O Elite16 do Rio de Janeiro de 2026 reuniu algumas das principais duplas do vôlei de praia mundial entre 29 de julho e 2 de agosto. Disputada em um dos cenários mais tradicionais da modalidade, a etapa teve domínio europeu nas decisões, presença brasileira no pódio feminino e resultados importantes para a sequência do Beach Pro Tour.
Na chave feminina, as holandesas Katja Stam e Raisa Schoon conquistaram o título sem perder um único set. A campanha terminou com vitória por 2 sets a 0 sobre Carol Solberg e Rebecca Cavalcanti. Apesar da derrota na final, as brasileiras confirmaram a força da parceria e ficaram com a medalha de prata diante da torcida carioca.
Entre os homens, o ouro foi conquistado pelos letões Martins Plavins e Kristians Fokerots. A dupla derrotou os franceses Rémi Bassereau Daubas e Calvin Aye por 2 sets a 0. Foi o primeiro título de nível Elite da parceria letã no Circuito Mundial.
Elite16 do Rio reforçou a ligação entre Copacabana e o vôlei de praia
A praia carioca voltou a funcionar como parte central da identidade do torneio. O Rio de Janeiro recebeu uma etapa Elite do Beach Pro Tour pelo terceiro ano consecutivo, mantendo uma tradição que atravessa diferentes gerações do esporte.
A cidade recebe eventos internacionais desde a década de 1980, além do Campeonato Mundial de 2003 e dos Jogos Olímpicos de 2016. A continuidade da etapa no calendário fortalece o Rio como uma das sedes mais simbólicas do vôlei de praia, modalidade cuja história competitiva está diretamente ligada às grandes arenas montadas em praias urbanas.
O torneio de 2026 também ocupou uma posição importante dentro da temporada. Foi a sexta etapa Elite do ano, nível que concentra os principais nomes do circuito, distribui pontos relevantes para o ranking mundial e coloca as duplas diante de adversários de alto rendimento desde a fase inicial.
Ao todo, 32 duplas femininas de 13 países participaram da competição. No masculino, foram 30 parcerias representando 14 federações. A programação começou com o qualifying em 29 de julho, antes da entrada das equipes classificadas para a chave principal e do avanço para as rodadas eliminatórias.
Campanha perfeita no feminino
Katja Stam e Raisa Schoon construíram uma das campanhas mais dominantes do torneio. Cabeças de chave número três, as holandesas disputaram sete partidas e venceram todas por 2 sets a 0.
A sequência impecável levou a dupla ao terceiro pódio consecutivo no Beach Pro Tour. Antes do título em Copacabana, Stam e Schoon haviam conquistado a prata em Ostrava e o bronze em Gstaad. No Rio, transformaram a regularidade das etapas anteriores em ouro.
Na semifinal, as holandesas derrotaram as francesas Clémence Vieira e Aline Chamereau por 21/18 e 21/13. A atuação confirmou a capacidade da dupla de controlar os jogos com pressão no saque, presença no bloqueio e eficiência na transição entre defesa e ataque.
Na decisão, Stam e Schoon encontraram Carol e Rebecca, que também chegavam invictas e sem perder sets. O equilíbrio esperado, porém, não se refletiu no placar. As holandesas abriram vantagem nos momentos decisivos dos dois sets e venceram por duplo 21/16.
O resultado encerrou um intervalo de três anos e meio sem títulos de nível Elite para Stam e Schoon. O triunfo anterior da dupla nessa categoria havia ocorrido em Doha, em fevereiro de 2023. Com o ouro no Rio, as duas chegaram a cinco títulos no Beach Pro Tour, além de seis pratas e quatro bronzes.
Carol e Rebecca mantiveram o Brasil no pódio
A dupla foi responsável pelo melhor resultado brasileiro no Elite16 do Rio de Janeiro de 2026. Líderes do ranking mundial durante a etapa, elas venceram seis partidas consecutivas sem perder sets antes da decisão.
Na semifinal, a dupla superou as norte-americanas Kelly Cheng e Megan Kraft por 2 sets a 0. O primeiro set foi decidido apenas nos pontos extras, com vitória brasileira por 25/23. No segundo, Carol e Rebecca controlaram melhor a partida e fecharam em 21/16.
A derrota para Stam e Schoon impediu o bicampeonato consecutivo da parceria no Rio, mas a prata manteve a dupla entre as principais forças da temporada. Carol e Rebecca haviam conquistado o título da etapa carioca em 2025 e também foram campeãs do Elite16 de Brasília em maio de 2026.
A medalha também ampliou a regularidade de Carol nas areias do Rio de Janeiro. A carioca chegou ao terceiro pódio consecutivo na etapa: havia sido campeã em 2024 ao lado de Bárbara Seixas e repetido o ouro em 2025, já formando dupla com Rebecca.
Desde o início da parceria, em 2025, Carol e Rebecca passaram a somar sete medalhas em 18 torneios internacionais: quatro ouros, duas pratas e um bronze. O desempenho no Rio mostrou novamente uma dupla equilibrada, capaz de reunir o bloqueio e a leitura de jogo de Rebecca com o volume defensivo e a experiência de Carol.
O pódio feminino foi completado por Kelly Cheng e Megan Kraft. As norte-americanas se recuperaram da derrota na semifinal e venceram Vieira e Chamereau por 21/13 e 21/9 na disputa do bronze.
Título inédito no masculino
A decisão teve como protagonistas duas gerações diferentes do vôlei de praia da Letônia. Martins Plavins, medalhista olímpico de bronze em Londres 2012, conquistou o título aos 41 anos ao lado de Kristians Fokerots, de 21.
A diferença de idade não impediu a construção de uma parceria consistente. Plavins e Fokerots venceram sete partidas durante o torneio e perderam apenas um set, ainda na fase de grupos. A experiência do veterano e o poder ofensivo do jovem jogador formaram uma combinação difícil de superar em Copacabana.
Na semifinal, os letões derrotaram os austríacos Timo Hammarberg e Tim Berger por 2 sets a 0. Depois de vencerem o primeiro set por 21/16, Plavins e Fokerots precisaram disputar uma longa parcial antes de fechar o segundo set em 28/26.
Na final, o controle foi maior. Contra Daubas e Aye, da França, a dupla letã venceu por 21/17 e 21/11. Fokerots terminou a decisão com 19 pontos, maior marca individual do jogo.
O título foi o terceiro ouro da parceria no Beach Pro Tour, mas o primeiro em uma etapa Elite. Também representou a oitava medalha conquistada pelos dois no circuito.
A França colocou duas duplas no pódio masculino. Daubas e Aye ficaram com a prata, enquanto Téo Rotar e Arnaud Gauthier-Rat conquistaram o bronze ao derrotarem Hammarberg e Berger por 2 sets a 1.
Desempenho das duplas brasileiras
Além da prata de Carol e Rebecca, o Brasil colocou outras duplas nas rodadas eliminatórias, mas não conseguiu chegar ao pódio masculino.
Evandro e Arthur Lanci, principais representantes do país na chave masculina, terminaram na quinta colocação. O resultado ficou abaixo da expectativa criada pela campanha recente da parceria, que já havia conquistado quatro títulos do Beach Pro Tour em território brasileiro desde a formação da dupla, em 2023.
André Stein e Renato também encerraram a participação em quinto lugar. Arthur Mariano e Adrielson ficaram na nona posição, enquanto Gabriel e Johann, Lucas Sampaio e João Pedro, além de Vinícius Freitas e Heitor, terminaram em 19º.
No feminino, Talita/Taiana e Thâmela/ Vic dividiram a nona colocação. Kyce/Simonetti, além de Verena /Thainara, ficaram na 19ª posição. Outras duplas brasileiras foram eliminadas ainda no qualifying.
Classificação final do Elite16 do Rio de Janeiro 2026
Feminino
- Katja Stam e Raisa Schoon — Países Baixos
- Carol Solberg e Rebecca Cavalcanti — Brasil
- Kelly Cheng e Megan Kraft — Estados Unidos
- Clémence Vieira e Aline Chamereau — França
Masculino
- Martins Plavins e Kristians Fokerots — Letônia
- Rémi Bassereau Daubas e Calvin Aye — França
- Téo Rotar e Arnaud Gauthier-Rat — França
- Timo Hammarberg e Tim Berger — Áustria
O torneio carioca fez parte de uma temporada marcada pelo equilíbrio entre duplas experientes e novas parcerias. Essa dinâmica aparece ao longo do ano no calendário do circuito.
O que o Elite16 do Rio deixou para a temporada
Confirmou o valor de Copacabana como palco esportivo e deixou resultados importantes para o restante do Beach Pro Tour.
Stam e Schoon encerraram um longo período sem títulos de nível Elite com uma campanha perfeita. Plavins e Fokerots transformaram o encontro entre experiência e juventude no primeiro ouro da parceria na categoria. Carol e Rebecca, mesmo derrotadas na final, mantiveram a regularidade e saíram do Rio como a única dupla brasileira medalhista.
Mais do que uma etapa isolada, o torneio mostrou como o vôlei de praia internacional segue competitivo e aberto. Duplas consolidadas continuam no topo, mas novos projetos ganham espaço e alteram o equilíbrio do circuito. Em Copacabana, tradição e renovação dividiram a mesma arena — exatamente como costuma acontecer nos grandes capítulos da modalidade.