O Elite16 de Montreal chega com um peso esportivo maior do que simplesmente encerrar mais uma sequência de torneios. Algumas das principais duplas do vôlei de praia internacional estarão no Parc Jean-Drapeau, no Canadá, para a oitava e última parada de nível Elite do Beach Pro Tour na temporada.
Montreal não funciona como uma final que entrega automaticamente um título geral da temporada aos vencedores. Quem conquistar o ouro no domingo será campeão do Elite16 de Montreal. Ao mesmo tempo, o resultado vale pontos importantes para o ranking mundial da FIVB que considera os oito melhores resultados elegíveis de cada equipe dentro de uma janela de 365 dias
É justamente essa combinação que torna o evento especialmente interessante para o Brasil. Carol Solberg e Rebecca chegam como líderes mundiais no feminino, Thamela e Victoria também estão entre as primeiras colocadas da classificação, enquanto Evandro e Arthur Lanci aparecem próximos do topo no masculino. Ou seja: além da disputa pela medalha, o Canadá coloca em jogo posições relevantes na hierarquia mundial.
A temporada
O Beach Pro Tour de 2026 programou oito torneios Elite: João Pessoa, Saquarema, Brasília, Ostrava, Gstaad, Rio de Janeiro, Hamburgo e Montreal. A etapa canadense, portanto, encerra esse calendário específico da categoria mais alta do circuito.
Além disso, Montreal não representa o encerramento absoluto do calendário internacional do vôlei de praia em 2026. A FIVB já anunciou que uma nova Beach World Series começará em novembro e substituirá o Beach Pro Tour como principal circuito internacional.
A importância da etapa
Uma vitória em um torneio Elite rende 1.200 pontos para o ranking mundial. Mas esses 1.200 pontos não são necessariamente adicionados integralmente ao total que a dupla já possui.
O sistema considera os oito melhores resultados dentro dos últimos 365 dias. Quando uma equipe que já possui oito resultados válidos conquista uma nova pontuação, o novo resultado entra no cálculo apenas na medida em que melhora o conjunto dos oito melhores.
Um exemplo real ajuda a entender. Quando Kristen Cruz e Taryn Brasher venceram o Elite de João Pessoa em março de 2026, receberam 1.200 pontos. Como o oitavo melhor resultado que estava sendo contabilizado para a dupla valia 460, aquele resultado saiu do cálculo. Assim, o ganho líquido foi de 740 pontos, e não de 1.200.
O mesmo mecanismo aconteceu diversas vezes ao longo do ano. Após o Elite de Hamburgo, Martins Plavins e Kristians Fokerots receberam 1.000 pontos pelo bronze, mas ganharam efetivamente 360 no ranking porque uma pontuação anterior de 640 deixou de integrar os oito melhores resultados.
Ranking mundial antes do Elite16 de Montreal
Na atualização disponível antes do início da etapa canadense, o Brasil aparece na liderança feminina com Carol Solberg e Rebecca, tem Thamela e Victoria empatadas na segunda colocação e também ocupa o terceiro lugar do masculino com Evandro e Arthur Lanci.
Feminino — Top 5 do ranking mundial
- Carol Solberg / Rebecca — Brasil — 8.780 pontos
- Thamela / Victoria — Brasil — 7.600 pontos
- Kristen Cruz / Taryn Brasher — Estados Unidos — 7.600 pontos
- Katja Stam / Raïsa Schoon — Países Baixos — 7.560 pontos
- Tina Graudina / Anastasija Samoilova — Letônia — 7.500 pontos
Há empate na segunda colocação entre Thamela/Victoria e Cruz/Brasher. Por isso, a classificação oficial passa da segunda para a quarta posição. Carol e Rebecca abrem 1.180 pontos de vantagem sobre as duas equipes empatadas em segundo, enquanto apenas 100 pontos separam a vice-liderança do quinto lugar.
Masculino — Top 5 do ranking mundial
- Jacob Hölting Nilsson / Elmer Andersson — Suécia — 8.020 pontos
- Martins Plavins / Kristians Fokerots — Letônia — 7.860 pontos
- Evandro / Arthur Lanci — Brasil — 7.680 pontos
- Rémi Daubas / Calvin Ayé — França — 7.420 pontos
- David Åhman / Jonatan Hellvig — Suécia — 7.400 pontos
No masculino, a distância entre Evandro e Arthur e a liderança é de 340 pontos. Os brasileiros estão 180 pontos atrás de Plavins e Fokerots e têm 260 pontos de vantagem sobre Daubas e Ayé. O cenário deixa Montreal com potencial para produzir alterações importantes nas primeiras posições, sempre considerando o sistema dos oito melhores resultados utilizado no ranking.
No Canadá, portanto, cada rodada pode adquirir importância além da classificação no torneio. Um grande resultado de Evandro e Arthur combinado com desempenhos inferiores dos adversários imediatamente acima pode alterar a configuração do ranking. O tamanho exato dessa mudança, porém, só pode ser determinado depois que forem conhecidos os pontos conquistados e os resultados descartados por cada dupla.
As duplas brasileiras que disputam o Elite16 de Montreal
O quadro principal começa com 12 duplas diretamente classificadas em cada gênero. Outras quatro vagas vêm do qualifying, formando um total de 16 equipes na fase principal.
No feminino, três parcerias brasileiras:
- Carol Solberg e Rebecca
- Thamela e Victoria
- Verena e Thainara
Ana Patrícia e Carol Horta aparecem no qualifying feminino e precisam avançar pela classificatória para alcançar o main draw.
A presença de Ana Patrícia com Carol Horta também é um dos pontos de atenção da etapa.
No masculino, Evandro e Arthur Lanci estão diretamente no quadro principal. Três duplas brasileiras aparecem no qualifying:
- André Stein e Renato
- Adelmo e Mateus
- Henrique e Manaus
Como funciona o torneio
O Elite é apresentado pela Volleyball World como o nível mais alto do Beach Pro Tour.
As equipes são divididas em quatro grupos com quatro duplas cada. A líder de cada grupo avança diretamente às quartas de final. Segundas e terceiras colocadas precisam disputar a rodada de 12.
O formato é:
- Qualifying: até 16 equipes disputam quatro vagas por gênero.
- Fase de grupos: quatro grupos de quatro duplas.
- Primeiro colocado do grupo: classificação direta às quartas de final.
- Segundo e terceiro colocados: avançam à rodada de 12.
- Mata-mata: rodada de 12, quartas de final, semifinais, disputa pelo bronze e final.
Essa vantagem dada ao vencedor do grupo faz com que a primeira fase tenha impacto direto no caminho até a medalha. Terminar em primeiro significa chegar às quartas sem precisar disputar uma eliminatória adicional.
A premiação total anunciada é de US$ 300 mil, com US$ 150 mil destinados a cada gênero.
Calendário do Elite16 de Montreal
A competição será disputada durante cinco dias no Parc Jean-Drapeau.
- 19 de agosto, quarta-feira — qualifying
- 20 de agosto, quinta-feira — primeiras rodadas do quadro principal
- 21 de agosto, sexta-feira — sequência da fase de grupos
- 22 de agosto, sábado — rodada de 12 e quartas de final
- 23 de agosto, domingo — semifinais e jogos por medalhas
Onde assistir ao Elite16 de Montreal
A Volleyball World mantém a VBTV como plataforma de transmissão do Beach Pro Tour.
Os horários específicos dos brasileiros dependem da tabela do qualifying, da composição dos grupos e do avanço ao longo das fases..
Assim, entre 19 e 23 de agosto, Montreal terá duas disputas acontecendo ao mesmo tempo. Uma termina no domingo, quando serão conhecidos os campeões do Elite16. A outra continua depois da última bola cair na areia: a corrida por posição no ranking mundial, construída resultado a resultado ao longo de uma janela móvel de 365 dias.
É essa segunda camada que dá à última parada Elite de 2026 um significado especial. Montreal não coroa um campeão geral da temporada, mas pode fechar o calendário Elite com brasileiros no topo do pódio e, ao mesmo tempo, deixar marcas importantes na hierarquia mundial do vôlei de praia.