro. O erro mudou o jogo. A partir do gol, os donos da casa puderam administrar melhor o ritmo, enquanto os sul-coreanos tiveram que se expor mais.
Rangel segura a vitória no fim
Se o gol nasceu de uma falha do goleiro sul-coreano, a manutenção do resultado passou pelo goleiro mexicano. Raúl Rangel foi decisivo nos minutos finais, especialmente em uma sequência de defesas que evitou o empate da Coreia do Sul.
Esse detalhe é importante para medir a atuação mexicana. O México venceu, se classificou e controlou parte do jogo, mas também precisou sofrer. A vitória não foi confortável. Foi construída em cima de eficiência, atenção defensiva e resposta individual quando a Coreia tentou pressionar no fim.
Para uma seleção anfitriã, esse tipo de vitória pode ter dois efeitos. Por um lado, aumenta a confiança e confirma a força competitiva. Por outro, deixa claro que o ataque ainda precisa produzir mais se o objetivo for ir longe no torneio.
A força como mandante
A Copa do Mundo de 2026 tem três sedes: México, Estados Unidos e Canadá. Para o México, jogar em casa não é apenas detalhe emocional. É parte central da campanha.
A seleção estreou vencendo a África do Sul por 2x0, em um jogo de abertura marcado pelo ambiente mexicano, e agora bateu a Coreia do Sul em Guadalajara. A sequência coloca o time de Javier Aguirre em posição privilegiada: seis pontos, vaga antecipada e clima favorável para fechar a fase de grupos contra a República Tcheca.
Local da próxima fase
O México continuará a fase de 32 jogando em casa. A partida está prevista para a Cidade do México, no dia 30 de junho, mantendo a seleção anfitriã dentro do país também no início do mata-mata.
Esse é um ganho esportivo e emocional. O México evita deslocamento internacional, preserva o ambiente de casa e deve ter novamente um estádio amplamente favorável. Em uma Copa espalhada por três países, esse detalhe pode pesar.
O caminho completo depende do fechamento dos grupos e da definição dos melhores terceiros colocados. Pelo chaveamento, o vencedor do Grupo A enfrentará um terceiro colocado, conforme a tabela.
Entre os adversários possíveis estão o Grupo C, com Brasil, Marrocos, Haiti e Escócia, o Grupo E, com Alemanha, Curaçao, Equador e Costa do Marfim, o Grupo F, com Holanda, Japão, Suécia e Tunísia, o Grupo H, com Espanha, Uruguai, Arábia Saudita e Cabo Verde, e o Grupo I, com França, Senegal, Noruega e Iraque.
Esse cenário torna a última rodada geral da fase de grupos ainda mais importante. O México já sabe onde estará. Ainda não sabe quem virá pela frente.
O que a classificação muda para o México
A vaga antecipada dá ao México uma vantagem que poucas seleções terão nesta primeira fase: margem para administrar. A equipe ainda enfrentará a República Tcheca, mas já entra na última rodada sem o peso da eliminação.
Isso pode permitir controle físico, gestão de cartões e ajustes táticos. Também pode ajudar Javier Aguirre a observar variações de equipe antes do mata-mata. Em um torneio de 48 seleções, com uma fase eliminatória a mais, preservar energia pode ser tão importante quanto vencer bonito.
Ao mesmo tempo, a classificação não apaga os pontos de atenção. O México marcou três gols em dois jogos, não sofreu nenhum, mas ainda precisa criar mais. Contra a Coreia, o gol veio em uma falha adversária, e não de uma pressão ofensiva constante.
Para passar de fase e sonhar alto, o time terá que transformar solidez em repertório.
Coreia do Sul segue viva, mas pressionada
A derrota deixa em situação mais delicada, mas não eliminada. A seleção asiática segue com três pontos e ainda joga contra a África do Sul na última rodada.
O problema é que a margem diminuiu. Depois da vitória na estreia contra a República Tcheca, a Coreia tinha chance de encaminhar a classificação diante do México. Não conseguiu. Agora, precisa buscar resultado para não depender demais das combinações do grupo e da disputa entre terceiros colocados.
O desempenho contra o México teve organização, mas pouca agressividade ofensiva até a reta final. A equipe conseguiu travar o jogo por longos períodos, só que pagou caro por uma falha individual.
O mata-mata será outro torneio dentro da Copa. Com jogo único, pressão maior e adversário ainda indefinido, o México terá que provar que a força em casa pode ir além da atmosfera. A vitória por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul coloca o país na próxima fase. O próximo passo é mostrar que essa classificação pode ser o começo de uma campanha maior.