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Brasil perde final da VNL feminina 2026 para a Turquia e fica com o vice-campeonato

Seleção brasileira venceu o primeiro set, mas sofreu a virada por 3 a 1 em Macau. Melissa Vargas marcou 33 pontos, foi eleita MVP e comandou o segundo título turco na Liga das Nações.

Por Corte dos Esportes · 26/07/2026 · Categoria: Volei

O Brasil voltou a bater na trave na VNL feminina de vôlei. Neste domingo, 26 de julho, a seleção brasileira foi derrotada pela Turquia por 3 sets a 1, com parciais de 23/25, 25/23, 26/24 e 25/21, na final disputada em Macau, na China. Depois de começar a decisão na frente, a equipe comandada por José Roberto Guimarães não conseguiu conter Melissa Vargas e terminou com a medalha de prata.

O resultado ampliou uma sequência dolorosa para o vôlei feminino brasileiro. A seleção chegou à quinta final de VNL de sua história, mas ainda não conquistou o título. Também havia sido vice-campeã em 2019, 2021, 2022 e 2025. Agora, soma cinco medalhas de prata e permanece como a equipe com maior número de pódios na história da competição, porém sem o desejado ouro.

A Turquia, por sua vez, conquistou seu segundo título. A oposta Melissa Vargas repetiu o protagonismo da campanha campeã de 2023, terminou a final como maior pontuadora e recebeu novamente o prêmio de jogadora mais valiosa da competição.

Brasil começou melhor a final

Mesmo desfalcado de jogadoras importantes, a seleção iniciou a decisão com personalidade. A equipe venceu o primeiro set por 25 a 23 e mostrou que poderia competir em igualdade com uma seleção turca de enorme poder ofensivo.

José Roberto Guimarães começou a partida com Roberta no levantamento, Rosamaria como oposta, Ana Cristina e Julia Bergmann nas pontas, Diana e Luzia no meio de rede, além de Marcelle na posição de líbero. Ao longo da final, Macris, Kisy, Helena, Maiara Basso e Natinha também foram utilizadas.

A vantagem brasileira, porém, não durou. A Turquia respondeu no segundo set, também vencido por 25 a 23. O placar apertado refletiu o equilíbrio de uma decisão em que as duas equipes encontraram soluções no ataque, mas na qual o peso de Melissa Vargas começou a ficar cada vez mais evidente.

O terceiro set foi o momento mais delicado da final. As seleções travaram outra disputa ponto a ponto, sem que nenhuma das equipes conseguisse construir uma vantagem confortável. Nos detalhes, as turcas fecharam em 26 a 24 e assumiram o controle emocional e técnico do confronto.

Atrás por 2 sets a 1, o Brasil precisava levar a partida ao tie-break. A seleção continuou lutando, mas encontrou uma Turquia mais eficiente nos momentos decisivos. Com Vargas novamente aparecendo nas bolas de segurança, a equipe europeia venceu a quarta parcial por 25 a 21 e confirmou o título com um triunfo por 3 a 1.

A diferença na decisão teve nome e sobrenome. Melissa Vargas marcou 33 pontos, sendo 27 de ataque, três de bloqueio e três de saque. A oposta turca foi a principal responsável por transformar bolas difíceis em pontos e oferecer uma saída constante nos momentos de maior pressão.

A atuação na final coroou uma fase eliminatória dominante. Vargas havia marcado 27 pontos contra o Canadá, nas quartas de final, e outros 23 diante da China, na semifinal. Ela encerrou a VNL 2026 com 293 pontos, apenas cinco atrás da canadense Kiera Van Ryk, maior pontuadora geral do torneio.

Além de Vargas, Hande Baladın teve participação importante na conquista turca. A ponteira terminou a final com 19 pontos, dos quais 17 foram obtidos em ataques. O rendimento das duas jogadoras dificultou o trabalho defensivo brasileiro e obrigou o bloqueio da seleção a enfrentar pressão constante.

Ana Cristina lidera pontuação do Brasil

Pelo lado brasileiro, a ponteira voltou a ser a principal referência ofensiva, marcando 25 pontos, com 20 ataques, três bloqueios e dois aces. Sua participação foi fundamental para manter a equipe competitiva durante os quatro sets.

Rosamaria também apresentou bom rendimento e terminou a decisão com 19 pontos, sendo 17 de ataque e dois de bloqueio. Julia Bergmann completou o grupo das principais pontuadoras brasileiras, com 15 pontos: 12 de ataque, dois de bloqueio e um ace.

Os números mostram que o Brasil teve produção nas extremidades, mas não conseguiu neutralizar a principal arma adversária. Em uma final marcada por parciais equilibradas, especialmente nos três primeiros sets, a capacidade da Turquia de acionar Vargas e converter pontos decisivos foi determinante.

Desfalques pesaram na decisão

O Brasil disputou a final sem quatro nomes importantes: a ponteira e capitã Gabi, a central Julia Kudiess, a líbero Nyeme e a oposta Tainara. As ausências reduziram as possibilidades de rotação e retiraram da equipe atletas com funções importantes no passe, no bloqueio, na defesa e na definição ofensiva.

Mesmo assim, a seleção construiu uma campanha relevante. O Brasil terminou a fase preliminar na terceira colocação, com nove vitórias, três derrotas e 26 pontos. A trajetória havia começado com quatro triunfos na primeira semana em Brasília, etapa que serviu para consolidar a base da equipe e dar confiança ao grupo.

Na fase final, o Brasil eliminou o Japão por 3 sets a 1 nas quartas de final. Na semifinal, protagonizou uma das partidas mais emocionantes da competição ao derrotar a Itália por 3 a 2. A vitória retirou do torneio a campeã das duas edições anteriores e colocou as brasileiras novamente na decisão.

A busca pelo primeiro título

A derrota aumenta o contraste entre a regularidade brasileira e a ausência de um ouro na Liga das Nações. Desde a criação da competição, em 2018, o Brasil se estabeleceu como presença frequente nas fases decisivas, mas perdeu todas as cinco finais que disputou.

Antes de 2026, a frustração mais recente havia ocorrido justamente na edição de 2025, quando a seleção também terminou com a medalha de prata. A equipe segue procurando uma conquista internacional de elite que encerre um jejum iniciado depois do título do Grand Prix de 2017, competição que antecedeu a atual VNL no calendário internacional.

Apesar da nova derrota em uma final, a campanha deixa elementos positivos. Ana Cristina assumiu grande responsabilidade ofensiva, Julia Bergmann manteve presença importante nas pontas, Rosamaria mostrou capacidade de decisão e jogadoras menos experientes receberam espaço em partidas de alto nível.

O desafio será transformar essa competitividade em título. O Brasil provou que pode derrotar seleções do primeiro escalão, como Japão e Itália, mas voltou a encontrar dificuldades para fechar a competição no lugar mais alto do pódio.

Próximo compromisso vale vaga olímpica

Depois da medalha de prata na VNL, a seleção brasileira voltará suas atenções para o Campeonato Sul-Americano feminino, marcado para o período de 8 a 13 de setembro, no Rio de Janeiro.

Além do título continental, o torneio terá importância direta no ciclo olímpico. Caso seja campeão, o Brasil garantirá vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Argentina, Chile, Colômbia e Venezuela estão entre os adversários previstos para a competição.

A VNL feminina 2026 termina com mais uma campanha de alto nível, uma vitória marcante sobre a Itália e outra medalha para a história da seleção. Mas o sentimento final é novamente de oportunidade perdida. O Brasil esteve perto, ganhou o primeiro set da decisão e brigou ponto a ponto, porém não encontrou resposta para Melissa Vargas. A Turquia levantou a taça em Macau, enquanto as brasileiras deixaram a quadra com a quinta prata e a missão renovada de transformar regularidade em título.